
Fisgada |
12/11/2008 |
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Sou uma preguiçosa assumida, odeio exercícios físicos! Acho que manhãs ensolaradas são perfeitas para dormir com cortina fechada e ar-condicionado, e jamais trocaria uma tarde de internet por um passeio no Ibirapuera. Apesar disso, sempre me orgulhei de nunca ter sucumbido ao maior vício das brasileiras preguiçosas: tornar-me uma noveleira. Por sorte nem a Vitória nem a Firma foram tomadas por esse vício, ou pelo menos eu achei que não.
Semana passada, ao chegar em casa um pouco mais cedo, deparei-me com uma cena típica das famílias brasileiras. A Firma, a Vitória e a Gabriela estavam paradas, inertes na frente da televisão e só se mexeram para mandar eu calar a boca quando eu perguntei o que estava acontecendo.
Pelo horário em que a cena se passou, eu imediatamente constatei que se tratava da síndrome das noveleiras, vírus cruel que ataca boa parte da população brasileira e deixa seus infectados paralisados durante aproximadamente uma hora, de segunda a sábado, alguns minutos depois do Jornal Nacional.
Resolvi adotar a mais sábia das estratégias - “se não pode vencê-los, junte se a eles” – e sentei no sofá para ver o porquê das meninas estarem tão atentas. Na tela, a Lília Cabral e a Paula Burlamaque, ou suas respectivas personagens, protagonizavam uma das cenas gays mais sensíveis que eu tive a oportunidade de ver na televisão. Stela contava a Catarina que era lésbica e, com o bom senso das lésbicas experientes, tentava desmistificar os “pré-conceitos” tão comuns e típicos nas mulheres brasileiras.
Eu imediatamente lembrei do primeiro casal lésbico que vi numa novela (eu ainda achava que era hetero). Em “Torre de Babel” Cristiane Torloni (linda de morrer) e Silvia Pfeifer faziam um casal “lesbian chic” e, se bem me lembro, tiveram que ser mortas pelo autor da novela por causa do repúdio do público. Algum tempo depois vieram Clara e Rafaela, e ser lésbica virou até moda! Já Jenifer e Eleonora, casaram e adotaram uma criança.
Você deve estar se perguntando por que diabos eu resolvi falar de novela nesta coluna. Simples: o poder da mídia e a influência que ela exerce. Há um extenso e complexo debate que questiona se a mídia reproduz o nosso comportamento, ou se nós reproduzimos o que é exposto na mídia. Na minha opinião, um pouco dos dois.
Quando uma exceção se repete várias vezes, ela deixa de ser exceção e pode até tornar-se regra (quem sabe?). O “mundo gay” está sendo retratado nas novelas com cada vez mais veracidade e os estereótipos estão caindo, dando lugar a um retrato mais fiel do que acontece na prática. A sexualidade apenas como um detalhe no cotidiano de um ser humano que é muito mais do que isso.
É claro que isso está longe de acontecer, e ainda há muita gente que diz que “se a Catarina vai ficar com a Stela, é só porque o marido dela não é homem o suficiente”. O fato é que o publico está se acostumando cada vez mais a ver lésbicas nas novelas, e como não poderia deixar e ser, torcer por um final feliz como o de qualquer outro casal.
Eu tenho uma visão otimista, e acredito sinceramente que num futuro não muito distante, a normalidade de ser homossexual se tornará um conceito, e excluídos serão aqueles que não aceitarem as diferenças.
O mundo está diferente. O primeiro presidente negro americano acaba de ser eleito com um grande auxílio da mídia. E acreditem, vencer sendo minoria tem um gosto muito mais saboroso.
