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  Cultura GLS: MÚSICA
Retrô Musical
18/12/2007
Os shows, álbuns, descobertas e bafos do mundo da música neste ano que já já termina de vez
Por Redação


2007 está chegando ao fim e é época de revisão, retrospectiva, balanço, o nome que você achar melhor. Aqui no Mix a gente relembra os fatos mais importantes de diversas áreas (música, moda, noite, ativismo, política e afins). Começamos com a retrô musical do ano.


Dezembro
- O melhor do ano

O ano terminou com o Nokia Trends em São Paulo. Super bem organizado, o evento trouxe a banda francesa Phoenix, os americanos do She Wants Revenge e os australianos do Van She. Os shows foram bem legais, não rolou atraso e o espaço foi super bem montado. Sem filas dramáticas, sem sufoco, sem empurra-empurra. E ainda com lugar para sentar, com instalações de arte legais para ver, com gente bonita por todos os lados. De chato mesmo só o calor fazia o povo pingar.
:: Nokia trends faz evento bem cuidado em São Paulo

- Cool
A irlandesa Róisín Murphy voltou as paradas e as pistas em 2007, como seu álbum Overpowered. Com o vozeirão potente de sempre e visual sexy cool, Róisín lançou Overpowered em setembro, mas os remixes só ganharam as pistas do mundo todo dois meses depois. O segundo single, Let Me Know, co-produzido pelo Groove Armada, também começa a pipocar por aí. E tem a Dear Miami também, que é linda e deve pintar logo logo.
:: Cantora irlandesa volta ao cenário pop com seu novo álbum Overpowered. Confira remixes 


- Come Back
Rolou no primeiro domingo de dezembro, 2/12, o início da nova turnê das Spice Girls. O retorno do quinteto pop inglês fez a alegria de cerca de 16 mil pessoas em Vancouver, no Canadá. Victoria Beckham, Melanie C., Geri Halliwell, Mel B. e Emma Bunton vestiam figurino assinado por Roberto Cavalli feito exclusivamente para o show. Acompanhadas de 10 bailarinos - as coreografias foram assinadas pelos mesmos profissionais dos shows da Madonna - elas cantaram mega hits da carreira, como "Wannabe" e "Spice Up Your Life", e trocaram de roupa 8 vezes em pouco mais de 2 horas de show. Entre as celebridades da platéia, a cantora Avril Lavigne e o bonitão David Beckham, que veio direto da Nova Zelândia para conferir a performance da sua digníssima esposa, Victoria. De quebra, ainda presenteou cada uma das Spice com um bracelete de ouro.
:: Spice Girls dão início a nova turnê mundial em Vancouver no Canadá. Confira fotos do show

Novembro
- Loiruda

A cantora sueca Robyn Carlsson, de 29 anos, tem bombado nas rádios e pistas do Brasil com o single "With Every Heatbeat". Mas esse não é o primeiro sucesso da loira. Quem tem mais de 20 anos com certeza já dançou ao som de "Show me Love", sucesso nos anos 90. Mas a grande volta da moça foi mesmo em abril desse ano com o álbum Robyn. Em agosto, "With Every Heartbeat" já era a música número um das paradas inglesas e logo veio aterrisar em terras tupiniquins. O outro single "Handle Me", um electro pop, também já está bombando lá fora. Por aqui, "With Every Heartbeat" ganhou diversos remixes que têm embalado várias pistas gays do país. 
:: Robyn Carlsson - Confira a trajetória da cantora pop sueca que vem abalando as pistas de todo o mundo

- O melhor show do ano
A banda LCD Soundsystem fez na noite desta terça-feira, 13/11, em São Paulo, foi emocionante de tão lindo. Tocando para um platéia de fãs ou, no mínimo, de quem gosta e conhece o trabalho de James Murphy e seus companheiros. O resultado é um público em total sintonia com o artista, que canta junto e responde. E sem platéia boa não há show bom, como a gente bem sabe. Não foi o caso. O Via Funchal recebeu cerca de mil pessoas. É a terceira vez que o LCD faz show em São Paulo. Desta vez para apresentar as músicas do segundo álbum, Sound of Silver. Mas eles tocaram os hits do primeiro também, que leva o nome da banda. Vieram "Daft Punk Is Playing at My House", "Tribulations" e "Yeah", momentos altos do show.


