Tiago

Blog do Tiago

16/05/2012 - 15:15:15


Deus não lê a bíblia

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Ele achou que deveria confiar seu segredo à sua mãe, seu pai falecera há pouco mais de um ano e eles estavam cada dia mais próximos, desde então ele assumiu a responsabilidade pela casa e acreditou, docemente, que o amor que os unia seria mais forte que qualquer dogma ou preconceito. Bom filho, bom irmão, carinhoso, atencioso, educado e estudioso, não haveria problemas... Filho exemplar! A mãe por certo lhe diria que sempre observou algo de diferente nele, uma sensibilidade um pouco maior, um carinho terno com todos em casa e saberia compreender a sua homoafetividade, que ele era sim um menino diferente e que isso não importaria. E ele vivia dias felizes, de descoberta, aqueles dias em que o coração bate mais forte por um colega de faculdade, coisa de amor platônico comum aos meninos e meninas da sua idade quando se encantam por pessoas do mesmo sexo.

 

Mas ela não teve dúvidas de que deveria colocar o seu filho para fora de casa, após agredi-lo física e verbalmente, afinal de contas ele era uma aberração que não seguia as orientações da sua igreja - e aquilo era uma doença, já dizia o pastor desde que ele estava em sua barriga. E por mais que ela tenha sofrido, ao saber que ele estava morando de favor na casa de amigos, homossexuais como ele, se manteve firme por semanas, até que um tal de Deus tocou profundamente em seu coração.

 

Naquele instante alguma coisa em seu peito falou mais alto que o pastor homofóbico, que insistia em sistematicamente dizer que os homossexuais deveriam ser punidos. Ela chamou seu filho amado para conversar, humildamente lhe pediu desculpas por sua ignorância e agressividade, e disse que ele fazia falta, e muita, e que se aquela era a realidade dele, que se Deus havia dado a ela um filho com aquelas características, caberia a ela cuidar dele. Que por mais que ela não compreendesse aquela situação, aquela era a sua missão.

 

Essa história é real. Dezenas, centenas, milhares de vezes real, continuará sendo real por décadas e décadas ainda. Ocorre agora, nesse instante, mundo afora, uma delas aconteceu com aquele menino lindo que eu insisto em chamar de príncipe, tempos idos.

E ele foi firme, sofreu calado mas em nenhum instante se revoltou com a atitude da mãe. Se a ela faltava compreensão, não haveria de faltar também a ele. Ele deveria seguir confiante, sofrer o que tivesse que sofrer, pois isso o faria mais forte. Não é porque me julga que vou te julgar também, te devolver as pedras.

 

Passados alguns anos eles são mais que amigos. Ela não abandonou a sua fé, mas consegue se indignar quando o tal pastor fala contra os gays, a ponto de confrontá-lo em particular após o culto - o que é uma evolução imensa - e disse perceber que ele já atenua suas palavras, ao invés de apedrejar como fazia antes diz que "essas pessoas, que sofrem nesse inferno de Vida, precisam da nossa ajuda e da nossa compreensão para se livrarem desse vício".

 

Antes apedrejados, são hoje uma pedra nos sapatos desses homens que se enrustem na bíblia e que não se assumiram no passado e que por isso hoje se incomodam com a nova geração que teve a ousadia de serem o que são.

 

Assim como essa mãe, outras tantas também se posicionam com firmeza, e só posso dizer que vejo dias melhores à frente. Basta ter paciência, fé em Deus, ou em Buda ou em Alá ou nos seus orixás e santos e principalmente a firmeza de olhar nos olhos de quem se ama não com o medo de quem pede clemência mas com a doçura de quem apenas enxerga o mundo de uma forma diferente.

 

Dias melhores virão.

Escrito por Tiago às 15:15:15

11/05/2012 - 09:18:27


Amores são ternos

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Uma vez eu li um texto em que o autor dizia: "continuo amando todos aqueles que amei em algum instante da minha Vida, e os amarei para sempre". Aquilo me soou demagogia, afinal como podemos amar para sempre pessoas que não estão mais no nosso convívio, muitas vezes em decorrência de desilusões por gestos ou palavras, ou por mudança de valores?

 

Mas hoje entendo e faço coro com ele - apesar do autor ter me amado por poucas horas e ter me eleito desafeto por algo que considero insignificante e virar a cara quando me encontra em algum evento social. Pois, ao contrário dele, entendo hoje mais de amor que de desilusão e mesmo que não sinta amar intensamente todos aqueles que amei em algum instante da minha Vida, como amo os que amo hoje, sinto uma saudade enorme do amor que vivemos quando amar era exercício pro cotidiano, devoção terna entre os que sabem ser doces, muito mais que simples sentimento. Muito mais que sentimento, tão subjetivo.

 

Queria poder desenhar para me fazer entender melhor, mas sei que você me entende. Algumas vezes eu tenho que reler o que escrevi, pois eu mesmo abro ganchos e ganchos que tenho que checar antes de publicar se estão devidamente amarrados.

 

Ontem saí para beber cerveja com meu ex-namorado, aquele que era casado e com quem eu namorava nessa época do ano passado. Não nos víamos havia 5 meses, nos conhecemos há quase 6 anos, idas e vindas, e esse tempo foi necessário para que a gente colocasse os valores pessoais em ordem. Nosso amor foi intenso, continua sendo intenso, mas temos referências de mundo muito distintas, o que nos faz complementar ao mesmo tempo que nos distancia. Há uma forte atração, que muitas vezes nos faz repelir.

 

Meia dúzia de garrafas depois, uma deliciosa porção de carne-seca com mandioca frita, levemente embriagados nos despedimos no bairro elegante onde moro, segui caminhando até em casa por uns quinze minutos, pensando no quanto a Vida tem sido generosa.

 

Dormi que nem um bebê, acordei sem ressaca alguma numa manhã ensolarada de sexta-feira para me encontrar com meu sócio como fazemos quinzenalmente e tomarmos café numa padaria bacana, um buffet farto de guloseimas que me fazem afogar mágoas e alegrias e carboidratos e calorias. Como bem, e a vontade, por R$ 11,90... Um luxo!

 

E fico aqui, nas minhas divagações, com um sorriso marejado no rosto agradecendo a tudo o que a Vida tem me ofertado. Acho que preciso me permtir mais, sair mais, conversar mais e manter cada dia mais os meus amores por perto. E também  manter meu coração aberto para os que me elegeram como desafeto...

 

Hello sunshine!

 

* * * * * * *

 

Acho que estou ficando careta demais... Um amigo, hétero, que vai ser pai hoje, enviou um convite para que assistíssemos ao nascimento do seu filho pela internet... deu o link do hospital e a senha, acessei há pouco e pela posição da câmera achei íntimo demais... fico imaginando que esse seria um momento para poucos, mas em tempos atuais tudo se transforma em espetáculo...

Escrito por Tiago às 09:18:27

08/05/2012 - 18:18:18


Que gay sou eu?

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

 

Outro dia conversava com um amigo que, do alto dos seus 70 anos, se dizia arrependido por ter feito uma "opção" pela homossexualidade. Isso me soou estranho e quis saber mais sobre esse sentimento, uma vez que somos amigos há mais de 20 anos e sempre o considerei um cara equilibrado e muito bem resolvido com a questão da homossexualidade. Além de ser ainda um cara bastante charmoso, daqueles que ainda encantam muitos... Vale lembrar que Ney Matogrosso tem essa idade e continuo me derretendo por ele. Idade não quer dizer muita coisa.

 

Dizia meu amigo:

- Nos anos 60/70, quando eu me assumi, havia toda aquela onda da liberação sexual e eu, que era de família rica e tive a oportunidade de estudar na europa, achei que era bonito seguir esse caminho. Mas a realidade lá já era outra, muito diferente daqui, se bem que hoje os mais jovens aqui vivem essa realidade. Tive amigos homossexuais daqui que me diziam que a única forma de ser feliz vivendo nessa sexualidade era escondendo-a da sociedade, que sexualidade é uma coisa, mas que levantar bandeira em público era uma bobagem... Fica no armário que é melhor! Eles se casaram, tiveram seus filhos e netos, não são rotulados pela sociedade e não estão sozinhos. E eu estou sozinho, não tenho ninguém por mim... Passo a semana toda sozinho, falando com minhas irmãs por telefone, tenho poucos amigos e no domingo, ou eu faço o meu almoço ou vou pra casa das minhas sobrinhas, mas eu sempre me sinto um peso nessas reuniões familiares.

 

Um outro amigo, na faixa dos 50 anos, de uma hora pra outra e sem nenhuma conotação religiosa, arranjou uma esposa bem mais jovem e disse que abandonou a homossexualidade, ou melhor, a homoafetividade e a busca por um companheiro. Queria ter filhos e se disse cansado de insistir nesse caminho por tantos anos, não construir relações duradouras mas admitiu que jamais deixará de se sentir gay, que não há nada de novo nesse mundo e que ele já conheceu tudo. E ainda me disse, repito que sem conotação religiosa, que só seguiu nesse caminho por tanto tempo pois sofreu abusos sexuais de um tio, que mais tarde descobriu ser seu pai, e que acabou se viciando nessa dinâmica entre homens. História maluca essa, mas ele me pareceu bem consciente dos caminhos que estava escolhendo, e que perduram.

 

Outro dia, numas dessas aventuras sexuais vespertinas, conheci um cara da minha idade que na adolescência vivenciou intensamente e depois sublimou a homossexualidade, por pressão social e medo da aids se casou, teve filhos, hoje é avô e apenas depois dos 40 anos voltou a transar com homens... Ficou 20 anos na abstinência, sem se questionar na sua "opção"... Hoje vive vida dupla mesmo, sem culpas ou medos, e me disse que só está casado ainda por ter essa válvula de escape, mas que sonha encontrar um companheiro secreto pelo qual sinta tesão e com o qual crie cumplicidade. A esposa é ciumenta ao extremo, ele é um cara muito bonito, mas ela  nem desconfia que ele se diverte com homens, porém não há cumplicidade entre eles e ele se sente vazio ao lado dela.

 

Os três casos me pareceram serem questões relacionadas com uma tristeza humana em decorrência da solidão, da falta de referências sociais, e não coisas referentes à sexualidade.

 

Eu tenho andado em paz com a minha sexualidade, buscado o equilíbrio com a minha solidão, buscado a felicidade mesmo com as minhas carências - e não são poucas. Estou fazendo terapia, indo cada vez mais fundo nas minhas análises e citei esses exemplos para dividir com vocês que não devemos pensar que há caminho certo ou caminho errado.

 

Certo é corrigir um caminho que não te faz mais feliz, errado é seguir em direção a um lugar que você sabe que te trará infelicidade - e isso é válido para todas as escolhas que fazemos. Temos o livre arbítrio e uma sexualidade única, portanto não há certo e nem errado e nunca é tarde para mudar o rumo dessa prosa. E não preste atenção na militância caricata e infeliz, aquele papo de que quantos mais se assumirem, melhor, é papo pra boi dormir. Arrancar alguém do armário é uma agressão violenta e tão homofóbica quanto espancar um gay na rua.

Concordam?

 

Aos 70 anos, o que falta pro meu amigo é companhia e ele não se sente mais atraente e se deprime indo aos lugares gays que tanto lhe foram importantes no passado. Se sente discriminado e alvo de chacotas e sabemos muito bem que elas existem, a tolerância dos mais novos nem sempre é bacana. Volto a dizer que o acho um homem muito atraente, mas desde que ele se aposentou não tem mais a necessidade de sair, ter contato com pessoas e acabou se isolando. São muitos os homens de 70 anos, gays ou não, que mantém uma rotina saudável e portanto convivem bem com a idade.

