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O
Grupo
Arco-Íris , ONG com 12 anos de militância
no Rio, estará em breve de casa nova. Depois de sete
anos no aconchegante prédio de vários andares
na Rua Mundo Novo, em Botafogo, os ativistas darão
continuidade ao trabalho social que desenvolvem na Tijuca,
a partir do dia 5. Um desses braços de serviços
ao público que continua com carga total é o
atendimento psicológico gratuito, implantado em março
último, o Acolher.
O
projeto é desenvolvido pela super fofa Bianca Alfano,
psicóloga com vasta experiência na área
de sexualidade que tem ajudado muita gente a encarar seus
problemas de frente, resgatando qualidade de vida, auto-estima
e cidadania.
Problemas
nas relações afetivo-sexuais, luto, rompimento,
impotência, iniciação sexual, homofobia
familiar, conflitos religiosos, auto-estima e sorodiscordância
entre casais estão entre as principais demandas que
chegam ao serviço, que hoje atende cerca de 30 pacientes
por mês, a maioria é de pessoas com baixa renda
que não teriam como arcar com estes custos em uma clínica
particular.
Homens
e mulheres procuram o Arco-Íris com a mesma freqüência
para as consultas. Apesar de existirem pessoas de todas as
idades, dos 18 aos 60, os jovens é que estão
lotando a agenda. Os adolescentes em fase de formação
da identidade sexual chegam aqui com problemas relativos à
homofobia dos pais. Mas também atendo mães que
não aceitam os filhos e estão sofrendo, em depressão.
Uma delas espancava o filho e mudou de postura, perdendo a
visão patologizante.
Até
um gay com expectativa de fazer reversão, prática
condenada e proibida pelo Conselho Federal de Psicologia,
chegou a marcar hora. Foi interessante conversar sobre
esse conflito religioso. Já recebemos três ex-seminaristas.
Estas questões de religiosidade e culpa sempre permeiam
as situações.
Muitas
pessoas são encaminhadas para um grupo de convivência
que se reúne todas as sextas-feiras, às 20h30,
com dinâmicas de grupo e bate-papos sobre família,
homofobia, violência, prazer e assuntos do cotidiano,
como novelas, mídia e outros interesses do grupo de
30 pessoas. O principal objetivo é a socialização,
explica Bianca.
O
atendimento é atrelado a uma assessoria jurídica,
já que alguns problemas esbarram nessa esfera, como
a discriminação em condomínios e em ambientes
de trabalho. Na verdade, os dois serviços integram
uma rede maior da ONG de trabalho preventivo contra as DSTs
e Aids, em parceria com a ONG Pela Vidda.
Muita
gente perdeu a timidez, fez outing em casa e é mais
feliz depois que passou pelo consultório de Bianca
- que não é gay, mas deixa todo mundo muito
à vontade em uma sala com total privacidade. Uma pena
que ela ouça sempre que ainda tem muita gente sofrendo
na escola por causa da falta de preparo dos profissionais
para lidar com o aluno gay, e que esta experiência marcou
a vida da maioria dos pacientes.
Serviço
É necessário agendar uma entrevista inicial
pelo telefone 21-2552-5995, de segunda à sexta-feira,
a partir das 11h. O atendimento acontece às segundas,
quartas e sextas-feiras, das 14h às 20h.
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