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  CIO: REDOMA
Viva a diversidade!
19/3/2007
É natural, humano e saudável não concordar com absolutamente tudo dentro de uma relação


- Briga? Eu nunca brigo com a minha namorada!

Se você já ouviu esta frase de alguém, certamente se trata das primeiras semanas de namoro ou do relacionamento entre duas monjas budistas. Por mais que vocês se amem, se respeitem, se queiram bem, é fatal que em algum momento aconteça um conflito na relação.

Claro, gostar das mesmas coisas, das mesmas músicas, dos mesmos filmes, de gato, criança, cachorro, de tomar chuva, de ver o sol nascer, de viajar, de campo ou de mar, não faz de vocês pessoas idênticas.

É certo que "briga" parece uma palavra muito forte. Não estou falando de sair no tapa com sua amada, mesmo porque isso seria falta de respeito. Falo dos momentos que divergimos opiniões e crenças. Se considerarmos que mesmo irmãos que são criados sob o mesmo teto, com o mesmo tratamento, divergem sobre as coisas, que dirá quem foi criado em universos paralelos.

Sim, relacionar-se também significa fazer com que seus universos paralelos encontrem um ponto de fusão, mas isso não quer dizer que vocês passam a ser a mesma pessoa. Sempre haverá algo que evidenciará que, mesmo semelhantes, vocês são pessoas completamente diferentes.

É natural, humano e saudável não concordar com absolutamente tudo dentro de uma relação. Caso contrário, como vocês poderiam crescer juntas?

Mas, convenhamos, ninguém gosta de discussão. Principalmente se uma das duas (ou ambas) não consegue controlar muito os ânimos. Piores ainda são aquelas discussões entre mentes, quando damos um basta na discussão verbal mas continuamos remoendo a briga mentalmente.

Sabe? Quando continuamos esbravejando, imaginando que poderíamos ter respondido isso ou aquilo diante de tal provocação, que poderíamos ter reagido de maneira diferente, tudo isso apenas com o pensamento? Tal postura, além de mantê-las ligadas por uma energia nada positiva, ainda não contribui com a restauração da paz entre as pombinhas.

E dormir "de bico" então? Quando a gente é casada ou divide a mesma cama, sabe como uma noite dessas é terrível, povoada de pesadelos. A cama normal fica tamanho "king size" diante do esforço que fazemos para não encostar nela. Tudo vira motivo para "cutucar" a outra: se ela não gosta de luz acesa, colocamos um abajur com lâmpada de poste no quarto. Se ela não gosta de TV ligada antes de dormir, fazemos questão de assistir todos os programas que passam de madrugada, até os olhos não conseguirem mais ficar abertos. Se ela se incomoda com barulho, ligamos o "walkman" no último volume pois não há nada mais irritante que aquele "mosquitinho" de som que escapa do fone de ouvido de madrugada.

Nos empenhamos tanto em continuar a briga que nos esquecemos de concentrar nossos esforços na resolução do problema.

Não seria mais fácil resolver a pendenga a estendê-la por horas a fio? Não seria muito menos desgastante sentar como duas pessoas adultas e tentar compreender e aceitar os pontos de vista de ambas? Note que compreender e aceitar não significa adotar a mesma postura.

Eu, por exemplo, não fumo e tenho alergia a cigarro. O fato de aceitar (mesmo a contra gosto, confesso) que minha esposa fume não significa que passei a apreciar cigarro. Assim como ela evita fumar perto de mim, aceitando minha oposição ao fumo. Nenhuma de nós perdeu sua essência aqui, apenas respeitamos nossas posturas diante do cigarro. Eu continuo detestando e ela continua fumando.

Discutir sobre algo nos traz a oportunidade de conhecer um outro ponto de vista. É nesse momento que mostramos nosso âmago. Quando defendemos com fervor algo que acreditamos, estamos mostrando nosso verdadeiro "eu" e isso é tudo o que buscamos dentro de uma relação: conhecer profundamente alguém.

Aproveite os momentos de divergência para aproximar-se da pessoa que você ama. Pense que é nessa hora que você a está conhecendo profundamente, que os seus laços estão se fortificando. Apenas tome cuidado para que as "brigas saudáveis" não ultrapassem o limite e se tornem violentas e sem propósito. Lembre-se: não concordar é uma coisa, impor a sua vontade é outra completamente diferente.

