|
|
|
OS
GAYS DA NOSSA HISTÓRIA
por
Luís Felipe Steffen
Na
Semana da Pátria, vamos relembrar as figuras históricas de nosso querido
Brasil que ousaram ser diferentes. Ou melhor, que ousaram ser gays. Vamos
deixar de lado os célebres que não tiveram a coragem de viver suas sexualidades
e ficaram passando vontade.
A grande fonte para os historiadores brasileiros que pesquisam o assunto
é a
Lista dos 100 Vips Gays , publicada pelo GGB - Grupo
Gay da Bahia. A Lista provocou polêmica em diversos setores da sociedade,
que consideraram absurdas as indicações do GGB.
Para começar, temos Tiradentes. Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792)
dispensa apresentações. Líder da Inconfidência Mineira, Tiradentes acabou
sendo o mártir da revolta, enforcado em praça pública. Sobre sua vida
amorosa, pouco se falou até hoje, com exceção do historiador Márcio Jardim,
que afirmou que "Tiradentes tinha tendências homossexuais". Ele não explica
porém quais seriam as evidências dessa suposta homossexualidade do mártir.
O marido da Princesa Isabel, o Conde D'Eu (1842-1922), desde sempre foi
alvo de indiretas (bem diretas, aliás) sobre suas preferências. Em diversas
peças, filmes e livros, o Conde aparece como um gay desvairado. Até no
nome a coisa pega. De acordo com o livro "Os Homoeróticos", de Délcio
Monteiro Lima (editora Francisco Alves), o Conde era um homossexual megalomaníaco
que se comparava aos grandes guerreiros e não dispensava a companhia "de
alegres rapazes franceses" durante os combates e caçadas. Ao lado desses
rapazes, o Conde D'Eu esteve ligado à exploração de cortiços, prostituição
e jogo no Rio de Janeiro.
A
esposa do Imperador D. Pedro I também era. Enquanto o marido tinha um
caso com a Marquesa de Santos, a Imperatriz Maria Leopoldina (1797-1826)
trocava cartas de amor com sua dama de companhia, a escritora inglesa
Maria Graham (1785-1842). Maria esteve ao lado da Imperatriz durante um
mês apenas.
Segundo os boatos da corte, as duas aproveitavam quando o Imperador fazia
a sesta depois do almoço, para se trancarem em algum outro cômodo do Palácio.
As mulheres da corte começaram a fazer fofoca, e Maria Graham acabou demitida.
As
duas ficaram se correspondendo, em cartas onde Leopoldina se referia à
amante como "minha adorada amiga", "minha querida", etc. Vale lembrar
que a Imperatriz era uma mulher masculinizada, sem vaidades, exímia amazona
e que caçava veados (o animal, não outra coisa...) de arco e flecha. Girl
Power em plena Era Colonial! A ex da Imperatriz por sua vez adorava livros
que tratavam da nudez feminina, e fez questão de conhecer a mulher-soldado
Maria Quitéria, com quem
se encontrou algumas vezes. Graham contou que Quitéria fumava charuto.
Maria Quitéria (1792-1853) é até hoje a maior heroína da Bahia. De cabelos
curtos, disfarçada de homem, alistou-se no exército baiano com o nome
de soldado Medeiros. E não foi descoberta até que seu pai ( ! ) fosse
até lá tentar arrancá-la do quartel. Quitéria no entanto bateu o pé e
por lá ficou, tendo desempenho histórico nas guerras na Bahia.
Mas o mais polêmico de todos é sem dúvida o líder do Quilombo dos Palmares,
Zumbi dos Palmares. Segundo Mott, as provas para a homossexualidade de
Zumbi são as seguintes:
1. Seu apelido era "sueca".
2. Ele vinha de Jagas de Angola, tribo onde a homossexualidade era comum.
3. Como líder, ele tinha direito de ser polígamo, mas nunca se soube de
mulheres em sua vida.
4. Zumbi foi criado por um padre, que era o vigário de Portugal em Alagoas,
e que o chamava carinhosamente de "meu neguinho" ( ! )
5. Ele foi encontrado morto, castrado e com o pênis dentro da boca ( !
). Muitos gays foram mortos da mesma forma na época, em Alagoas.
Alguns grupos
negros ficaram irados com a inclusão de Zumbi na Lista. Revoltas à parte,
evidências à parte, entre hipóteses, sugestões e "outings" forçados, ficamos
com a imaginação do que pode ser verdade em toda essa História. Delírio
para alguns, realidade para outros. Salve-se quem puder. Acredite se quiser.
E o resto... é silêncio.
>>Semana Santa Gay
>>Brasileiros
escolhem gls + influentes do século
>>Os 100 Gays mais influentes
do século
>>Álbum
de Figurinhas Imperatriz Leopoldina do Brasil
|