
Organizados |
13/9/2006 |
Foto: Divulgação![]() Eric Hegedus |
Desde 1990, gays e lésbicas nos Estados Unidos contam com uma organização profissional que representa seus direitos. A National Lesbian & Gay Journalists Association (NLGJA) reúne jornalistas, profissionais da mídia em geral, educadores e estudantes com o objetivo de zelar por uma cobertura correta e cuidadosa de questões que envolvem a comunidade GLBT.
“Promovemos uma variedade de estratégias, incluindo programas que oferecem discussões acerca da cobertura GLBT e de nosso papel como fonte nas redações. Nossos membros são jornalistas, educadores, estudantes e profissionais da mídia, a quem também oferecemos treinamento de desenvolvimento profissional”, explica Eric Hegedus, presidente da NLGJA.
Atualmente, a NLGJA possui 1400 membros e conta com afiliações nos EUA, Canadá e Alemanha. Questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção, gays no serviço militar, educação sexual nas escolas, entre outras, são freqüentemente monitoradas pela associação.
Na semana passada, a NLGJA promoveu uma conferência em Miami, que reuniu profissionais especializados, educadores e estudantes de comunicação. Segundo Hegedus, o evento ofereceu aos participantes a oportunidade de “aprender sobre uma variedade de assuntos, desde mudanças nas estruturas dos jornais às dificuldades em ser um âncora de TV assumido, das mudanças da cobertura política ao aumento da importância da cobertura dos veículos de língua espanhola.”
Durante uma semana, foram organizados diversos seminários e mostras de vídeo. “É uma maneira fantástica de não apenas aprender sobre as mudanças constantes da indústria da notícia, mas também de conversar pessoalmente com jornalistas de destaque”, observa o presidente da associação.
A NLGJA surgiu a partir de uma pesquisa sobre gays e lésbicas nas redações, coordenada pelo editor executivo do periódico Oakland Tribune, Leroy (Roy) Aarons. Em 1990, motivados pelo estudo, a comunidade GLBT americana expressou o desejo de criar uma organização profissional. Foi então que Roy reuniu outros seis jornalistas para fundar a NLGJA. Em 1991, a associação ganhou o status atual e começou a reunir profissionais de todas as partes dos EUA.
Uma das principais atividades da NLGJA é editar a “Outlook”, publicação quinzenal com tiragem de 3500 exemplares que aborda questões relativas ao ambiente de trabalho, tais como os benefícios que uma empresa oferece aos seus funcionários e respectivos parceiros.
Outra importante iniciativa da associação é o Newsroom Outreach Program (NOP), cujo objetivo é enviar membros e diretores da NLGJA para visitar redações em todo o país e com isso favorecer a discussão da cobertura jornalística praticada pelos principais veículos. “Depois de realizar dezenas de visitas, descobrimos que enquanto algumas questões podem ser universais – como a própria terminologia jornalística – duas redações não são necessariamente iguais”, conta Hegedus.
Além do NOP, a associação promove todos os anos o Prêmio de Excelência em Jornalismo, que homenageia os jornalistas que mais se destacaram na cobertura de questões do segmento no ano anterior.
Para Hegedus, a NLGJA se destaca por dois motivos: por funcionar como fonte para jornalistas e por oferecer um espaço democrático, que estimule esses profissionais a assumirem sua homossexualidade em seu ambiente de trabalho ou até mesmo publicamente.
Aliás, a discriminação contra jornalistas homossexuais é uma questão que preocupa a NLGJA. Segundo Hegedus, pesquisa realizada pela associação em 2000 indicou que enquanto a grande maioria dos entrevistados (92%) disse que o fato de ser assumido no trabalho não causaria nenhum problema, “ofensas verbais ainda são ouvidas nas redações em alta escala”. “Não há soluções prontas para acabar com a discriminação. Mas eu acho que a educação – e a ‘saída do armário’ – são os melhores caminhos para combater o problema”, opina Hegedus.
Saiba mais sobre a NLGJA acessando o site oficial.