 

Ao outro, faltavam os filhos que ele sempre desejou - e que na sua visão de mundo devem ter pai e mãe, ele não assimila um filho com dois pais ou duas mães, é a visão peculiar dele do mundo - e que está providenciando, em breve nascerá o segundo. Está com quase 50 anos, rico e arranjou uma menina do interior, humilde e bem mais jovem, da mesma cidade em que seu pai o abusava décadas atrás, ela dá a ela uma vida de rainha, e disse que querem 3 filhos nos próximos 5 anos. Uma meta que vai alcançar.

 

Ao terceiro falta a cumplicidade de um companheiro e uma vida sexual mais intensa, mas ele tem ainda os sonhos que muitos caras como eu já acreditaram com mais intensidade. Quem é que não quer um companheiro gostoso na cama, cúmplice e que tenha valores compatíveis com os seus?

 

Eu fico me perguntando: que gay sou eu? o que me falta?

Eu talvez seja um pouco dos três (vale dizer que nunca sofri abuso na infância, e nem sou pedófilo) e também um pouco de você, que me lê agora. Sou bem resolvido com a sexualidade, papéis que alterno sem grilos, intensidade que pode variar, continuo gostando de sexo. Tenho medo da solidão, mas crio hoje as condições para me fortalecer, quero um companheiro, quero estabilidade financeira, não quero crianças, não quero ostentação, quero viajar o mundo...

 

Simples assim.

 

* * * * * *

 

E podemos comemorar: ao que tudo indica, no novo site, a interação volta a existir!

Em breve já estarei eu mesmo liberando os comentários!

E agora em junho completo 6 anos com esse blog no Mix!

Escrito por Tiago às 18:18:18

04/05/2012 - 12:24:36


Sorriso largo

A Vida é mais forte que a AIDS

 

Por questões profissionais estou agora em Curitiba, cidade onde passei longas temporadas a trabalho nos anos 90 e pra onde não vinha há mais de 10 anos. Encontrei uma cidade muito diferente, mais prédios, mais trânsito, mas com aquele clima difícil de entender. E que me trouxe para uma introspecção daquelas...

 

Nessa noite de sono, deitado em outra cama (estou hospedado em casa de parentes, economizando hotel e com a grana pagando jantares) e com o aconchego prévio de uma tia-avó de 87 anos, nas minhas divagações antes de dormir, fiquei me perguntando o que é que faz com que algumas pessoas mantenham o sorriso no rosto apesar de tantas adversidades. A história de vida dessa tia, que enterrou marido, três filhos e dois netos, é um exemplo.

 

Apesar da saúde frágil ela se mantém lúcida e não abre mão da manicure toda semana, de pintar os cabelos todo mês, e de uma fisioterapeuta duas vezes por semana. Um sorriso no rosto e um olhar profundo que não se intimida com nada me trouxeram algumas certezas.

 

A principal, é que devo agradecer a todos que me fizeram chegar até aqui, aos meus avós portugueses, austríacos, espanhóis, negros e índios, aos meus pais nascidos no interior do estado de São Paulo que se aventuraram numa cidade grande quando tinham apenas um sonho e a força de trabalho, aos meus amigos, aos meus amores. De todos os tempos.

 

E isso inclui vocês, queridos leitores.

 

E estou torcendo para que, no novo site do Mixbrasil, conforme divulgado pelo André Fischer, a gente volte a interagir como no passado. Já pensou que legal se voltar a responder cada comentário com carinho e atenção como fiz em outras épocas. Espero que sim!

 

Afinal, a gente se merece!

Escrito por Tiago às 12:24:36

23/04/2012 - 18:18:18


Cada um na sua!

 

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

"Muitos gastam o que não ganharam, comprando o que não precisam, para impressionar alguém que não gostam."

Will Smith

 

Já morei sozinho muitos anos, em apartamento próprio, depois dividi meu espaço com um cara com quem fui casado cerca de três anos e também já dividi apartamento alugado com amigos. Por opção hoje moro com os meus pais e ao final das contas isso me custa até mais do que custaria morar sozinho. Dou presentes e mais presentes a eles, pago viagens, convido para almoços todo final de semana, são mimos e mais mimos de um filho querido e muito amado que sabe que o que mais vale nessa Vida é o convívio familiar, sou generoso e aprendi que generosidade gera prosperidade. Meus pais têm certa idade, não são eternos e devo usufruir deles nos dias de hoje, quando estão com saúde e disposição. Também por opção hoje não tenho carro, uso o carro deles quando quero e está disponível, ainda assim sou eu quem paga todos os impostos, boa parte da gasolina e da manutenção. Só não tenho a posse do veículo.

E nem preciso.

 

Na terapia semana passada falamos algo sobre isso, superficialmente, e nessa semana é algo para ser trabalhado. Morando com família custo menos e sobra mais no bolso, tenho menos trabalho no cotidiano e sobra mais tempo, a Vida fica mais prática, não tenho que lavar, passar ou administrar empregada. Pago as contas, fujo de administrar uma casa. Tenho minha empresa, que já me consome um tempo enorme, muitas responsabilidades e o lucro que obtenho com o investimento feito nela é elevado, tenho metas claras e plano de ação bem elaborado. Estou num ritmo de crescimento que ao que tudo indica em dois ou três anos me deixará rico, pros padrões da minha família e de boa parte da população, não milionário, mas nem por isso mudarei meus gostos e deixarei de ser um cara econômico e de poucos gastos.

 

Quero ter mais tempo para poder viajar mais, que é algo que adoro, mochila nas costas, e defendo a tese de que esse é o dinheiro mais bem gasto!

 

Mas aos olhos de alguns, eu tenho que ter carro, do ano e com banco de couro, esportivo ou um daqueles carros gigantes que gastam um combustível danado, eu preciso urgentemente morar sozinho em área nobre, apartamento bem decorado de preferência uma cobertura de no mínimo 200 metros, com três vagas na garagem! Alegam que assim vou poder levar para casa quem eu quiser, na hora que quiser, ter liberdade e não ficar confinado num quartinho como quem implora por um teto... Dar festas para os amigos... Ter mobilidade, utopia de quem tem carro... Que viagem, que visão equivocada da minha Vida!

 

Há algo de muito errado nessa história.

E tenho certeza: não é comigo.

 

Eu não me incomodo com as roupas que você usa, nem se você está mais magro ou mais gordo que da última vez que nos vimos, mas me incomodo seriamente se você se incomodar com as roupas que eu uso. Vai soar que você tem vergonha de mim, embora saibamos que a minha conta bancária não ostenta um sinal de menos na frente como a sua... Meu gerente me procura pra propor investimento, não para cobrar cobertura de cheque especial.

 

Sei me vestir, ou não - dependendo do ponto de vista - e já movi montanhas para a essa altura da Vida ter que ouvir besteiras. Jeans e camiseta pólo me caem bem, sempre, mesmo sem terem um jacarezinho bordado. Sandálias havaianas já usava antes de ser moda.

 

Perda de tempo e falta de respeito comigo ficar me falando que eu estou magro, ou que estou mais gordo e que ser gordo não combina comigo e que portanto devo voltar a fazer ginástica naquela academia caréssima de meninos que fazem carão para não ficar enorme, ou devaneio seu  imaginar que se depois emagrecer eu vou ficar flácido, ou o que quer que seja.  Deselegante me dizer que estou com barriga, são só os gases da feijoada que vou soltar em breve, na sua cara se continuar me enchendo o saco... Tenho 45 anos, estou melhor que a maioria, melhor que muitos com metade dessa idade.

 

Cuida da tua Vida! Se disser que devo comprar um carro e parar de andar de ônibus, ou à pé, ou que eu devo, já que não vou comprar um carro, andar ao menos de táxi você vai conseguir, no máximo, ser inconveniente. Pode tentar mexer com o meu psicológico dizendo que eu estou acomodado, que eu sou capaz de fazer muito mais do que faço hoje, me comparar com a imagem que teve de mim tempos atrás e vir com teorias e mais teorias. Eu posso estar perdido, mas eu sei muito bem onde estou!

 

Advirto: não perca seu tempo.

Isso me soa agressão gratuita, invasão de espaço e falta de respeito.

 

Algumas pessoas, queridas por demais, se incomodam por eu ter alcançado um nível de compreensão da Vida e das relações da qual estão à milhas de distância. Eu nem preciso provar mais nada para ninguém, quem me ama não fica me dizendo o que devo ou não fazer.

 

Sabe aquele papo de projeção e espelhamento?

 

Uma vez um pai-de-santo me disse: "Nunca digas o que tem, ostentar é bobagem e só atrai inveja... Deixe sempre pensarem que tens menos do que aparenta".

 

É tão mais digno contar dos próprios problemas. Mas é tão mais fácil vestir uma máscara de superior e apontar o dedo... Cada um sabe onde é que o calo aperta, pisar nos pés dos outros não é nada chique.

 

Vai por mim.

 

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Escrito por Tiago às 18:18:18

12/04/2012 - 10:22:33


Quando me rendo

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Eu sou um cara naturalmente acelerado, daqueles que fazem duzentas coisas ao mesmo tempo. Quando acordo de madrugada aproveito para programar o dia seguinte, enquanto alongo e faço exercícios respiratórios que visam me fazer dormir novamente.

 

Parece estranho, mas é assim que funciono. Estou o tempo todo ligado.

 

Sou também um cara difícil de expressar sentimentos. Tipo coração peludo mesmo, daqueles que não soltam lágrimas por pouca coisa não. Tenho muitas vezes comigo que me fragilizo quando mostro emoções, então acabo sendo uma pedra. Aparentemente, pois quem me conhece, e quando me conhece bem, sabe que tenho um coração geléia.

 

De umas semanas pra cá elegi a quarta-feira como meu "dia de folga". Saio do trabalho mais cedo, vou caminhando lentamente até a estação Pinheiros do metrô, fazendo em quase 20 minutos um trajeto que poderia fazer em pouco menos de 10, desço na estação Paulista, sigo por aquele labirinto para sair na estação Consolação, vou caminhando tranquilamente até um restaurante turco-árabe na Rua Augusta, observando o quanto as pessoas se incomodam com quem anda devagar ou não sobe andando as escadas rolantes, almoço sem pressa, mastigando 20 vezes cada porção, tomo um chá, como um doce e sigo vagarosamente até a terapia, que faço no CRT da Frei Caneca, coladinho no shopping.

 

Terapia feita, dou seguimento ao meu ciclo desacelerado com uma sessão de cinema. Na terapia tenho trabalhado essa questão de ser forte e de mostrar-me, ou não, nas minhas fragilidades. Tenho dado uns nós na cabeça da minha terapeuta, mas rolou uma empatia das boas e ela tem sido competente e me feito trazer à tona questões que há tempos vinha guardando na gaiolinha.

 

Semana passada assisti o "Shame", e fiquei encantado - por pura identificação. Eu poderia fazer a leitura e interpretação óbvia de um possível vício em sexo, como fizeram meus vizinhos de blog, mas vou mais além e fico aqui me questionando sobre o que leva alguém a compulsões, seja por álcool, drogas, sexo ou amor. A compulsão é humana. Gosto de sexo, mas longe de mim achar que estou viciado. Mas não dispenso uma trepada, quando estou com vontade e tempo e pinta alguém bacana que me atraia, afinal uma foda adiada é uma foda perdida.

