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  Cultura GLS: ENTREVISTA
As miguxas estão com tudo
17/8/2006
Gírias das Las Bibas From Vizcaya caem na boca do povo. Podcast, vídeos, novo CD... Elas arrasam!
Foto: Divulgação


Foto: Divulgação


Marisa Touch-Fire e Dolores de Las Dores, as bibas do Las Bibas From Vizcaya, não escondem a satisfação de serem queridas e admiradas em seu país de origem. Também pudera, há quase 10 anos fora do Brasil, elas se transformaram em ícones máximos da irreverência e, com extrema criatividade, lançaram gírias que hoje andam na boca do povo.

Em entrevista ao Mix Brasil, Marisa e Dolores falaram sobre tudo, menos sobre coisas chatas. Multimídia é a palavra de ordem para as duas: além de DJs, são responsáveis pelo podcast mais baixado da internet, que inclusive concorreu ao Podcast Awards, considerado o “Oscar” do podcast. Extra-oficialmente, já lançaram dois CDs: o primeiro, “Periquitophobia”, em 1999, e o segundo, “Beshaslindas”, em 2003.

Oficial mesmo só “The Greatest Mix Collection”, que é uma espécie de “the best” dos dois primeiros CDs juntos, mas com versões e vocais novos. O CD foi lançado por uma gravadora independente da Europa e está sendo distribuído nos Estados Unidos pela gravadora indie CDBaby.

Las Bibas devem vir ao Brasil em novembro para shows em São Paulo e Rio. Enquanto isso não acontece, preparam um novo CD para 2007 e a continuação dos vídeos da trilogia de Heleninha Roitman, que estão disponíveis no You Tube.

Com vocês, as internacionais - e quase virtuais - Las Bibas From Vizcaya:

Qual é a coisa mais divertida para Las Bibas? E a mais chata?
A mais divertida é ver a reação das pessoas ao ouvir uma música nossa, um podcast ou algum vídeo que fizemos. É ainda mais divertido quando eles escrevem ou comentam o que viram ou escutaram. Adoramos! A parte chata são as cobranças por mais e mais e mais. Querem mais de tudo, mais música, mais vídeos, mais podcasts e, claro, querem tudo de graça. Estamos quase nos convertendo em uma legião das Bibas Voluntárias (LBV) ou em um Rolex de corda... (risos).

Como surgiu a idéia do podcast? Sabem me dizer qual é a audiência dele?
Em 2005, o podcast começou a virar febre nos Estados Unidos e quase ninguém no Brasil sabia o que era. Podcast é a rádio do futuro, onde você escolhe o que quer escutar. Então Alisson [o performer Alisson Gothz] comentou: “Por que não fazemos o primeiro podcast brasileiro?” Então eu ainda fui mais longe e disse: “Por que não o primeiro podcast brasileiro e gay?” Na mesma hora nos jogamos no estúdio. Os nossos três primeiros podcasts achamos terríveis porque foram um laboratório pra gente poder se situar e tentar pegar nossa própria identidade em relação a como seriam os outros. Já a partir do número quatro, de 2005, começamos a fazer um podcast de verdade, com super produção, sonoplastia, vinhetas, e no podcast 10 de 2005 o público também começou a mandar seus MP3 e a interagir com a gente. Daí pra cá o podcast vem sendo mais engraçado, mais bem feito, mais dinâmico e mais comprido...

Nossa fama triplicou por causa desses podcasts. Recebemos e-mails de norte a sul do Brasil e também das biluzinhas que moram no exterior. Temos muitos fãs brasileiros que vivem no exterior e o podcast virou uma deliciosa mistura de sotaques e culturas... Nosso servidor vive dando problema pelo excesso de downloads. Apenas sei que temos um limite de 20 gigas de download no iTunes e tempos atrás retiramos os podcasts da nossa página na internet, que tem 100 gigas de bandwitch porque usaram todos em forma de download.

Vocês sabiam que viraram celebridades aqui no Brasil? A que creditam esse sucesso?
Sabemos que muita gente nos conhece, mas celebridade ainda está longe. Ficamos impressionadas como aumenta dia-a-dia o número de e-mail que recebemos de fãs, o número de pessoas novas que entram na nossa comunidade do Orkut. Até um segundo perfil no Orkut tivemos que criar porque o primeiro perfil já esta lotado. Acho que nosso sucesso vem da espontaneidade, vem do falar de coisas coloquiais, de estarmos antenadas com o universo da música, de ir até o pântano quando queremos fazer um podcast “bregolândia” (a verdadeira cara do Brasil e de cada um de nós também), porque todos nós adoramos um brega e sabemos cantar de memória ao menos uma música brega. O sucesso vem da verdade que passamos sem papas na língua...

Em quem - ou em que - vocês buscaram inspiração?
Somos inspiradas na informação, no mistura das décadas, na moda, no cine e, claro, na música que é a nossa área. Temos referências de tudo, desde Silver Convention, Giorgio Moroder, Kraftwerk, Secos e Molhados, cinema pornô italiano dos anos 70, Almodóvar, Dali, Heleninha Roitman, cultura trash, oriental culture... Um coquetel de muita coisa que reflete na nossa personalidade como artista.

