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  CIO: BOLACHA ILUSTRADA
Martina Navratilova
13/9/2006
A tenista e ativista lésbica dá adeus às quadras




Depois de conquistar seu 59º torneio de Grand Slam às vésperas de completar 50 anos de idade, a tenista Martina Navratilova foi homenageada durante o US Open. A cerimônia de domingo, 10 de setembro, marcou sua inclusão no “Court of Champions” e também sua despedida das quadras.

Lésbica assumida há mais de duas décadas, Martina enfrentou preconceitos, perdeu alguns patrocinadores e impôs respeito através de uma carreira vitoriosa. Ela é dona de uma integridade rara no esporte e termina sua carreira no topo. Os números são acachapantes: 167 vezes campeã em diversos torneios, conquistou 18 Grand Slams sozinha, 31 em dupla feminina e 10 em dupla mista.

Se a atuação de Navratilova se resumisse ao tênis, seus feitos já seriam impressionantes. Mas a tenista extrapolou as quadras e usou sua imagem de tenista vitoriosa para apoiar os movimentos GLBTT e feminista, além de atuar pelo PETA, organização de proteção aos animais e pelo vegetarianismo. Seu ativismo chegou muitas vezes a se sobrepor à sua carreira profissional.

Na cerimônia de domingo, por exemplo, ficou evidente a propensão da tenista a incluir pitadas de ativismo aqui e ali. Navratilova iniciou seu discurso com uma alfinetada no governo americano. Disse que leu uma manchete no jornal daquela manhã: “O poder do vice-presidente Dick Cheney começa a ser questionado”. Em seguida, comentou: “demorou!”

Antes que o público pudesse esboçar qualquer reação ao chiste, a tenista foi logo agradecendo ao pai, à mãe e a namorada (que hoje ela não revela quem é, traumatizada pela série ex-amantes que resolveram escrever biografias expondo sua intimidade). Depois agradeceu duas grandes tenistas que foram também suas treinadoras. Uma delas, Renée Richards (presente à cerimônia) foi uma famosa tenista transexual da década de 70. Richards chegou a jogar torneios masculinos e depois de se operar competiu em campeonatos femininos. A segunda tenista citada como grande apoiadora de sua carreira foi Billie Jean King, mega campeã que em 1971 assumiu para o público sua bissexualidade. Martina ressaltou ainda a batalha de King para que as mulheres tenistas recebessem tratamento e prêmios iguais aos recebidos pelos homens nos campeonatos.

Navratilova também agradeceu a Chris Evert, que foi sua grande rival no início de carreira: “Sempre buscamos o melhor em cada uma de nós e tivemos muitas grandes batalhas uma contra a outra, mas sempre com o devido respeito, dignidade e espírito esportivo que, espero, inspire as gerações atuais e futuras”. A própria Chris estava lá e havia discursado um pouco antes, falando sobre a coragem e a gentileza de Martina, mas principalmente sua honestidade. Chris disse que a rival a influenciou profissional e pessoalmente e que “nunca teve medo mostrar para o mundo quem ela era e quem ela é.”

Ao terminar seu discurso, Navratilova declarou que sai das quadras, mas continua com muitos projetos. Citou o Rainbow Card, cartão de crédito que visa angariar fundos para campanhas e organizações GLBTT dos Estados Unidos e Canadá e que ela quer expandir para o resto do mundo. Disse também que pretende abrir uma academia de tênis para passar seus conhecimentos adiante e que quer fazer comentários esportivos na TV. Apesar de Chris Evert e sua grande amiga e parceira de dupla feminina Pam Shriver trabalharem hoje como comentaristas, Martina acha que ainda são poucas mulheres nessa função onde predominam os homens.

Como deu para perceber, Martina não consegue resistir à tentação ativista. Nas quadras ela foi uma guerreira gentil, respeitosa e destemida. Fora das quatro linhas ela comprova que não foge da briga e tem paciência e determinação suficientes para alcançar os objetivos mais improváveis.