 

Ainda não sei responder o motivo de ter me encantado pelo filme. É fato que o assisti  na quarta, e voltei ao cinema no domingo, e quero voltar amanhã para buscar mais alguns detalhes. Mais que a questão sexual, com a qual não há como não se identificar, ficou muito forte em mim a questão da relação do protagonista com a irmã... Especialmente na cena em que ela canta "New York, New York", não há como não ficar perturbado com a dificuldade dele em expressar emoção, é exatamente a cena da foto que usei nessa postagem. E também me perturbou uma cena que acontece antes disso, quando ela clama por carinho, quase implorando, e ele pergunta se ela precisa de dinheiro...

 

Embora eu goste de sexo, e seja liberto nesse tema (a ponto de em janeiro ter pago uma prostituta em Buenos Aires por puro fetiche - e eu estava sem sexo com mulheres havia mais de 4 anos) minha maior identificação ficou no âmbito  dessa relação familiar, arrisco dizer. Não sou bissexual, sou lucidamente homossexual, mas não me proibo de nada.

 

Assunto pra voltar aqui algum dia, pois é algo que venho trabalhando na terapia. Por quais razões eu penso que tenho que ser provedor, materialmente falando, quando muitas vezes as pessoas próximas querem tão somente o meu carinho e atenção?

 

* * * * *

 

E aproveito para dizer que gostei dos novos vizinhos! Andei comentando nos posts do Beto, mas misteriosamente os meus comentários também não apareceram!

 

Escrito por Tiago às 10:22:33

29/03/2012 - 11:11:11


Pérolas aos porcos

"Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.


Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade."


Cora Coralina

 

A Vida é mais forte que a AIDS

 

Você tem razão, meu amigo, quando diz que "o melhor psicanalista é o espelho porque quando te enche o saco você simplesmente o quebra". Mas eu vou mais além, se me permite (ou não!) faço das suas palavras as minhas e divago sobre o tema. Abandono o objeto espelho, aquele que se quebrarmos poderá nos trazer, conforme a lenda, 7 anos de azar, e penso na relação entre as pessoas, no que chamamos de "espelhamento". Evidente que nessa minha lógica devo não seguir a sua recomendação, pois não dá para arrebentar a cara de quem nos enche o saco!

 

Eu vejo em você aquilo que há em mim. Identifico em mim o que de melhor e de pior você tem - te conhecendo ou não. Eu te parabenizo pelo meu melhor, que enxergo nos teus gestos e palavras, ainda que eu não saiba quem é você. E por fim eu aponto o dedo te acusando daquilo que há em mim, e que no fundo me incomoda - mesmo que eu negue. Tudo o que eu penso são suposições, e isso tudo pode ser uma grande pretensão - afinal eu sei que sou um pouco maluco mesmo!

 

Não sou psicólogo, sou analista de sistemas por formação acadêmica, com cursos e mais cursos sobre gestão de pessoas e hoje, por uma dessas ironias do destino, admistrador de empresas com foco no financeiro. Atuo ainda com auditoria e como dizemos no meio desenvolvi "o dedo podre" - que á a capacidade de ir direto onde o erro está. Mas leio muito, sobre tudo, e gosto de dar os meus pitacos. Afinal, qual a diferença entre a realidade e a imaginação? A mente, que mente, muitas vezes não sabe essa diferença.

 

Criei os meus valores, acima de tudo o meu respeito pelo que me cerca. Esse deveria ser o valor maior para todos os seres: respeito pelos demais, pelo entorno. E digo que colocaria a flexibilidade em primeiro plano, ainda mais sendo um capricorniano que no passado já foi birrento e narcisista ao exrtemo. Em segundo coloco o equilíbrio no trato de questões do cotidiano, incluindo aqui a compreensão de que os meus valores são os meus valores, por mais que você compactue, ou não, com eles. Mas não sou bobo, embora muitas vezes possa parecer. Sou doce, agridoce, azedo, amargo, melado, salgado, picante, sou o que tiver que ser. Sou o que você quiser que eu seja, como disse outro dia: ando por demais flexivel.

 

Ninguém chega onde cheguei sendo bobo, ingênuo, imbecil. Ninguém chega onde cheguei se não tiver respeito pelo semelhante, flexibilidade para lidar com as situações adversas e inesperadas que surgem a todo instante e se não buscar a compreensão o tempo todo. Venho me tornando especialista.

 

Digo isso, despido de modéstia e de soberba, de alma limpa. Ninguém sobrevive a 19 anos de notificação ao hiv (ou 26 de infecção) e chega aos 45 anos de idade com uma pele linda, macia e durinha, quase um pêssego, se não tiver uma alma muito generosa, se não for uma pessoa de boa índole e de caráter inquestionável. Conheço meninos de menos de 30 anos que não têm a pele que eu tenho, que não têm o vigor que eu tenho, que estão flácidos, amargurados, enrijecidos, travados nas suas mágoas e reativos de forma deselegante aos contratempos da Vida.

 

Não vou falar sobre equilíbrio e flexibilidade pois são raras as pessoas com menos de 30 anos que alcançaram esse nível de compreensão da Vida e das relações entre os seres, animados e inanimados. Nem vou falar dos homens velhos, ainda mais amargurados e reféns de vícios e mais vícios, embora diga que nem todos os homens velhos são amargurados, aliás são bem menos que eram quando eram jovens, e são minoria. Em geral homens mais velhos são bem mais interessantes e bem resolvidos.

 

Sabem bem que não querem nada mais sério mesmo... Piada pro momento reflexão...

 

Me perdoem meus leitores mais jovens, mas maturidade só vem, quando vem, com o retorno de saturno - que ocorre entre 28 e 30 anos de idade. Me perdoem os meus leitores mais velhos, mas pensem na questão do espelhamento - e aqui eu me enquadro, amigo, solidário, solitário e ainda assim sorridente.

 

A intenção não é agredir ninguém, é apenas mais uma divagação.

 

Ontem, logo após a terapia, fui ao cinema. Assisti "Verão em Los Angeles" e saí do cinema com reflexões e mais reflexões que gostaria de ter dividido com alguém. Sabe quando somam-se questionamentos e você tem a equivocada sensação de que sabe com quem conversar? Pois nada aconteceu, lamento que algumas mentes sejam pequenas, estáticas, ou contenham uma amargura tão grande - apesar do sorriso aberto - que seja mais fácil acusar que refletir. Fui rotulado, injustamente, de ser pouco compreensivo depois de tomar um cano que poderia ter sido evitado... Por respeito!

 

Então tá. Cada um dá o que tem, e cada um que cuide do seu futuro, que vá catar suas latinhas pelas ruas quando nada mais de bom acontecer, ou curar suas dores em Paris - que é bem mais interessante que Teerã. Eu sou mais eu hoje, sou mais eu que a figura em questão décadas atrás quando tinha a idade que ele tem hoje. Tão iguais e tão distintos!

 

As respostas chegam, de uma forma ou de outra.

 

Com dizia a minha vó, a vida é muito curta e preciosa para jogar pérolas aos porcos e beber vinho vagabundo, o tempo é muito curto pra se perder acendendo velas e rezando pra defuntos que não são nossos. E ela viveu só até os 90 anos. Deixou 3 filhos, 9 netos, 27 bisnetos e sabe-se lá onde esse número vai parar.

 

Nessa noite dormi como um bebê e sinto que fui tocado por um anjo.

O melhor, digo sempre, está por vir!

 

E como diz uma amiga: "sejam felizes sem mim, o que é absolutamente possível".

 

O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos...

 

Escrito por Tiago às 11:11:11

23/03/2012 - 11:21:31


A Vida é simples

A ViDA é mais forte que a AIDS

 

Semana passada voltei a fazer terapia. A primeira vez que me aventurei pelos consultórios dos psicólogos foi em 1995, quando participei de um projeto da USP voltado para portadores do vírus HIV. A equipe coordenada pelo Prof. Dr. Esdras Vasconcellos acreditava que o vírus por si só não seria capaz de causar Aids, ao menos não em todas as pessoas que o contraísse, e que seriam necessários outros co-fatores para que se desenvolvesse a doença - tais como desnutrição, hábitos destrutivos como álcool, drogas e tabaco, além de crises emocionais frequentes.

 

Me identifiquei com a proposta e por lá fiquei durante mais de 2 anos. O projeto acabou por falta de quem o patrocinasse, uma vez que todos ali eram voluntários. Alguns psicólogos recém formados e outros profissionais que, embora mais experientes, se deparavam com a questão da Aids em seus consultórios e buscavam ali a capacitação para lidar com aquela nova síndrome. Vale ressaltar que isso foi em meados dos anos 90, quando o cenário era bem diferente do de hoje.

 

A segunda vez foi em 2007. Entrei numa crise existencial gigantesca, aos 40 anos de idade os meus valores estavam sendo colocados à prova e eu resistia ao capitalismo, numa onda que caberia muito bem a um adolescente filho de milionários. Não era o meu caso, e consegui em cerca de 8 meses me reposicionar e compreender que a minha rebeldia era desnecessária e burra. Voltei ao mercado de trabalho e hoje acho interessante viver no mundo capitalista com o mínimo de apego aos bens materiais, ser um empresário que movimenta altas cifras e nem por isso ostentar o que eu tenho ou desejo ter.

 

Conheço vários que ostentam para se sentirem seguros, pura bobagem que no passado eu também ja fiz... Estou, de certa forma, me garantindo para quando estiver mais velho, afinal não desejo trabalhar até aos 70 anos de idade para compensar uma aposentadoria ridícula. Busco ter alguns imóveis alugados que gerem receita suficiente para viver e fazer o que eu gosto, escrever, ler, pintar quadros, viajar, ir ao cinema numa quarta-feira após o almoço.

 

Dessa vez me veio um vazio, sabe quando tudo está indo bem mas o sentimento é de que falta algo? Tudo equacionado, mas minha insatisfação permanecia. E achei que precisava de apoio, alguém que me escutasse. Precisava de alguém para conversar, alguém que não fosse apenas um amigo solidário aos meus conflitos, pois pensar que gastar horas do ouvido de um amigo é sinal de amizade das boas pode ser um equívoco.

 

Buscava alguém que fosse paga para me ouvir, como quem recebe para cortar os meus cabelos ou as minhas unhas, ou talvez até como quem recebe seus honorários para fazer sexo comigo. Acho que nunca disse aqui mas tenho um fetiche delicioso por sexo pago. E não é por ter 45 anos, me lembro que já aos 25 isso era algo que me agradava, eventualmente. Não dá para viciar nisso, aliás vício nenhum é legal. Mas gosto sim do jogo de sedução entre um garoto (ou garota) que se vende por uns trocados e que em geral tem uma carência ainda maior de que a de quem está pagando.

 

Recomecei minha terapia na semana passada. Foram duas sessões, intensas. Só eu falei, contei da minha infância, do quanto tive que aprender a ser forte para me defender, de quando na infância me chamavam de mariquinha e tentavam me bater, isso que hoje chamam de bullying... Contei das minhas superações para estudar e trabalhar, da construção de patrimônio, ganhos e perdas financeiras, altos e baixos na Vida profissional, resiliência e flexibilidade, dos amores do passado e de sonhos de amores futuros, da minha dificuldade imensa em me mostrar fraco... Não gosto que me vejam frágil, nesses períodos ou momentos me fecho na gaiolinha... Tiramos algumas conclusões e tenho me sentido mais leve, tenho dado risada dos meus conflitos e dormido melhor.