Uma curiosidade: já pensaram em dublar, como fizeram com os vídeos de Heleninha Roitman, o filme “Top Gun”? Tem umas cenas bem “homoeróticas” nele...
Nossa, vimos Top Gun no cinema no ano de lançamento, ou seja, há pirulitos de décadas atrás. Já nem lembro! Mas se alguma alma bondosa mandar essas cenas do filme pro nosso e-mail em formato Mpge ou Wmv, podemos estudar o assunto...

Como foram criadas as gírias que vocês usam? “Bjumeliga”, por exemplo, já está na boca de todo o mundo...
Isso é muito comum no Nordeste. Quando éramos pequenas nossa mãe encontrava com as amigas que não se viam há algum tempo em alguma loja e depois de baterem um papo, darem dois beijinhos de despedida, já dobrando a esquina, alguma delas dizia pra outra fazendo sinalzinho de telefone com os dedos junto ao rosto: “Olhaaaaaaaa, me liga, tá?” Muitas gírias nasceram espontaneamente, como a expressão “quero meu ventilador na potência máxima”, que foi um fã de Natal que soltou essa pérola em um dos nossos podcasts sem nenhuma pretensão de se tornar gíria...

Se vierem a São Paulo para shows, que roteirinho de compras e noite pretendem fazer?
De compras, vamos em busca de brechós e coisas alternativas. Gostamos de misturar e tanto pra night quanto para as compras, nada melhor que a companhia das nossas biluzinhas queridas Alisson Gothz, Drispaca e Moally que vivem em São Paulo.

Como está estruturado o trabalho que vocês fazem aí na Espanha? Vocês têm noite fixa ou se apresentam esporadicamente?
Aqui tocamos como DJs sem noites fixas porque não podemos nos comprometer com os clubes por um período longo devido ao nosso trabalho de dia e ao nosso trabalho com os podcasts, vídeos e em estúdio.... Mas sempre tocamos duas, três vezes por mês em clubes ou em afters...

Las Bibas sobrevivem somente de shows ou de algo mais? Quem são as Bibas fora da noite?
Sobrevivemos do nosso trabalho diário. Está tudo lá no podcast 19 e 20 sobre as nossas vidas, aqui mesmo no Mix... Somos pessoas normais, com conta de telefone pra pagar e supermercado pra fazer. Esperamos dentro de pouco apenas nos dedicarmos à música, que é a nossa verdadeira paixão. E aos podcasts e aos vídeos loucos que fazemos...

Com músicas tipo “Beshalinda” ou “Toda Cagada”, dá para levar a vida a sério?
“Beshalinda” até dá pra se levar a sério. Se você analisar a letra é um chamado à auto-estima de todas as bees, lindas ou não tão lindas. Todas temos beleza, só precisamos encontrá-la e explorá-la dentro de nós. Acho que a auto-estima das bees de hoje em dia se resume muito às academias e à quantidade de aminoácidos que elas tomam. E a coisa não é bem por aí... Já “Toda Cagada” é pra rir mesmo! É uma letra puramente surrealista, com toques de poesia digestiva! (risos).

Vocês fazem um som com sotaque bem brasileiro e essencialmente gay. Essa mistura democrática consegue atingir, por exemplo, os héteros?
Sim! Mais do que pensávamos e, sobretudo, as mulheres héteros, as “bibasgirls”, como chamamos... Não sei se foi o mundo que evoluiu e caíram preconceitos ou se é porque ser gay está em moda mais do que nunca. Prefiro acreditar na primeira opção...

Respondam sinceramente: com todo o sucesso que vocês fazem aí na Espanha, dá vontade de voltar para o Brasil?
Dá vontade de fazer show, se apresentar, rever amigos e ver a família... Mas voltar de vez não! São quase 10 anos fora do Brasil, impossível voltar a se acostumar com um país tão inseguro e corrupto.

O que vocês estão fazendo atualmente? O que podemos esperar mais das LBFV?
Já temos um CD novo quase prontinho no estúdio, mas isso é pra 2007. Estamos também trabalhando com a cantora Roxxy Bione que vive em Berlim, gravamos um música juntas “My Diddle”, que você pode ouvir tanto no nosso My Space, como no My Space da Roxxy. Temos planos de gravar um EP juntas antes do final do ano, e se tudo der certo, lançar na Alemanha. Esse ano ainda queremos lançar o single de “Orgásmica - Remixes”, que deve rolar antes do final do ano se tudo andar bem. Vem por aí o final da trilogia do vídeo da Heleninha Roitman, os podcast seguem aqui no Mix e também no iTunes. Ou seja, não paramos! E também contamos em ir ao Brasil em novembro próximo para nos apresentarmos com shows ao vivo em São Paulo, Rio e onde mais nos convidarem! Bjus e me liguem!