Um "viva" à diversidade, principalmente dentro das relações.

Nina Lopes, apesar de pacífica,  não abre mão de defender seu ponto de vista. Ela também é editora da revista Sobre Elas – www.sobreelas.com.br

  





LEIA OS COMENTÁRIOS

1/4/2007 23:39:35 - Bruna Trevisan (lady.buh@gmail.com)
rsrs, no meu caso é o contrário: eu e minha namorada somos c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e diferentes! Completamente opostas! E acho q é por isso q quase nunca chegamos a brigar, no máximo discutimos um pouquinho mais ferrenhas, mas sempre chegamos num denominador comum!
27/3/2007 11:52:31 - Maisa Vilanova (maisavillanova_22@yahoo.com.br)
Interessante, verdadeiro e profundo! Espero que todos que leiam essa matéria se convençam que as diferenças existem e precisam ser respeitadas! E quem é que nunca aproveitou uma boa briga para arrebentar na reconciliação depois?
24/3/2007 22:03:35 - augusto vieira (guthovieira@hotmail.com )
Que bom nada como uma boa dose de racionalidade para lidar com problemas emocionas tão básicos e inerentes a todos nós... Somos bichos e gostamos de ser respeitados no nosso territorio..so que as vezes esquecemos que tme o outro bem lai ao lado reivindicando a mesma coisa..se pudermos suportar e tneder isso teremos uam vida mais rica, e mais diversificada...assim ampliamos a fronteira do ego..e damos espaço pra algo mais criativo..sigam exemplo.
24/3/2007 20:35:22 - nad (anjodanoiteshadown_of_death@hotmail.com)
Eu e minha discutimos por bobagens,ciumes dela.aff,entre outras coisas mais tipo como a nina disse como ta no inicio fazemos logo ass pazes,mais eu sei q nosso genios não se batem e q ainda os problemas futuros vão ser piores ,fazer o q né paciência,hahahahaah,não tendo agressão fisica tudo bem.amei o artigo.bjus nina.
21/3/2007 15:33:12 - Domenica (domenica63@hotmail.com)
Vivi durante 12 anos com a mulher mais especial desse mundo, e continuaria vivendo com ela até meus 80 anos, mas infelizmente ela faleceu. Tinhamos, eu um filho, e ela 3. Além de todas as questões sociais que tivemos que enfrentar, além das financeiras, tinhamos também a: Meus filhos, seus filhos, nossos filhos....e , geralmente , quando as brigas aconteçiam eram mais por corujises nossas que por nós mesmas...talvez até porque nosso tempo, pra nós era muito curto. Enfim, com relação as brigas, como em tudo num relacionamento mesmo as brigas tem um desenvolvimento. No inicio, eram palavras agressivas e soltas, mas depois, foram se transformando em opiniões e criticas que apenas nos ajudavam, e na maoir parte das vezes acabavamos rindo, assim como nossos filhos, porque eles adoravam nossa forma de brigar....Não tinha ofensa pessoal, não ficavam mágoas, não existiam confrontos, eram puramente formas de cada uma se mostrar como era, como via o mundo, como entendia a vida, usando nesses momentos instrumentos que nos foram ofereçidos durante nossa formação, e até sobre eles nossas observações eram postas. Enfim, de tudo isso que comentei, acho que o mais importante é que,,,,mesmo nas situações que consideramos negativas, como a brigas (mas muitas vezes não o é) estamos aprendendo e dividindo, e que mesmo delas sentiremos saudades ....Beijos
20/3/2007 22:32:32 - Daniela (mercibien@bol.com.br)
Adorei o texto que me fez refletir como a falta de dialógo gera a incompreensão, a discriminação, a intolerância, ou seja, ao conflito. E isso está presente em todas as esferas do relacionamento humano, seja amoroso, fraternal... Fiquei pensando em algo que vi nos noticiários... Um deputado que estava defendendo a lei que pune a discriminação de homessexuais, dizendo que temos que ter a liberdade de expressão de "escolher" sermos homessexuais ou não, como se escolhecemos ser hippie ou punk, ou qualquer outra tendência da moda. E aí que vejo como a falta de dialógo, comunicação e compreensão nos faz sermos tão ignorantes. Será que esse deputado que "pasmem" defende a causa homessexual conversou diretamente com um? Será que uma mãe/pai revoltado com a "escolha" do filho(a) dialóga com estes mesmos? Enfim sem dialógo seremos seres conflitantes e ignorantes com os verdadeiros fatos que nos cercam.
