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Eu
sempre quis amar alguém. Será que é isso o
que todo mundo quer? Será que todos buscam, em última
instância, o amor?
Sei
que há pessoas que desistem de procurar o amor depois que
sofrem alguma desilusão ou depois que se machucam muito.
Há outros que parecem não acreditar no amor por puro
cinismo ou porque, racionais ao extremo, não conseguem dar
conta das contradições e incongruências típicas
do estado amoroso. Mas, mesmo não buscando, ou não
acreditando, o amor os assombra como um fantasma, por sua própria
ausência.
Isso
faz sentido para vocês? Porque existem aqueles que buscam
sentido em tudo (e o procuram também no amor), mas estes
muitas vezes se decepcionam, pois, apesar de encontrarem um amor,
percebem que há coisas no amor que não fazem o menor
sentido. Por outro lado, existem também os amantes niilistas,
que não buscam sentido nas coisas e não vêem
problema na irracionalidade do amor, mas deixam escapar os momentos
românticos que nascem justamente do sentido que atribuímos
ao encontro amoroso.
E
quando não há encontro? Há gente que procura
pelo amor sôfrega e incansavelmente, tentando achar seu par
ideal sem jamais encontra-lo, porque não sabe que o amor
muitas vezes acontece naquelas horas em que estamos distraídos,
sem procurar por ele. Por outro lado, há aqueles que, de
tão distraídos, não notam quando um grande
amor aparece diante de si e o deixam escapar pelos dedos.
Existem
também pessoas que se julgam mais felizes sem amor, pois
imaginam que um sentimento desses, baseado exclusivamente na reciprocidade,
possa tirar de suas mãos o controle que pensam ter sobre
suas próprias vidas. Outros, ainda, confundem as coisas e
cobram essa reciprocidade à força, se esquecendo que
não há como cobrar, vender ou pagar por aquilo que
deve ser dado (e obtido) de graça.
Há
quem não se conforme com a falta de amor e, por isso, deixa-se
tomar pela amargura, colocando no mundo uma culpa que o mundo não
carrega, pois o amor ou acontece, ou não acontece - e ninguém
é culpado disso. Há quem blasfeme contra o amor porque
já não agüenta mais amar tanto e tantas vezes,
mas duvido da seriedade de quem diz esse tipo de coisa e desconfio
que a bravata seja pura retórica.
Paradoxalmente,
existem pessoas que, de tanto querer um amor, passam a vida toda
esperando por ele, sem encontra-lo. E há aqueles que, por
mais que o evitem e se escondam, acabam sendo descobertos pelo amor.
Existem pessoas que imaginam estabelecer regras para o amor e se
atrapalham com a rebeldia natural e o potencial transgressor deste
sentimento. Outros preferem nem conhecer o amor, pois pensam que
não conseguiriam suportar a sua perda. Há quem rime
amor e dor e diz viver bem assim. Há gente que se diz capaz
de explicar o amor, mas o amor não pode ser explicado: o
amor pode apenas ser reconhecido, geralmente na face de quem se
ama.
Eu
sempre quis amar alguém. Só não imaginei que
na hora que isso acontecesse, me faltariam palavras e da minha boca
só saísse o tradicional "eu te amo".
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