 

Hoje tenho poucos amigos, por opção minha, muitos colegas e orbito em diversas tribos, sei que sou um enigma para muitos, e mais que isso que ainda assim sou muito querido por muita gente. Referência de sucesso na família, exemplo de um cara bem resolvido pros primos e sobrinhos, embora eu saiba que me vêem muito melhor do que sou. Mas ando seletivo e sem pique nenhum para me sentir sozinho tendo dezenas de pessoas ao meu lado. Vez ou outra sim, mas nem sempre como foi no passado recente - onde por companhia meu comportamento beirava a subserviência. Sou multifacetado, cheio de manias, ajo e reajo conforme os meus humores, mas já sou adulto o suficiente para não dar espetáculos desnecessários.

 

Como dizia o Renato: "muitos temores nascem do cansaço e da solidão".

Então é isso, final de semana chegando e vou me jogar em mim mesmo, assistir ao último capítulo da novela e me divertir com o queridíssimo Crô, assitir ao BBB12 (acho imbecil criticar o programa ou quem gosta do programa - pseudo-intelectuais de plantão) e depois sair pra dançar e beber umas doses de uísque.

 

Sem energético, pois o energético aqui sou eu!

 

 

Escrito por Tiago às 11:21:31

12/03/2012 - 23:22:21


Amores te iludem

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Houve uma época remota, distante mesmo dos dias atuais, em que eu amava por amar, amava enquanto verbo, transitivo, intransitivo, direto ou indireto, platônico e me sentia leve e feliz com isso. Em que eu amava intensamente, apesar de qualquer obstáculo que a minha mente inexperiente pudesse criar, sem nenhuma pontinha de medo de ser feliz, a ponto de escrever poemas que ficavam guardados num caderninho numa caixa de sapatos na última prateleira do armário. O meu amar era meu segredo, amor secreto, sentimento sagrado, coisa de menino que ama platonicamente o melhor amigo da escola e cria sonhos e mais sonhos que nem se importa em serem só sonhos. Nessa época eu não necessitava de beijos apaixonados e nem tinha uma libido tão acelerada, amar  daquele jeito gostoso me bastava e me supria. Nessa época meus amores eram platônicos, e foi assim que passei da infância para a vida adulta, no que chamam de adolescência.

 

Esse tempo ficou lá atrás, hoje eu não amo mais, ao menos não daquela forma. Algum cavalheiro gay e imbecil que cruzei no caminho, e que por certo já morreu de aids, sim pois eu conheci um monte de gente que morreu e que continua morrendo de aids, me disse que a melhor forma de resolver aqueles amores platônicos era com uma trepada homérica. E eu acreditei nele e comecei a trepar, não com os meus amores imaginários e sim com homens de Vida vazia e achei que o prazer do sexo era o tal do amor de verdade, na carne, muito mais gostoso que o amor das palavras. Triste engano, mas eu gostei daquela coisa da pele e fui passando de cama em cama, de cubículo em cubículo, de banheiro em banheiro, pelas trilhas nos parques, pelas noites escuras da Vida buscando juntar uma coisa com outra.  Trepei horrores, usei e fui usado, quando na verdade eu só buscava alguém que me amasse como eu amava até então... Alguém que me amasse, simples assim... Haveria de ser possível amar a ponto de escrever poesias e declamá-las olhos nos olhos ao invés de escondê-las na caixa de sapatos no armário, e ao mesmo tempo amar em sussurros e urros que a carne produzia, pura testosterona em jatos quentes sobre lençóis de seda mil fios, num quarto à meia luz.

 

Só que o tempo foi passando, passando rápido demais sem que eu me desse conta e hoje nada mais disso faz sentido. Já amei demais, já amei de menos, e embora saiba que a Vida me reserva, ainda, o melhor dos amores - depois, é claro, do amor que aprendi a ter por mim mesmo - ando mesmo é de saco cheio de olhar cada novo encontro como uma possibilidade de romance. Sonho com coisas simples como levar o namorado para comer a feijoada light da minha mãe num domingo ensolarado e depois me jogar numa sombra num parque perto de casa, com o lindo na canga ao lado, bem pertinho, quem sabe até coladinho... É querer demais?

 

Falo dos novos encontros para não dizer dos amores do passado, que em geral não valem hoje um tostão furado. Ficaram no passado e a Vida é muito curta para ficar remendando coisas que não te cabem mais bem.

 

Seu nome, o desse novo amor, pode ser João, José, André, Manoel, não importa.

Prazer em conhecer, meu nome é Henrique. Mas pode me chamar de Tiago.

O ponto é que nosso encontro estava marcado, demoramos mas chegamos!

Na minha ou na sua casa, ou só depois do casamento? Qual o seu sonho? Pode ser dividido comigo? O meu sonho é sonhar contigo, estou flexivel por demais ultimamente.

 

No ano passado amei muitos homens. Em termos carnais me abstenho de fazer contas, de uma  dezena a um milhar poderia dizer que algo em torno de quantos nomes bacanas são citados na bíblia, antigo e novo testamento, mais a caixinha do garçom. Mas amor, amor de verdade foram três. Emendando um no outro, com idas e vindas, e acabando antes mesmo de começar. Tipo aborto! De gêmeos!

 

Amei um menino lindo, quase duas décadas mais jovem, que me olhava nos olhos profundamente provocativo em tom de "vem cuidar de mim mas o que eu quero mesmo é cuidar de você - ou o contrário". Outro dia nos vimos numa balada, ele ainda mais lindo e eu, por razões que não pretendo explicar, fiquei tímido, acuado, com crise de auto-estima e medo de ser rejeitado. Fiquei com vontade de agarrar e beijar, de sair de lá e me casar na primeira oportunidade, sair da casa dos meus pais, comprar um apartamento antigo no centro e chamá-lo pra morar comigo, pra me ajudar a escolher cada piso ou cor de parede, ele para de pagar aluguel e a gente aproveita parte da sua mobília. Estou com grana pra isso, investir em imóvel, os preços estão ótimos, curto reforma, sei negociar, mas que direito tenho eu de decidir a Vida de mais alguém, se com muita dificuldade mal sei o que é melhor pra minha? E será que estou pronto para sair da minha zona de conforto e tirar alguém da sua? Será que quero mesmo um compromisso?

 

Amei um homem lindo e forte, mais velho que eu, paternalista e um grande cavalheiro, mas tão inseguro que tremia ao tocar do telefone com medo da irmã descobrir o que ele sempre soube embora negue - afinal não é fácil se descobrir gay com mais de 40 anos, quando já se estruturou uma Vida heteronormatizada. Um cara gostoso, culto, inteligente e bem sucedido mas que para meu desespero adorava beber para estar comigo, ou beber e encher a cara estando comigo. Era a forma que encontrava para se soltar, mas eu ando careta demais pra querer viver ao lado de alguém em eterno estado alterado de consciência. Um cara sem repertório de vida de viado, de vida de bicha-louca, sem amigos gays e que não sabe a diferença entre um travecão e uma transexual.

 

Com esses dois fui feliz, autêntico, verdadeiro. Dei e recebi carinho, gozamos inúmeras vezes, fomos cúmplices, demos muitas risadas. Feliz, isso mesmo, com esses dois eu fui feliz! Feliz pra cacete!

 

E houve um outro, tipo alma gêmea que se encontra no fechar das cortinas quando a esperança é rala, quase escoando pelas mãos. Na realidade um remake de uma história proibida década atrás, quando ambos estávamos em outras relações e fomos apenas amantes. Dessa vez eram os dois livres. Mas esse, esse eu não sei por quais razões insistiu em me negar. Logo que nos reencontramos ele me disse: "há tempos venho pensando em ter um homem como você na minha Vida, que bom que você voltou". Mas o meu cansaço de tanto esperar e a minha sede era tanta, que fui com força total e ele não deu conta, se esquivou. Azar dele? Ao final, se é que acabou, me disse: "você tem para me oferecer exatamente tudo o que eu quero - mas será que eu estou pronto?".

- Vai se fuder... (pensei)

 

Não sei.

Acho que estou é um tanto carente.

Amanhã recomeço a fazer terapia.

 

Estava mesmo precisando.

Escrito por Tiago às 23:22:21

13/02/2012 - 22:22:22


Sapos também se cansam

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

A equação é simples: dinheiro só serve para ser gasto, ou usufruído, se assim preferir. Não importa. Como diz um amigo, capitalista extremo que na adolescência rebelde foi socialista e hoje é milionário, tem que manter a roda da economia girando. Então a gente trabalha e gasta, não importa se em bens de consumo ou de capital, ganhou tem que comprar imóvel, carro, roupas ou gastar com o que te der na telha- viagens, presentes pros amigos e familiares. Nesse aspecto financeiro 2011 foi comigo de uma generosidade imensa, mas quanto mais eu ganhava mais diminuia o meu viver. Adoro viajar, mas em 2011 só viajei para trabalhar.

 

Trabalho, trabalho, trabalho. Pouco lazer. Pouco romance (nem tão pouco assim), muita intensidade mas nenhuma projeção de um futuro menos ordinário a dois. Alguns amantes, quase namoro, sexo de qualidade e intenso, grande aprendizado no conviver com pessoas com referências tão distintas às minhas, e aquele vazio no peito que não parecia cessar nunca. E que nem vai cessar, é esse vazio que muitas vezes me impulsiona a buscar o novo, a sair da minha zona de conforto. Precisava descansar, me desligar de quase tudo e de quase todos, conhecer uma cidade nova, novos lugares, sair sem destino desvendando cada viela. E foi isso que fiz, ainda que por poucos dias.

 

Comecei 2012 em ritmo desacelerado. Uns dias de férias em Buenos Aires, que eu não conhecia, na companhia do meu melhor amigo, meu oposto complementar, um sujeito que me atura há quase 30 anos, amigo dessa passagem por esse planeta, e lá fomos nós. Queria contar da viagem, da cidade, mas me limito a dizer que foram dias felizes numa cidade que, como dizem, teve seus dias de glória no passado. Não importa, pois me acolheu muito bem. Voltei renovado e passei todos os finais de semana de janeiro fora de São Paulo, com família ou com amigos. Festas, bebedeira, churrasco, sol e piscina. Não sou de praia, sou de sítio, de hotel fazenda, ou mais ainda: urbano. Durante a semana começava as tardes no cinema, que eu adoro, e que muitas vezes viravam noite. Assistir 3 filmes numa mesma tarde, em salas diferentes, é privilégio para poucos.

 

Aos poucos estou retomando a velha e lucrativa rotina. Tive consulta médica há poucos dias, exceto pelo meu triglicérides que voltou a subir todos os meus exames estão exemplares, lindos de viver, maravilhosos. Grande coisa olhar os números tão frios se é isso o que sinto, que estou muito bem. Quase no auge. Voltei ao trabalho, após longa negociação acabamos de fechar um contrato de consultoria e auditoria com uma outra empresa,  trabalho que vai me consumir muito tempo e me gerar muita grana, enfim me sentindo feliz com os desafios apresentados para esse ano. Dia desses volto pra falar sobre trabalho.

 

A brincadeira com o título do post é por conta do meu apelido da época de faculdade. Ninguém no Mackenzie me conhecia pelo meu nome... Lá, nos anos 90, eu era o Caco -o sapo... E como trabalhava o dia todo, estudava a noite e ainda era membro do diretório, primeiro tesoureiro e depois presidente, ainda cantava no coral e organizava festas e mais festas me chamavam de incansável... Mas sapos também se cansam.

 

A Vida não é o que se espera dela, a Vida é o que se faz dela. Não existe um sentido para a Vida, e sim o sentido que a gente dá a ela. E estou feliz com a forma como tenho lidado com ela, comigo... Algumas vezes é no resgate da simplicidade e da leveza da criança interior que tudo tem solução. Faz sentido.