20/3/2007 21:17:55 - Blue Diver (mergulhadora_azul@yahoo.com.br)
Novamente, olha o Respeito ai... Em qualquer relação e situação esse sentimento é o divisor das águas da intolerância e da submissão. Todo mundo já passou por uma discussão seja no relacionamento, trabalho ou escola, mas saber discutir é a diferença. Não levar ao extremo uma briga é inteligente e difícil, o "sangue latino" às vezes fala mais alto. Concordo com a Nina essa é uma boa hora de conhecermos quem está ao nosso lado. Saber parar no momento em que tudo leva ao caos e saber falar nos momentos de silêncio é uma virtude. Beijos
20/3/2007 16:08:47 - marcavi (marcavi@yahoo.com.br)
Para mim, as discussões deveriam chegar sempre a algum lugar, caso contrário é puro bate boca. O grande problema é a forma que se coloca uma opinião, a volta normalmente vem na mesma frequência. Se soubermos falar demonstrando nossa opinião sem a roupa da imposição e a outra pessoa continuar apenas revidando é sinal de que essa união não é de futuro. Acho que um bom sinal de que as conversas não são em vão é qd ouvimos: “estava pensando no que conversamos outro dia, blablabla” ou “puxa tentei agir como vc falou e não é que deu certo”, enfim, demonstrar que o que se fala não está sumindo pelo ralo. Sempre alguém pode saber mais do que nós ou ter uma visão mais amena de encarar alguma situação, sem nos descaracterizarmos, podemos sim experimentar agir de uma forma diferente, considerar o que se fala como sugestão. Só não podemos deixar de avisar ao ego que aceitar uma forma diferente, ceder, não significa perder. Falando parece fácil, mas não e nem é para ser, fazer isso tudo é travar uma batalha de questionamentos, é revolucionar o “certo”, o que sempre foi, mas olhar para o lado e juntas olhar para trás e perceber as mudanças deve ser um dos melhores prazeres. Quem está disposta? Bjs Nina e parabéns pelo texto!
20/3/2007 09:53:37 - Cecília (cecolares@gmail.com)
Oi Nina, Gostei muito!! Coerente e verdadeiro!rs Esse tipo de artigo deveria ser divulgado em outros locais, outros sites...Desse modo, até os "heteros", teriam uma noção do que é ter um comportamento adulto na hora das divergências e identificariam o problema antes de sair na porrada com a esposa,(que é o que acontece muitas vezes, infelizmente),não acha? Obrigada pela oportunidade do acesso. Abraços
20/3/2007 08:45:13 - Herika (herika_vale@hotmail.com)
Como diz uma grande amiga, as pessoas passam uma vida inteira tentando mesmo que inconscientemente mudar as outras, em qualquer tipo de relação, e isso é terrível porque quando vira uma "meta" querer que o outro se adapte a nossa vontade, a relação tende a ficar insuportável.Ninguém é perfeito e vem daí a questão do bom senso como você mesma colocou no texto,diferenças existem porque o mundo seria perfeitamente sacal se todo mundo fosse igual. Se ela gosta de heavy metal e eu de MPB, fazer o quê né? A gente coloca uns headfones e tudo fica maravilha... Mas assumo que respeito . Sou dura de desistir, mas bem maleável. Adorei o ponto de vista.
20/3/2007 08:22:57 - Mary Hug (mari.ruggeri@gmail.com)
Bem, meu irmão já diria que se não tiver pelo menos uma discussãozinhazica que seja, "é muuuuuuuuuuuita falsidade no relacionamento, então, amapôa, abre o olho"... Penso que brigas ( ou atritos ) geram discussões, e discussões geram compreensões das nuances do ser. Daí, a melhoria do relacionamento.. Mas, se a coisa tá perdendo a forma, então... Afaste-se um pouco. Não adianta mergulhar de cabeça para tentar resolver as coisas.. Tome uma distancia do "problema" ( e da amada com ele.. ), para adquirir um outro olhar. Já diria (cantaria) a Ana Carolina : "Se fico um tempo sem te procurar, é para a saudade nos aproximar..."