Links indispensáveis para conhecer um pouco mais sobre as LBFV:
 
:: LBFV Web: http://www.lasbibasfromvizcaya.com
:: LBFV Cd:
http://cdbaby.com/cd/lbvizcaya
:: LBFV My Space:
http://www.myspace.com/lbfv
:: LBFV Videos:
http://www.youtube.com/profile?user=LasBibas
:: LBFV Podcasts: http://lasbibasfromvizcaya.podomatic.com/
:: LBFV Fotolog:
http://www.fotolog.com/vizcayaland/
:: LBFV Blog:
http://lasbibas.zip.net/
:: LBFV Mix Brasil:
http://mixbrasil.uol.com.br/mp/radio.shtml
:: LBFV Orkut I:
http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=17463120768272412157
:: LBFV Orkut II:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16211906141655427648
:: LBFV Comunidade: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2184454
:: LBFV Trama:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=29918
:: LBFV Itunes Podcasts:
http://lasbibasfromvizcaya.podOmatic.com/rss2.xml
:: LBFV Itunes CD:
http://phobos.apple.com/WebObjects/MZStore.woa/wa/viewAlbum?playListId=148174695
:: LBFV e-mail:
meucu2000@yahoo.com.br

        





LEIA OS COMENTÁRIOS

30/8/2006 13:32:36 - J. AL (natasha_racha@hotmail.com)
Ei bonita! A gíria vetilador na potênicia máxima é de minha tutoria, que dizer de todas nós, mas eu não sou de Natal e sim de Caicó/RN, beijos e me liguem...
18/8/2006 17:13:23 - Marco (markhito@gmail.com)
O sotaque incomparável; a diversão inigualável, o Greatest Mix bom demais! Arrisque a colocá-lo numa festa para ver a reação das pessoas, se divertem e dançam. E os podcasts? Já gravei uns 20 Cds de mp3 com os podcasts das Bibas para dar a amigos... resultado: seguem mais felizes e adorando o trabalho delas! Descobrei LBFV por acaso. Uma vez estava ouvindo o CD do Zé Pedro, a faixa com o remix da Bethânia, e um amigo disse, eu sei que é a diva, mas parece com LBFV. Então perguntei quem eram estas... fui à net e fucei o que pude para descobrir o mundo das peças de brechó, fundamentais! Bem, espero que elas venham ao Brasil o mais rápido possível e que venham a Belo Horizonte também. Vou torcer por isto! Beijos
18/8/2006 16:19:01 - Karim (koliveira@yahoo.com)
Moro em Londres ha 11 anos. DEscobri LBFV ha uns tres meses no you tube com vale tudo fia. Quando HElena fala que se cagou no maio eu quase tive um ataque. Sofro de depressao e LBFV sao um grande remedio pra mim. Ja comprei o greatest hits e bilus facam o mesmo porque as musicas sao engracadas e muito boas tambem. MEncao especial para bate cabelo. batecabatecabatecabelo. Bjumeliga.
18/8/2006 14:36:02 - rick (rick.dourado@hotmail.com)
putz.... elas moram fora mesmo?????!!!!!!....é sério........!!!tipo...... conheci as lbfv á uns 2 meses, no site do glx, muito sem querer..desde então...........ouço todos os dias........fiz pesquisas sobre elas e seus trabalhos.......a cada fuçada que eu dou, sempre encontro mais novidades, ...........é podcast, vídeos, fotos........sites..............é é isso que me facina, elas são ÚNICAS!!! num dos podcasts, que a madame KC foi abduzida..........enquanto rolava a história, fui viajando, e imaginando todo o cenário que se falava na história, e até hj, o ry-bay de 200m de altura e á katia loira não saem da minha cabeça....!!!! meu......se eu for falar aqui do trabalho dessas duas pessoas, ficarei horas.....mas só quero dizer que vcs são fodas! muito boas......e continuem assim..........melhorando sempre! quero conhecer vcs pessoalemente ainda!!!! falow! rick
18/8/2006 08:29:02 - fábio (corpoprecario@yahoo.com.br)
Marisa e Dolores são insubstituíveis. Todas as bilus da comunidade amam horrores essas duas ninfetas. Eu babo com a criatividade, a inteligência, o humor, o sotaque pernambucano mieo espanholado das duas. Sempre digo que elas vieram pra ficar, pra fechar. A todas as pessoas a quem apresentei as LBFV foi amor à primeira vista, já levei p/ o trabalho - ong, levarei tb, junto com uma amiga, pra sala de aula, pois queremos mostrar o q eh um podcast e falar muiiiiiiiiiito de diversidade (precisamos so escolher o mais adequado). LBFV são descoladissimas em termos de música, têm total propriedade no que falam... Que mais? E elas fazem isso por amor, pois elas não ganham nennhum centavo pelo tempo q perdem na criação do texto à utilização de suas vozes nos programinhas. Desejo sucesso e uma apresentação aqui em Salvador, nós merecemos. Beijos. Nos vemos na comunidade. Beijo e me liga!


                                



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