
Ovelha negra |
18/12/2006 |
Foto: Divulgação![]() Mary Cheney |
![]() A companheira de Mary, Heather Poe |
Não deve ser nada fácil ser filha do vice-presidente dos Estados Unidos, ainda mais quando ele não compartilha da mesma opinião. Mary Cheney, 37, a filha lésbica de Dick Cheney, paga um preço alto por ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e contraria a base ideológica do enfraquecido Partido Republicano, ferrenho opositor desse tipo de união.
Tanto Bush quanto seu vice já afirmaram diversas vezes que são contra o casamento gay e a adoção por casais do mesmo sexo. Bush apresentou, inclusive, uma emenda que proibisse o casamento homossexual, mas que, felizmente, não chegou a ser aprovada no Congresso.
Em seu livro "Now It´s My Turn: A Daughter´s Chronicle of Political Life", Mary, a ovelha negra da família Cheney, defende com unhas e dentes o casamento gay. "Sou a favor de um casamento homossexual legal. Fica claro no meu livro que não estou de acordo com o presidente Bush e que discordo apaixonadamente. Mas também deixei claro que não tenho dúvidas, inclusive com este desacordo, que Bush é a melhor pessoa para nos liderar neste momento da história de nosso país", escreve.
A mãe de Mary, Lynne, também contribui para até certo ponto minar as estruturas do partido de seu marido. Em seu romance "Sisters", a esposa do vice-presidente norte-americano faz revelações bombásticas e utiliza como sub-enredo histórias lésbicas picantes. A contradição nessa atípica família é tamanha que, nas últimas eleições, Dick Cheney foi forçado a negar comentários feitos sobre a união entre pessoas do mesmo sexo. Na época, ele afirmou que esse era um assunto que deveria ser discutido no âmbito de cada Estado. Foi uma tentativa - frustrada - de se alinhar ao discurso conservador de Bush.
Reforçando sua figura de guerrilheira solitária e silenciosa, a filha lésbica do vice-presidente confirmou na semana passada que ela e Heather Poe, sua companheira, esperam um bebê. A notícia, aliás, não chegou a ser muito comentada pela direita norte-americana, mas é claro que vai contra tudo o que ela defende.
O primeiro a se manifestar sobre o fato foi o próprio presidente Bush. Em entrevista ainda não publicada pela revista "People", Bush disse que Mary será uma "mãe estupenda, com uma alma que vai adorar seu filho". "Fico feliz por ela", disse o presidente, que, em 2005, já havia dito que crianças criadas por casais homossexuais "podem receber amor, mas o ideal - de acordo com vários estudos - é que a criança cresça em uma família formada por um homem e uma mulher".
Como bem observou a diretora do Festival MixBrasil, Suzy Capó, em sua coluna no jornal O Tempo, "com a chegada desse herdeiro (ou herdeira) os Cheney abandonarão de vez o modelo que durante séculos formou a família tradicional para esboçar, no primeiro escalão do governo norte-americano, um novo quadro familiar". "Seja lá qual tenha sido a forma de concepção da criança, sua chegada ao mundo deverá forçar a sociedade média norte-americana a reavaliar seu conceito básico de família de formação patriarcal para incluir novos modelos, como aqueles formados por casais do mesmo sexo", destaca Capó. E isso é fato. Mary é símbolo da resistência de uma realidade que não pode ser mais ignorada.
| 27/12/2006 13:56:44 | - | SUSANA - Portugal (susana.da.silva@hotmail.com) |
| Quando será que o mundo vai tolerar plenamento o amor? | ||