20/3/2007 07:36:23 - Patricia (psm26@ig.com.br)
Seus textos nos fazem cada dia que se passa, termos condicoes psicologicas de entendermos um pouco a pessoa com quem vivemos e a sabermos lidar com determinadas situacoes. Sucesso sempre!!!
20/3/2007 00:50:43 - Joana (jo_lets@hotmail.com)
Muito bom o texto, mas nao é nada facil, ainda mais quando se tem aguem que faz justamente ao contrario. Faço td para retonar mesmo estando errada, orgulho é uma pessima armadinha. Preciso mudar, vou enviar esse excelente texto. Parabens Nina!
20/3/2007 00:33:37 - Karol e Simone (floripaeshow@hotmail.com)
Oi, Nina querida, como vai? Este artigo é muito interessante, brigas parecem ser iguais para todos. As provicações principalmente, gostei de muitas de suas sugestões. Sou da paz, mas exijo o que quero. Na briga, parceira nenhuma ganhou de mim. Bom mesmo é se separar quando chega neste ponto. Estou no meu quinto casamento, e necessito que me respeitem. Se fizerem comigo o que diz no texto, eu enlouqueço. Não tolero malcriação. Neste meu quinto casamento não há tempo para brigas, pois trabalho demais. Estas provocações noturnas são muito perigosas, o bom mesmo é relaxar e dar uma gozadinha quando se está nervosa. Aqui em Floripa a gente fala assim: "tá nervoso, vai pescar!" Beijos, Nina.
20/3/2007 00:31:20 - Andréa (andrea_bessa@hotmail.com)
Um Raio X perfeito de como o respeito às diferenças deve começar de dentro: dentro de você, dentro da própria casa, dentro das suas relações mais próximas e, conseqüentemente, ganhar o mundo na sua forma de se relacionar, seja com quem for. É fundamental olhar para si mesmo nesses momentos, se conhecer, crescer. Já pensou que chato seria se todo mundo pensasse e agisse da mesma maneira? O cúmulo da mesmice e da chatice! Nina, sua implicante, ADOREI o bom humor ao comentar sobre como ficamos todas quando estamos "de bico"! O que dizer da parte onde você fala sobre "aquele "mosquitinho" de som que escapa do fone de ouvido de madrugada"? Muito, muito bom!!! rsrsrs Beeeeeeijos!!! ;0*
20/3/2007 00:30:49 - Reggyna (rainha_dobjo@hotmail.com)
Nossa!!!! Arrasou!!! Concordo cm td!! As vezes as pessoas enfim casais brigam por coisas banais e completamente grotescas se vc for ver é!!!! e sempre cai nisso mesmo do outro sempre querer impor algo só pra valer sua vontade,perdendo tempo de enfim fazer as pazes e continuar de onde parou.....disperdiçando energias naquela coisa de provocação...afffff.....prefiro mil vezes que a pessoa discorra um discurso de pensamentos assim vomitando td o que acha da situação na minha cara do que quando a pessoa só faz provocações e ainda na 3ºpessoa....Eu deixo provocando sozinha e saio fora!!!!pq não diz o q tá incomodando?É tão mais fácil...As pessoas ainda não aprenderam que falar é a coisa mais fácil.....ceder também se eu estou errada peço desculpas,a maioria das pessoas não sabem ao menos nem fazer isso!!!!por issso por causa dos sapos que a pessoa engole chega uma hora que fica empapuçada!!!e a relação se torna intediante!!!podendo chegar ao fim se não for bem administrada!!!!Acredito na diversidade considero-a importante,mas acredito tmb se nenhuma das partes não souber ceder(de preferência as duas)o relacionamento com o tempo pode se desgastar......
19/3/2007 20:22:57 - Bel (bel40_curiosa@hotmail.com)
Nina, Como sempre amei. Beijos
19/3/2007 17:11:57 - Camilão (mimixlao@hotmail.com)
E quando a pessoa diz que entende e fica tudo pra lá e 6 meses depois debatendo sobre as bolinhas pretas da Joaninha ela retorna com o assunto do sexo entre Girafas ? A minha namorada precisa ler isso...Beijos rsrsrs !


                                



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