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  Cultura GLS: ESPECIAL
Em Série
24/7/2008
Conheça a macabra história de Paulo Sérgio de Oliveira – o assassino de travestis
Por Redação


Dando continuidade à série sobre serial killers de homossexuais, contamos hoje a história do homem que é suspeito de matar pelo menos 60 pessoas. Ele dizia que “sua missão era matar homossexuais” e já chegou a atacar uma travesti durante seu próprio julgamento.

“Hoje é dia de fazer limpeza na cidade. Vou enfiar chumbo grosso nessas bonecas. Minha missão é arrancar todas essas porcarias de circulação”. Era com essas palavras que Paulo Sérgio de Oliveira, 32, também conhecido como Careca, avisava seus amigos de “confiança” quando iria eliminar suas vítimas. Durante a década de 1990, Paulo foi acusado de assassinar dezenas de travestis na região de Dourados, no Estado de Mato Grosso do Sul, e outros homossexuais em São Paulo. De acordo com relatos da época, o modo de agir do assassino era abordar as vítimas em seus pontos de trabalho e desferir tiros ou facadas direcionados na cabeça, rosto, pernas e coração.

Ele foi condenado a 68 anos de prisão pelo assassinato de três travestis em Dourados, em 1997, e por deixar outros dois feridos. Um outro julgamento marcado para o último mês de abril, agora pelas acusações de homicídio e uma tentativa, foi adiado pelo seu advogado Isaac Duarte de Barros Júnior. O criminalista alegou que o réu teria direito a receber um indulto, já que é portador do vírus da Aids em estado avançado e também por estar preso há mais de 10 anos. Se for condenado também por esses assassinatos, o réu poderá ter 60 anos acrescidos em sua pena, chegando a um total de 128 anos de prisão. De acordo com a legislação brasileira, nenhum condenado pode ficar mais de 30 anos encarcerado.

Paulo Sérgio sempre demonstrou sinais de loucura em seus crimes. Durante sua prisão, concedeu entrevistas à imprensa e sucessivamente se vangloriava de seus delitos, alegando que só matava gente que não servia para a sociedade. Com uma impassibilidade indescritível, chegava a provocar a polícia para uma melhor apuração sobre a vida das vítimas, tentando justificar que elas realmente não prestavam. Afirmou também não se arrepender por nenhum dos seus assassinatos e que se tivesse outra oportunidade, mataria todas novamente, usando desta vez de muito mais crueldade. Confessou os crimes com aparente calma, chegando algumas vezes a dar risadas diante do júri. No processo que irá responder, ele disse que sua missão era matar homossexuais. Com medo de represálias, algumas das testemunhas tiveram que ser conduzidas para depor mediante imposição da Justiça, já que o advogado pedia a soltura imediata do réu.

Em conversas com seu defensor, Paulo Sérgio afirmou que matava as travestis sem a menor piedade ou remorso, mas nunca revelou o motivo. Foi com base nessas declarações que o advogado pediu a avaliação psiquiátrica, acreditando no desequilíbrio emocional e mental de seu cliente. Ele ainda afirmou que durante essas conversas o assassino misturava religião, problema social, brigas familiares e dificuldade financeira. Afirmou que teve uma adolescência terrível e comentou sobre seu envolvimento com travestis em São Paulo. Se Paulo Sérgio notar alguma travesti por perto, é perfeitamente capaz de tentar investir contra ela, o que aconteceu dentro do próprio Fórum onde ocorria seu último julgamento.

Seu envolvimento com homossexuais se deu quando ainda tinha 15 anos, afirmando que continuamente sentia um ódio profundo por travestis. No entanto, alegou que manteve muitas relações sexuais com outros homens, mas somente como ativo. O assassino afirmou ainda que contraiu o vírus da Aids de um deles. Declarou que sua ira contra os gays começou quando um amigo foi queimado e assassinado por uma travesti. Seu primeiro assassinato foi cometido quando ele tinha 17 anos. Segundo apurou a defesa e o Ministério Público, Paulo Sérgio é suspeito de matar pelo menos 50 pessoas no Estado de São Paulo e outras 13 em Mato Grosso do Sul. Esses crimes ainda estão sob investigação da polícia.

