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  Cultura GLS: LANÇAMENTOS
Sessão Doméstica
2/8/2007
Christian Petermann analisa principais lançamentos de interesse gay em DVD nos últimos meses
Foto: Reprodução


Correndo com Tesouras
Foto: Reprodução


Queer Duck
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Últimos Dias

Caso o próximo fim-de-semana se insira novamente entre os mais frios das duas últimas décadas, uma dica de DVD não é nada dispensável. As distribuidoras lançaram, nos três últimos meses, seis títulos homo-afetivos, homo-eróticos e/ou homo-sensíveis. Veja ou reveja o(s) de sua preferência – e vá entender as classificações indicativas!:

CORRENDO COM TESOURAS (Running with Scissors, EUA/2006, 122 min.)
Annette Bening foi indicada ao Globo de Ouro como melhor atriz em comédia/musical por esta “dramédia”; mesmo assim, o filme não foi lançado nos cinemas brasileiros. A única vantagem é que, desta forma, nosso primeiro contato com o mesmo é com sua versão para DVD, com seis minutos a mais. E estes fazem diferença, pois o filme é bem ousado para uma produtora “major B” como a TriStar Pictures, ligada à Sony. Escrito, produzido e dirigido por Ryan Murphy, o filme baseia-se nas memórias do protagonista Augusten Burroughs, aqui em sua adolescência. Murphy é um estreante que também dirigiu oito episódios de “Nip/Tuck”. O mesmo tipo de humor negro, ácido e gay da série está presente aqui. Em 1979, Augusten (o ótimo Joseph Cross, coadjuvante em “A Conquista da Honra”), aos 14 anos, é abandonado por sua mãe recém-divorciada, Deirdre (Bening). Ela se acredita uma poetisa à beira do estrelato, aventura-se em sua primeira relação lésbica e entrega a custódia do filho ao seu psiquiatra, dr. Finch (Brian Cox), de métodos pouco convencionais. Finch tem como filho adotivo e protegido o instável Neil Bookman (Joseph Fiennes, de “Shakespeare Apaixonado”), que terá uma relação amorosa e sexual com Augusten. Que tal a trama? Esta crônica afetivo-familiar disfuncional ao extremo conta com elenco ímpar, que ainda inclui Alec Baldwin como o pai divorciado e negligente, a veterana Jill Clayburgh como a mulher submissa de Finch, a talentosa Evan Rachel Wood (“Aos Treze”) e Gwyneth Paltrow como as filhas do casal, sendo a primeira rebelde e a segunda religiosa. Co-produzido por Brad Pitt, o filme tem delicioso sabor de época, um humor afiadíssimo e umas tantas outras qualidades, como o uso da canção “The Year of the Cat”, de Al Stewart. Era 1979.
Classificação indicativa: 14 anos (consumo de drogas lícitas, agressão física e linguagem obscena e depreciativa)
Extras: três documentários com legendas

MEUS QUINZE ANOS (Quinceañera, EUA/2006, 90 min.)
A dupla de diretores e roteiristas Richard Glatzer & Wash Westmoreland, que em 2001 nos ofereceu o erótico e abusado “The Fluffer”, sobre a indústria pornô, volta à ativa nesta crônica de “coming of age”, entrada na pós-adolescência. Ambientado em Echo Park, em Los Angeles, o foco central é Magdalena (Emily Rios), que quer uma festa luxuosa de 15 anos (a quinceañera), assim como teve sua prima. O problema é que ela engravidou – e jura que é virgem! Ao ser expulsa de casa pelo pai conservador, ela vai morar com o tio-avô, Tomas (Chalo González), que também abriga seu primo Carlos (o novato Jesse Garcia), com quem nunca se deu. Carlos vive em encrencas e experimenta sua primeira paixão homossexual com um dos proprietários do terreno em que se localiza a casa de Tomas. Com o tempo, os três constituem uma família diferente. As locações ficam nas vizinhanças da casa que Glatzer & Westmoreland dividem, e a comunidade ajudou com cenários e figurinos reais e figurações. Tio Tomas é inspirado num tio-avô de Westmoreland. Co-produzido por Todd Haynes (Longe do Paraíso; Velvet Goldmine; Veneno), o filme foi um dos grandes vencedores do prestigiado festival de Sundance 2006, onde conquistou o grande prêmio do júri e o prêmio do público na categoria dramática. Inédito nos cinemas brasileiros.
Classificação indicativa: 16 anos (linguagem depreciativa, sexo e consumo de drogas)
Extras sem legendas: comentário dos realizadores e elenco, making of, clipe musical e um documentário

LIVRANDO A CARA (Saving Face, EUA/2004, 97 min.)
Filme encantador, com frase publicitária que já diz tudo: “Uma comédia romântica sobre o certo, o errado e tudo que está no meio.” Ambientado em Manhattan, o filme é centrado na médica Wil (a bela Michelle Krusiec), que namora a jovem e sexy Viv (a estreante Lynn Chen). Num certo dia, sua mãe, a viúva Hwei-lan Gao (Joan Chen, de “O Último Imperador” e “Twin Peaks”), 48 anos, aparece grávida à sua porta, recém-expulsa da casa do pai. Para limpar seu nome junto à comunidade sino-americana, que a rejeitaria por não ser casada, a filha lhe ajuda a encontrar um parceiro. É hora, então, de a mãe também descobrir uma outra verdade. Escrito e dirigido pela estreante Alice Wu, o filme tem forte levada autobiográfica. Na trilha sonora, Cat Power tocando Lou Reed (“I Found a Reason”) e uma canção de Francis Hime e João Victorio (“Mar Azul”). Inédito nos cinemas brasileiros.
Classificação indicativa: 18 anos (sexo, nudez e linguagem obscena)
Extras com legendas: comentário da diretora, cenas excluídas, nos bastidores e Diário de Sundance

