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Deize Tigrona
Com noite fixa no Vegas e atração principal de baile de carnaval Gay, a funkeira está com tudo em SP

Por Ferdinando Martins e Paco Llistó


25/2/2006
 

Ela é linda, ela é poderosa e ela é meiga. Deize Tigrona é a mulher bombada. Ela emplacou noite fixa no clube Vegas às segundas, lotada de gays e virou atração principal do carnaval do Basfond. Pouco antes de fazer show no Via Funchal nessa sexta, ela conversou com o Mix Brasil.

Por que você acha que faz tanto sucesso entre os gays?
Acho que minha simplicidade cativa o público gay. E também porque minhas músicas são mais explícitas e os gays gostam.

Você sempre foi próxima dos gays?
Lá no morro onde moro no Rio de Janeiro, tenho um amigo gay, a Ramona. Fiz até uma música em sua homenagem. Depois que comecei a fazer sucesso, conheci muitos gays e é um público que eu gosto muito. Recebo muita energia positiva dele e a vibração sempre é forte nos shows. A-do-ro. Eu quero, qualquer dia, levar a Ramona para ver meus shows fora do Rio. Ela nunca viajou. Só não fiz isso ainda porque vou me sentir responsável por ele e ainda não tive a oportunidade.

Como os gays são vistos no morro?
No morro, geralmente não tem problema. Mas o Rio de Janeiro é menos aberto que São Paulo, em geral. Lá só dá para gays andarem de mãos dadas em determinados e poucos lugares. Aqui é mais fácil ver gays se beijando na Paulista.

Gays vão a bailes funk?
Vão e ficam na deles. Na Mangueira e na Cidade de Deus também vão muitos gays. O povo respeita e trata como qualquer visitante: se está lá para curtir, aproveita. Se for para criar confusão, ai tem briga. Mas os gays em geral são sossegados e não mexem com ninguém. Claro que os caras héteros olham diferente, mas dentro da comunidade pode-se dizer que os gays estão seguros.

Você veio do morro, mas foi a classe média que te deu visibilidade. Por que isso?
O morro deu muita coisa. Deu o primeiro reconhecimento e isso é importante. Deu credibilidade. Deu o baile, cedeu o espaço. Fez com que a comunidade escutesse o funk. Mas o morro depende da mídia e, quando começamos a aparecer, o mundo nos abraçou.

Como é fazer sucesso no exterior?
É bacana, mas eu ainda não senti muito o impacto. O Marlboro levou o funk para fora. O Tetine gravou uma música minha, "De quatro e de ladinho".

Qual o futuro do funk?
O funk sempre busca coisas novas. O que empolga são as letras, que geralmente saem descoladas da base. Por isso dá para criar bastante. Isso permite também que os DJs criem bastante e assim o funk vai seguindo.

Você se considera feminista?
Eu acho que sim. Tenho poder e gosto de usar. Se eu falar que o governo está errado, tem muita gente que vai me ouvir. Também faço com que as mulheres falem mais alto. Quero que as mulheres cheguem e digam "sou eu e não tem para mais ninguém".

O que você faz quando não está nos shows?
Lavo roupa, faço comida, cuido da minha filha de três anos, do meu marido...

Por que não contrata uma empregada?
Você acha que eu tenho dinheiro?

Não tem?
Tenho mais que outras pessoas do morro, mas não sou rica.

O que Deize Tigrona gosta de ouvir.
Com a Madame, minha antiga patroa, quando eu era empregada doméstica, aprendi a gostar de MPB. Ouço Rita Lee, Legião Urbana, Djavan, Lulu Santos.

E eles ouvem Deize Tigrona!
Sim, é verdade. O Lulu Santos disse que gosta...


 

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