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  Festival Mix Brasil: PROGRAMAS ESPECIAIS
Combinação
17/11/2008
Evento especial do Festival Mix Brasil leva cinema e som para bolachas


Cena de "Bonecas"

Meninas que gostam de meninas, de cinema e de um bom som já tem programa certo para esta quarta-feira, 19, em São Paulo. É que acontece no Espaço Unibanco (Rua Augusta, 1475) a terceira edição do Girls on Film, evento paralelo ao 16º Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual que exibe diversos filmes de temática lésbica no mesmo ambiente em que DJs conhecidas das bolachas comandam as pickups.

Este ano, o som sairá dos equipamentos de Chan (Chá com Bolacha), Lady A (Rádio Mix Brasil), DJ Cris Vilela, Claudia Guay (Las Fufas) e Paty Passos (Projeto Sapataria). De acordo com a organizadora Josi Geller, o principal intuito Girls on Film é "reunir em uma só noite todas as mulheres que participam do festival de alguma maneira e as que apreciam o trabalho".

Os filmes começam a ser exibidos a partir das 14h50 e a festinha começa às 19h30.

Veja a seguir um resumão dos filmes que serão exibidos:

Programa de curtas "Mapa das Minas"
Às 14h50


Bonecas (Karin Babinska, 2007, República Tcheca/Eslováquia, 90')
Este road movie adolescente conquistou menção honrosa de melhor filme no Festival de Cinema Gay e Lésbico da República Tcheca. Segundo a diretora e co-roteirista Karin Babinská, aqui em sua estréia em longa-metragem, este projeto permaneceu sete longos anos em produção e representa um testemunho muito pessoal tanto para ela quanto para a co-roteirista Petra Uselová. “Decidimos contar a história de forma franca e aberta, e essa franqueza surpreendeu e até chocou o espectador tcheco. Mas nossa única intenção era mostrar o quão difícil a adolescência pode ser”, completou a cineasta. Esta é a viagem de três amigas de 18 anos, que decidem ir de carro até a Holanda para aproveitar os últimos momentos antes da chamada “fase adulta”. Acompanha o trio o irmão mais novo de uma delas, que testemunha muitos banhos nus, carinhos entre as amigas e crises de identidade. O mantra da viagem é “ninguém controlará ninguém”. Destaque para as interpretações corajosas e sinceras das atrizes centrais, que protagonizam muitas cenas de nudez e de erotismo quase explícito.
Às 16h50

Dos Miradas
(Sergio Candel, 2007, Espanha, 70')
Este drama acompanha duas amigas, Laura e Sofia, em sua viagem de férias no deserto de San Pedro de Atacama, no norte do Chile. A câmera espia quando as duas acordam numa casa deserta depois de uma noite de eventos intensos. Durante o dia, elas precisam aceitar e entender os novos rumos que a relação das duas tomou. Marcando a estréia na direção de Sergio Candel, este é um estudo cinematográfico sobre atos e fatos não ditos, de confissões nos olhares e de revelações feitas nas mudanças de ritmo da respiração. O filme captura todos os espaços da paixão e da comunicação em silêncio. A atriz Marta Larralde atuou em Mar Adentro (2004).
Às 17h20

Love My Life
(Kôji Kawano, 2006, Japão, 96')
O diretor Kôji Kawano é conhecido por seus filmes “softcore”, de forte erotismo implícito, com cenas de lesbianismo e histórias de terror como pano de fundo (filmes posteriores a Love My Life, veja em sua filmografia). Mas partindo de um mangá de Ebine Yamaji, ele realiza aqui uma comédia romântica que seduz com imagens poéticas e elenco simpático. Ichiko e Eri são duas belas jovens universitárias que se amam. Ichiko sai do armário para seu pai, que lhe revela que ele também é gay e sua mãe era lésbica. Esta surpresa desestabiliza o mundo de Ichiko. Seu melhor amigo também é gay, e há uma garota muito interessada nele. A relação entre as duas jovens é muito intensa, mas Eri sugere uma separação temporária para que possa se dedicar aos seus estudos de Direito. Ichiko não sabe como lidar com a distância e entra em crise. Mas Eri logo descobre quais são suas prioridades.
Às 18h50

