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  Cultura GLS: MÚSICA
Ladytron
3/11/2006
Conversamos com Daniel Hunt, integrante da principal atração do Nokia Trends 2006
Foto: Divulgação


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Daniel Hunt

No próximo dia 25 de novembro, a Arena Skol Anhembi, em São Paulo, recebe a edição 2006 do Nokia Trends, festival brasileiro de música eletrônica e arte multimídia que já foi exportado para outros países. Este ano, o line up de peso conta com o duo belga responsável pelos projetos 2 Many DJs e Radio Soulwax e com os roqueiros do The Bravery, além de talentosos artistas e DJs da cena nacional.

Mas o grande destaque desta edição do Nokia Trends vai mesmo para o Ladytron, quarteto de Liverpool formado por dois rapazes (Daniel Hunt e Reuben Wu) e duas garotas (Helen Marnie e Mira Aroyo) que, com aparência andrógina, electro misturado com sintetizadores antigos e diversas ótimas influências musicais, conquistou o mundo cinco anos atrás, no lançamento de seu debut “604”.

Ladytron, que toma seu nome emprestado de uma canção do primeiro álbum do Roxy Music, logo caiu no gosto da crítica especializada. No início, um jornalista de música, no furor de expressar a sonoridade do grupo, chegou a descrever a banda como “Britney Spears, se vivesse na ex-União Soviética e fosse viciada em heroína”. A forte comparação se explica na interessante fusão que o quarteto faz entre o pop eletrônico bailável nas melodias e as duras críticas sociais inseridas nas afiadas letras do Ladytron.

Pouco mais de um ano após a estréia, a banda lança “Light & Magic”, disco que também fez a cabeça de diversos publicitários que, empolgados, licenciam canções do álbum para comercias de marcas como Levi's e L'Oreal. Cheio de hits fashionistas, “Light & Magic” confirmou o nome de Ladytron no cenário eletrônico e mostrou a evolução do electro proposto pelo disco anterior.

Após um silêncio de 4 anos recheados de participações em festivais e turnês pelo mundo, Ladytron troca de gravadora (da Emperor Records, responsável pelos dois primeiros discos, para a Island/Rykodisc) e recobra voz em “Witching Hour”, terceiro álbum da carreira do grupo. No disco, produzido por Jim Abbiss (que, entre outros nomes, já trabalhou com DJ Shadow, Placebo e Kasabian), o quarteto redescobre suas raízes independentes e renova sua sonoridade através da experimentação eletrônica.

E é esse festejado Ladytron, dono de hits como “Seventeen”, “Fire”, Playgirl”, “Sugar” e “Destroy Everything You Touch”, que o público brasileiro confere no próximo dia 25. Amigos do Cansei de Ser Sexy, os integrantes do grupo estão muito empolgados com a visita e com a apresentação por aqui. Conversamos com Daniel Hunt (teclado, bateria eletrônica e produção) que nos contou mais sobre a história, identidade, música e filosofia do Ladytron. A página oficial do grupo, você confere aqui. Para saber mais sobre o Nokia Trends 2006, acesse o site do evento aqui.

Um dos integrante do grupo é de Hong Kong (Reuben), outro da Bulgaria (Mira), você é de Liverpool. O Ladytron já visitou diversos países afastados e logo vocês estarão em turnê pela América do Sul. Como essas referências geográficas influenciam na música do Ladytron?
Desde o começo tínhamos que viajar muito. Mira é da Bulgária, mas vive em Israel... Toda essa questão geográfica é engraçada. Nós fizemos 4 ou 5 shows em Barcelona antes de tocar em Londres, por exemplo. Ou ainda nosso primeiro EP, que foi lançado por um selo japonês. Sempre tivemos mais visibilidade fora do Reino Unido, de alguma maneira. Nos últimos 4 anos, estivemos em turnês pelos Estados Unidos, fomos à China... Sinto que existe uma influência das viagens, só que mais em nossa personalidade do que diretamente na música. Musicalmente, acho que a influência é mais subconsciente. Sempre faz bem viajar. A única coisa ruim é ficar muito tempo longe de casa (risos).