James abriu a noite com "Us V Them", depois veio "Time to Get Away". Do segundo álbum ainda apareceu "Get Innocuous", "All My Friends" e "North American Scum". Teve ainda um cover de "No Love Lost", do Joy Division. Nem precisaram tocar Losing my Edge, hit mais famoso do LCD, obrigatória em qualquer boa pista de 2002/2003.
O show terminou calmo, com "New York I Love You But You're Bringing Me Down".
:: Show do LCD Soundsystem em São Paulo rola em clima intimista, só para fãs. E foi lindo

- Antony arrasa em SP e naufraga no Rio
O show da banda Antony & The Jonhsons em São Paulo foi catártico. Antony estava solto, seguro, brincou muito com a platéia que lotou o palco do Auditório Ibirapuera e fez miséria com sua potente voz, seu perucón preto, sua sensibilidade inclassificável. Já no Rio.... Uma sucessão de erros culminou com uma apresentação quase medíocre da banca, muito aquém do talento do vocalista e de seus instrumentistas.


Para começar, o erro número um: Antony foi escalado para abrir o palco Volta, que contava logo em seguida com show da Björk. Ok, Antony cantou no último álbum de Björk, Volta, e todos esperavam um dueto ao vivo entre os dois. Que nada. Mas nem esse foi o problema maior. É que a enorme tenda armada na Marina da Glória para os dois shows lotou de fãs da Björk. Ok, ok. E poucos ali, poucos mesmo, sabiam quem era Antony. Ok, Ok. Aí esse povo todo, uma verdadeira massa, ficou o tempo todo de conversa, passando de um lado para o outro, atrapalhando muito a apresentação da banda. Mesmo assim Antony manteve o bom humor. Apesar do show bem curtinho - 50 minutos - a banda cantou as faixas que todos os fãs queriam ouvir: abriu com "Misteries of Love", tristérrima. Depois vieram "My Lady Story", "For Today I'm a Boy", "Cripple and the Starfish", "Fistfull of Love", "Man is the Baby", "Candy Says", "You're My Sister", "The Lake" e "Hope There's Someone".


Aí começa o erro número dois. Se não bastasse a produção do Tim ter colocado Antony em uma palco que não era para ele, para abrir um show que não tem a ver com ele e cantar para um público que não queria ouvi-lo, resolveram pedir para que Antony cobrisse o show da canadense Feist, que não embarcou por conta de uma labirintite, no palco Novas Divas. Ok, Ok. O Novas Divas - de Cibelle e Cat Power - é bem mais indie que o "Volta" de Björk. O público deveria estar predisposto a um show mais silencioso, tranquilo. Aí então Antony arrasaria. Que nada. O músico entrou com a equalização do som prejudicada, não se ouvia seu piano, nem os intrumentos dos The Jonhsons. Quando Antony pedia para aumentar, o som de microfonia fazia doer os tímpanos. Mas Antony começou bem humorado, tentando levar adiante. Só que não rolou. Cantou 5 música - You are My Sister e The Lake entre elas - e antes de sair, 25 minutos depois de entrar, disse: fiquem com as talentosas atrações que entrarão em seguida. Ok. Mas triste.
:: Não rolou: palco errado e problemas no som afundam show de Antony and the Jonhsons no Rio

AGOSTO
- Vazada
Gimme More, da Britney, vaza na internet e vira hit instantâneo. A faixa é mais fervida, tem os típicos gemidinhos da cantora e não diz muita coisa. A cara da Britney, portanto. A música foi produzida por Nate "Danjahandz" Hills, braço direito de Timbaland.

- Banda Bear
Parece que a comunidade ursina mundial, finalmente, começa a ganhar o mainstream e também se torna um celeiro de projetos e novidades bacanas dentro da comunidade GLBT. Se nos últimos tempos as festas exclusivas para ursos no Brasil e para bears ao redor do mundo vem atraindo cada vez mais público e interesse, agora é a vez dos corpulentos e barbados também mostrarem a que vieram na música.


