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Cantora, dançarina, coreógrafa, atriz, produtora de filmes e escritora, música, militante política, sexual e religiosa, ícone fashion. Considerada pelo Livro Guiness de Recordes a mulher/artista mais rica de todos os tempos. Tudo isso, por enquanto, não é mesmo? Porque nunca se sabe as surpresas que esta camaleoa leonina nos reserva.
Ela lembra um cornucópio, que os dicionários definem como “um vaso com flores e frutas que dele extravasam profundamente, antigo símbolo de fertilidade, riqueza e abundância”. Nesses tempos da pirataria desvairada, a revista americana Forbes acaba de divulgar que a rainha do pop ganhou - entre junho de 2006 e junho de 2007 - 72 milhões de dólares ou 49 milhões de euros, com turnês, venda de CDs e DVDs e de produtos que levam seu nome, acessórios, roupas e 11 livros infantis que já venderam mais de 7 milhões de exemplares. Seu último trabalho, “Hard Candy” vem recebendo críticas polêmicas, comentários severos, mas, como boa marqueteira, ela vai potencializar as possibilidades. Madonna está em toda parte.
A Persona de Madonna
A palavra Persona significa “expressar-se através de uma máscara”. Máscaras customizadas eram usadas nos primórdios do teatro grego. Cada personagem pré-determinado usava a expressão facial correspondente, usando apenas a voz e o gestual. Algumas máscaras indicavam o destino final do personagem. O psicanalista Karl Jung usou o termo Persona para definir o modo como nos exibimos na comunicação com o mundo, a forma como somos vistos e como nos vemos perante nossos semelhantes. Assim uma espécie de ponte a partir do Ego, porque o molde da persona seria baseado na psiquê coletiva. Como uma capa de super herói, a persona é um sistema de defesa. Jung receou que o Ego consciente poderia se identificar com a máscara supervalorizada, caminhando rápido para se tornar um farrapo da realidade.
Retirada a mascara/persona, a pessoa poderia se tornar um estranho no ninho e, fora dele, refletiria o lado escuro e desconhecido, que o psicanalista denominou “sombra”.
De cantora e baterista de pequena banda desconhecida, Madonna se reinventou como atriz em “Procura-se Susan desesperadamente.” Ontem “Material Girl”, hoje renovada como senhora inglesa respeitável, mãe de famíllia amantíssima, escritora de livros infantis. E a maior divulgadora da Cabala, atraindo milhões que desejam uma iniciação a cada dia. Aqui no Leblon, para dar um exemplo modesto diante da expansão mundial, foi inaugurado em abril um grande centro de estudos cabalísticos, sempre bombando e com fila de espera nas inscrições. Madonna é um fenômeno de intuição e sensibilidade, transcende e consegue transitar por inúmeras personas, saindo de cada uma no momento certo. E do jeito mais raro entre as celebridades - sempre “pra cima”. (lembrem-se da baixaria no rocambolesco lance de nosso futebolista fenomenal).
“Oh mãe, por que você não está aqui comigo?” (da composição “Mother and Father”)
Madonna Louise Veronica Ciccone-Ritchie nasceu em 16 de agosto de 1958, em Rochester, Michigan, primeira dos 3 filhos do primeiro casamento do ítalo-americano Sylvio (Tony) Ciccone, engenheiro da Chrysler/General Motors com Madonna Louise Fortin, franco canadense que morreu de câncer no seio em 1964, deixando enorme buraco emocional na menininha de 6 anos incompletos. Ela falará da mãe em suas composições (Promise to try, Mer Girl et Mother and Father). Elsie Fortin, avó materna, tentou suprir a falta e as duas se tornaram muito próximas.
A educação formal da popstar foi na West Junior High School e na Adams High School ambas em Rochester. Em seguida, na Escola de Dança da Universidade de Michigan, em East Lansing, onde, ao se especializar em dança contemporânea deixou o curso no meio do caminho, causando sérios problemas de relacionamento com o pai.
Será que vou ser uma estrela? (da composição“American Life’)
Aos 19 anos, descontente com o rumo de sua vida, Madonna foi morar em Nova York.
