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Bizarro
Head Case é over e trash, mas diverte

da Redação

18/10/2004

Dizer que um filme “trash”, de produção barata, tem conteúdo e é criativo pode parecer contradição. Normalmente, produções desse tipo nem mesmo entram em circuito comercial, mas ainda assim viram “cult” em festivais de cinema ao redor do mundo. É mais ou menos esse o caso de Head Case, do norte-americano Michael Wakefield. O longa participa do Festival Mix Brasil 2004 e veio para chocar - e divertir - os incautos.

O diretor e produtor de Head Case, Michael Wakefield, é um fotógrafo de Nova York, apresentador de um programa na TV a cabo, e também promoter de “sex parties”. Para realizar seu filme, Wakefield conta que, quando sua avó morreu, recebeu US$ 30 mil dólares de herança e com o dinheiro comprou os equipamentos. Em homenagem à avó, apelidou uma das personagens com o nome da falecida, Lucretia, agora uma drag- queen negra.

Em entrevista à imprensa norte-americana, Wakefield disse que seu filme tem chocado o público. “Quando as pessoas assistem à Head Case as vejo ficando com nojo. Mas eu quero mesmo que as pessoas experimentem a náusea e ainda assim riam”. Até dá para sentir certa náusea, mas não por muito tempo, já que o “fake” predomina. Cabeças de borracha jorrando groselha e um gato de pelúcia assassino não são muito verossímeis mesmo.

Head Case conta a história de um casal que sofre de disfunção sexual e que faz terapia – um “ex-gay” e uma transexual – que acreditam que estão sendo perseguidos por um serial killer. Mimi, a travesti, quer gravar um disco, enquanto seu namorado, misto de “guru do sexo” e gogo-boy, tenta vender seus vídeos em clubes - sobre uma técnica que apelidou de "Believercise" - para tentar “converter” gays. Um detetive – que freqüenta clubes de sexo – tenta solucionar os crimes que envolvem “crânios perfurados e penetrados”. Head Case conta, ainda, com um personagem viciado em sêmem - interpretado pelo DJ Ricardo Tavares, figura de destaque no underground carioca - que guarda frascos do 'produto' congelado em seu refrigerador (?) e é apaixonado pelo “guru do sexo”.

Head Case diverte por seu amadorismo e momentos absurdos. A cena em que a travesti e seu namorado transam pela narina (!) provoca, ao mesmo tempo, nojo, surpresa e risos.

Sinopse:
“Ex-gay“ e sua namorada transexual fazem terapia e acreditam que estão sendo perseguidos por um serial killer que perfura o crânio de suas vítimas para depois penetrá-las.

Por que assistir:
Head Case é um filme descompromissado e nonsense. Para quem gosta de filmes de produção barata e sem qualquer compromisso com roteiro, atuações, efeitos especiais ou verossimilhança, é um prato cheio.

Ficha Técnica:
Head Case (EUA, 2004)
Produzido, dirigido e editado por Michael Wakefield
Duração: 85 minutos
Atores: Flloyd, Kelly Jay, Nashon Benjamin, Ricardo Tavares, Cary Curran, Brian Damage, Les Simpson, Dee Finley


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