Surgiu em agosto a primeira banda só de ursos. Bearforce 1, como foi batizado o projeto musical, é formada por 4 integrantes (um de Belfast, na Irlanda do Norte, e três de Amsterdam), que se conheceram no verão norte-americano ano passado.


A boyband às avessas começa a fazer sucesso na rede, parte pelo remix ultragay que fizeram com vários clássicos da disco como "I Feel Love", "You Make Me Feel (Mighty Real)" e "Boys Boys Boys" (assista aqui), parte por sua página oficial cheia de fofuras e ursinhos.


Na página, o quarteto também aparece descamisado para promover seu single "Bearforce 1", que pode ser baixado diretamente. No álbum de fotos do MySpace do grupo, é possível conhecer a cada um de seus integrantes: Ian, Yuri, Peter e Robert. Mais fofos, impossível!
:: BearForce 1: banda gay européia é formada exclusivamente por ursos. Conheça e veja vídeo!


JULHO
- The Rakes em SP

Tocando para uma platéia de aproximadamente 1.500 pessoas, a banda The Rakes encerrou o Festival Indie Rock com chave de ouro num show inesquecível em São Paulo. O carismático e magérrimo vocalista Alan Donohoe, fez todo tipo de dancinhas peformáticas que podia, desengonçado, cumprimentou a platéia, conquistou fãs, disse que adorou São Paulo e pulou, freneticamente, durante 1h40. E o Rakes ainda teve pique para dar um pulo na Rebel!, noite de rock do Vegas.
:: Banda inglesa esquenta noite gelada no encerramento do Festival Indie Rock em São Paulo. Veja vídeo

- Por que eles amam tanto piano?
Foi assistindo vídeos e mais vídeos de nossos cantores gays favoritos da atualidade que o Mix Brasil descobriu que, além da sexualidade, nossos ícones da música também dividem o amor por um clássico instrumento musical: o piano. Chris Garneau, Mika, Rufus Wainwright, Antony Hegarty, Ivri Lider. Todos, sem exceção, não largam seus pianos de cauda nos shows e clipes que fazem.  Acreditando em mais razões do que a simples coincidência, é possível associar o uso do piano nas músicas e apresentações ao vivo destes cantores com sua principal influência musical nos anos 70 e 80, o sir inglês Elton John que, desde os primórdios até hoje, não dispensa o instrumento em nenhuma de suas apresentações. O mais engraçado é que estes artistas não apenas utilizam o piano de forma aleatória, mas todos mantêm o que pode ser considerado quase uma regra na hora de localizar o intrumento no palco, para o público: sempre de perfil, nunca de frente! Ivri Lider, cantor israelense pelo qual estamos apaixonados há tempos, toca seu pianinho maroto durante "The Bubble", novo filme do diretor Eytan Fox onde é responsável pela trilha. O superstar Mika, por sua vez, baseia todo seu repertório pop de "Life In Cartoon Motion" no instrumento. Rufus Wainwright, então, provavelmente nunca fez um show sem piano. Outro que ama seu piano é o nova-iorquino Chris Garneau, que até posa ao lado de seu instrumento favorito em fotos na sua página do MySpace. Antony Hegarty, homem a frente de Antony & The Johnsons (que toca na próxima edição do Tim Festival) também não dispensa o dito cujo em sua banda e adora fazer um carão drama enquanto dedilha as teclas do instrumento. Curioso, não? Estaria Elton John fazendo uma forte escola de pianistas pop ou o piano é realmente o instrumento mais querido e tocado por artistas gays? Fica a dúvida, com sonzinho de piano ao fundo. A seguir, veja alguns vídeos onde nossos queridos arrasam no instrumento e comprove nossa teoria!