Paulo Sérgio de Oliveira cumpre pena na penitenciária de segurança máxima Harry Amorim Costa, em Dourados. Seu advogado afirma que ele é tido como um detento respeitado e de uma “conduta excepcional”. A defesa sustenta a tese de que o réu é portador de sérios problemas mentais, não sendo um delinqüente, mas sim um doente. Se os médicos o considerarem inimputável, ou seja, de que no momento do crime fosse incapaz de compreender seus atos, ele será absolvido e internado através de medida de segurança por um período indeterminado. Caso contrário, voltará a ser submetido a um julgamento popular ainda neste ano.

De acordo com o relatório anual sobre assassinatos contra homossexuais organizado pelo grupo Gay da Bahia (GGB), consta que somente no ano de 2007 houve 122 mortes contra homossexuais no Brasil, uma a cada três dias. Considerando o ano anterior, houve uma expressiva progressão de 30% desses crimes, o que estatisticamente explicaria que o risco de uma travesti ser assassinada é 259 vezes maior do que um homossexual. Um outro estudo diverso alerta sobre os locais mais perigosos onde ocorrem os crimes homofóbicos: são por essa ordem na residência, na rua ou no carro da vítima. Entre as ocupações dos assassinos, as mais freqüentes são profissionais do sexo e assaltantes. Entre as causas mortis mais constantes estão as cometidas por armas de fogo, facada e espancamento.

Algumas vítimas foram expostas a um grau de crueldade que excedeu a ferocidade de um crime em si. Foram vítimas de cidadãos que além de criminosos são doentes, com alto grau de ódio e rancor contra a sociedade, prontos para descarregar a própria dor em que lhes cai nas mãos. O mais importante é que existem grupos de apoio que têm como objetivo tornar mais clara a fronteira entre a marginalidade causada por isenção social e um outro tipo de delinqüência capaz de gerar atitudes tão violentas que deveriam separar o marginal do convívio social. Em determinados casos, parece evidente que não existem condições mínimas de interação desses indivíduos com outros seres humanos.

  





LEIA OS COMENTÁRIOS

29/7/2008 15:03:15 - dennis (dennystlemos@hotmail.com)
o único detalhe que me chamou a atenção é que ele confessou todos os crimes, disse que não se arrepende e que se tiver chance vai matar de novo, ele já é considerado doente mental então o que precisa mais pra prender esse sujeito, a justiça pode até ser cega mas neste caso parece que é surda também ???
29/7/2008 12:28:27 - s.ramos (elmerwrs@uol.com.br)
adorei a matéria.....vá em frente......perdoe os invejosos...e aqueles que só pensam e si mesmo. beijão nene
28/7/2008 17:20:34 - river (river.coelho@gmail.com)
Acho que esse cara deve ser solto. Daí se junta um monte de travesti e cada um arranca um membro dele. Deixando ele morrer aos poucos, com muita dor e crueldade. Não sou travesti, mas faria isso sem o menor remorso.
28/7/2008 17:05:00 - miguel (klingermiguel@hotmail.com)
onde esta o rigor da justiça?onde esta as ongs que as vezes figem que nao veem iste tipo de crueldade?ate´quando vamos ter que suportar este tipo de humilhaçao por sermos homossexuais...ate´quando?
26/7/2008 03:09:29 - thiago b. d. (thiagobrandam@yahoo.com.br)
"prontos para descarregar a própria dor em que lhes cai nas mãos" ,os gays são os novos bodes expiatórios infelizmente.
26/7/2008 01:09:21 - Renato (aaa@bb.com)
Sem querer brincar de Pollyanna nem ser chato, juro que não acho legal este papo de serial killers... Não estudo a questão e não sei se existem realmente por aqui da mesma maneira que nos Estados Unidos, e honestamente acho o fundo do poço ficar dando espaço a este tipo de assunto. Já é suficientemente complicado ser gay, mesmo sem preocupações com coisas tão específicas quanto a possibilidade de ser vítima de um serial killer (tão americano o fenômeno, aliás, que o nome costuma ser em inglês, mesmo havendo o equivalente "assassino serial" em português...). Que tal, em vez de estimular a morbidez alheia, deixar estes assuntos para veículos que se dediquem a eles, e tratar de coisas mais construtivas? Tá, alguém quer vender um livro sobre isso, mas uma matéria a respeito quando for lançado não é suficiente? Tem mesmo que virar uma série? Just my 2 cents...
26/7/2008 00:50:55 - Indignada com o Brasil (Brasil@justiça.com.dignidade)
Para esse elemento só tem um caminho, CORREDOR DA MORTE como nos países de primeiro mundo ... Judiciário do Brasil, vamos fazer uma reforma urgente ... pelo menos isso, vamos provar que a justiça brasileira não está falida ...


                                



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