 

Nesses dias em Buenos Aires me dei conta que os seis meses que morei na Espanha definitivamente sepultaram meu portunhol, passava batido naquela multidão de brasileiros que se sentiam na 25 de março... Talvez pela minha ascendência austríaca e galega, e por usar uma camisa da seleção da Itália, sei lá. Nem importa. Conheci um turista chileno no hotel, com quem tive um breve romance, e que na despedida me contou a seguinte fábula:

 

"- ...mama, mama ¿porque lloran las ranas?

- Lloran porque va a llover.
- ¿No les gusta la lluvia?
- No.
- ¿Porque?
- porque no les gusta extrañar.
- ¿extrañar a quien?
- A la lluvia
- ¿Pero porque la van a extrañar si va a llover?
- Porque no quieren que se vaya.
- Que complicadas son las ranas...."

 

A insatisfação é humana?

Escrito por Tiago às 22:22:22

20/01/2012 - 14:24:34


São Sebastião, protetor dos gays?

Salve amigos!

 

Não costumo fazer isso, mas enquanto preparo um novo texto contando das minhas impressões sobre Buenos Aires, e também do quanto prazerosa foi a viagem, me lembrei desse texto abaixo, escrito 4 anos atrás após longa pesquisa e escolhi publicá-lo novamente. Hoje é dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro e também padroeiro dos gays.

 

Vale a leitura e aguardem que no início da semana tem texto novo!

 

* * * * * * * * * * *

 

 

Estava pesquisando sobre São Sebastião (o mocinho da foto abaixo) e descobri que muitos autores antigos reforçam a hipótese de que São Sebastião teria sido homossexual. Incluídos aqui Oscar Wilde e Garcia Lorca, sendo que Wilde, durante o cárcere, adotou o heterônimo de Sebastian. 

 

 

 

Alguns historiadores dizem que muitos dos que hoje são santos ou beatos teriam levado uma vida desregrada, que sempre houve esse lance de orgias e surubas entre homens, incentivada durante séculos em muitas culturas, uma putaria só, que a igreja em algum instante decidiu combater.

 

E quem é que não conheceu, nos tempos modernos, alguma biba desregradanada que por alguma razão pessoal sossegou o croquete, constituiu família nos moldes tradicionais, papai, mamãe e filhinhos, macarronada e Silvio Santos aos domingos e hoje passa a milhas de distância dos locais suspeitos? E ainda aponta o dedo cuspindo no prato que deu? Eu conheço alguns.

 

 

Mas voltando ao Sebá, existe um filme (SEBASTIÃO, de 1976) cujo desenvolver nos apresenta fatos que fazem presumir a homossexualidade do santo, e principalmente uma tradição na história dos homossexuais mundo afora indicando São Sebastião como nosso guardião e protetor.

 

Aqui no Brasil, o sempre pioneiro GGB - Grupo Gay da Bahia, institui-o oficialmente como protetor da comunidade há alguns anos, e é lógico que isso despertou a ira da igreja católica. Não só o instituiu como padroeiro, como ainda elegeu o Mosteiro de São Sebastião dos Beneditinos da Bahia como o Santuário Homossexual do Brasil, com base em documentos históricos que validam essa ação, para desespero da igreja.

 

Um Santo Gay? Demais pras cabeças pequeninas do Vaticano e dos seus representantes no mundo, afinal São Sebastião não tem tempo para cuidar daqueles cujo amor não ousa pronunciar o seu nome, ele é de verdade o grande protetor da humanidade contra a fome, contra a peste e também contra a guerra, mazelas contra as quais a igreja vem, de forma exemplar, lutando com todas suas forças desde sempre, e não teria tempo para se preocupar com a gente! Acorda!

 

Que mundo é esse em que vivemos? 

Existiria pois, a tão propagada paz, o mundo sem guerras ou injustiças que desejamos? Não existe... Padroeiro também que é do Rio de Janeiro, seria então a cidade não apenas um paraíso de belezas naturais; isso só para exemplificar o caos no mundo em que vivemos! VivaRio, São Sebastião no Rio de Janeiro... Viva São Sebastião!

 

 

Mas por qual razão teriam escolhido justo o São Sebastião e inventado essa história de que o fofo seria gay? Seria pelas suas vestes diminutas e pelo corpão sarado, no melhor estilo "gogoboy" nos carros das paradas gays? Seria pela sua carinha de "Lolito" pronto pra sessão de fotos ou ainda pela sua pose, um tanto quanto afeminada? Que maldade desse povo careta! Blasfêmias do mundo moderno à parte, descobri que durante toda a Idade Média, os sodomitas (como eram chamados os gays) já cultuavam São Sebastião como sendo um santo gay.

 

E onde há fumaça, meus queridos, há fogo!

 

Ele teria vivido no século IV depois de Cristo e teria sido amante do imperador Diocleciano. Será? Isso não quer dizer que fosse homossexual não, apenas que era amante do imperador! Quem de nós que nunca dormiu noites e noites com um garoto ardente, com a testosterona gritando e com fogo na tarraqueta, mas que em hipótese alguma se sentia homossexual, que atire a primeira pedra!

 

 

Descobri que ele era órfão de pai e que foi criado pela mãe, cristã fervorosa... Mas parece que ele se converteu ao cristianismo, possivelmente por conta de alguma campanha homofóbica à época, com medo de ser condenado à fogueira por seduzir um homem poderoso, afinal a igreja haveria de proteger o imperador, carente coitadinho que não resistiu aos encantos do jovem fruta, e a corda desde aquela época já arrebentava do lado mais fraco!

 

Mas acabou, ainda assim, sendo martirizado! O motivo do martírio do santo, segundo alguns autores, teria sido sua recusa em continuar tendo relações sexuais com Diocleciano, depois da sua conversão ao cristianismo. O imperador não aceitava o final do romance e foi cruel, naquele raciocínio de que se não é mais meu, então não será de mais ninguém!

 

E há uma outra linha na biografia do santo, onde consta que era apenas o soldado preferido do Imperador Diocleciano, um dos imperadores mais homossexuais de Roma, e segundo o diretor do filme citado o soldadinho recusou-se a amar o seu superior, preferindo manter-se fiel ao seu amante. Ele vivia uma identidade secreta e aos poucos foi sendo tirado do armário, quando indagado pelo imperador não teve dúvidas e se assumiu... Confiou na maricona e se fudeu!

 

 

Essa fidelidade teria sido a causa de seu flagelo. Ou seja, o soldado já estava muito feliz com seu companheiro e nunca teve nada com o imperador! Confiou na mona e a mona uó, infeliz, convocou os arqueiros da Mauritânia e ordenou que amarrasem o soldado numa árvore e o flechassem, sem atingir os ógãos vitais, para que morresse de forma lenta... Cruel essa bicha, gente! Acontece que o moço era forte e foi resgatado por uma tal de Irene, que era viúva de outro mártir (será que Caio Fernando Abreu se inspirou nela para escrever aquela crônica?) e que o auxiliou para que se recuperasse... Será?

 

E então, num dia 20 de janeiro, quando ocorria uma festa em homenagem à divindade do imperador, o soldado surgiu diante dele e o enfrentou, acusando-o de crueldade contra os cristãos. Imaginem então a bonita, no dia da sua festa, ser delatada por aquele que a rejeitara... Ficou louca e mandou que o matassem alí mesmo, sem piedade! Pois os demais soldados, lindinhos e obedientes que só eles, o cobriram com golpes e mais golpes de bastão e tacos de beisebol até que morresse, e seu corpo foi jogado em trajes menores no esgoto da cidade.

 

Que história, não é?

 

* * * * *

 

E para encerrar, nas minhas pesquisas encontrei

um manifesto do GGB - Grupo Gay da Bahia,

com partes que reproduzo a seguir:

 

Pedimos a São Sebastião que seja nosso advogado

para a obtenção de três graças especiais:


1] O fim da violência anti-homossexual: as mesmas dores que o mártir São Sebastião sentiu ao ter seu corpo vazado pelas flechas, estas mesmas dores continuam a machucar ainda hoje os homossexuais: a cada três dias um gay, travesti ou lésbica é barbaramente assassinado, vítima da homofobia, mais de 170 homicídios cometidos somente em 1999;

 

2] Que a Igreja Católica e todas as religiões peçam perdão aos homossexuais pela perseguição, fogueira, inquisição e intolerância como ainda hoje tratam os homossexuais; que aceitem e abençoem o amor homossexual pois "onde há amor, Deus aí está"; que instaurem pastoral específica para os homossexuais, pois também somos filhos de Deus

e Templos do Espírito Santo;

 

3] Que São Sebastião, tradicional patrono contra a peste, inspire os cientistas e pesquisadores a encontrar rapidamente a cura da Aids, afastando para sempre o fantasma desta epidemia de nossa comunidade, ajudando aos soropositivos e doentes de Aids a vencer a dor e a ter vida longa e saudável.

  

Pesquisar sua vida foi fascinante. Benditos sejam o Google e os muitos blogs bacanas que visitei, benditas sejam ainda a velocidade (e quem sabe a veracidade) da informação! Muitos outros detalhes interessantes poderiam ter sido incluídos nesse texto, mas é muito fácil saberem mais.

 

Basta pesquisar!

Escrito por Tiago às 14:24:34

17/01/2012 - 13:05:13


Gracias Mercedes

A Vida é mais forte que a AIDS

 

Dias felizes em Buenos Aires, sigo marchando uns 10kms todos os dias e, além de conhecer os pontos turísticos, estou vivendo como vivem os portenhos. Assim que voltar ao Brasil mando um post bem bacana contando do que vi e vivi por aqui.

 

Beijos a todos!

Escrito por Tiago às 13:05:13

09/01/2012 - 16:15:14


Tiozinho sarado... e modesto!

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Modéstia às favas eu sou o sujeito mais feliz do mundo. Podem me contestar, dizer que eu sou louco ou me perguntar o quê eu usei e que me deixou assim... Não, eu não usei nada - ou melhor, eu uso o quê tiver que usar - eu não usei nada ilícito ou que tenha alterado meu estado de consciência.

 

Estou lúcido (amo essa palavra) e dando risada das agruras da Vida. A felicidade é um estado imaginário, já dizia o filósofo Frejat. E eu endosso!

 

2011 foi um ano difícil, falando de maneira geral foi um ano em que a cada semana a minha sanidade era testada em seu limite. Enfrentei enormes dificuldades financeiras que embora não fossem pessoais e sim na empresa acabaram se tornando uma coisa só. Isso me fez abdicar de alguns mimos pessoais para que as coisas na empresa ficassem contornáveis, e aos 45 minutos do segundo tempo lavamos a égua. Ao final fechamos com uma situação muito melhor que a projetada no início do ano e com o meu sócio tentando entender de que forma eu fiz a multiplicação dos pães... Isso dá um livro sobre gestão de pequenas empresas em crise, estou ficando muito bom nisso.

 

Na vida afetiva terminei o ano empatado, só não sei o placar ainda. Vivi romances lindos e acabei o ano com novos amigos, mas o sonho de consumo de me casar ainda não rolou. Alternei aventuras e romances e fui autêntico em cada instante. Até minhas mentiras foram sinceras... Aqui ficou aquela sensação do quase...

Aliás, 2011 foi o ano do quase... Quase enlouqueci, quase me casei, quase quebrei e depois quase fiquei rico, quase não viajei por lazer, quase não vi muita gente que eu gosto, quase, quase, quase...

