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LEONARD COHEN: o monge zen faz das palavras sua espada
por Cilmara Bedaque

Desconhecido para muitos, considerado “o maior do mundo” por alguns dos “maiores do mundo” e praticamente ignorado pelo grande público: esta é a sina de Leonard Cohen. Um ano mais velho que Elvis Presley, este canadense de quase 70 anos influenciou Beatles, Dylan, Kurt Cobain, Lou Reed e todos que quiseram fazer da letra de suas canções um momento menos corriqueiro em nossas vidas.

Sempre dividido entre a música e a literatura, Leonard Cohen tem uma carreira irregular nas duas áreas. Não espere dele um disco novo a cada ano e muito menos um livro. Escultor das palavras, seu burilar o aproxima de mestres japoneses do hai-kai. Nada em seu texto é à toa ou sem cuidado.

Sua influência e importância são inquestionáveis e, mais uma vez, depois de ficar 9 anos sem lançar um álbum, Leonard Cohen confirma tudo o que já se disse de seu trabalho. Ten New Songs - ainda sem lançamento no Brasil - traz exatamente 10 novas canções escritas em parceria com Sharon Robinson que também produziu, arranjou, programou, cantou e tocou em todas as faixas. É o disco de uma dupla, mas a presença de Cohen é tão acachapante e sua característica voz - grave e rouca - tão envolvente que, perdoe-me Sharon... Sua grande qualidade foi realmente deixar Leonard Cohen como se estivesse sozinho no estúdio.

As canções de Ten New Songs foram escritas logo após a saída de Mr. Cohen de um templo budista onde ele ficou nos últimos sete anos e onde foi chamado pelos monges de “Jikan, o Silencioso”. Por aí você já pode imaginar o minimalismo deste CD e a precisão de suas letras.
Não é um álbum para você ouvir e adorar de cara. Ele vai entrando aos poucos na sua corrente sanguínea, invadindo seu cotidiano e, quando você percebe, ele é a trilha sonora de muitos momentos de sua vida.

É difícil destacar uma canção entre as dez, já que o CD funciona como um painel de assuntos e sentimentos, mas em “In My Secret Life”, a primeira do álbum, Cohen já declara a que veio. As canções falam de amor, todo tipo de amor e pelo nome você pode perceber a idéia do CD: “Love Itself”, “You Have Loved Enough” e “The Land Of Plenty”.

Ten New Songs não é o melhor álbum de Leonard Cohen (seus clássicos continuam sendo “Songs of Leonard Cohen”, “Songs From a Room” e “Songs of Love and Hate”), mas é um dos melhores do ano que passou.


 

LEONARD COHEN
Ten New Songs

Sony/Columbia
importado

 

 

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