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No divã do Arco-Íris
Atendimento psicológico gratuito da ONG carioca ajuda muita gente ser mais feliz


Por Fabiano Moreira, correspondente do Mix no Rio

28/10/2005


O Grupo Arco-Íris , ONG com 12 anos de militância no Rio, estará em breve de casa nova. Depois de sete anos no aconchegante prédio de vários andares na Rua Mundo Novo, em Botafogo, os ativistas darão continuidade ao trabalho social que desenvolvem na Tijuca, a partir do dia 5. Um desses braços de serviços ao público que continua com carga total é o atendimento psicológico gratuito, implantado em março último, o Acolher.

O projeto é desenvolvido pela super fofa Bianca Alfano, psicóloga com vasta experiência na área de sexualidade que tem ajudado muita gente a encarar seus problemas de frente, resgatando qualidade de vida, auto-estima e cidadania.

Problemas nas relações afetivo-sexuais, luto, rompimento, impotência, iniciação sexual, homofobia familiar, conflitos religiosos, auto-estima e sorodiscordância entre casais estão entre as principais demandas que chegam ao serviço, que hoje atende cerca de 30 pacientes por mês, a maioria é de pessoas com baixa renda que não teriam como arcar com estes custos em uma clínica particular.

Homens e mulheres procuram o Arco-Íris com a mesma freqüência para as consultas. Apesar de existirem pessoas de todas as idades, dos 18 aos 60, os jovens é que estão lotando a agenda. “Os adolescentes em fase de formação da identidade sexual chegam aqui com problemas relativos à homofobia dos pais. Mas também atendo mães que não aceitam os filhos e estão sofrendo, em depressão. Uma delas espancava o filho e mudou de postura, perdendo a visão patologizante.”

Até um gay com expectativa de fazer reversão, prática condenada e proibida pelo Conselho Federal de Psicologia, chegou a marcar hora. “Foi interessante conversar sobre esse conflito religioso. Já recebemos três ex-seminaristas. Estas questões de religiosidade e culpa sempre permeiam as situações.”

Muitas pessoas são encaminhadas para um grupo de convivência que se reúne todas as sextas-feiras, às 20h30, com dinâmicas de grupo e bate-papos sobre família, homofobia, violência, prazer e assuntos do cotidiano, como novelas, mídia e outros interesses do grupo de 30 pessoas. “O principal objetivo é a socialização”, explica Bianca.

O atendimento é atrelado a uma assessoria jurídica, já que alguns problemas esbarram nessa esfera, como a discriminação em condomínios e em ambientes de trabalho. Na verdade, os dois serviços integram uma rede maior da ONG de trabalho preventivo contra as DSTs e Aids, em parceria com a ONG Pela Vidda.

Muita gente perdeu a timidez, fez outing em casa e é mais feliz depois que passou pelo consultório de Bianca - que não é gay, mas deixa todo mundo muito à vontade em uma sala com total privacidade. Uma pena que ela ouça sempre que ainda tem muita gente sofrendo na escola por causa da falta de preparo dos profissionais para lidar com o aluno gay, e que esta experiência marcou a vida da maioria dos pacientes.

Serviço
É necessário agendar uma entrevista inicial pelo telefone 21-2552-5995, de segunda à sexta-feira, a partir das 11h. O atendimento acontece às segundas, quartas e sextas-feiras, das 14h às 20h.

 
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