Quem sabe não fazemos história com a primeira presidente lésbica? Enquanto isto não acontece, eu vou me divertindo com a idéia.
| 11/12/2008 10:20:17 | - | Danny (ddecampos@yahoo.com) |
| Acho que quanto mais a novela imitar a vida real mais chance temos de derrubar o preconceito.Costumo dizer que se todas nós saíssemos do armário de verdade,o diferente viraria comum e deixaríamos de ser apontadas na rua. | ||
| 2/12/2008 13:56:28 | - | andrea (andreamagan@uol.com.br) |
| Eu também acreditava que havia maior aceitação da população quanto a todo tipo preconceito, há 7 meses abri um comércio e vejos meus vizinhos fazendo comentários super preconceituosos sobre gays, lésbicas e negros. Mais bizzarro é que são pessoas das mais diversas classes sociais, É um absurdo estou desacreditada, a realidade é TRISTE. Exemplo do que ouço: Um vizinho Gay super descolado dono de uma loja l diz: que se Obama não..... na entrada, ...... na saída. Os taxistas e homens em geral tiram sarro de qualquer gay que passa aqui na rua. Os nordestinos são super preconceituosos. É triste muito triste e isso acontece na Pompéia. Sei Lá desanima......... | ||
| 30/11/2008 14:31:43 | - | Cris (misticxmen1@hotmail.com) |
| oal, nunca fui de assitir novelas porém este romance ainda nao estabelecido entre Stela e Catarina realmente tem lá sua sensibilidade. Se bem recordo já na novela de Maria de Fátima (não me recordo o nome agora) com toda sutileza necessária Bia Seidel vivenciou o papel de lésbica. Enfim, o importante nisso tudo é realmente a constatação de somos um publico que existe e consome muito e durante uma novela das oito poder assistir a duas mulheres de verdade, longe de esteriotipos furados, informando de uma maneira interessante sobre o assunto já é um ganho. Certamente o mundo esta mudando e condições para sermos felizes é o que não pode falta daqui em diante. | ||
| 29/11/2008 20:19:20 | - | Lice (alicemilk_@hotmail.com) |
| Cofesso q estou adorando a trama entre as duas na novela...e de maneira sutil e delicada mostra bem como é o mundo lésbico. Enfim, a TV está servindo como um veículo para que a sociedade perceba q não tem nada de errado em ser lésbica, pelo contrário...pq toda forma de amor é válida :D Bjss! | ||
| 28/11/2008 13:44:13 | - | Raquel cardoso (kekefbf@bol.com.br) |
| Adorei a materia isso ai pensamento positivo que nao so em pensamentos de que a minoria vencera..pelo contrario somo muitos com muito prazer.. Sou noveleira assumida e cada dia mais os autores estao colocando o que realmente é e sera de fato o mundo esta se abrindo pro amor e paz..sem exceçoes. Beatris parabens !! | ||
| 28/11/2008 12:01:06 | - | Sheila (Sheka1976@yahoo.com.br) |
| Estou adorando esta novela "A Favorita". Tem coisas que são muito "forçadas" como em qualquer outra novela, mas a cena entre as personagens Stela e Catarina está muito bonita. É algo puro, bonito e verdadeiro. Torço para que elas fiquem juntas. A televisão não precisa mostrar o homossexualismo como algo ridículo, estereotipado ou vulgar, apenas mostrar que existe amor entre pessoas do mesmo sexo e que elas vivem como qualquer outra pessoa. As cenas estão bem sutis, estão de parabéns, ao contrário das cenas de Orlandinho em relação ao Halley. | ||
| 27/11/2008 18:12:03 | - | maria Caranguejeira (froes15@hotmail.com) |
| Estou impressionada. Quem deve estr com ciume da personagem Stela deer ser Caê e a Paula | ||
| 18/11/2008 13:51:19 | - | Lucy (lusimmonds@yahoo.com.br) |
| Gente!!!Odeio novela, mas não acredito que tem uma lesbica lá e ninguem me contou!!!!!! Vou ter que descobrir mais sobre o assunto! | ||
