17/10/2011 - 12h55

Por : Hélio Filho

Livro de Silvano Tolentino narra cenas cotidianas para falar da homofobia
Com narrativa franca e direta, Silvano Tolentino usa cotidiano para falar de homofobia

 

 

Ascensão é simples e direto

Ascensão é simples e direto

O professor e escritor paulista Silvano Tolentino não tem papas na língua em seu novo livro, “Ascensão” (Editora ABR), e nem deveria. Não tem como escrever em meias palavras a homofobia que permeia a sociedade e chega em lugares como família, escola e trabalho, prejudicando quem tem uma orientação sexual diferente. De narrativa fluida, a obra é um discurso sincero sobre um mal infelizmente conhecido.

Em épocas onde héteros são confundidos com gays e sofrem agressões, em tempos onde ninguém está totalmente a salvo de intolerantes andando pelas ruas, Silvano usa a forma literária para contar casos de professores que perderam seus empregos, amigos que morreram nos tenebrosos anos 80 com a explosão da AIDS e, assim, contar também um pouco de si mesmo. 

São 102 páginas de histórias como a do “menino que gostava de outros, contudo respeitava as meninas e por isso pagaria caro por causa de sua coragem masculina de não querer ser macho. Seu coração procurava um lugar maleável e aquático, doce e mole, aveludado, no entanto sabia que era difícil encontrar um só lugar”. 

Não faltam também observações sobre o fanatismo religioso que suprime e sublima o desejo sexual diferente daquele que não pode reproduzir a raça humana, e gerar assim novos consumidores, novos trabalhadores, novos motores de um capitalismo baseado na moral judaico-cristã. 

Os narradores são revoltados, agressivos, indignados, verdadeiros. São páginas com cenas cotidianas que poderiam ou ainda podem acontecer com todo e qualquer gay. 

“Ascensão” – Silvano Tolentino
Editora ABR
102 páginas

 

 

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