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Auto-sustentabilidade |
23/2/2007 |
![]() O casal Ivan e Bete Dolabella, moradores do espaço |
O Mix foi visitar o Espaço Impróprio, uma mistura de centro cultural com habitat auto-sustentável, localizado na região da Rua Augusta em São Paulo. Nele, um grupo de 7 pessoas vivem e trabalham no local numa espécie de comunidade alternativa. O Espaço abriga festas e festivais alternativos, além de exposições de jovens artistas. Andreza Poitena, uma das integrantes do grupo, conversou com a gente e conta mais detalhes do projeto.
Como surgiu a idéia de montar esse espaço?
Nós morávamos todos em Belo Horizonte, onde eu e mais 3 integrantes do projeto atual tínhamos uma banda, a "Retórica". Nós vivíamos numa casa e nos sustentávamos somente através da banda, com o dinheiro adquirido nos shows e com a venda de CDs que nós mesmos produzíamos. Mas a gente queria expandir o projeto, ir além da banda, fazer algo maior, mas sempre pensando na auto-sustentabilidade. A partir daí, surgiu a idéia de mudarmos para São Paulo, já que acreditamos que o nosso projeto será melhor entendido e aceito aqui. Então nos juntamos com os outros 3 integrantes e montamos esse espaço há 3 anos. A idéia é de criarmos uma sociedade própria, onde possamos nos sentir livres para sermos nós mesmos e trabalhar com o que gostamos.
Cada um tem uma função, um trabalho específico dentro do projeto?
Sim, cada um dos integrantes é responsável por um projeto independente dentro da casa, mas ao mesmo tempo, todos participam de um "fundo coletivo", em prol de todos.
E foram vocês mesmos que construíram o espaço?
Fomos nós, tudo a partir de material reciclado, que recolhemos no lixo. Nós fizemos o teto, o banheiro, estamos inventando nosso próprio sistema de ventilação, enfim, a idéia é essa mesmo, a gente construir o nosso próprio espaço, dependendo o mínimo possível de material que tenha sido comprado.
O que o espaço oferece?
Bom, nós temos uma lanchonete, um bar, um espaço para shows, oficinas e exposição de vídeos e estamos terminando um estúdio de gravação. E na parte de cima fica a nossa casa.
Vocês são adeptos da culinária Vegan, não é?
Sim, todos somos adeptos da alimentação Vegan, que é mais radical do que a Vegetariana, já que além de carne e peixe, nós não comemos alimentos derivados do leite, ou seja, nenhum alimento de origem animal. Na nossa lanchonete também, todos os alimentos são de origem vegetal.
Que tipos de eventos acontecem aqui?
Bom, nós temos palestras com temas sociais e políticos, como o anarquismo, a homossexualidade, sempre com assuntos que façam as pessoas repensarem a sua forma de viver. Temos as oficinas, que vão desde rádio livre e software livre até oficinas de bicicleta, já que nós pregamos contra os carros nas ruas. Também acontecem shows de bandas e várias festas todos os finais de semana.
Qual o público frequentador?
Ah, tem de tudo, gays, o pessoal do hardcore, até boyzinho, paty, principalmente nas baladas, isso aqui vira uma mistureba de gente, o que pra nós é muito bacana, porque a gente quer fugir dos guetos, quanto mais pessoas diferentes conhecerem a nossa filosofia e pararem para pensar um pouco nisso, pra gente é melhor. A gente quer interagir com o público para mostrar o nosso outro jeito de viver.
E com oa relação de vocês com gays?
É ótima, nós temos uma super afinidade com eles, somos mente aberta total, não temos nenhum tipo de preconceito, inclusive aqui na casa existem gays.
Como é o relacionamento entre vocês aqui na casa?
Bom, nós temos um casal mais velho que mora aqui e tem um filho da nossa idade e daí somos em mais 3 meninas e 1 menino, todos na faixa dos 25 anos. Como somos a favor do relacionamento aberto, mesmo que haja algum tipo de relação mais íntima entre nós aqui na casa, cada um pode se relacionar com quem quiser, sem problema algum.
E como é que vocês vêem a questão dos gays hoje no Brasil?
Bom, eu acredito que apesar de ter melhorado, ainda existe muito preconceito. Os gays acabam se reunindo em guetos para ficarem mais a vontade e também de certa forma, com nós, criando uma sociedade a parte. Hoje em dia, temos visto muitos casos de ataques dos skinheads e grupos semelhantes, me deixando muita assustada e triste. Acho que muitas coisas tem ser feitas para melhorar essa situação, mas infelizmente vivemos numa sociedade extremamente moralista e machista.
Vocês promovem algum tipo de evento gratuito?
Sim, a cada dois meses promovemos a "Ação Anticultural", onde temos um dia inteiro com exposições, teatro, oficinas, palestras e shows gratuitos.
Vocês planejam fazer mais algum tipo de ação aqui no espaço?
Acho que dentro de 3 meses nós abriremos uma biblioteca, com livros de caráter mais político e um cybercafé. Ambos serão totalmente gratuitos para o público.
E a longo prazo, o que vocês planejam para essa "comunidade" que criaram?
Nossa intenção é de comprar um sítio e montar um sistema de "Permacultura", que consiste em um habitat totalmente auto-sustentável. Utilizando da energia solar, da plantação de nossos próprios alimentos, da reciclagem da água, enfim, sem ter que depender de absolutamente nada que venha de fora. Realizar isso nesta casa, em um ambiente urbano, é complicado, quase impossível, então, no futuro, nossa idéia é essa. E claro, continuarmos aqui com o centro cultural, ou talvez, transferi-lo para lá.
Quem quiser conhecer o Espaço Impróprio, ele fica na Rua Dona Antônia de Queirós, 40, uma travessa da Augusta. A lanchonete abre todos os dias à partir das 14h até às 22h. O bar abre de quinta a domingo, a partir das 18h até o último cliente. E de quinta a domingo, rolam os eventos, shows e festas. Vale a pena conferir.
Abaixo algumas fotos do espaço
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