- Chega às lojas o novo álbum da diva Claudia Wonder
Personagem cheia de história. Querida, inteligente, politizada, fervida, montada. São muitos os adjetivos que cabem (e bem) em Cláudia Wonder. A diva transex está por aí há pelo menos 30 anos. Nos anos 80 ela brilhava nas bandas Jardim das Delícias e Truque Sujo. Depois foi morar na Europa. Voltou no começo dos anos 2000 para São Paulo e retomou a carreira de cantora under. Fez apreentações históricas na noite ETC, do Glória. Este trabalho, FunkyDiscoFashion, feito em parceria com o duo The Laptop Boys, traz doze músicas feitas para dançar. Abre com Atendimento, hit de Claudia que conta a história de uma prostituta que não quer atender o cliente. Depois vem Mulher do Balcão, sobre uma mulher da noite, como tantas. A terceira faixa dá título ao álbum e é a mais pesada do disco. Funk da Frígida, a quarta faixa, é bem engraçada. A mais legal, contudo, é a 7, Ursinho Misterioso. É a história de um ursinho fofo que sai pela noite, na lua cheia, e acaba em uma rave loucurinhas. O disco é todo bom, divertido, debochado. Sem cabecismos, como são esses nossos anos. Hedonismo puro.

Ah, o encarte está bem legal também.

JUNHO
- O músico mais gay da face da Terra
Nascido como Thomas Bickham em 29 de março de 1975, 3 segundos antes de seu irmão gêmeo Michael, o cantor dinamarquês conhecido como Tomboy (palavra que, em inglês, é uma gíria que se refere a um comportamento masculinizado em uma garota ou mulher) pode ser considerado, sem maiores exageros, o cantor mais gay da atualidade. Tomboy, que aos 3 anos decorava carros, armas e qualquer brinquedo de menino com esmaltes coloridos e glitter, decidiu se tornar drag aos 19 anos e começar a fazer apresentações pelos clubes locais, escolha que, segundo a biografia de Tomboy em seu site oficial, seria a grande virada na carreira e vida do dinamarquês. O rapaz, que logo após o colegial trabalhou como stylist, cabeleireiro e maquiador, começou a ganhar a Europa quando venceu o "Big Brother: VIP Denmark 2003", reality show aos moldes do nosso brasileiro, porém disputado por apenas (semi)celebridades locais. Após a vitória, Bickham, decidido a tentar a sorte com a música, prepararia uma série de show, sendo que, em um deles, apoiado por três amigos, o rapaz criaria o conceito (tão absurdamente gay) de Tomboy. Segundo sua página oficial, o tal "conceito" demorou seis anos para ficar pronto. Contando com todo o trabalho de vestuários, cabelos, maquiagens, luzes e brilhos, é, de longe, uma das coisas mais afetadamente gays que o Mix já viu. Nas fotos para download, Tomboy, sempre em fundo rosa, cor que ocupa grande parte de sua vida, inclusive seu cabelo, desfila uma série de figurinos que seria como o perfeito baile de fantasias, daqueles com Clóvis Bornay. Com um visual cyber aqui e plumas e paetês em outra fantasia ali, o que rege toda a arte do Tomboy é o rosa e o glitter, usados, claro, sem a menor noção de limites. O texto gay também não podia faltar. Em uma das seções de seu site, Tomboy propõe um questionário para analisar o quão gay você é e também um kit de emergência pós-outing, cheio de diamantes, make up, e, claro, rosa e glitter.
Ah, e Tomboy acaba de lançar seu mais novo CD também... O nome? "OK2BGAY", que, na tradução menos enfeitada, seria "OK To Be Gay" ("OK Ser Gay"). Pode? Claro que sim! Para conhecer mais sobre o mundo mágico de Tomboy, acesse sua página web aqui. Porém, o Mix alerta: você estará muito mais gay depois da experiência!

- Calvin Harris ganha fama
Com apenas 23 anos, o cantor, compositor e produtor musical escocês Calvin Harris pode ser considerado um dos mais frescos e interessantes artistas eletrônicos da atualidade. O rapaz, que nasceu na pequena cidade de Dumfries, foi descoberto ano passado através de seu perfil no MySpace pela gravadora EMI e parece começar a fazer bastante barulho, ao menos na mídia especializada internacional.


Calvin, que ganhou o contrato com a gravadora quando voltava de Londres para sua terra natal por falta de emprego, lança na próxima segunda-feira, 18/6, seu álbum debut que ganhou o título nada modesto de "I Created Disco" ("Eu Criei a Disco"). O lançamento vem impulsionado pelos três primeiros singles do produtor e que já tocam bastante nas pistas e rádios da Europa: "Vegas", "The Girls" e a incrível "Acceptable In The 80s", uma homenagem à década mais espalhafatosa do século passado que chegou ao top dez de singles no Reino Unido.


