
Vida dura Não é Mole |
14/5/2008 |
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O preconceito contra homossexuais e os malabarismos que eles têm que fazer para se integrarem à sociedade é um dos temas discutidos na peça “Vida Dura não é Mole”, que estréia nesta quarta-feira, 15, às 21h no Teatro Augusta. No espetáculo, o personagem gay Cacá divide uma kitnet com sua amiga Lili e é obrigado todos os dias a manter a pose de machão para continuar no emprego.
Cacá procurava emprego, mas não encontrava por causa de seu jeito rosa de ser. Pela indicação de um amigo, ele consegue entrar em uma empresa, mas precisa manter a falsa pose de heterossexual diante de seus chefes, fato comum em um mundo ainda cheio de preconceitos. Com o passar do tempo, ele começa a ficar cansado dessa falsa identidade e vê ainda mais a necessidade de lutar contra o preconceito.
Segundo a autora e produtora da peça, Dêlla Martins, um dos objetivos de “Vida Dura...” é justamente mostrar que os homossexuais podem ocupar posições importantes e devem ser respeitados por isso. “Todo mundo acha que o gay tem só duas profissões: ou é cabeleireiro ou é maquiador, e isso não é verdade”, ressalta, completando que o tom da crítica do texto é leve e diluído pelas piadas sobre fatos cotidianos.
A mensagem de prevenção a DSTs também está presente no espetáculo. Como Lili divide a casa, a vida e as preocupações com seu amigo Cacá, quando ele sai para a balada sempre é lembrado por ela para levar camisinhas e fugir “das doenças horrorosas que se pode pegar por aí”. A peça lembra ainda ao público que os preservativos são distribuídos gratuitamente nas unidades públicas de saúde, ou seja, nada de dizer que não tem camisinha porque não tem dinheiro para comprar.
A história ganha mais dramaticidade quando a dupla decide acolher Jonas, um rapaz recém chegado do interior e que sonha em se dar bem na cidade grande. Depois de ficar sem dinheiro e tentar assaltar a kitnet de Cacá e Lili, Jonas conta sua história de vida aos amigos e consegue afastar o preconceito por ser pobre, ganhando o respeito e amizade deles, valores tão necessários nos dias de hoje. “Queremos mostrar que ter preconceito é ruim”, resume a autora.
No elenco, Thiago Lopes, Mariza Marchetti, Eduardo Guimarães e Jack Militello, que estão ensaiando há dois meses sob a direção de Sebastião Apollônio. A peça fica em cartaz até o dia 19 de julho, às quartas e quintas, às 21 horas.
Teatro Augusta: Rua Augusta, 943 – Cerqueira César
Telefone: (11) 3151-4141