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Semana
Gorda
Estréias animam circuito
de teatro em São Paulo
Por
Ferdinando Martins
Fotos: Divulgação*
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27/4/2005 |
Parece
combinado: alguns dos melhores espetáculos do ano estreiam
esta semana, quase no mesmo dia. Prepare sua cara de intelectual
e dê pinta nos teatros da cidade.
Finalmente
O espetáculo mais anunciado da década inicia
sua temporada no sábado, no Teatro Oficina. O grupo
de Zé Celso Martinez Corrêa leva aos palcos a
terceira parte de 'Os Sertões', trilogia que começou
com 'A Terra', seguida de 'O Homem'. Agora, com 'A Luta'.
Finalmente o Uzyna Uzona equaciona a obra de Euclides da Cunha
em uma montagem épica, com todos os elementos cênicos
a que tem direito.
Como era de se esperar, não se trata de uma montagem
simples, nem de uma transposição para os palcos
do texto original. Zé Celso vale-se da obra quase como
um pretexto para discutir problemas atuais, como a violência
e a distribuição de terras. Ao mesmo tempo,
vai além disso, inserindo na História do Brasil
questões universais: a dominação, o amor,
o ódio. E é, também, uma alegoria de
sua própria experiência pessoal, carregando um
Antônio Conselheiro combatente, idealista, humano e
incompreendido.
O Mix Brasil assistiu alguns ensaios e pode ver um espetáculo
ágil (apesar de suas mais de seis horas de duração),
com muita música, acrobacias e um coro de crianças
lindo. De quebra, aqueles homens lindos do elenco do Oficina.
Desnudos ou sem camisa, dá vontade de segui-los todos
na luta contra o Exército Brasileiro.
Lição
de anatomia
Ele
recentemente declarou seu amor por Marcelo Tas nas páginas
de uma revista de fofocas. Será por isso que Gerald
Thomas anda lírico e - acredite - compreensível.
O polêmico diretor garante que em 'Um Circo de Rins
e Fígados' o público vai encontrar uma história
com começo, meio e fim (não deveriam todas ser
assim?).
A peça, com estréia prevista para sábado
no SESC Pinheiros traz Narco Nanini para contar a história
de um ator chamado Marco Nanini que recebe várias caixas
com documentos secretos enviadas por um homem misterioso chamado
João Paradeiro. Daí em diante, ele se envolve
numa rede de acontecimentos que transformam sua vida num turbilhão.
Isso tudo com muito humor, já que Gerald define o espetáculo
como uma comédia. "Mas não gosto de rotular
minhas peças, porque isso acaba criando restrições.
É uma peça escrita especificamente para o Nanini.
E tem muito de metalinguagem, do autor se mostrando através
do ator. É a primeira vez que um texto meu segue uma
estrutura linear, na medida em que uma peça minha pode
ter começo, meio e fim", explica Gerald.
Nanini afirma que tem se divertido muito durante os ensaios.
"O personagem principal tem o meu nome, mas não
é autobiográfico. É um ator confuso,
um cidadão confuso com o dia-a-dia de hoje. Tem muito
humor, mas também tem momentos meio mórbidos".
O ator lembra que ficou impressionado com a criatividade de
Gerald. Os dois trocavam e-mails de madrugada e Nanini recebeu
o texto aos poucos, vindo diretamente de Nova York, onde o
diretor mora. "Não sei onde ele arranja tanta
idéia. Recebi o texto em 20 dias. Todo dia chegava
um pouco, em capítulos, e eu ia me divertindo muito...".
Delícia de maldição
Não precisa ser hétero para achar Camila Pitanga
linda. Se isso não bastasse, a morena é ótima
atriz, como vai ser possível conferir mais uma vez
a partir de sexta no Sesc Vila Marina. Em ' Maldição
do Vale Negro' ela faz par com Marcos Breda.
Na peça, uma paródia dos melodramas, ele interpreta
Agatha, uma governanta corcunda. O texto, de Caio Fernando
Abreu e Luiz Arthur Nunes - foi feito justamente como uma
homenagem crítica ao gênero que mais está
presente na indústria cultural. Aquelas histórias
sentimentalóides, cheias de reviravoltas e finais previsíveis,
tipo Glória Perez.
Os dois eram, na adolescência em Porto Alegre, entusiastas
de folhetins com nomes bizarros, como "As Doidas de Paris"
ou "A Toutinegra do Moinho", bem como de fotonovelas
publicadas nas revistas Capricho e Grande Hotel.
Esta montagem é o segundo espetáculo da trinca
de produtores Camila Pitanga, Marcos Breda e Maria Helena
Alvarez. A parceria foi iniciada em 2001, com a bem-sucedida
produção de "Arlequim, Servidor de Dois
Patrões". Sucesso de crítica e público,agraciada
com muitos prêmios.
A história se passa na França do século
XIX, o que não poderia ser mais
kitsch. Camila Pitanga vive uma órfã (lembrou
de alguma novela das oito?) amedrontada pela maldição
do vale negro. Vale conferir.
SERVIÇO
A MALDIÇÃO DO VALE NEGRO" - SESC VILA MARIANA
Sextas e Sábados, 21h e Domingo, 18h
Ingressos: R$ 15 a R$ 30
R. Pelotas, 141, Vila Mariana
Fone: (11) 5080-3000
UM
CIRCO DE RINS E FÍGADOS - SESC PINHEIROS
Sextas e Sábados, às 21h e Domingos, às
18h
Ingressos: R$ 15 a R$ 30
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros
Fone: (11)3095 9400
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Fotos de Camila Pitanga e Marcos Breda por Paulo Weiner/ Divulgação
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