| 16/11/2008 01:01:24 | - | Taty (tatiana_fbc@hotmail.com) |
| Gente, essa novela desencadeou minha saida do armario aki em casa, num sai, minha mae me tirou dele, depois de assistir a novela, e de me perguntar diretamente se eu estava saindo com meninas... o papo foi bem longo e complicado... mas me sinto melhor agora que ela sabe... | ||
| 15/11/2008 17:20:00 | - | Adriane Jacomini (adrianejacomini@hotmail.com) |
| Eu convordo com com você, as cenas mostradas na novela atual e nas anteriores, vêem ajudando a esclarecer a população e mostrando que ser lésbica não é um desvio de caráter, desrespeito, "falta de vergonha" e coisas do gênero. També prefiro pensar positivamente, e acreditar que daqui a algum tempo pessoas como você , eu e tantas outras mulheres que amam mulheres sejam respeitadas como cidadãs dignas que somos. Parabens pela coluna. | ||
| 15/11/2008 17:15:33 | - | Kelly (corrinho@gmail.com) |
| Legal o artigo Beatriz ! As coisas estão mudando lentamente e isso é muito bom. Sobre a novela, eu tambem achei a cena sensível e também espero que elas não fiquem juntas porque seriam óbvias as associações, se isso não acontecer ótimo ponto pra novela. Agora ao mesmo tempo que a novela coloca no ar uma cena tão sensível relacionada ao homossexualismo, exibe o personagem "Orlandinho" super estereotipado que se humilha pelo galã e constroi um casamento de fachada pra familia e sociedade ... | ||
| 13/11/2008 14:43:22 | - | Renata (renata@hotmail.com) |
| Concordo com vc, Beatriz e aguardo ansiosamente pela "normalidade" do homossexualismo. Se pararmos para pensar, há alguns séculos, os negros não tinham alma e há algumas décadas, filhos de casais separados não eram o tipo de companhia que os pais queriam para seus filhos. O mundo está mudando, mas muitas barreiras ainda devem ser vencidades. | ||
| 13/11/2008 01:59:33 | - | carol (lebiscoitas@gmail.com) |
| Como diria uma recente campanha na Inglaterra: ser hétero não é normal. É apenas comum :-) Estou gostando muito até agora da construção da personagem de Stela e espero que ela termine feliz com alguém (embora não gostaria que essa pessoa fosse Catarina, por implicações óbvias das deduções que se pode tirar disso). http://lebiscoito.wordpress.com | ||
| 12/11/2008 23:11:32 | - | Marcela (pluto-mouse@hotmail.com) |
| Otimo artigo!!! Qnto a presidencia?! rs Eh de se pensar..n eh ma a ideia..mas por enqnto sigo ainda com planos para a prefeitura da minha cidade..Salvador..se eu conseguir a presidencia n estara longe..rss quem sabe um dia vcs n terao uma Lesbica Nordestina no poder. rss | ||
| 12/11/2008 17:15:59 | - | Malu (mlleoteria@fazenda.sp.gov.br) |
| Bacana e interessante a entrevista... concordo plenamente com a Beatriz Almeida... as pessoas então mudando.... preconceito racial....social.....opção sexual.... rezo para que o mundo tenha justiça com a miséria, pena eu não ser uma fada... o mundo tem que mudar, preconceito é a fome que fingimos não ver e a mídia não faz questão de sitar ....Exemplo; Brasil , Africa e outros. | ||
| 12/11/2008 16:14:13 | - | Carina Renó (carinarenosoci@gmail.com) |
| Geralmente estou no computador durante a novela e quando surge o núcleo lésbico lá vou eu para o sofá conferir de perto como a mídia está espondo a minha(ou nossa) realidade para a grande massa. Sou otimista também e gosto de acreditar que nesse caso a vida não imita a arte, e sim dá mais liberdade para que as pessoas encarem a possibilidade de ser gay como um possível caminho a mais para encontrar a felicidade. | ||