O Mundo Virou Les
(Shamim Sarif, 2007, Inglaterra, 80')
No Oriente Médio, Reema e Omar investem nos preparativos para o casamento de sua filha Tala. Mas a jovem, que trabalha em Londres, conhece Leyla, de ascendência indiana e britânica e que namora seu melhor amigo, Ali. Tala nota algo único na maneira desajeitada e sensível de Leyla, que sonha secretamente em se tornar escritora. Quando elas se apaixonam, a própria noção de dever e de tradição cultural fazem com que Tala se afaste de Leyla e retorne à Jordânia, onde os preparativos para um matrimônio ostensivo estão bem encaminhados. Com a chegada de parentes e a aproximação do dia da cerimônia, Tala não resiste à pressão e volta para Londres. Apesar de estar com o coração machucado, Leyla aprende a se libertar de suas próprias dúvidas e das expectativas de sua mãe, abandonando Ali e sendo honesta com seus pais sobre sua sexualidade. Quando Ali e a esfuziante irmã de Leyla, Zara, fazem de tudo para novamente jogar uma nos braços da outra, Tala descobre que seus próprios preconceitos sobre o que o amor pode significar é o obstáculo final a ser suplantado para reconquistar Leyla. O outro longa-metragem da cineasta Shamim Sarif, The World Unseen, versa sobre um romance lésbico e interracial na África do Sul durante o apartheid.
Às 19h20

Pelada com Véu
(Ayat Najafi e David Assman, 2008, Alemanha/Irã, 86')
Este foi o grande vencedor do prêmio Teddy (dedicado a filmes de temática LGBT) de melhor documentário e também do Teddy de público no festival de Berlim 2008; conquistou ainda o Freedom Award no L.A. Outfest. Marlene Assmann (irmã do diretor), jogadora de um time de futebol de Berlim, o BSV Aldersimspor, fica sabendo a respeito do time iraniano de futebol feminino, que até o momento nunca teve a oportunidade de jogar contra qualquer outro time. Ela convence sua equipe local, que tem jogadoras de origens alemã, turca, grega, coreana e tunisiana, a tentar mudar isso. Marlene começa a procurar por apoiadores para sua idéia. Como ela não os encontra na Alemanha, viaja até o Teerã e inicia uma fascinante e difícil peregrinação pelas instituições iranianas, de burocracia kafkiana e preceitos islâmicos sexistas. Com a data inicial do jogo sendo inúmeras vezes adiada e numa conjuntura política complexa, parece que quanto mais persistência em concretizar o sonho, mais distante ele aparenta estar. Instigante retrato da força das mulheres, este documentário conquista o espectador por ser bem construído, dinâmico e apaixonado. O longa é a estréia de David Assmann, mas Ayat Najawi já dirigiu um curta, Move It (2005), cuja personagem principal é uma menina jogando bola na rua.
Às 20h50

Sociedade Secreta
(Vincent Maloi, 2008, África do Sul, 90')
Esta é a versão editada de um elogiado telefilme sul-africano (de 192 minutos). Seus muitos personagens erguem um retrato honesto, divertido e emocionante do que realmente significa ser mulher na África do Sul de hoje. Sempre em busca de suas raízes, as personagens do filme são amigas desde os tempos de colégio. A poderosa, bela e inteligente Akua leva a vida de forma até suave demais, entre lutas por poder e homens-objeto. Beth é uma lésbica ainda não-assumida, mas sua namorada mantém a paixão entre elas sempre muito sexy e viva. Inno é a “garota do tempo hoje, superstar amanhã” e tem comportamento excêntrico e melodramático. Por fim, Lous é miseravelmente grávida, casada e bêbada (não necessariamente nessa ordem). Suas vidas superficiais e trendy colidirão depois de muitos anos durante uma tragédia inesperada. As personagens cativam a atenção do espectador pelas interpretações inspiradas e vívidas do elenco. É uma história sobre a intensidade da morte e o nascer do amor, sobre relações humanas e o assumir-se lésbica, sobre as grandes divas africanas da nova era.
Às 21h20

Silken Sleeves
(Maria Beatty, 2006, EUA, 50')
Nos últimos quase vinte anos, a obra de Maria Beatty manteve-se nos limites entre arte, erotismo e pornografia, com filmes que definiram novos padrões. Suas referências deixam evidente a vocação estética alternativa: o expressionismo alemão, o surrealismo francês, o noir americano e o cinema gay underground de nomes como Jean Genet e Kenneth Anger. Pela natureza surpreendente de seu trabalho, que investiga a sexualidade feminina e os fetiches sexuais, suas obras são exibidas tanto em festivais internacionais quanto em museus de arte. Este Silken Sleeves é plasticamente lindo, uma forte história de dominação-submissão em quatro estações com as atrizes Mayan, de jeito delicado, e Midori, cultuada por sua fixação em bondage. O filme tem colecionado prêmios no circuito internacional: melhor filme experimental no Cine Kink Film Festival 2008, em Nova York; melhor filme independente no UK Erotic Awards 2007; e melhor direção no Festival Internacional de Cinema Erótico de Barcelona 2007.
Às 22h50

  




                                



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