 

Mudando rapidinho de assunto, estou curioso com um leitor (Beto) que comentou no post anterior que vira e mexe toma um susto comigo... Será que é por eu ter vivido uma prática bareback durante um romance? Aqui relato que, apesar da prática (que não recomendo), não me prejudiquei  em nada e meus exames continuam lindos. Dia 23 de janeiro tenho nova consulta e voltarei a falar sobre o assunto.

 

Sábado passado foi meu aniversário de 45 anos. Dia feliz num sítio da família numa cidade próxima, com tudo o que de bom se tem direito: sol, piscina, caipirinha e comida farta, tios, primos, sobrinhos e um olhar de admiração por eu ter um corpo legal. Muitos comentários, afinal eu era o único homem que não tinha pança... Manja aquele "magro gostoso"? Aliás, esse termo me lembrou um comercial de iogurte estrelado pelo senhor diretor do teste do sofá... Lembram dele nos anos 80?

 

No retorno para casa tarde da noite de sábado, quase madrugada, mais de duas centenas de parabéns pelo Facebook e que fiz questão de responder um por um... De familiares, de amigos de infância (dos quais cuido com carinho enorme), de amigos que fizeram colégio ou faculdade comigo, de pessoas com as quais trabalhei ou que trabalham para mim, de namorados do passado, de amigos gays ou dos meninos do Projeto Purpurina que eu adotei como sobrinhos, de gente que eu nem sabia de onde saiu mas que têm por mim algum afeto. Que delícia me sentir querido, estimado.

 

Dizem que nós não somos o que pensamos e muito menos o que dizemos aos outros que somos, que isso é propaganda enganosa, imagem idealizada que não corresponde à real... Dizem que somos o que os outros dizem que somos... Se isso é verdade eu sou o cara mais sensacional do planeta, lindo, que não aparenta a idade que tem, um amigo fiel sempre de bom humor e disposto a ajudar, um cara firme e decidido mas com uma fineza no trato com as pessoas, e principalmente: um lindo e gostoso... E mais ainda, querido em todos os círculos e muitas vezes imprescindivel... Então tá, então...

 

Isso nem é novidade, nem para mim e nem para vocês - adorados leitores. Não conheço a palavra modéstia, será que cabe em mim esse adjetivo? Não creio...

 

Quarta-feira embarco para Buenos Aires, a princípio para uma semana de férias, mas dependendo de como as coisas acontecerem por lá remarco a passagem de volta e posso ficar mais uns dias. Não decidi os rumos da empresa para 2012, nem estou muito preocupado com isso, amanhã que vou me sentar  com meu sócio para definirmos metas e estratégias. Estou cheio de dúvidas, algumas certezas também, mas poucas vezes me senti tão equilibrado no caos instalado.

 

A isso chamam maturidade!

 

 

Escrito por Tiago às 16:15:14

23/12/2011 - 12:34:56


Alma lavada

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

Nesses mais de 05 anos de Mixbrasil, poucas vezes esse blog ficou tão abandonado... Mas isso não significa que tenha perdido importância na imensa lista de coisas às quais me dedico, apenas dei uns dias de descanso. Houve dias de grande inspiração bloguista, porém sem tempo de parar pra escrever, em outros havia tempo mas um certo bloqueio ao tentar escrever... Quem disse que blog não precisa ser sério talvez não tivesse nada mais interessante pra dizer.

 

Excesso de atividade, eu diria... Melhor então não forçar a barra, até porque esse é um espaço terapêutico e de obrigações já basta o que existe em minha Vida profissional, fora o monte de coisa que me meto a fazer e que como bom capricorniano gosto de fazer bem feito. Só não sou síndico do prédio, mas tudo o que me convidam acabo fazendo...

 

2011 está chegando ao fim e eu não desejava fazer um post de retrospectiva, mas sento-me frente ao computador, sexta-feira antevéspera de Natal, e o que me passa pela cabeça é um gigantesco sentimento de gratidão pelos enormes desafios superados, ao longo de toda a Vida e em especial nesse ano.

 

Então, nada mais natural que uma retrospectiva, certo?

 

Há que agradecer. Há que agradecer com um sorriso no rosto, de peito aberto com uma camisa social branca desabotoada, debaixo de chuva gritando o quanto a Vida tem sido generosa. Cena de cinema, conseguem imaginar?

 

Cabe agradecer por uma Vida afetiva intensa, cheia de altos e baixos, agradecer a minha perene e inabalada capacidade de amar. No início desse ano me envolvi com um homem casado, com o qual me relaciono afetivamente, sexualmente e fraternalmente até hoje, em dias bem felizes e de uma forma que só a gente entende. Ele é um lindo e temos crescido juntos, com ele aprendo que mesmo os fortes que suportam tudo também precisam de colo... Além disso, numa pausa dessa relação, revivi brevemente um intenso romance do passado que voltou com força total, com grandes perspectivas de casamento (que confesso ser sonho de consumo!) mas que não virou nada, e ainda nessa pausa um romance sexual com um carinha lindo, também soropositivo quase duas décadas mais jovem que eu, com direito à prática bareback (que eu não recomendo!) que me fez me sentir novamente com vinte e poucos anos. Amor, amor, amor...

 

Fora algumas aventuras, que gosto.... E agora, em janeiro, completarei 45 anos!

 

Na Vida profissional, desafios, muitos desafios, e um crescimento incrível, meu currículo hoje não deixa a desejar pro de nenhum diretor de multinacional e minha cotação no mercado disparou. Hoje empresário, gestor competente e de ampla visão, humana e corporativa, me sinto maduro e pronto para qualquer desafio.

 

Modéstia às favas, sou bom no que me proponho fazer, sou pau pra toda obra e vicejante. Como trabalho sério resulta em crescimento financeiro, consegui recuperar nos últimos dois anos o que perdi nos seis anos anteriores, quando fali, e quando projeto os ganhos para 2012, 2013, 2014 é fácil me imaginar praticamente rico em meia década. Não que ter grana importe, no passado importou muito, eu sou descolado o suficiente para viver modestamente, mas sabe como é, se posso garantir agora que mais uns cinco anos trabalhando e não terei mais preocupações, é natural ralar um bocado agora... No passado ostentar era importante, hoje a auto-estima me diz que não. Quero comprar mais alguns imóveis e viver de renda após os 50, dando consultoria e atuando como coach, dando palestras e vivendo com uma dose de estresse que seja humana e não insana como é hoje.

 

Nada mal chegar as 50 anos podendo escolher quantas horas quero trabalhar por semana. Nesse ano me lancei como escritor, enquanto co-autor num livro sobre liderança, ao lado de feras do esporte e profissionais de destaque, tanto gestores de processos quanto de pessoas. Um dia escrevo um post-jabá oferecendo a vocês meu livro... Honestamente, fazemos qualquer negócio!

 

A saúde vai bem, clássica carga viral indetectável e CD4 na faixa de 700, mês passado tive um princípio de gripe que atacou feio a garganta, a parte respiratória, mas a recuperação foi mais rápida do que se pensava. Bom isso, o corpo fala e eu precisava adoecer para baixar o rítmo... Tenho tido crises de insônia, esse calor infernal não me deixa dormir, mas nem por isso sofro. Sofrimento é acessório que tenho dispensado.

 

Nos próximos dias vou tirar férias. No decorrer da semana resolverei com dois amigos pra onde vamos viajar, estamos entre ficar por perto, tentados a uns dias em Santiago do Chile, ou cruzar o Atlântico e ir pra Itália, onde apesar do frio há muita coisa pra fazer também e onde temos amigos que há anos nos convidam. Projeto de última hora, sem grilos, pois dependia de acertar algumas coisas no trabalho para poder ficar livre... São quase quatro anos sem férias, eu mereço... Milhagens aéreas servem para isso, para serem gastas e como viajei muito a trabalho nada mais justo que descansar.

 

Sei lá. Preciso desconectar umas duas semanas... Sem facebook, orkut, webmail, telefone celular...

 

Bom, era isso, não vou me alongar senão posso ficar ainda mais chato...

Estou bem, feliz e lidando com maturidade com as minhas dificuldades.

 

A todos um Natal de muita alegria e um 2012 de muitas realizações.

 

* * * * * *

 

Interessante... Quer saber o que eu pensava em dezembro de 2008? Clique aqui!

 

Escrito por Tiago às 12:34:56

28/11/2011 - 22:33:44


Caminho suave

Nem santo te protege - A Vida é mais forte que a Aids

 

A morte é o medo.

 

E eu queria fazer poesia.

 

Escrever um poema bobo de amor e publicar um livro falando das coisas que sei e suponho. Ser objetivo em me expressar, ser claro e franco e ao mesmo tempo doce, comigo, contigo, com a Vida, com o vírus, fazer refletir alegria e esperança, com planejamento, metas e objetivos. Vive quem se sente confortável em viver.

 

E Ser o que sou, capricórnio com aquário, esse infinito de possibilidades de criação, e improviso, questionando a todos o que é a natureza humana e as porras dos relacionamentos, vitais. O tempo todo, aquele bem chato, que incomoda por respirar enquanto baila pelado no lago. Cada um vê o que tem dentro de si.

 

Bobagem pretender qualquer coisa.

 

Pensei então mostrar as fotos lindas que tirei, em dias de festas, e que mantenho guardadas em caixas de sapatos no armário, mostrar orgulhoso os quadros abstratos que pintei com acrílico e resina, lindos líricos abstratos onde pirei, retratando o que vi e vivi pelos caminhos da Vida.

Bom demais viver, bom ter para quem mostrar o que produziu.

 

Podia te mostrar a Compostella e contar dos muitos passos, por dias seguidos de superação, e te mostrar as poesias dos amigos, que me traduzem. Que bom é isso...

 

Mas fiquei rodeando, rodeando e falando de aids,  falando das bobagens do Caio e da Clarice, das filosofias de boteco que adoro, e nem bebo e nem fumo e nem cheiro, contando a alguma coisa que compreendi nesse quarto de século que convivemos, coniventes e simbióticos... Amigos, de fato. O fato que importa é que hoje, honestamente, o hiv é tal qual a cor dos meus cabelos, cada dia mais claros, não tenho pressa e nem vou pintá-los, um dia branqueia total, dias conquistados. Andei por aqui divagando e te trazendo comigo. Aqui vivemos juntos, esse tempo todo. Aqui tenho amigos, mais, mais, mais, mais e mais amigos.

 

De todas as caras. De todos os jeitos.

 

Me estranhas? Te entranhas.

Me entranho, me estranho.

 

Me sirvo.

 

Escrito por Tiago às 22:33:44

12/10/2011 - 22:22:22


Zulu com groselha...

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

"O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é um tipo de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto apenas pelas pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá atingir completamente este objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior".

 

Einstein


Volto em breve, com novidades !

 

Enquanto isso, leiam "Mais não somos", que é a deliciosa resposta de uma amiga a quem prestei uma homenagem no meu texto anterior "Cinco de Outubro". Era aniversário dela e quis fugir do óbvio...

 

Sincronicidade, respeito e admiração são essenciais na Vida daqueles que desejam participar da Vida de outros seres. Diferentes somos todos, e é aqui que reside o grande encanto dos relacionamentos...

Ela disse, e eu repeti: "O desencontro é decorrência natural!"

 

Muitas vezes o que aparenta, não é... As pessoas, em geral, só enxergam o que lhes parece provável, só enxergam o óbvio, e nesses nossos encontros damos gargalhadas com a Vida...

 

Tenho certeza que, se gostam do que escrevo, gostarão do que ela escreveu ! Vale a leitura !