ÚLTIMOS DIAS (Gus Van Sant’s Last Days, EUA/2005, 97 min.)
O realizador Gus van Sant ainda está em cartaz com o belo episódio “Le Marais”, de “Paris, Te Amo” (também comentado por este crítico para o Mix Brasil). A inclusão de seu nome no título original já indica se tratar de um filme muito pessoal. E bota pessoal nisso! É tão experimental e desprovido de crescendo dramático quanto “Gerry” (2002). Neste, contudo, havia dois “personagens” (os co-roteiristas Matt Damon e Casey Affleck) que, enquanto andavam sem parar, ao menos às vezes trocaram diálogos extensos. O protagonista de Últimos Dias, notoriamente inspirado em Kurt Cobain às vésperas da overdose fatal, apenas murmura, mal articula palavras. Cambaleante e em eterna trip interior, Blake é interpretado pelo loiro Michael Pitt, que começou como coadjuvante dançando em “Studio 54” e já interpretou inúmeros papéis homo-tendenciosos, em maior ou menor grau, como em “Bully”, de Larry Clark; na obra-prima “Hedwig – Rock, Amor e Traição”, de John Cameron Mitchell; no thriller “Cálculo Mortal”, de Barbet Schroeder – ao lado do talentosíssimo Ryan Gosling; e em “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci. Nada mal! Aqui, de cabelo sobre o rosto, desleixado e em performance junkie, a viagem é outra. E Van Sant sugere um filme que é de fato uma trip, com tomadas longas, ritmo lento e enquadramentos elegantes. Não à toa, conquistou o grande prêmio técnico para desenho sonoro (Leslie Shatz) no festival de Cannes 2005 e foi indicado ao Independent Spirit Award 2006 para fotografia (Harris Savides). Lembra um tanto “Zabriskie Point” (69), do recém-falecido mestre italiano Michelangelo Antonioni – assim como “Gerry” também. Não é para todos. Ainda no elenco, a musa trasheira Asia Argento, que realizou “Maldito Coração”, em cima de contos da farsa J.T. LeRoy; e Lukas Haas, aquele menino de “A Testemunha” (85), com Harrison Ford, agora numa tórrida cena gay. Inédito nos cinemas brasileiros.
Classificação indicativa: 16 anos (linguagem obscena, contexto sexual e consumo de drogas ilícitas)
Extras: cenas excluídas, making of, no set de filmagem e videoclipe

QUEER DUCK – O FILME (Queer Duck, EUA/2006, 72 min.)
Longa-metragem que tem origem na série homônima de curtas para TV a cabo (Icebox), criada e coordenada em 1999 por Mike Reiss (um dos escritores originais de “Os Simpsons” e “O Crítico”), aqui roteirista e co-produtor. O protagonista, o pato gay e judeu Seymour Duckstein, separa-se do namorado, envolve-se com outro e cai na noite, onde o mundo animal vive uma bicharada jogada e assumidíssima, como o Urso Bipolar, Oscar Wildcat e Croco-Biba. Com muito humor e números musicais (com libretos de Reiss), é um desenho colorido e muito afetado. Entre as vozes originais, as de David Duchovny, o eterno agente Mulder, como Tiny Jesus; Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker e voz do Coringa no “Batman” em desenho; Tim Curry, de “Rocky Horror Picture Show”; e o apresentador Conan O’Brien. O crítico aqui não teve muita paciência para o geral, mas outros terão! Feito originalmente para home entertainment.
Classificação indicativa: 18 anos (consumo de drogas, linguagem erótica e obscena, insinuação de sexo e gestos obscenos)
Extras: fartos, com destaque para alguns curtas originais e para o doc “Como Encontrar um Parceiro se Você For Bi... Volt”

A CONCEPÇÃO (Brasil/2005, 96 min.)
Este crítico já comentou esse filme brasiliense em entrevista com o lindo ator Juliano Cazarré para o Mix Brasil; chega agora ao DVD. Escrito e dirigido por José Eduardo Belmonte, o longa sugere um grupo de pessoas que se reúne queimando o R.G., cortando qualquer vínculo com a oficialidade e sendo uma pessoa diferente a cada dia. O manifesto da Concepção pretende libertar o ser humano. Nessa total dissolução dos parâmetros sociais, todos também são de todos. Neste sentido, há cenas calientes, inclusive de trenzinho, entre Cazarré e os atores Milhem Cortaz (“Carandiru”) e Matheus Nachtergaele, que faz X, o guru do movimento. E se for a praia do espectador, pode-se ver várias vezes a nudez total do ator do Distrito Federal Murilo Grossi, sempre em desabalada correria. Ainda no elenco, a bela Rosanne Holland, agora na novela das sete da Globo, como barwoman. Vale conferir esta obra inventiva, autoral, sexy e descontrolada, mesmo que seja para odiar. No festival de Brasília 2005 conquistou os Candangos de edição (Belmonte e Paulo Sacramento) e trilha sonora (Zé Pedro Gollo), e no de Cuiabá 2006 o Coxiponé de direção de arte (Akira Goto).
Classificação indicativa: 18 anos (consumo de drogas ilícitas, linguagem obscena, nudez e relação sexual).
Extras: trilha de áudio; comentários do diretor; o Manifesto Concepcionista; cenas excluídas; making of e trailer.

 




                                



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