
Aswat |
14/6/2007 |
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Não é só notícia ruim que ouvimos a respeito do Oriente Médio. Em meio a bombardeios e conflitos sociais, onde a mulher é aprisionada apenas ao papel de filha ou mãe, eis que surge uma esperança para as lésbicas que residem neste território graças à ousada luta multilateral de duas mulheres: Rauda Morcos e Samira.
Corajosamente ambas criaram a primeira associação para lésbicas da região, a "Aswat", que significa "vozes" em árabe, sob o slogan que deixa claro a que veio "Somos Palestinas, Somos Mulheres e Somos Lésbicas". A sede está localizada em Haifa, ao norte de Israel, e foi criada para unir as lésbicas árabes, israelenses e palestinas e ainda romper o tabu em torno da homossexualidade para convertê-lo em luta política.
Tudo começou através de um fórum na internet que elas criaram no final de 2002, para que as árabes israelenses e também as palestinas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia pudessem trocar experiências. O sucesso foi tanto que um ano depois elas criaram a Aswat que, hoje em dia, recebe ajuda de ONGs americanas e européias e promove a sensibilização e informação a respeito da diversidade sexual, sobretudo, do lesbianismo. As mulheres do grupo encontram-se uma vez por mês para discutir assuntos de interesse mútuo, planejar eventos e publicações para as lésbicas e confortar àquelas que mais necessitam de ajuda. Outra novidade é que a organização lançará em breve um fórum virtual dedicado a gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros de origem árabe do mundo inteiro.
Mas é claro que nem tudo são flores. Em entrevista concedida à AFP, agência mundial de notícias, as fundadoras da Aswat contaram a respeito do desafio que é manter esta associação em uma sociedade patriarcal como a árabe, onde a família é o centro da vida social. " Ninguém pode declarar publicamente sua homossexualidade sem contar com apoio. É preciso ser forte, inclusive economicamente, porque é necessário buscar alternativas ao apoio familiar quando este se perde", explica Rauda.
Ela mesma é o exemplo vivo da dificuldade destas mulheres. Quando a co-fundadora da Aswat decidiu sair do armário, perdeu seu emprego de professora de inglês e sua vida transformou-se num inferno. A pior repercussão foi no povoado de Kfar Yassif, onde vivia. "As pessoas telefonavam para me insultar e meus tios pararam de falar comigo", revela. Como se não bastasse, quando a Aswat tornou-se visível, também atraiu a ira de uma organização muito presente na sociedade árabe, o movimento islâmico. Recentemente, o deputado do Parlamento Israelense e membro do Movimento Islâmico, Ibrahin Sarsur, desaprovou publicamente a existência do grupo. "Segundo a lei islâmica, a homossexualidade é ilegítima, uma espécie de doença que deve ser tratada como tal. Nossa sociedade árabe não pode tolerar um fenômeno semelhante", condena.
Rauda e Samira sabem que ainda têm um árduo caminho a percorrer e que estão arriscando a própria vida, principalmente em territórios palestinos. Ambas assumem que já sofreram ameaças, entretanto, elas não se deixam abater e avisam que não temem os tradicionalistas islâmicos. "Tentamos fazer nosso trabalho sem lhes dar mais importância que merecem. A sociedade é hipócrita, mas nós repudiamos que este tema fique em segredo. Queremos que seja tratado de forma política e social", afirma Samira. Além disso, ela explica que muitos homens e mulheres homossexuais árabes são casados e têm uma vida dupla porque acredita-se que ser homossexual é proibido pela religião.
Desde a fundação, a dupla fundadora da Aswat não para de receber e-mails e cartas de apoio e solidariedade de todas as partes do mundo. Contudo, elas estão otimistas e acreditam que gradativamente a mulher lésbica conquistará seu espaço. "Não nos iludimos. Sabemos, por exemplo, que não haverá Parada do Orgulho Gay em Gaza, mas pouco a pouco vamos mudar as coisas", finaliza Rauda.
Quem quiser conhecer um pouco mais a respeito do trabalho da Aswat e acompanhar a vida destas mulheres deve acessar o site da associação que está disponível em inglês ou árabe www.aswatgroup.org. Alguém pode imaginar o que é ser uma lésbica no Oriente Médio? Eu não consigo. Torçamos por elas!