 

Escrito por Tiago às 22:22:22

05/10/2011 - 00:00:01


Cinco de Outubro

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

É preciso que se saiba: o desencontro é decorrência natural. É só se fingir de morto, que passa. Já para o encontro é preciso fazer um certo esforço, às vezes dá muito trabalho. Mas existe um meio do caminho. Um mormaço, aquele querer ir que não se faz, aquele se entregar que se prende no medo. O encontro dá várias oportunidades para que se decida: tá bom, eu vou, e vou contudo, o sol a pino. Ou vira um momento que poderia ser. Tem muito céu por ai com pé atrás. Meu céu está sem nuvens, mas um só céu sem nuvens não basta. É nessas horas que o tempo dá sua graça. Passa e deixa apenas um senão para aquilo que, você sabe, seria o melhor encontro que se deixou passar. Um não que não se esquece?

Fernanda de Aragão

 

 

E eu sigo nessa pegada, minha perfeita companheira para as manhãs ensolaradas de outono, no casamento chique de amigo milionário, ou para as tardes de primavera,  canga e cachorro-quente num parque qualquer, não importa. Noites de verão contigo também são deliciosas, numa longa estrada no retorno ao lar depois de muitas e muitas gargalhadas e sorrisos de cumplicidade ímpar. Não importam onde sejam as tardes, as manhãs contigo, na nossa luz a tua lente traduz o meu melhor, tua sensibilidade desatinada me desafia a me superar e a vencer meus medos, aqueles que eu nem sei direito quais são. Mas que são medos, ainda que disfarçados em sorrisos amarelos ou numa convicção rala de quem cansou de argumentar e usa expressões indefectíveis só para confundir.

 

Acho que nunca te falei seriamente deles, dos meus medos, só para registrar, e não vou gastar meu tempo com isso agora, nem o meu e nem o seu, e nem o dessa nossa legião de admiráveis admiradores, os prezados e queridos leitores, nessa fusão de personas.

 

Afinal: Você, e o meu amor por você, são imensamente maiores que os nossos medos somados e multiplicados pelas nossas dores passadas. Dos meus medos cuido eu, essas letras são para te fazer saber que por razões que desconheço você passou a me ser essencial, tipo um espelho do que quero ser quando crescer. Acho que nunca te falei isso, nem olhos nos olhos e nem verbalizando. Pois saiba que é real, e que bom que não há palavras desconhecidas para dizer dessa admiração. É como se meus devaneios ganhassem força ao serem divididos contigo, se é que me entende, e sei que me entende, desde quando te sugeri que colocasse legenda nos seus desenhos.

 

Você era, até então, formas e cores sem palavras. Sem esse rosto de menina sapeca e feliz.

E que me tocaram. Se lembra disso? Tempos idos de quando nosso amor apenas se esboçava, antes daquele delicioso encontro em pleno dia de trabalho na avenida símbolo da nossa cidade, hoje palco de violência contra aqueles que ousam amar de forma particular.

 

Continuo colecionando histórias de amores improváveis que transformo em afeto, quando posso, na medida do que os amantes descartados ou que descartam me permitirem, preservando o quanto possível o que de fato importa que são o tesão pela Vida e a crença no amor e nas pessoas. Nesse ponto somos iguais, eternos passionais, românticos incorrigíveis ainda que cansados, aliás somos iguais em tudo, alma e mente falando. Insisto em transformar amores platônicos em amizades para mantê-los por perto, coisa de sujeito carente buscando predicados pra uma vida menos ordinária, acreditando que à dois é mais gostoso.

 

Ainda assim as noites em claro que permanecem não são mais as mesmas, mas isso nem importa mais. É no meu travesseiro que muitas vezes as coisas fazem sentido. Sentido com o coração e com a razão... Já te falei que aquelas noites de insônia, que antes me faziam sofrer, hoje me servem de terapia?

 

Vou te contar que soube outro dia que o menino ficou triste e chorou, aquele  menino lindo pelo qual estava embasbacado de paixão das mais carnais... Era um daqueles domingos frios que nos intimida a não sair da cama, afinal o mundo lá fora é cinza e perigoso, insensível, e na minha densa compaixão me senti como que culpado – afinal eu simplesmente virei as costas e fui embora, pena – ele pensava que me veria novamente dia desses, para uma tórrida sessão de sexo, afinal era só isso o que eu representava para ele, um cara gostoso e que fazia amor com carinho, mas eu caí na real  que não era mais por aquelas terras que desejava pastar.  Nem sei se eram por mim as dores, afinal são tantas as dores desse mundo por dias imundo...

 

Um dia a gente se exaure de acreditar que amar é possível e quando vira as costas, desencantado da Vida, descobre que está só novamente e tem a sensação de que apenas tapou um buraco na Vida da alguém. Mas quem é que pode me acusar por ter abandonado o barco? Alguém que saiu de fininho bem antes de mim e sem avisar que quando desse na telha voltaria? Não sou tão disponível assim, me cansei de esperar, me cansei de ser feito de  bobo. Queria dividir isso contigo...

 

Até de sexo bom a gente se cansa, quando não há nada além disso. Principalmente se cansa de ser preterido e de ser deixado de lado por qualquer motivo. Um saco descomunal isso, ser abandonado por alguém que não reconhece o seu valor, que não se dá valor, mas assim é a Vida.

 

Está tudo bem comigo, tudo bem contigo e espero que também com o menino, tudo bem comigo como sempre esteve, eu é que fico inventando onda pra passar o tempo. Um dia aquela coragem que dizem que tenho se torna real, como já se tornou um dia, e mando tudo pro espaço, como já mandei um dia, e encaro um amor decente, como já encarei um dia. Eu já experimentei tudo o que a Vida tem de melhor para oferecer, daí não me contentar com menos quando a carência passa e volta a lucidez, ainda que perturbadora.

Volto pra gaiolinha e espero o que é meu chegar.

 

No mais é passar o tempo, desencanar e me cobrar menos, sair do trabalho mais cedo, arrancar a gravata e amassá-la no bolso, voltar à pé para casa, nesse corpão sarado que agradece por ser tão bem cuidado, e aproveitar que as ruas arborizadas que me ligam do dever no escritório - quanto mais eu multiplico diminui o meu viver - ao conforto do meu lar estão repletas de amoreiras, jabuticabeiras, caramboleiras, abacateiros, cerejeiras e pitangueiras, cheias de frutinhas prontas para serem devoradas reiterando o que nunca nos deixemos esquecer: a Vida é doce.

 

Sou um privilegiado. Sinto saudades das nossas tardes inconsequentes caminhando pelos parques da cidade, mas sei que os dias difíceis que escolho viver são os que me permitirão muito em breve voltar à minha essência. Sim, pois eu sei exatamente o quê quero pra Vida.

 

Sou grato, com ternura, por me inspirar a acreditar na arte e na poesia, sinônimos de Vida feliz, ou como diria você: Febricitante...

 

Escrito por Tiago às 00:00:01

22/09/2011 - 13:41:41


Em quem você confia?

A Vida é mais forte que a AIDS

 

“No fim das contas a questão não é se você confia no outro, mas se você confia nas próprias escolhas. Esse é que é o ponto, esse é que é o mistério subjacente. De alguma forma todos sabemos que não somos infalíveis, que não somos sempre bem sucedidos quando temos a melhor das intenções. Sabemos também que temos uma sombra e que ela, por vezes, nos surpreende tanto quanto aos outros. Diante disso fica difícil dizer com segurança que se confia em alguém, quando não se tem tanta confiança assim nem em si mesmo. Sim, quem tem?

 

Léo Jaime

 

Eu poderia ter escrito o texto acima, motivo pelo qual o divido com vocês, e uma vez que o tema da vez na minha Vida tem sido justamente a questão da confiança sigo na linha de raciocínio e vou divagar um pouco, me delatar mais uma vez.

 

Tenho deparado freqüentemente com essa questão da confiança nas pessoas, na autoconfiança e no confiar nas escolhas que se faz, e sempre aprendo um pouco mais, análise permanente que faço de tudo e de todos, senso crítico e maturidade. Recentemente um menino lindo me disse que tinha desaprendido a confiar nas pessoas, mas que comigo estava sendo diferente e que eu tivesse calma e paciência com ele, pois ele valia à pena e já estava quase confiando em mim. Achei estranho.

 

Pensar que alguém tão jovem, e com um sorriso tão doce e contagiante, tivesse vasto repertório de desilusões que não se permitisse mais acreditar nas pessoas, me soou exagero e enredo de arte alternativa. Mas quem sou eu para julgar, ainda mais sem conhecer o passado de alguém? Sendo verdade que nos transformamos no que herdamos dos nossos relacionamentos, pode ser real que o tal menino estivesse traumatizado.

 

Ainda assim segui confiante das minhas intenções e agindo com a máxima transparência possível, dizendo a ele que se outros tinham sido pilantras que ele não esperasse isso de mim, e que soubesse que eu estava me preparando para ser o que ele desejasse, inclusive um pilantra.

 

Cabe observar que amo essa palavra. Tanto quanto canalha ou safado. Em essência eu sou igual a você, te garanto. Tão doce pilantra quanto cada um que cruzou o meu caminho. O que talvez faça a diferença é essa minha teimosia capricorniana de acreditar nas pessoas, por mais que venham com um discurso ultrapassado de vítima indefesa, de menininho meigo e doce que só tomou porrada na Vida e por isso ficou amargo, azedo e infeliz.

 

Por mais que eu tenha claro que todas as relações são movidas a interesse, e diga isso com convicção, escolho que essas porradas me coloquem num caminho cada dia mais desafiador, destemido que sou escolho encarar de peito aberto. Podem destruir meu coração que eu mesmo o conserto depois!

 

Quando digo que todas as relações são movidas a interesse, você que no fundo é uma menininha romântica e sonhadora vai bradar que eu sou um louco... Não sou não, é a minha lucidez digerida em você mesmo que te incomoda! São os meus devaneios inconvenientes que te tiram do conforto. Ou você duvida que o leite materno que ganhou veio cheio de interesses que se perpetuam por toda uma Vida? Na época sua mãe queria se livrar dos quilinhos a mais, pois amamentar emagrece. Isso se a megera te amamentou, pois muitas nem se ocupam disso. Você tem sido enganado desde sempre, já dizia o Gaiarsa: “a família é o lugar mais perigoso do mundo”.

 

E agora, já adulto, é para te jogar isso na tua cara, aspecto chantagem emocional que se perpetua por gerações. Mãe, pai, namorado, amigo – tudo teatro ensaiado, tudo interesse. Como dizia o Léo Jaime, eu tenho o gesto exato pra te impressionar, aprendi nos livros, nos filmes, nos vinis, para um dia usar.

 

Carinha de mãe carente comove e seduz tanto quanto de namorado apaixonado.

 

O interesse não é negativo. Equívoco seu pensar que sim, e ele faz parte do jogo. Negativo é o interesse velado, mascarado, cuja intenção inerente não é nobre, e tem gente que se vende por uns tostões, mas pior – acha que você também se vende por uns tostões. Alguns valores estão na vitrine, mas não estão à venda. Não há carência que te faça abrir mão daquilo que realmente você vale.

 

Toda essa divagação para dizer que os dias estão bem confusos. Tenho feito escolhas que talvez tenha dificuldade de digerir, mas estou alinhado com o que penso e desejo pra mim. No âmbito afetivo esse tem sido um ano de disciplina e devoção, de dedicação a romances improváveis que se tornaram marcos em minha Vida. Aprendizado intenso, intensivo de alegrias e decepções. No âmbito profissional encerro um ciclo depois de quase dois anos de muito crescimento, saio de um negócio com mais dinheiro e mais conhecimento que quando entrei e valendo bem mais no mercado.

