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Nós
do Desejo
Espetáculo de Débora Colker mostra as
amarras que aprisionam e libertam
Por
Ferdinando Martins
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12/9/2005 |
Depois
de várias semanas com lotação esgotada
Rio de Janeiro, o novo espetáculo da Companhia de Dança
Deborah Colker chega a São Paulo na próxima
semana. Nó é o sétimo espetáculo
da coreógrafa e traz um tema fascinante: o desejo.
A
proposta de Débora é inusitada: são 120
cordas emaranhadas. Nelas, os bailarinos se amarram, em movimentos
de aprisionar e libertar. Assim como o desejo, as cordas provocam
prazer e dor, sofrimento e libertação. Nó
fez sua estréia mundial no dia 5 de maio no Festival
de Wolfsburgo, na Alemanha, onde se apresentou por quatro
dias, com enorme sucesso de público e crítica.
No Brasil, estreou no dia 3 de junho temporada popular de
dois meses no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.
Nó
traz os elementos que tornaram a companhia um fenômeno
de comunicação com o público - o virtuosismo
coreográfico, a precisão e o vigor dos bailarinos,
a exploração e a ocupação de novos
espaços cênicos - mas está impregnado
de novidades.
Vestindo
pela primeira vez figurinos de Alexandre Herchcovitch, os
16 bailarinos - incluindo Deborah - fazem um espetáculo
ao mesmo tempo violento e delicado, brusco e sensível,
chocante e amoroso, onde a dramaturgia se torna evidente.
O estilista, fiel ao tema proposto, criou roupas cor de carne,
com toques de vermelho e preto.
No
primeiro ato, os bailarinos se movimentam em meio ao emaranhado
de cordas. Cordas que dão nós e que simbolizam
os laços afetivos que nos amarram. Cordas que servem
para aprisionar, para puxar, para ligar, para libertar. Em
uma companhia marcada pela disciplina, foram necessários
meses de treinamento exaustivo para lidar com o acaso das
cordas, já que, a cada dia, os movimentos saíam
diferentes.
Também
foi preciso dominar novas técnicas. Deborah utilizou
o bondage (técnica com cordas para controle da dor,
do movimento e do prazer) e também o conhecimento de
todos os tipos de nós, aprendidos com um marinheiro,
para contribuir na construção coreográfica.
Para
dar conta da complexidade do tema, a companhia modificou o
seu sistema de trabalho e, paralelamente aos trabalhos físicos,
introduziu aulas de filosofia com o professor Fernando Muniz,
que continuará fazendo parte da equipe.
No
segundo ato, saem as cordas e o palco é ocupado por
uma caixa transparente de 3,1 x 2,5 metros, uma criação
do cenógrafo Gringo Cardia. A inspiração
veio de uma viagem que Deborah fez a Amsterdã, na Holanda,
onde visitou o Red Light District (Bairro da Luz Vermelha),
em que garotas de programa se expõem em vitrines nas
fachadas das casas. Neste aquário gigante, feito de
alumínio e policarbonato - material usado na blindagem
de carros - os bailarinos se enlaçam, se atraem e se
opõem, se atam e se desatam. É uma metáfora
do desejo, daquilo que se quer, mas não se pode pegar,
daquilo que se vê, mas não se pode ter, daquilo
que se ambiciona, mas não se pode realizar. Ao fundo,
a voz de Elizeth Cardoso em Preciso aprender a ser só,
ilustra a solidão daquelas mulheres e de seus clientes.
Os bailarinos equilibram técnica clássica e
contemporânea em movimentos delicados e brutais.
Com um olhar voyeurista, o público acompanha os bailarinos
num espetáculo visceral, recheado de elementos fetichistas
como cabelos e cordas. Deborah evita eleger vítimas
e culpados. Ela quer mostrar que, nas relações
de dominação, há espaço para a
escolha e para o consentimento. Um domina e o outro é
dominado, mas os papéis se invertem e se misturam.
Os nós humanos se fazem e se desfazem, a perversão
seduz, a sedução perverte.
Nó
Teatro
Alfa
Rua
Bento Branco de Andrade Filho, 722
Fone: (11) 5693 4000
Dias
23, 24, 25, 27,28 e 29 de setembro, 21h.
Ingressos: R$ 30 a R$ 70
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