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Black Music toma conta do segundo dia do Tim Festival-Rio

Por Fábio Solaio, especial para o Mix
Foto: Eduarda de Souza/ site erikapalomino.com.br

23/10/2005
 


Hip-hop, rap e funk dominaram o palco Main Stage no segundo dia do Tim Festival-Rio, nesse sábado, 22/10. Foi lá a presentação do trio De la Soul e da cantora M.I.A. De la Soul abriu o palco pouco depois das dez horas da noite e fez um show memorável, passeando pelos 15 anos de carreira do trio. Por trás do show, das músicas, das imagens, passava ainda a história do próprio hip hop, que o De La Soul é pilar.

Bastava olhar a roupa dos músicos e compará-las com a do público na platéia: calças largonas, cuecas a mostra, camiseta 3 números maior. Mas não é só de moda que estamos falando. Na verdade aqui a moda vale pouco, o que vale é a música que, no caso do De la Soul, é histórica, mas não datada.

Os músicos do De La Soul não deixaram a pista cair em momento nenhum do show. A energia dos caras era facilmente assimilada pelo povo. Eles tocaram desde música do primeiro álbum, 3 Feet High and Rising, de 89, até o mais recente trabalho, The Grind Date, de 2004.

Posdnuos, Pasemaster e Trugoy, os integrantes do De la Soul, pediram durante todo o show para que o povo levantasse as mãos e repetisse frases e interjeições. O povo respondia, claro. Trugoy chegou a dizer que o Rio era melhor que SP (eles tocaram na cidade em 99), para delírio da massa carioca que ainda gosta dessa rivalidade.

A execução dos hits "A Roller Skating Jam Named', 'Saturdays' e 'Me Myself and I' foram os mais vibrantes. "Rock Cu Kane Flow", "The Grind Date" também foram pontos altos.
O show durou apenas 50 minutos, mas valeu por levantar o palco mais jovem do Tim Festival. Tadinha da M.I.A, que precisava segurar sozinha aquela massa e garantir ainmação.

Pois é, mas ela conseguiu. Com apenas um CD gravado, Arular, M.I.A. precisou rebolar para fazer seu show transformar o palco em um imenso baile funk. O namorado da moça, DJ Diplo, comandou as bases. A dupla optou por tocar uma música atrás da outra, praticamnete sem interrupções ou falatórios. O recurso conferiu ao show aura de live p.a e fez o povão todo rebolar. Um autêntico baile funk - de inglês, diga-se.

No meio da apresentação rolou o mega-hit 'Bucky Done Gun', aí o povo se rendeu aquela moça miúda. A faixa traz um sampler de Deize Tigrona, nova amiga de infância de M.I.A. Logo depois de 'Bucky Done Gun', DJ Diplo soltou as primeiras batidas do hit Boladona e M.I.A entregou seu microfone para Deize tocar duas músicas. Deize subiu no palco e protagonizou o melhor momento do show, com um medley de funk carioca cantado ao lado de M.I.A. Agora sim: baile funk de verdade.

Pull Up, Fire Fire, Sunshowers, Amazon, 10 Dollar, Eurythnics, Galang, Bingo, Hombre e Uraqt também apareceram no show. Depois de M.I.A o rapper Dizzee Rascal assumiu a tenda. Já de madrugada, quando o Main Stage vira Motomix, DJ Diplo voltou ao palco para tocar seu superfunk.

Mais cabeça
Longe da histeria causada pela black music no palco Main Stage, no Tim Lab a comoção esteve muito mais ligada à cabeça que aos quadris. Foi lá que rolou a apresentação da incrível banda Arcade Fire.

Eles tiram sons sutis de instrumentos nem tão sutis, como na própria estrutura de alumínio do palco, que Willian Butler - (percucionista ei rmão do vocalista Win) fez questão de escalar, para de lá de cima jogar seu sintetizador no chão. Eles cantaram deitados no chão, pularam e se sentaram. E quem pensou que o Arcade Fire era desconhecido no Brasil se enganou: as músicas foram cantadas por pelo menos metade do público do Tim Lab.

Depois do Arcade a vontade era ir para a cama tentar digerir aquela atmosfera sonora tão peculiar, inteligente e impactante.

:: Saiba como foi a apresentação do The Stokes no primeiro dia do Tim

 

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