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  Cultura GLS: ENTREVISTA
Gilles Lascar
16/8/2006
Le Boy, 14 anos animando a noite gay carioca
Por Diego Castro


Gilles em seu escritório


Pista da Le Boy

Centenas de clientes passam toda semana pela porta do clube gay Le Boy, em Copacabana. Mas muitos deles não sabem que ali mesmo na entrada encontra-se um profissional autodidata em marketing, publicidade e administração muito bem resolvido com sua vida e sua carreira. É o próprio dono do clube, o francês Gilles Lascar. Ex-soldador quando ainda morava na França, transformou-se em um dos mais conhecidos empresários do pink money brasileiro. Ele é dono da Le Boy, da sauna Le Boy Fitness, do La Girl (para meninas), do Boy Bar e da "Gilles Rio", marca de acessórios, roupas e moda praia que possui loja própria em Ipanema.

Gilles, há quanto tempo existe a Le Boy?
14 anos. Inicialmente ficava na casa ao lado (onde hoje é o clube Bunker). Nessa época, por pouco tempo, chamou-se "The Ball". Depois voltou a ser "Le Boy" e logo mudou para este prédio onde está até hoje. Aqui funcionava um cinema de nome Riviera, que lançava filmes franceses.

A Le Boy é sempre referência de noite gay em jornais e revistas aqui no Brasil, não?
No exterior também. Uma revista francesa deu recentemente uma matéria sobre ‘o francês que comanda a noite gay carioca’ e uma revista portuguesa também falou sobre a Le Boy. Por aqui, uma pesquisa feita com estrangeiros gays que visitam o Brasil, realizada em um jornal de circulação nacional, mostrou que o que eles mais conhecem como referência gay no Brasil é a praia de Ipanema. Logo depois, vem a Le Boy.

Como a Le Boy está na ativa há 14 anos? Qual o segredo?
Muito trabalho e seriedade. Não é só ganhar dinheiro; é trabalhar inteligentemente. Eu sou gay e conheço o gosto do público.

Por que você fica todas as noites na porta da Le Boy recebendo os clientes?
Porque, além de gostar de ficar ali na porta, é uma outra situação, dá mais seriedade; o cliente sabe que está sendo recebido pelo dono. Se eu não ficasse ali não seria a mesma coisa. Os clientes, os conhecidos e uma imensa maioria silenciosa, sabem que estou sempre garantindo a privacidade e a segurança de quem entra na minha casa. Posso ser considerado polêmico por muitos, mas eu resolvo o que precisar ser resolvido da melhor forma para proteger meus clientes.

No seriado americano "Queer As Folk", em determinado momento o clube "Babylon" começa a perder público para outros clubes. Você já sentiu esse impacto?
É curioso, os jornais e revistas falam sempre de clubes gays que abrem e muito raramente publicam que eles fecham algum tempo depois. Fica a impressão para o empresariado que o meio é rentabilíssimo e que há muitas casas. Mas não há. Aliás, a sigla GLS é ruim em diversos âmbitos, neste inclusive. Já recebi um empresário que queria abrir uma casa GLS. Eu perguntei se ele viajaria num avião cheio de gays e ele disse que ‘não’ rapidamente, até com certo desgosto. Então, o que um profissional desses quer fazer com uma boite GLS? Essa sigla mistura tudo e acaba afastando a todos, faz mal ao meio. E a Le Boy é, e sempre será, uma casa gay. Acredito que eu esteja aqui até hoje porque mantive minha identidade.

Recentemente, uma mulher escreveu para um jornal reclamando que sentiu preconceito na Le Boy, que cobra R$ 100,00 de entrada para elas. Como é essa questão?
Eu não tenho nada contra mulheres, adoro mulher. E é até ruim do ponto de vista financeiro/comercial a casa ter esse preço para elas. Mas eu tenho que atender a meus clientes, que são majoritariamente gays. E muitos deles começaram a reclamar da presença maciça de mulheres no clube.

Como a Le Boy consegue estar sempre na mídia?
É complicado fazer publicidade com um público que não pode aparecer, que preza pela discrição. Então, apareço em fotos com amigos e pessoas que podem ser divulgadas. (Kate Moss, Rupert Everett, Vera Fischer, Calvin Klein etc).

Donos de clubes costumam dizer que o público gay é mais tranqüilo; ao contrário do hétero. Você concorda?
O gay é ótimo. É curioso, inteligente, criativo e pacífico. É um ser humano especial. O gay busca sempre ser melhor, quer sempre melhorar. Chega a ser comovente. Ele inventa o que pode para ser uma pessoa melhor. É um excelente público para se lidar.

Certamente você tem milhares de casos interessantes sobre a Le Boy. A Madonna, por exemplo, não ia vir ao clube quando esteve no Brasil?
Sim, ela vinha. Mas foi tamanha a cobertura da imprensa, tanta gente juntou querendo vê-la que ela desistiu. Mas veio o irmão dela (Christopher Ciccone) e vários dos bailarinos do show. As artistas que se apresentaram naquela noite fizeram performances baseadas em números da Madonna e alguns bailarinos dela subiram ao palco para acompanhar dançando. Foi um delírio.

Que outros casos interessantes você pode contar?
O Ricky Martin chegou na porta do clube e teve que ir embora por causa do assédio da imprensa e dos fãs, avisados por um ‘amiga’ dele. Já o Cauby Peixoto declarou pela primeira vez em público que era gay aqui no palco da Le Boy. Muitos outros casos estão no meu livro (Gilles publicou um livro chamado "Bastidores - A Noite Gay" pela Mauad Editora, onde discorre sobre sua vida na França, sua chegada ao Brasil, a abertura da Le Boy e diversos casos).

  




                                



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