"It´s
Party Time". É assim que o Festival
Mix Brasil 2005 celebrará a cultura da
cena noturna em sua 13º edição.
O programa dedicado aos vídeos da cena
clubber faz uma viagem ao tempo e sem pretensões
cronológicas retrata essa cultura desde
da década de 70, em New York City, na chamada
era discoteca até os dias atuais, pós-clubber,
em São Paulo.
Nos
filmes, produções de diferentes
artistas vão traçar um panorama
inédito da noite no Brasil e no mundo.
E - novidade - o espaço House of Erik!a
Palomino vai abrigar toda a programação
de noite. Para começar, a cena nova-iorquina,
bem representada pelos trabalhos de Nelson Sullivan,
foram editados e compilados especialmente para
o Festival por Robert Coddigton. O resultado do
trabalho é "We´re all on the
list" que será exibido em três
telas simultaneamente. Em uma tela as imagens
dos clubes, na pista, em outra rolam entrevistas
com freqüentadores famosos e anônimos;
a terceira será dedicada aos registros
históricos, como o Wigstock, shows de drags
e afins.
As
lentes de Sullivan capturaram 1.800 horas de vídeos
que mostram toda a explosão de vida clubber
que ocorreu no East Village no começo da
década de 80. Além das wanna-bes,
has-beens e never-will-bes, personagens históricos
como Michael Alig, Larry Tee, Donna Karan, Carolina
Herrera, Ru Paul e Andy Warhol são estrelas
dos vídeos.
O
documentário "Kinky Gerlink"
de Dick Jewell, mostrará os pontos altos
da noite inglesa, que ocorreram durante a existência
do clube que dá nomeao filme. O Kinky Gerlink
funcionou entre 1990 e 1993 e foi o mais fabuloso
e fashion clube que Londres já teve. Ele
reunia toda a fauna freak londrina. Tudo começou
com as festas de Michael Koistiff e Gerlinde von
Gegensburg, algo teatral em que cada participante
era, em si mesmo, um personagem diferente que
se expressava através do glamour e da diversão.
Personagens como Leigh Bowery, Tasty Tim, The
Pleased Wimmin e Tranformer eram estrelas locais.
Em
uma das mais incríveis cenas, Boy George,
Sinead O'Connor e Leigh Bowery competem entre
si em um verdadeiro "catwalk", julgados
por Jean Paul Gaultier e Vivienne Westwood. Na
porta, o door policy Winston controlava quem entrava
através dos modelóns. Aliás,
Dick - o diretor do filme - era o único
a entrar nas festas sem ser celebridade ou estar
"adequadamente" vestido. O filme foi
filmado em 200 horas e 21 noites, mas editado
como se quem assiste fosse levado a passar uma
única noite no clube.
Voltando
para New York, a mostra exibe o filme Paris is
Burning, da cineasta Jennie Livingston. O documentário
nos leva às noites do Harlem, onde gay
negros e latinos disputam o Vogue, uma guerra
de dançarinos, que mais tarde se popularizou
na música homônima de Madonna. Mas
a danças das bees originais é bem
diferente da do clipe de Madonna. Nos clubes do
Harlen o Vogue é cultura, autêntica,
profundamente dramatizada.
O
documentário também retrata a dificuldade
de ser gay, pobre e negro em um mundo de brancos
e ricos. E a dura vida de jovens transexuais que
tentam na rua juntar dinheiro para operação
de sexo. O documentário, também
da década de 80, é um bom paralelo
para o realizado por Sullivan. São dois
tipos de noite que conviveram na mesma época
e na mesma cidade, mesmo sendo opostas entre si.
"Butch queen realness with a twist in pastel
colors video show", é a vídeo-instalação
de assumed vivid astro focus. Uma série
de vídeos que pretendem buscar a eternidade
no momento do clímax através de
imagem, cores, dança, música e performance.
O projeto do artista é parte de uma instalação
para o acervo de Rosa de la Cruz em Miami. Foi
iniciado há mais de um ano e ainda não
foi terminado. Na realidade o projeto ganha novos
vídeos a cada viagem. São trechos
raríssimos de programas de TV dos anos
60, como Soul Train, e videoclipes. E como o próprio
artista define "o desejo sexual é
a questão básica do meu trabalho".
Para
finalizar as exibições no House
of Erik!a of Palomino, os videomakers Rodrigo
Dutra, Dácio Pinheiro e Daniel Zanardi,
mostram em 30 minutos a evolução
da vida noturna de São Paulo à partir
do ano 2000. Lov.e, Pix, D-edge, Xingu, Ultralounge,
Vegas entre outros clubes, servem de palco para
as absurdas peformances, conversinhas de amigos,
do glamour e da diversão da noite paulistana.
O casting é conhecido de todos. Jackson
Araújo, Marcelona, Ebony, Renata Bastos,
Vic Meirelles, Liana Padilha, Erika Palomino e
Bianca Exótica, estrelam o vídeo.
Em
comum todos os filmes focam nos personagens da
noite, na descoberta, na diversão. Os ingredientes
básicos da cultura de noite que influênciou
toda a geração pós punk em
Londres, club kid em Nova York e respingou no
Brasil, mais precisamente em São Paulo.
Estamos em casa.
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2005