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  CIO: VANGE LEONEL
Memórias de uma Mulher Macaca - Capítulo 18
22/10/2008
A tratadora dos Sagüis
Por Vange Leonel



:: Leia também os capítulos 17, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1

Meu quarto no santuário ficava na ala dos alojamentos para funcionários. Ao contrário dos outros, que dividiam seus aposentos, eu dormia sozinha. Não fora um pedido meu. Mas a diretora, talvez imaginando as dificuldades que eu enfrentava por conta da minha aparência incomum, resolvera proteger minha privacidade reservando um quarto só pra mim.

De qualquer maneira, ninguém ali no santuário via em meu rosto peludo motivo para segregação ou estranhamento. Além disso, pêlos ali eram regra e não exceção. Enfim, pela primeira vez na minha vida eu me sentia aceita, sem necessidade de esconder o rosto. Todos os funcionários pareciam nutrir uma afeição especial por mim. Além disso, depois que perceberam meu talento natural para lidar e compreender os macacos, passaram a me respeitar e até pediam dicas.

Mal comparando, foi mais ou menos o que aconteceu quando a turma do parkour conheceu minha técnica natural para a arte do deslocamento. Mas, diferentemente do grupo de adolescentes que deixei para trás, os funcionários do santuário me tratavam com mais maturidade. O resultado foi que naqueles meses eu amadureci anos.

Talvez tivesse me apaixonado pela tratadora dos sagüis porque ela representava essa maturidade recém descoberta. Deixem-me explicar melhor: eu estava distraída, não pensava mais na garota do parkour e nem pretendia me apaixonar novamente. Até aquele momento a paixão era uma coisa doída e sexo, feito às escondidas. Mas então comecei a notar indícios de outro tipo de amor na maneira como a tratadora dos sagüis me tratava. No início, achei que ela tinha pena de mim quando perguntava se eu estava bem e se podia fazer algo por mim. Entretanto, à medida que minha auto-estima adquiria maior robustez, fui percebendo que seu interesse em mim era genuíno e fruto de uma afeição verdadeira.

Todas as manhãs ela batia à porta do meu quarto para tomarmos café juntas. À mesa, ela me contava detalhes de sua vida: como escapou de um marido cruel que a violentava; como encontrou nos bichos a gentileza que faltava nos seres humanos; que se apaixonara certa vez por uma garota mas, com o coração machucado, decidira abortar aquele amor; que os sagüis eram encantadores; que não via problema nos pêlos do meu rosto; ao contrário, achava-os bonitos, pois me faziam mais bicho e, como dissera antes, preferia estar entre animais; que eu era muito madura para minha idade; que iríamos nos tornar grandes amigas; que comigo ela poderia se abrir; que eu despertava nela um sentimento diferente; que seu coração doía menos depois que me conhecera; que eu era linda; que ela sentia que estava se apaixonando; que temia que pudesse se machucar de novo; ou que pudesse me machucar, pois eu não completara dezoito e ela já tinha vinte e três; que não sentia ser correto colocar tantas questões sobre minhas costas; mas também não seria justo esconder de mim seus belos sentimentos.

Assim, decidimos que nosso amor seria platônico até que eu atingisse a maioridade. Não fazíamos sexo, mas éramos em tudo como duas namoradas. À noite, sozinha em meu quarto, me masturbava pensando nela. Ela fazia o mesmo. Trocávamos carícias e bilhetes apaixonados. Juntas, curamos nossas feridas e ganhamos coragem para amar novamente. Não sabíamos qual seria nosso futuro, mas isto era o que menos importava.

  





LEIA OS COMENTÁRIOS

6/11/2008 00:05:00 - Grazy dos Santos (shirleyraioleizer@hotmail.com)
de fato, um capítulo lindo! adorei.. mas foi tão resumido de tudo.. senti falta de mais detalhes complexos.
29/10/2008 02:16:12 - li (lifis2008@hotmail.com)
Poxa Vange, que bonito esse capítulo!Talvez um dos mais belos... Mas , por favor , não demore com os outros, eu não aguento esperas (rs)...


                                



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