"I Created Disco" é composto de temas electroclash (quem disse que ele morreu?) reformulados. Meio difícil de explicar, mas bem fácil e gostoso de dançar e cantar junto.


Para promover o novo disco, Calvin esteve em turnê nos últimos meses, abrindo apresentações de dois gigantes da eletrônica, Faithless e Groove Armada, para quem o rapaz fez o remix do tema "Get Down". Além do Groove, Harris já remixou músicas de All Saints ("Rock Steady"), Jamiroquai ("Canned Heat") e até para o Cansei de Ser Sexy ("Let's Make Love and Listen to Death From Above").


Sobre planos para o futuro, Calvin parece ter mesmo entrado no caminho certo. Em fevereiro passado, foi anunciado que o escocês gravará com Kylie Minogue para o próximo álbum da diva australiana, depois que a mesma escutou algumas gravações do moço e se apaixonou por seu trabalho. Poder... O Mix também acredita bem no Calvin e acha que o músico vai bombar logo, logo, basta esperar!

- Turnê pró-GLBT de Cindy Lauper
"Nós todos deveríamos ter o direito de viver com a mesma dignidade, oportunidades e segurança. Não deveria importar qual é a orientação sexual de cada um". Com esta frase a cantora e diva da comunidade gay Cyndi Lauper abre a página oficial de sua True Colors Tour 2007, turnê que contará com diversos artistas musicais de renome na atualidade que se contectam à causa de alguma forma.

Cyndi Lauper, além de idealizadora e de se apresentar em todas as edições do evento, também escalou um time de peso para os shows: Margareth Cho como hostess, Debbie Harry, Rufus Wainwright, The Gossip, Erasure, The Dresden Dolls, The MisShapes, Rosie O'Donnell, Indigo Girls, além de Jeffree Star, Amanda Lepore, Cazwell e The Cliks.

- Skol Beats em SP
A segunda noite do Skol Beats, no sábado, foi bem mais quente que a primeira, na sexta. Com temperaturas mais elevadas, maior público (25 mil, segundo a assessoria) e tendas pulsantes, o Skol ganhou ares de festival só no seu segundo dia. A tenda The End ficou bem cheia de gays, alguns descamisados, outros moderninhos. Gay-friendly até o limite, teve muitos meninos que não arredaram o pé dali até o dia amanhecer, com o show de Miss Kittin. O povo começou a lotar o espaço por volta da meia-noite, no brilhante set de Renato Cohen. Depois dele entrou Laurent Garnier, que começou bem e terminou chato, irritante. No fim do set do francês, o duo Shapeshifetrs arrasava com o set mais gay de todo o evento lá no palco. Cheio de vocais e batidão de jogar cabelo. Sabe qual? Tocaram pencas de hits e aos poucos foram atraindo os meninos que andavam meio perdidos no local. Depois rolou o show chato do Crytal Method, datado. E depois, enfim, o duo canadense electro-rock Simian Mobile Disco começava o que seria o melhor show de todo o evento. Confirmando o hype, os meninos deram aula de rock, de electro, de pop. Depois dos meninos, a tenda The End encheu novamente para o set-show de Miss Kittin. Mesmo com problemas no equipamento, a moça soltou sua voz (que continua firme e suave) para cantar hits. Teve até I Feel Love. Foi fofa.

No balanço, um Skol Beats mais frio e menos vibrante que suas edições anteriores. Também com pouca relevância musical e sem seus personagens mais iconográficos, os clubbers. Eles fizeram falta.

