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  Festival Mix Brasil: NOTÍCIAS
Singularidades
1/12/2006
Curta é o vencedor da Mostra Competitiva do Festival MixBrasil no Rio
Por Diego Castro
Foto: Diego Castro


André Fischer apresenta a Mostra Competitiva Brasil


O estudante Sérgio Gattuso


O professor José Heronides

Todo ano, já há algum tempo, além da mostra de longas, médias e curtas-metragens, das festas e do show do Gongo, o Festival Mix Brasil promove a exibição competitiva de curtas-metragens nacionais em São Paulo e no Rio de Janeiro, na chamada “Mostra Competitiva Brasil”. Os vencedores de cada estado são escolhidos por voto popular (os espectadores votam nos locais de exibição dos filmes), sendo que há ainda um prêmio especial escolhido por um júri, composto, este ano, por nomes de relevância nacional e internacional na área de cinema GLS.

Em 2006, fizeram parte do júri Anne Fryszman (do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo), Ivan Mello (da Mostra BR), Kristian Petersen (do Berlin Film Festival), Kyle Stephan (do London Lesbian & Gay Film Festival) e Zvonomir Dobrovic (do Queer Zagreb, festival gay e lésbico da Croácia). Eles escolheram como melhor curta “O Amor do Palhaço” (Fortaleza, 2005, 35mm) do diretor Armando Praça, que, em 15 minutos e com uma interpretação emocionante do ator Luis Miranda, conta de forma poética a história de Grete, uma personalidade da praia de Canoa Quebrada que em determinado momento de sua vida decide abandonar o circo em que trabalha e aventurar-se sozinha.

Em São Paulo, o vencedor pelo voto popular foi “As Filhas da Chiquita” (Rio de Janeiro, 2006, vídeo), que, com direção de Priscilla Brasil, conta em 52 minutos o que ocorre há 28 anos no segundo domingo de outubro, quando a bicentenária procissão do Círio de Nazaré é obrigada a conviver com a Festa da Chiquita, tradicional encontro gay que ocorre no mesmo circuito da procissão, em Belém do Pará.

No Rio de Janeiro, o vencedor foi conhecido nesta quinta-feira, 30/11, em sessão especial na Casa de Cultura Laura Alvim (novo point do Festival Mix Brasil na cidade) com direito à introdução/apresentação feita por um dos diretores do evento, André Fischer. Ele explicou ao público como foram feitas as votações, falou sobre o júri internacional e sobre os vencedores escolhidos, preparando o povo para a exibição do campeão carioca, “Singularidades”. O curta de 35 minutos, feito em vídeo, é de Curitiba e foi exibido logo antes do filme argentino “Puto”, que faz parte da Mostra Mix Argentina.

“Singularidades” é um brilhante documentário que mostra através de personagens como um pedreiro, um zelador, uma travesti, uma empresária e uma artista plástica (todos homossexuais na faixa dos 50 anos) como funciona a sexualidade mais madura no meio gay. O público ria e vibrava com a história (real) mostrada na tela, enquanto aproveitava as cervejas Miller oferecidas na entrada da sessão, uma cortesia da empresa apoiadora cultural do Festival Mix Brasil. Já o filme argentino “Puto” não foi muito bem recebido pela platéia, que deixava a sala em progressão geométrica a partir de 10 minutos de exibição.

Sérgio Gattuso, estudante de 25 anos, foi um dos que foi prestigiar o curta nacional vencedor. “Achei realista, diferente, um retrato fora da vida gay de Rio e SP, muito interessante”, disse o simpático espectador, que veio acompanhado de amigos como Bruno Piotto, de 22 anos, também estudante. Este também adorou “Singularidades” e detestou “Puto”. A opinião era unânime no público que saía da pequena sala de exibição do Laura Alvim.

O professor de inglês José Heronides Andrade de Moura, de 52 anos, foi outro que expressou sua opinião sobre o curta. “É bom ver que o cinema GLS está deixando de focar apenas no jovem e na cultura física. Esse curta pode ser visto também por pessoas não-homossexuais; é preciso que os gays e os não-gays conheçam outra realidade, como esta apresentada no filme”, contava o professor. Ele finalizou parabenizando o Festival por exibir títulos que o ajudaram a demolir os próprios preconceitos: o que tinha contra filmes lésbicos, por exemplo. “Adorei ‘Sai de Mim Cheyenne’. Gostei muito mesmo. Me deu outra visão de filmes sobre mulheres gays.”

O Festival Mix Brasil continua no Rio até domingo. Neste dia, uma nova exibição do curta vencedor carioca “Singularidades” está prevista, em horário a ser ainda definido. Provavelmente será antes do filme “A Recepção”, que tem apenas 78 minutos.

Os responsáveis pelos três curtas nacionais vencedores receberão o troféu Coelho de Prata e um celular Nokia, modelo N90.

   




                                



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