Cerimônia de Despedida (vídeo disponível no YouTube, em 3 partes)
http://www.youtube.com/watch?v=WbGG8ou0OpE


http://www.youtube.com/watch?v=gAtp4diQzXg&NR


http://www.youtube.com/watch?v=wyH8ZTkNeHQ&NR


Rainbow Card
http://www.rainbowcard.com/martina.html

Ellen deGeneres com Martina no US Open (vídeo no YouTube)http://www.youtube.com/watch?v=QLAwkDgtlzk

  





LEIA OS COMENTÁRIOS

26/10/2006 04:51:22 - Sol (solangesilva1130@hotmail.com)
a maioria das meninas hoje em dia gosta de ficar com outras porque está na moda "ser bissexual". lésbicas de verdade nao têm medo e assumem sua preferência, com sentimentos veradeiros. falta a estas jovens maturidade pra saberem o que querem da vida, o que preferem mesmo, se homens ou mulheres. ora elas estao com mulheres, ora estao com homens.
22/9/2006 15:03:49 - Simone (sims70@uol.com.br)
Martina é com segurança a maior tenista de todos os tempos, incluindo-se aí os nomes masculinos. Sua presença dentro e fora de quadra traz para todos o conforto de conhecer alguém elegante, forte, determinada e comprometida com valores maiores que aqueles ditados pelas regras de consumo. Martina é um exemplo de que atitude importa para a vida e que a vida é que é importante, não um jogo sombrio de aparências à luz de holofotes comprometidos com o consumo cego de personalidades instantâneas. Infelizmente tem gente muito nova e ingênua que além de não conhecer Martina, não conhece uma regra básica do mundo: o seu mundo é pequeno se você conhece pouco, o seu mundo é medíocre se você é medíocre, mas ele será sempre muito amplo se você não desdenhar de todo o conhecimento que há nele e que não te pertence....Martina é um exemplo de pessoa que usou o seu cérebro acima do seu corpo atlético e bem construído. Ninguém fica no topo por duas décadas num esporte seja ele qual for se não tiver muito cérebro! Às meninas que não conehcem Martina Navratilova e sua vida, sugiro que usem seus cérebros e pesquisem, vale a pena! Ela não é uma bunda ou um rostinho bonito, não é a mulher de ninguém, nem a mãe de ninguém, não é dona de alguma coisa, ou a presidente de alguma coisa, Martina Navratilova é dessas raríssimas pessoas que é simplesmente ela mesma!
20/9/2006 22:11:17 - JC (jcampobello@gmail.com)
Seu nick já diz tudo. Só alguem que se diz "talvez bi" apesar de ter um "love" do mesmo sexo poderia fazer um comentário como esse. Da mesma forma que todos nós queremos ter o direito de amar quem nos fizer feliz - seja homem ou mulher - as meninas que preferem seguir um estilo que nao seja exatamente o q se costuma chamar de feminino tb nao poder ser recriminadas por isto. Sou "feminina", minha namorada tb e ninguem imagina que somos gays se não prestarem muita atenção aos nossos olhares. Mas sei que tem de haver espaço para todas e que ninguem tem nada a ver com isso. Quando vc crescer, vai entender. Espero....
18/9/2006 21:54:52 - " (carolmaiadeaguiar@gmail.com)
"girl talvez bi", você fala contra a discriminação e discrimina igual! assim como um hétero talvez não entenda como você é feliz por gostar de mulher, talvez você não saiba o quanto é confortável para essas mulheres serem "não-femininas" como você espera que elas sejam. aliás, quem foi que disse o que é e o que não é ser feminina? cuidado pra não repetir discursos machistas... gosto de questionar os estereótipos, mas também gosto de discutir os papéis de gênero. ninguém deve dizer o que uma mulher ou um homem - ou enfim, qualquer ser humano e livre - deve ser ou fazer.
17/9/2006 20:12:29 - Li (lias@uol.com.br)
Não conhece essa atleta??? Ela simplesmente é o que ela é! Não se preocupa com o que os outros pensam.
17/9/2006 12:00:12 - girl talvez bi (ribeiro_milk@hotmail.com)
Olá. Eu não conheço essa atleta, mas pela foto não parece ser muito feminina, e é esta questão q desejo comentar, pq as lesbicas precisam perder sua feminilidade? Pq desta forma criam-se os esteriótipos na sociedade, e por causa dessa imagem tenho receio de ficar numa boa com meu love, somos femininas e discretas, mas os tais movimentos gays q visam acabar com a homofobia geralmente são encabeçados por mulheres menos feminianas, olha, não quero ser preconceituosa, mas o fato é q isso sim prejudica a imagem dos gays, criando essa visão estereotipada,eu queria ver meninas tipo Angelina Jolie, ou mesmo a Marissa do seriado OC, eu adoro esse seriado por causa dela. Assim imegino q a aceitação seria maior, e menos discriminada.


                                



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