Março
- Famoso cantor australiano faz outing forçado
Enquanto o popstar Mika sofre com ameaças de morte por não se assumir (!), a Austrália ganhou um ídolo belo, gay e sem problemas com sua homossexualidade. Trata-se de Anthony Callea, ex-participante do “Australian Idol” (a versão aussie do programa “Ídolos"). Após ter sido “tirado do armário” acidentalmente por um radialista e um fã de Sydney que entrevistavam Anthony ao vivo no início de março, ele acaba de assumir aos quatro ventos e com orgulho que é gay - e que tem namorado, o Paul. Na tal entrevista, fãs ligavam para a rádio para fazer perguntas diretas ao cantor. Uma das perguntas era sobre a sexualidade de Anthony e o radialista passou a pergunta por achar que sua homossexualidade fosse assumida. Não era, mas Anthony também não a negou, deixando a questão no ar. Agora ele voltou ao assunto em entrevista para o jornal australiano Herald Sun. Antohny disse que está em um momento confortável o suficiente para falar sobre sua homossexualidade sem tabus. “Eu não tenho problemas com minha sexualidade agora, mas levou tempo para eu me tornar confiante com quem sou e feliz com minha vida”, declarou. “Quero viver minha vida sem barreiras e não ter que me preocupar em dizer a coisa certa... É um peso que saiu dos meus ombros”, completou o cantor ao jornal. Aos 24 anos, Anthony Callea já é um nome bastante conhecido em sua terra-natal, graças à seus singles de sucesso “Rain” e o mais recente “Addicted To You” (“Viciado em Você”). Sobre a reação de seus fãs à seu outing, o popstar não demonstra preocupações. “Eu não acho que é uma grande coisa. Quem liga? Se as pessoas têm problemas com isso, isso é problema delas”. Falou e disse!

- Mikafobia
Mesmo sendo o hit do momento no pop britânico e ocupando a sétima posição do ranking de singles do Reino Unido segundo a The Official UK Charts Company, o cantor libanês (e até onde se sabe gay) Mika anda passando por maus bocados. O músico de 23 anos dono do hit “Grace Kelly” afirmou ao site de entretenimento inglês ThisIsLondon.co.uk na semana passada que anda sofrendo ameaças de morte de fãs por não admitir se é gay ou não. Mica Penniman, nome original do artista, revelou que recebe “mensagens de ódio e ameças de morte o tempo todo”. “Sempre é pela questão de se sou gay ou não. Ele não está feliz porque não falo sobre minha vida pessoal desta maneira”, declarou o cantor. Mika, que com seu álbum debut “Life In Cartoon Motion”, lançado no mês passado, vendeu mais de meio milhão de cópias, falou ainda sobre os motivos que o levaram a não discutir sua sexualidade publicamente. “Eu nunca falo nada sobre minha sexualidade, eu não acho que preciso. Para sobreviver, aprendi a calar certas partes de minha vida, e essa é uma delas, especialmente em uma fase tão cedo de minha carreira. Algumas pessoas fazem álbuns que são definidos por sua sexualidade, mas o meu não é. Tem um lado camp e algo teatral também. Por que não? É musica pop, afinal de contas”, completou o cantor.


De qualquer forma, ao final da entrevista à página, Mika realmente deu seu recado. “Se você tem 14 anos e é gay, bom, faça o que você tiver vontade. Eu não estou confuso e não tenho barreiras sobre meu modo de viver. E é por isso que não quero colocar minha vida no microscópio”.

- Cata Drag
Assim como qualquer artista de sucesso surgido nos últimos tempos na música pop, a diva montada norte-americana Jeffree Star também explodiu graças ao fenômeno MySpace. Como já havíamos identificado em sua aparição, Star, além do grande talento para a montação, canta de verdade e muito bem, o que é o mais importante. Com seu look perfeito (que a deixa mais parecendo uma boneca do que um humano), Jeffree tem conquistado o hemisfério norte, principalmente com seu single “Straight Boys”, retirado do álbum debut “Plastic Surgery Slumber Party”, onde assume de maneira bem humorada que é uma “cleptomaníaca por namorados”. Logo mais Jeffree deve marcar seu nome definitivamente no mainstream, já que diversos rumores da imprensa norte-americana afirmam que, em breve, o moço (a moça?) será protagonista de um reality show ao lado dos polêmicos e também montados Bobby Trendy e Pete Burns. O canal responsável pela atração ainda não foi divulgado.

Apesar de toda a celebração, muitos também tem criticado ferozmente a carreira de Jeffree. É o caso da Enciclopaedia Dramatica, site aos moldes da Wikipédia (só que mais barraqueiro) que cai matando na definição da cantora. Além de acusá-la de roubar tudo o que produz da internet, a página a difama também por haver se auto-intitulado Jesus em ocasiões passadas. Polêmicas a parte, o que importa é que cada vez mais a bela Jeffree se torna conhecida e famosa. Além de suas músicas acabarem de entrar no acervo do iTunes, seu perfil no MySpace já foi visto por quase 18 milhões de pessoas. E isso é muito, muito mesmo. Para efeito de comparação, a página de Lily Allen no site teve cerca de 2,3 milhões de acessos até hoje, enquanto o Arctic Monkeys não passa de 2,1 milhões.