Quais são as principais influências musicais do Ladytron?
Acho que quando começamos, David Bowie era a influência perfeita, mas hoje vejo que cada um de nós tem um gosto muito único. Outra unanimidade, principalmente durante a gravação de nosso primeiro álbum, foi o disco “Moon Safari” do Air. Todos amamos esse disco. De projetos e artistas também gostamos de My Bloody Valentine, Sonic Youth, Roxy Music, além de muitas sonoridades dos 60 e 80.

Como você vê a trajetória do grupo desde “604” até “Witching Hour”, passando por “Ligth & Magic”? Como você vê esses três diferentes trabalhos identidade do grupo?
Tenho muito orgulhoso de nossa evolução. Hoje em dia, tudo é tão instantâneo, com o fanatismo e o mundo das celebridades, que sempre se espera que uma banda se defina totalmente em seu primeiro disco. No nosso caso não foi assim. Sempre em um primeiro disco, você coloca tudo que sabe e tem como referência até aquele momento. No segundo, você tenta melhorar com os erros aprendidos antes, mas é sempre um momento de dúvida sobre o que fazer, seguir ou mudar? Já no terceiro você tem que saber como realizar um disco. Você já aprendeu bastante com os outros dois. Agora estamos trabalhando em nosso quarto disco que, definitivamente, está sendo o mais fácil em todo o processo de realização.

E como funciona a dinâmica do grupo, por serem dois rapazes e duas garotas? Existe um balanço de energias?
Não foi proposital, mas foi essencial, já que é um bom equilíbrio. Principalmente na estrada. Sabe, em bandas só de homens, todos acabam virando uns imbecis. Com as garotas, somos mais comportados, convivemos melhor. Você sabe como é, esses clichês de rock’n’roll podem ser divertidos por 20 minutos, mas não é o que queremos fazer.

O Ladytron tem muitos fãs gays no Brasil e, provavelmente, em todas as partes do mundo. Você vê uma ligação entre a atitude da banda, desde as músicas até o look, e a diversidade sexual?
Não sei exatamente o porquê, mas temos mesmo muitos fãs gays. Em todo o lugar. Realmente no Brasil, onde pude notar bastante quando fui tocar sozinho como DJ, e nos Estados Unidos, onde a comunidade é bastante forte. Eu realmente não sei o que faz a identificação, mas ela existe e é ótima. Acho que é porque os gays sempre são pessoas mais criativas, conectadas à música e mais sensíveis em relação a tudo. Eles têm mais sensibilidade para entender o que fazemos. Deve ser isso.

E a identificação com a universo da moda?
Então, diversas marcas utilizaram nossas músicas em desfile (Chanel foi uma delas) e nossos vídeos e canções sempre passam na Fashion TV. Eu não assisto, porque faz tempo que não tenho TV a cabo, mas meus amigos sempre me dizem que passa. Acho que é algo com a moda, com nossa maneira um pouco fashionista de se portar e vestir. 

O que você e o Ladytron esperam da apresentação brasileira? Afinal, é a primeira vez que todos vêm juntos para cá, certo?
É verdade, juntos é a primeira vez. Eu estive em São Paulo, tocando como DJ, e gostei muito. O pessoal do Cansei de Ser Sexy nos disse que vamos enlouquecer com o público brasileiro, que toco mundo entra na onda e faz bonito. Esperamos que os shows sejam ótimos e também teremos uns quatro ou cinco dias para sair pela cidade.

O que vocês querem fazer por aqui?
Eu gostaria de ir àquele parque no Niemeyer, como é mesmo? Ibirapuera, isso. É um nome difícil, mas um lindo parque. E as meninas querem fazer compras, já que lhes contei que São Paulo tem muitas lojas boas. E o Cansei de ser Sexy nos deu muitas dicas também, mas teremos as entrevistas e compromisso com a imprensa e teremos que aproveitar bem o tempo.

E, por último, o que o público brasileiro pode esperar do show do Ladytron?
Nós sempre tentamos fazer algo maior do que o CD. Sempre tentamos quebrar barreiras e ir além do disco, criando algo novo a cada apresentação. Não sei o que posso dizer, porque não quero estregar a surpresa, mas, com certeza, será festeiro e divertido.

    





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6/11/2006 09:01:53 - IRAILSON R S (irailsonromualdo@hotmail.com)
vcs sao 10000 parabens


                                



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