Pela primeira vez deixou Michigan, pela primeira vez fez uma viagem de avião com a cara, a coragem e 36 dólares na bolsa. Fez parte da equipe de bailarinos de Patrick Hernandez (do hit "Born To Be Alive"). Aprendeu a tocar bateria, fez curso de coreografia com Alvin Ailey e de modelo fotográfico, chegando posar nua. Freqüentou a The Factory - agência e estúdio de Andy Warhol - onde conheceu Jean Basquiat, que ficou encantado com a jovem candidata ao estrelato. Basquiat, grafiteiro sempre ligado à musica, que estava presente no seu ambiente de trabalho como pano de fundo, formou uma banda, que teve vida curta mas incrementou o ecletismo de Madonna, que ali mesmo decidiu ser cantora.
A carreira de cantora começou super bem. Em 1983, gravou o primeiro single -”Everybody” - que tocava sem parar nas baladas novaiorquinas. Depois, "Borderline" e "Lucky Star" firmaram o sucesso, tornado-a a queridinha da mídia.
Like a Virgin
O álbum que a consagrou e a tornou ícone, é considerado uma das mais importantes produções da década de 80 e também deve constar com destaque nessa nossa pequena biografia. A fama internacional veio em 1985 com o sucesso de Like a Virgin e os dois hits ali encontrados: "Material Girl" e "Crazy For You”. Eles alavancaram a carreira de atriz. “Procura-se Susan Desesperadamente", foi a primeira aparição no cinema. O terceiro trabalho, True Blue, saiu em 1986 e vendeu mais de 5 milhões de cópias só nos Estados Unidos. Nem o insucesso do segundo filme “Shangai Surprise” abalou a imagem de Madonna. O mais importante foi receber o respeito da crítica sobre seu ecletismo.
O casamento com o ator Sean Penn entre 1985/1989 extinguiu-se entre tapas e beijos e em meio a alguns barracos públicos. Em 1990, cumpriu a enorme turnê Blonde Ambition Tour e lançou a música "Vogue", popularizando nova coreografia nos clubes noturnos. A atuação em Dick Tracy (ao lado de Warren Beaty) e a coletânea “The Immaculate Collection” consolidaram dez anos de sucesso. Madonna voltou às paradas em 1992, com o single "This Used To Be My Playground". No final daquele ano, mais uma explosão na mídia - o álbum “Erotica”, acompanhado do polêmico livro de capa prateada “Sex”, chiquérrimo, repleto de fotos de conteúdo erótico, disputado a tapa (gente, eu ganhei um da divulgação!)
Evita, agenda afetiva e planos
Ninguém melhor para exemplificar a Persona de Jung que Evita Perón. Madonna deve ter estudado bastante a iconografia do Justicialismo peronista. Porque praticamente encarnou a Evita mãe dos pobres e padroeira da nação irmã, no filme ambientado nos anos 50. Ganhou um Globo de Ouro pela interpretação da trilha do fime e engravidou de Lourdes Maria (Lola), filha de seu ex personal trainer Carlos Leon (a menina nasceu em 1996). A antiga agenda afetiva, esquecida no tempo, que continha nomes como Andy Byrd (ator e diretor), Dennis Rodman(jogador de basquete); John Enos (ator) e Warren Beaty (ator) foi deletada. Um hiato de 4 anos e lá vem ela com mais novidades de eletrônica, techno e trip-hop (no album Music) e com a notícia da segunda gravidez. Juntos desde 1999, Madonna e Guy Ritchie, pai de Rocco – segundo filho da cantora - e diretor de cinema estão casados desde 22 de dezembro de 2000 e adotaram, ano passado, David Banda, nascido no Malauí e órfão de mãe.
Ela ganhou dezenas de troféus e todos os símbolos do sucesso no mundo das artes, todo o dinheiro que desejou, está imortalizada em Museu de Cera, trocou o nome para Esther quando mergulhou na Cabala e sua polivalência, com certeza, ainda vai percorrer longas avenidas. Madonna é também uma antiga palavra italiana usada como forma respeitosa de se dirigir a uma dama.