- Nafta-Disco Music
Os dois shows que os ingleses do Pet Shop Boys fizeram em São Paulo deixaram um cheirinho de naftalina eletrônica no ar da cidade. Em São Paulo o público bateu em 13 mil pessoas. Com 25 anos de carreira, o Pet não parou de produzir, mas também não avançou nas sonoridades e - pior - jamais conseguiu emplacar outro hit. Tanto é que a platéia em São Paulo congelou enquanto a dupla executava músicas do novo álbum, Fundamental. Ainda que mais politizadas e amaparadas por um palco cheio de efeitos luminosos e dançarinos competentes, faixas como "The Sodom and Gomorrah", "Casanova in Hell", "Indefinite Leave to Remain" e "I'm with Stupid" não chegaram nem perto de empolgar. Só no bloco final, com "Domino Dancing", "West and Girls", "It's a Sin", o remake de "Go West", do Village, e "Always on my Mind", o povo se jogou de verdade. O bis, com a aguardada "Being Boring", fechou uma noite congelada nos anos 80, onde Neil Tennant e Chris Love sabem reinar.


- Gay de voz grossa
O cantor inglês Patrick Wolf conquista, a princípio, pela imagem. Ruivo, belo e trajando sempre modelos fantásticos e brilhantes, o rapaz de 23 anos anda conquistando a crítica internacional com seu vozeirão e terceiro álbum solo, “The Magic Position”. Compositor, violinista, cantor e sexualmente ambíguo (em entrevista ao The London Paper no final do mês passado, o fofo declarou: “Da mesma forma como não sei se meu sexto disco será de death metal ou pop infantil, tampouco sei se estou destinado a viver minha vida com um cavalo, uma mulher ou um homem”), Wolf começou a trilhar sua carreira na música aos 11 anos, brincando e experimentando sonoridades com instrumentos musicais de brinquedo em casa. Ainda jovem, aos 14 anos, o inglês fez parte do projeto Minty para, dois anos depois, integrar o trio Maison Crimineaux, sua catapulta instantânea para a carreira solo. Suas músicas e letras chamaram logo a atenção da Fat Cat Records, que acabou doando um computador Atari e um mixing console a Patrick. Os novos instrumentos ajudaram na composição de seu primeiro álbum solo, “Lycanthropy”. O disco foi lançado em 2003 pelo selo alemão Tomlab e chegou à 39a posição da bíblia musical britânica NME (New Music Express) em seu mês de lançamento. Começando a ganhar fama, Wolf se apresentou como convidado especial de bandas renomadas do cenário indie como Chicks on Speed e The Hidden Cameras, liderada pelo vocalista gay Joel Gibbs. Neste meio tempo, o cantor lança seu segundo disco, “Wind In The Wires”, em fevereiro de 2005.


Aclamado pela crítica com o lançamento, no final do mesmo ano o cantor assina contrato com a Loog, uma subsidiária da Polydor, e começa a gravar seu terceiro e mais recente álbum, “The Magic Position”. O disco, que chegou às lojas no final de fevereiro passado, traz colaborações de Marianne Faithfull e Edward Larrikin, do Larrikin Love. Cheio de poesia, atitude, melodias animadas e letras inspiradas, seu novo CD vem sendo executado bastante nas principais pistas e rádios da Europa.


Do mais recente trabalho, foi feito também o vídeo colorido e imaginativo da música homônima ao álbum, “The Magic Position”. Antes dele, Wolf já havia lançado diversos outros clipes de álbuns anteriores como “The Libertine”, “Tristan”, “Accident & Emergency” e “Wind In The Wires”.


Fevereiro
 - Release the Stars - Rufus Wainwright
O novo álbum do cantor gay novaiorquino só chegou às lojas mesmo um mês depois, mas foi em fevereiro que as primeiras músicas do brilhante álbum começaram a chegar na internet.

  




                                



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