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O novo álbum de Madonna, Hard Candy, previsto para chegar às lojas brasileiras no próximo dia 29, é uma miscelânea de elementos caros para a música pop atual. Numa mesma faixa, mistura hip hop com disco music, com electro, vocoders, YOs e por aí vai. Atira para todos os lados, mas a sensação ao ouvir o disco todo é de que ele não chega a lugar nenhum. Se no todo do álbum Madonna decepciona, faixa a faixa ele é até bom. A primeira música é super madonnica. Candy Shop é pop e está pronta para as pistas. Vai ganhar pencas de remixes para isso, claro. A faixa é grudenta. Em seguida vem 4 Minutes, feita em parceria com Justin Timberlake. Foi a primeira música a vazar. Tem um começo bem YO para em seguida entrar a voz da loira e de Justin. É bem legal. O refrão é perfeito para evoluções na frente do espelho.
A terceira faixa, Give It 2 Me, é uma bobagem sem fim. Tem bateria marcada e voz tão robotizada que em momentos nem parece ser Madonna. Heartbeat, a quarta faixa, é a primeira mais climática do álbum. É bem popozuda, feita para dar reboladinhas e paradas estratégicas. Miles Away, a quinta faixa, começa com um violão básico e longo, para em seguida se perder. Parece clubber mas não é, parece country mas não é. Parece electro mas não vai. Não é nada. Vai entender. Em She´s Not, a sexta faixa, Madonna é bem Madonna novamente. Noventista. Feita para agradar fãs.
Incredible, sétima faixa do álbum, dá ódio. Lotada de milhões de elementos e intervenções, nem parece que Madonna está cantando. Quer dizer, nem deve estar mesmo, tamanha mudança vocal que os efeitos provocaram em sua voz. A oitava faixa é a melhor. Em Beat goes On, Enfim, a voz de Madonna aparece de verdade. A faixa vazou antes e seu refrão já domina pistas mais antenadas, sinal de que vai fazer sucesso. Apesar disso, a faixa que o álbum traz é diferente daquela que vazou. E melhor. Mais esperta, o refrão super bem feito aparece como continuação das estrofes. Poderia apenas tirar o estilão bling-bling do final. Hip hop demais. Já estamos na segunda metade do álbum e esses YOs já estão irritando. Em Dance 2night, a nona faixa, Madonna volta a apostar nas paradinhas bem marcadas das estrofes com refrão mais melódico. A fórmula dá certo para dançar, mas pouco emociona ao ouvir. Mais uma vez, cansa os YOs no final. Para quê, meu deus!? A décima faixa, Spanish Lesson, é fofa. Dançante sem ser massante. E Madonna canta de verdade, eba. Não é tão boa quanto La Isla Bonita, mas vale a tentativa. A 11a. faixa é Devil Wouldn´t Recogniza You é mais lentinha. Poderia estar no meio do álbum para nos dar um descanso dos YOS malucões. A faixa é legal. Cheia de climinhas e letra esperta.
A última faixa também é legal. Voices tem produção limpa, com teclados bem space disco e bateria monocórdica, que deixam a voz de Madonna andar sem muito dramas.
É um disco bem mais chato que Confessions. O namoro de Madonna com o hip hop é legítimo para o mercado, mas um porre para quem esperava um álbum com novas sonoridades - uma característica marcante da carreira de Madonna. Em Hard Candy os elemnbtos entram sem novidade nenhuma, é para ser apenas comercial e palatável. A inundações de referências e elementos do hip hop deixam a voz de Madonna em segundo plano e chegam a irritar em alguns momentos. Soa bobo. É um trabalho menor dela.
Olhe, a gente gosta pencas de Madonna e tentamos mesmo gostar deste álbum. Mas não deu. De qualquer forma, uma chuva de remixes aparecerão nas próximas semanas. Vão bombar nas pistas e grudar nas nossas cabecinhas. Ah, e tem essa coisa da gente aprender a gostar das músicas dela, né?!