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  Cultura GLS: ESPECIAL
Sorodiscordância
1/12/2006
É possível viver em uma relação harmoniosa onde um parceiro é positivo e o outro não
Foto: Arquivo Pessoal


A esquerda Carlos Bauer, à direita Léo Bolanski
Foto: Arquivo Pessoal


A direita Léo Bolanski, à esquerda Carlos Bauer

A vida de um portador do vírus HIV melhorou muito desde que os primeiros medicamentos do coquetel começaram a surgir.

O que muitos não sabem - ou não estão preparados para entender - é a possibilidade de uma vida harmoniosa entre casais com sorologias diferentes, conhecidos como sorodiscordantes. A sorodiscordâcia é o nome dado a relações onde um parceiro é HIV positivo e o outro não. Mas viver desta maneira não é apenas uma questão de saúde, a condição mental importa e muito.

Prova disso é o casal Léo Bolanski, 27, e Carlos Bauer, 42. Juntos há 8 anos, Léo se descobriu soropositivo durante o relacionamento, e Carlos se mantém até hoje negativo. "Não faço nenhum tipo de acompanhamento psicológico, pois tenho a 'cabeça feita' em relação à questão da soropositividade", afirma o administrador Carlos.

Quanto à segurança da soronegatividade, Bauer faz exames periódicos e foi buscar informações com profissionais da área. "Tenho uma postura muito natural, madura e responsável em relação a esse tema."

Léo, que resolveu assumir sua soropositividade publicamente quando passou assinar a coluna Positivo na revista G Magazine, pode ser visto como exemplo para uma condição que muitos levam anos para aceitar. "As situações de discordância entre nós nunca foram motivo de desentendimento e, sim, de reflexão para ambos, e também para uma melhora nas questões de relacionamento. A soropositividade nos fez amadurecer muito e também refletir sobre o relacionamento de uma forma mais profunda, de interdependência, respeito. As individualidades, o egoísmo, a posse, nos fizeram questionar até que ponto esses valores nos afetam e são relevantes", diz Bolanski.

Um dos maiores medos que as pessoas têm é em relação à família, que muitas vezes não aceita a condição, o que, felizmente, não se aplica ao casal. "As famílias - de ambas as partes -, nos acolheram de uma forma muito positiva e natural desde o começo. Nunca tivemos problemas, somos tratados naturalmente e até temos a impressão de que a homofobia e preconceito não existem - pena que isto não aconteça com todos", opina Bolanski.

Na opinião de Bolanski, para se lidar com o tema é muito importante a maturidade do relacionamento. "Após ter recebido a notícia, refletimos muito, ponderamos e achamos que isto é apenas um detalhe, logicamente tivemos todos os cuidados médicos tomados. Cuidamos desse 'momento' com proteção e convivemos de maneira harmoniosa."

Diferentemente do que algumas pessoas pensam, pondera Carlos, "ser soropositivo não é uma sentença de morte imediata, tomando os devidos cuidados a qualidade de vida pode permanecer inalterada por muito tempo, e quem me garante que eu não morra antes que meu companheiro infectado?".

"No universo homossexual, o preconceito é muito grande quando alguém descobre que o outro é soropositivo. A pessoa acaba se afastando, quando na verdade esta mesma pessoa muitas vezes freqüenta locais de pegação e acaba tendo comportamentos de alto risco, não se preocupando com esta questão. E depois tem esta postura preconceituosa e hipócrita. O verdadeiro amor quebra e supera todas essas barreiras", finaliza o casal.

 




                                



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