 

O momento agora é de balanço geral e tenho agido evitando magoar as pessoas. Não tenho mais saco para o confronto direto e não preciso fazer que engulam as minhas pseudo-verdades .  Estou feliz com os desafios que a Vida tem me oferecido, e muito orgulhoso de mim mesmo com a forma como estou lidando com eles. Crescer nem dói tanto assim.


De resto foi só entender que não devo esperar dos outros aquilo que não acho razoável exigir de mim mesmo.  Mas, por outro lado, há uma coisa fundamental que pode mudar tudo: a intenção. Quando percebo em alguém uma intenção negativa, levanto minhas orelhas para sempre. Alguém querendo acertar erra sempre. Alguém querendo magoar, só aguarda a brecha. E essa eu vou me cuidar para não oferecer. Tanta gente no mundo e vamos gastar nosso tempo, nossa vida, com gente que não merece confiança?

 

Léo Jaime

 



 

Escrito por Tiago às 13:41:41

12/09/2011 - 22:33:44


Estou aprendendo também...

A VIDA é mais forte que a AIDS

 

"Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”

Fernando Pessoa

 

 

Sem querer ser dramático, e com todo o respeito e admiração ao drama inerente à Vida, fico aqui pensando por quais razões as coisas para mim geralmente vêm recheadas de emoção, muitas vezes numa intensidade que insiste em testar o meu equilíbrio físico e emocional, diria até espiritual. Por sorte hoje tenho equilíbrio de sobra, com direito, é claro, a uns pitis vez ou outra, algumas vezes como recurso pra chamar atenção, afinal sou humano e pelo meu corpo não circula apenas sangue de barata...

 

Meu corpo pulsa, pulsa, pulsa, adrenalina pura... Outro dia um leitor comparou os meus textos nesse blog a uma montanha-russa, tamanhas as emoções que relato. Pois reitero que há certa dose de exagero e poesia, discípulo que me tornei de Caio, de Clarice e outros mestres insanos e infelizes, mas o querido leitor tinha razão. Tudo tão intenso, visceral, humano sem censura e medo do ridículo e menos ainda de julgamentos ainda mais ridículos. Eu sou mais eu, ouvia meu pai dizer quando era criança, e esse se tornou um mantra.

- Eu sou mais eu!

 

Não seriam meus os textos, em essência, se neles enxertasse doces poesias de Cora Coralina. Que até gosto, mas admito achar blasé além da conta.

 

Nada me exaure por completo, sempre há um resquício de energia que me permite prosseguir, enquanto me recarrego – carga rápida e de longa duração - poucas coisas me desmotivam ou me fazem perder o pique e quando acontece é por pouco tempo e algumas vezes me pego em textos ensaiados, tamanhas as vezes que se repetiram. A lição já sei de cor, e contrariando o poeta eu já a aprendi. Sou o resultado, hoje, de uma série de relacionamentos que me trouxeram muito conteúdo. E como sou fonte inesgotável, e me satisfaço com pouco, sempre saio na vantagem.

 

Qualquer paixão me diverte.

 

No ano passado um menino me assediou, virtualmente. Me achou um coroa gostoso e se ofereceu, sexualmente falando, mas não dei bola. Pós conceito em tom de advertência de que as relações são movidas puramente por interesse. Vivência em atestar que quando há razoável diferença de idade é bom que fiquem claros quais são os interesses, pra não ficar aquela coisa velada de não se saber qual a parte que te caberá.

 

Posso querer um corpo jovem, todo durinho, e saber que isso vai me custar uns tostões. Se é por uma tarde apenas, uma carência, nada que um vapor barato não supra, digo sempre que São Paulo é generosa com nossos vícios e carências. Você chega, escolhe quem quer, combina o preço, se satisfaz, paga e vai embora. Se cruzar o sujeito na rua nem precisa cumprimentar, se quiser repetir a dose é só voltar no mesmo lugar que tudo pode acontecer de novo. Advirto não se envolver, mas se achar conveniente vá adiante. Apenas esteja precavido, sentidos atentos e não seja um mané.

 

Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar.

 

Mas voltando ao menino, ficamos quase um ano naquele vai não vai, até que três meses atrás nos conhecemos. E foi mágico, um segundo, um terceiro, um décimo-terceiro encontro. Me sentia um menino, com um tesão como há tempos não experiimentava, os papos cada vez mais bacanas, o olhar profundo de quem diz te querer pra Vida toda, tola utopia dos que amam.

 

Lucidamente, positivos com carga indetectável que somos, escolhemos transar sem preservativos, e mente quem disser que não é melhor na pele e no couro direto. Desde 1993 posso contar nos dedos de uma das mãos, quantas vezes transei sem me presevar.

 

Lucidamente, mais uma vez, quando se quer apenas sexo com homens jovens, e se tem grana para bancar essa preferência, fica tudo fácil. Mas em geral meninos querem homens mais velhos que sejam generosos, que banquem mimos e mais mimos, mesmo quando não fazem sexo por dinheiro é natural que queiram algo em troca - com amor é mais caro, costumam brincar. E não há nada de errado nisso, posso oferecer mimos que não farão cócegas no meu orçamento.

 

André Fischer recentemente, no vácuo do caso da Rua Oscar Freire, afirmou que homens mais velhos e carentes são iscas fáceis para bandidos, na mesma época Hélio Filho relatou com bom humor seu desconforto ao ser questionado por homens mais velhos pelos quais se interessa sobre ser garoto de programa. Conheço ambos, não somos íntimos, mas faço coro com os dois.

 

Todo carnaval tem seu fim, e um dia o menino se enjoou de mim, ou conheceu outro alguém que o encantasse mais que eu. Não sei, não importa mais. Eu senti o distanciamento, e fui me moldando, buscando ser para ele o que eu queria que alguém fosse pra mim. Isso me supria e eu sempre dizia pra ele ter uma enorme responsabilidade no lidar com os seus sentimentos. Isso é maturidade, que só chega com o tempo, quando chega, e seria forçar a barra achar que alguém com menos de 30 pode ter esse grau de maturidade.

 

O menino se foi sem me dizer adeus, sem dar alguma razão, confesso ter achado estranho e digo que faria diferente, sobretudo pelo respeito ao humano. Ficou evasivo, distante, e aquilo que a gente não alimenta morre, e desisti de regar o sentimento sozinho. A relação definhou. Eu fiquei triste uns dias, mas tristeza para mim é tempero, condimento, aquilo que diferencia – e não o alimento da alma propriamente dito.

"Credo" se eu me alimentasse de tristeza...

 

Não é o caso, mas uma pitadinha dela vai bem. O menino, que é um lindo, não vai deixar de ser lindo por ter se enjoado de mim ou encontrado alguém que o faça vibrar mais que eu. E o amor que conquistou comigo me faz querer vê-lo bem, feliz. O menino, que é um anjo, um príncipe, um querido admirável, não ficou menor por não me querer mais. Esse meu “namorado” nunca me namorou, mas vivemos momentos lindo juntos, de entrega, de volúpia, de confidências... Namoro é rótulo.

 

Honesto, nunca disse me amar. "Estou quase", ele dizia em gargalhadas meigas, me olhando nos olhos - o que me fazia derreter de felicidade. Sobre namorar, me dizia: "ainda não"... No seu lugar eu teria feito diferente, mas há um abismo de quase 20 anos nos separando e os valores são outros, essa geração de meninos, que poderiam ser meus filhos, é muito mais rápida que a minha e como disse os valores são outros.

 

Se tem uma coisa que aprendi logo cedo é a não cuspir no prato que comia, e gostava. E que não tenho direito de desonrar o nome de ninguém, mesmo que magoado, até porque as mágoas não duram mais que dias e não quero dizer ou escrever nada de que me arrependa depois. Mágoas não me movem, e não são nada que uma boa noite de sono não pudesse ter curado. A saudade, e o tesão, eu posso aprender a lidar. Tudo a seu tempo. Haverá outros corpos para me saciar, outras mentes para somar com a minha e vamos seguir adiante.

 

Tenho as minhas imperfeições, diversas, mas sou um cara de muito boa índole.

Nosso último encontro foi mágico, vai deixar uma saudade enorme.

Mas a fila anda... Não tenho certeza de nada, só que a Vida segue.

 

Isso vai me ajudar a tomar uma decisão profissional, tema que merece um post específico. Estou também em fase de mudança profissional, mais um pulo do gato, mas não gostaria de me mudar de cidade deixando um namorado aqui... Hoje vejo grandes possibilidades de me mudar pra cidade maravilhosa, mas essa é apenas uma das várias alternativas... É aguardar a hora de agir.

 

Com serenidade e paz no coração.

 

"A felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam em nossa vida."

Clarice Lispector

 

 

Escrito por Tiago às 22:33:44

23/08/2011 - 21:00:01


Sensato coração

Nem santo te protege - A Vida é mais forte que a Aids

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo.
Florbela Espanca

 

 

Os meus amores me fizeram e fazem muito bem, agradeço. Vastos e amplos amores sendo desbravados, infinitas possibilidades, cada um me oferecendo o seu melhor e seguimos todos sorrindo, Vida adentro. Entro inteiro em cada novo amor, sem esconder nada. Não preciso, nem sei se sei ainda mentir. Sei sim, mas é truco. Maldito.

 

Eu não quero um post em tom confessional, onde exponha as minhas dúvidas, não é esse o meu momento, também não quero confundir mais e mais a sua cabeça, meu prezado rapaz. E também não quero gastar nosso tempo divagando sobre música ou formulando teorias sobre relacionamentos, quero que se exploda toda a racionalidade, adianto que poderá haver tristeza e angústia, mas que desisti da dor.Estou aqui contigo.

 

 

Ando conformado demais, até com você, talvez alguns digam que isso é equilíbrio, e que eu estou a cada dia mais feliz ao teu lado. Minha pele diz isso, no fundo eu sei que gosto de fazer um draminha, quando eu te disse ter medo da menininha que habita o seu ser estava falando daquela outra que insiste em me fazer comprar flores aos domingos.

 

Gosto, me assumo só e em paz, embora com você seja especial.  Te oriento a não decorar meus planos escritos na areia, mas a se inspirar neles. Transpirar é o que te caberá após. Me contento em amar e ser amado, confio simplesmente, posso até ser um rabugento que reclama por ser preterido ou abandonado, porém sei que  em múltiplos e intensos relacionamentos, cada um com sua importância em nossos momentos, sei que em alguns deles também te preteri ou te abandonei.

 

 

No bom presente: Eu também te preTiro. Na real: te preFiro. Com F de força, com T de ternura, "tanto faz"! Poesia concreTa.

 

 

Tudo vai bem. O sentimento é intenso e flutua meu dia, me faz levitar e nos  faz sorriso, simpáticos e lindos que somos saímos de casa cheirosos encantando o mundo. Somos e sabemos disso, sem falsa modéstia. O carinho é imenso, um tantão de grande, afeto, ternura e tesão, respeito, vontade de apertar bem forte e bem forte segurar. Pra um pra sempre que pode durar o quanto nos fizer débeis felizes.

 

 

Ainda que por precaução se debata e renegue. Ainda que titubeie, confronte e tema. Mesmo que negue ou esconda ou finja ser o que é evidente que é. Só não sofra, te peço. Nem por mim e menos ainda por você.

 

 

O quê mais pode ser?

Me ensinaram errado também, mas sei que dá para corrigir.

 

 

Me ajuda?

 

Escrito por Tiago às 21:00:01

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