Quando você começou a fotografar?
Conheci a fotografia em 1973, quando fiz um curso na Faculdade de
Tecnologia de São Paulo (Fatec). Já tinha interesse por imagens nessa
época. Com o curso, isso virou uma obssessão, uma loucura. Comprei
equipamento e garimpava livros e revistas sobre o assunto, o que era
raríssimo no Brasil. Aqui só tínhamos a revista Íris. Importava tudo,
principalmente a Photo, revista francesa. Fui fotógrafo amador por
quase quinze anos e fazia cursos, dava aulas em clubes, participava
de concursos, etc.
Quando começaram os nus?
Isso é recente. Comecei há apenas seis anos. Trabalhava na revista
Placar, na área de promoções. Estava farto daquela rotina burocrática
de 12 horas por dia trancado em um escritório. Tomei coragem, pedi
demissão e decidi assumir a fotografia, primeiro porque era uma paixão,
depois porque me possibilitaria uma vida mais independente, sem horários
fixos e chefes. Ralei muito e era totalmente desconhecido, anônimo
mesmo. Fotografava eventos, casamentos, stills de produtos, indústrias,
um pouco de moda, até moda infantil!
Mas isso serviu para exercitar mais ainda o meu olhar. Foi quando
comecei a fotografar musculosos para revistas de fitness, artes marciais
e musculação. Vigor, Músculos & Força e Kiai foram algumas delas.
Um dia estava conversando com um colega fotógrafo sobre como acabar
com o marasmo em minha carreira. Ele me disse: "O canal é o lobby
gay. Aí estão o povo fashion, a turma da moda e beleza, a turma da
"modernidade." Lá fora alguns fotógrafos já faziam sucesso com uma
linguagem mais ousada, como Herb Ritts e Bruce Weber (que são duas
fortes referências para mim). Comecei então com o projeto dos postais
eróticos, com nus masculinos não explícitos. Fiz muito sucesso com
isso, embora nunca tenha ganho bem pela idéia. Os postais eram vendidos
em bancas e eu levava muito "cano" de jornaleiro. Agora tudo é muito
fácil. É possível comprar livros e postais eróticos em toda parte.
Há seis anos não era assim e meus postais eram muito procurados.
Qual a diferença entre fotografar
um homem e uma mulher sem roupa?
Nenhuma. A foto depende do modelo e isso não varia de acordo com o
sexo. Uns "dão" a foto fácil; a imensa maioria, no entanto, dá muito
trabalho. O modelo tem de ter consciência de que ele está ali para
o leitor, não para o fotógrafo. Tem de haver entrega. Na maioria das
vezes tenho vontade de perguntar: "Porque você assinou contrato? Porque
você está aqui se não tem a mínima noção e/ou vontade do que é ser
sensual, erótico?"
Como você encontra seus modelos
masculinos?
Bauer – Na época dos postais encontrava meus modelos entre os praticantes
de ginástica e musculação. Era muito fácil esse processo, pois as
fotos tinham um perfil mais "grego", mais neoclássico. Não havia nu
frontal. Você consegue que qualquer rapaz bonito pose se não há nu
frontal. Na Gold, a maioria dos modelos me procura. Quase não preciso
ir atrás. São leitores que se oferecem, amigos que indicam, "amigos
dos amigos" que telefonam... No entanto, apesar da procura ser intensa,
a grande dificuldade é a seleção. A imensa maioria desses rapazes
não têm condições de posar para essa ou qualquer outra revista erótica.
Não há qualidade física. E, sem isso, não dá.
Dia desses ouvi uma brincadeira
sobre os peladões. Uma menina dizia que se um homem posa para a G
é sinal de que ele é heterossexual. É mais fácil convencer um hétero
a posar do que um gay? Os modelos da Gold parecem mais à vontade com
relação a sua orientação sexual. Há uma orientação sua nesse sentido?
Essa menina não sabe de nada! Não há diferença de dificuldade entre
convencer um modelo a posar por conta da opção sexual dele. É difícil
convencer alguém a posar se essa pessoa não tem segurança em relação
a sua própria beleza. Independe de opção sexual. Aliás, nunca perguntei
isso a modelo algum. Isso não importa para mim. Às vezes até fico
sabendo qual é a orientação sexual do modelo "no meio do caminho"
mas, sinceramente, não faz diferença para o resultado do trabalho.
O principal é o modelo ter prazer em posar.