
Chazinho |
29/8/2008 |
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A publicitária Chris Albano, mais conhecida pelo divertido codinome Barbie da Silva, é especialista quando o assunto é diversão para lésbicas. Há 5 anos, Barbie e sua amiga Sandra (ou Vertiginosa) estão a frente da festa Chá com Bolachas, que começou desprentesiosamente e hoje faz parte do calendário dyke de São Paulo.
Neste dia dedicado à elas, Barbie conversou com o Mix sobre as opções de diversão que meninas que gostam de meninas têm Brasil afora, ativismo cotidiano, sexo e música, claro.
Como anda o Chá com Bolachas?
Muito bem, estamos fazendo nossas edições mensais no Clube Glória.
Como ele começou e há quantos anos?
O Chá tem 5 anos e começou como uma piada. Depois transformamos em uma festa de algumas amigas que queriam dividir espaço com outras garotas.
O início do Chá com Bolachas enfrentou dificuldades?
Não me lembro de dificuldades. Tudo rolou muito naturalmente. Ao contrário da maior parte da sociedade que ainda é resistente às manifestações gays, os clubes sabem que somos uma fatia de mercado muito boa. Ah, lembrei de uma coisa, a primeira vez que estive no AMP GalaXy um carinha muito metido que era o gerente da casa na época, se recusou a me dar uma data pra trabalhar lá. Só depois que conversei com os donos é que eles curtiram muito os flyers do Chá e também a idéia de ser uma festa com humor para meninas. Naquela época não rolava nada pra meninas que fosse assim. Eram só aquelas obviedadades Lipstick Lesbian chatérrimas e insuportáveis. Os caras tiveram visão e toparam a nossa viagem. Todo mundo se deu bem. O chá foi muito divertido naquela época.
O que mudou desde a primeira edição até hoje?
Muita coisa mudou, inclusive o público. Hoje, são diversos clãs de meninas que frequentam o Chá. Tem umas que aparecem uma vez e nunca mais voltam, tem outras que fazem carteirinha. Outra coisa que mudou é que agora, com mais gente frequentando, a gente consegue trazer umas atrações gringas também. Neste ano trouxemos a Jojo De Freq, que era Dj da NAG NAG NAG, e ainda estamos fechando outras atrações. São mudanças legais. O
O que você não pode deixar de tocar em suas festas?
"The Sun Can't Compare" do Larry Heard e agora é "Into the galaxy", do Midnight Juggernauts. Ah, e 80's! as bolachas são viciadas em 80's. Sempre rola um set mais tarde, quando todas estão bem soltinhas.
Ao que você costuma ouvir quando está sozinha?
De tudo. Música portuguesa, jazz, instrumental, as experimentções eletrônicas que flertam com minimal e possuem vocal ou instrumentos como violino, piano e contrabaixo têm sido mais o meu tipo de pesquisa musical no momento. Tenho encontrado um verdadeiro mundo de música eletrônica erudita.
Como você analisa o cenário lésbico na noite paulistana?
Acho que a gente tem uma cena, sim. Tem um monte de festas de meninas rolando. Mas acho que falta um tipo de incentivo para que estas coisas aconteçam profissionalmente. Geralmente, quem faz festa no Brasil faz porque gosta. Viver disso é difícil. Se as meninas pudessem se dedicar mais a fazer as coisas, acho que teríamos mais qualidade tanto nas festas quanto na vida de quem as organiza. Quando digo qualidade na festa, penso em flyers legais, grana para alugar equipamentos de vídeo e Vjs, bons mixers e caixas de som. Não é só porque a festa é de bolacha que o som pode ser qualquer coisa. E custa caro alugar um equipamento bom.
Rola troca de informações suas com produtoras de festas para meninas de outras regiões do país? Você tem idéia de como anda a movimentação dyke fora do eixo Rio-São Paulo?
Eu mais recebo informações e pedidos. Como faço mil coisas, não tenho tempo de permanecer tão conectada. Mas sinto que o Chá inspirou muitas meninas. Nos 2 últimos anos, vejo festas rolando em Salvador, BH, Curitiba, Floripa. As cenas fora de São Paulo são pequenas, mas existem. Outra coisa que acho bem legal é ver mais meninas entrando em picapes. Em geral, as Djanes são menos prestigiadas que os meninos. Mas o único jeito de mudar isso é trabalhando. Ver as meninas se exibindo, mostrando uma visão do que seria um set e estudando equipos é mais do que necessário. Tem pouca menina fazendo isso ainda. Precisamos de mais. Hoje temos nomes incrível em São Paulo como a Glau, a Ana Flávia, a Paula. Mas seria lindo contar com uma djane para cada Dj menino.
O que você acha de iniciativas como festas para lésbicas em saunas? Você iria?
Eu não iria. Já passei dessa fase de sexo rápido e anônimo. Mas eu acho que se as meninas curtem isso devem mais é ir mesmo. Essa coisa de "corpo sagrado" da mulher, sexo romântico sempre, é uma baita bullshitagem. Cada uma faz o que for gostoso para o seu corpo.
Qual a importância do dia da Visibilidade Lésbica para você?
Eu não acho nada desse dia, pra falar a verdade. Eu acho que visibilidade lésbica é todo dia. É eu me sentir à vontade para dar a mão para a minha namorada porque vivo do jeito que gosto e tenho confiança nisso. Eu ajo com naturalidade sobre minha bolachisse. Eu sou uma mulher, gosto de tal e tal coisa e ah, by the way, i'm gay. Não faço da minha opção sexual a minha bandeira hasteada no mastro principal porque não acho importante ser conhecida como "a lésbica". Eu acho que a visibilidade lésbica se dá pelo trabalho que a gente faz. Se você, além de ser bolacha, é uma boa escritora, pintora, fotógrafa, dentista, médica, dj, promoter, jardineira, guitarrista, cantora, pensadora, liderança política e se dedica ao que faz, isso é visibilidade lésbica para mim. Aparecer por aparecer não é suficiente para a sociedade te respeitar. A gente tem que provar mais do que os outros pra conquistar um espaço. Isso é válido para meninas e meninos e creio que para todo tipo de minoria. E a gente só vai conseguir espaço assim. Só brigando e pedindo visibilidade não adianta muito. Mas eu aprovo sim, todo o movimento envolvido na preparação deste dia, afinal estamos falando de política e direitos sociais. Só acho que não dá para limitar apenas num dia. Me fiz entender ou fui muito prolixa? (Risos)
Novos projetos para a noite?
Só estou com projetos diurnos no momento (risos). À noite eu toco e produzo o Chá e o Corre para Vilma!(que não é uma festa de bolacha). De resto, muito trabalho diurno e alguns sets quando me chamam para tocar às quintas, sextas e sábados.
| 30/8/2008 18:12:19 | - | didi (dididoit@gmail.com) |
| Barbs falou e disse. Isso sim é ter opinião é por isso que adoro ela e não perco nenhum Chá. Ídola de uma geração!!!!!!! | ||