| 3/10/2007 10:31:42 | - | Samara (scs136@hotmail.com) |
| Lindo emocionei-me com a informação.... que maravilha saber que existem batalhas tão acirradas pelo respeito e direito humano como esta...parabéns às mulheres palestinas.. gostaria de dizer que assutei-me com o comentário postado em 15/06/07 por Willian, mas antes de tudo afirmo que foi um susto bom... Cara, sou obrigada a concordar muito com vc sobre essa coisa brasileria de micareta gay, pra mim estes eventos nada têm a ver com luta política, respeito pela diversidade, ou qualquer destes slogans fake que criam...estas "festas" são tão infrutíferas quanto qualquer outro tipo de micareta... gostaria que algum defensor destes eventos me informassem o que de bom já ocorreu após qualquer "oba oba "desses aí... certamente serviu pra muita pegação, muito encontro marcado em boites etc, na verdade acho que rande parte das pessoas, não estão nem aí pra questões políticas mesmo se forem para trazer benefícios à própria comunidade.... Desculpem-me os poucos gays que pensam com a cabeça de cima porque a maioria de vcs infelizmente.... | ||
| 3/7/2007 10:31:03 | - | Samira (samiranagib@hotmail.com) |
| Fico feliz em vêr que os gays do Oriente Médio estão vindo à tona para expor suas opiniões e mostrarem-se presentes. Por ter família de origem árabe, convivi muito com o meio em questão, e sei como se sentem. Confrontei minha família também ao me assumir, e hoje sou mais forte do que antes. Parabéns! | ||
| 22/6/2007 19:17:04 | - | Valéria Fernandes (shoujofan@gmail.com) |
| Belíssima matéria. Mulheres de coragem que merecem nosso apoio e atenção. | ||
| 16/6/2007 16:34:43 | - | Alda (thaurina2002@yahoo.com.br) |
| Incrível. Este artigo me surpreendeu. Estou admirada com a coragem destas mulheres. | ||
| 16/6/2007 11:48:16 | - | BF. (uvanavulva@hotmail.com.br) |
| Agora sim! Parabéns pela matéria!! Nós, GLBTs, em especial as lésbicas, precisamos muito mais de uma maior e melhor consciência política-social que de "auês" ou textos descuidados que só prestam desserviços, acentuando/ reforçando ainda mais conceitos ultrapassados, estereotipados e que só ajudam a estigmatizar ainda mais. Perdoe minha forma contundente de comentar no seu outro texto, mas sou extremamente sincera e achei realmente péssimo. Aceite por favor minhas desculpas e analise as críticas, dependendo de como se encara, elas também podem ser bem positivas. Abraços, BF. | ||
| 15/6/2007 14:18:50 | - | william (williammarcio@yahoo.com.br) |
| Que linda luta! Me emocionei com o artigo, veja o que é lutar, povo brasileiro, sejam gays heteros... Eu queria conviver com pessoas assim, com coragem, com espirito de guerreiro. Veja aqui no nosso país: não somos capazes nem de nos reunirmos na frente de uma câmara para lutar pela aprovação de leis que nos favoreça! Mas para cair na putaria e nas "micaretas gays" todo mundo bate no peito pra dizer que é homossexual. Parada gay de verdade foi a Moscou, onde houve luta, mesmo em desvantagem os gays chamaram a atenção do mundo para o que vem acontecendo no país. Aqui não achamos que ta tudo bem, só porque os heteros vão a parada, hipocrisia deles e burrice nossa, ja ouvi vários caras da academia dizendo: "não tinha nada pra fazer fui lá ver os "viadinhos", não tenho nada contra, mas também não tenho nada a favor!" Os gays daqui só pensam em fútilidade... Corpos sarados, sexo em banheiros públicos, putaria total pela internet, então por isso que tenho vergonha do nosso país em todos os termos. Em especial pela minha "classe" que não luta por respeito, que deve ser muito mas fácil do que lutar pela sobrevivência como é o caso desses países árabes.... um super bjo... quero também apoiálas.... | ||
| 15/6/2007 08:36:53 | - | Carlos (bpjr@bol.com.br) |
| Que bom saber que toda a geração, os oprimidos podem contar com esses Herois!!! Quem critica e não aceita, é porque não tem noção do que é ser homossexual. Claro que se tivesse um "botão" o qual agente pudesse desligar esse sentimento homo, seria muito bom. Mas quem disse que podemos mudar essa natureza injusta? Digo injusta quando trazemos a luz da sociedade e não da vida. | ||
| 14/6/2007 16:33:39 | - | Eriele (eri_potter@hotmail.com) |
| Sim, ó céus, é tudo tão surreal, nós aqui, vivendo num país machista e tal, mas que tem a maior Parada Gay do mundo, acabamos por nos esconder e elas, que sofrem ameaças, são repudiadas e descriminadas o tempo todo não, enfrentam tudo, não ficam na barra das calças de suas familias, elas vão a luta e cara, isso é lindo, qria q mais pessoas tivessem essa coragem! [Sorry esse paragrafo meio sem noção] | ||