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Dramática |
21/8/2006 |
Foto: Divulgação![]() "O Anjo do Pavilhão Cinco", primeira parte do projeto "Bárbara" |
Foto: Divulgação![]() "O Assalto", outra montagem do Teatro Oficina |
O Mix Brasil e a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) da Prefeitura de São Paulo promovem entre os dias 29/8 e 1/9, no Centro Cultural São Paulo, o Dramática – 1º Ciclo de Leituras Teatrais sobre homoerotismo e sexualidade.
Com curadoria do diretor do Mix Brasil, André Fischer, e do jornalista Ferdinando Martins, o programa contempla textos que lidam com a diversidade sexual e discutem, sob diferentes vieses, o relacionamento humano face às escolhas impostas pela existência.
Segundo Martins, a programação foi pensada a partir de textos que, em breve, estarão nos palcos, mas que ainda são pouco conhecidos do público. “'Santidade', que abre o ciclo, foi proibido pelo governo militar e, desde então, teve apenas uma montagem. Segundo o Zé Celso, o Zé Vicente, autor do 'Santidade', é uma síntese do que foi a Tropicália. Eu o considero uma mistura de referências e uma afirmação das contradições do brasileiro: sempre buscando dar um jeito para a vida, tentando ser feliz e desenvolvendo uma sexualidade extremamente fluida”, defende o jornalista.
Por coincidência, não há nenhum texto com proposta eminentemente política. “São dramas que mostram a dificuldade de comunicação, inerente a qualquer relacionamento humano, mas que, entre gays, torna-se ainda mais difícil por conta do preconceito e da própria falta de auto-conhecimento dos sujeitos. Outro laço que une os textos é a relação dos homens com a cidade de São Paulo, tão cruel e ao mesmo tempo tão acolhedora”, explica Martins.
Além de Zé Vicente, há outros autores que também contribuíram para a dramaturgia gay brasileira contemporânea. “Mário Viana, por exemplo, com Cine Bijou, continua, de certa forma, a proposta de seu premiado Galeria Metrópole. Ele recupera parte de uma região de São Paulo, a Praça Roosevelt antes de Os Satyros, e destaca o relacionamento dos homens com os espaços urbanos. O Sérgio Roveri, por sua vez, traz indivíduos que tentam ser felizes, apesar de se arriscarem em comportamentos suicidas. Já João Fábio Cabral mostra pessoas solitárias em busca de algum conforto emocional. São gays, lésbicas e bis que tentam, sem sucesso, manter relações”, diz.
Confira, abaixo, a programação completa. O evento acontece das 19h30 às 21h30.
29/8
SANTIDADE, de José Vicente. Direção: Marcelo Drummond. Com José Celso Martinez Corrêa, Fransérgio Araújo e Haroldo Costa Ferrari.
Para a noite de estréia, José Celso Martinez Corrêa e atores do Teatro Oficina lêem Santidade, de José Vicente. Esta é a primeira vez que Marcelo Drummond dirige Zé Celso. A peça conta a história de um ex-seminarista sustentado por um homossexual mais velho e afeminado. Santidade foi proibida pelo governo Costa e Silva, que disse que “um texto tão pernicioso jamais seria encenado no Brasil”. Segundo Zé Celso, José Vicente é um autor emblemático da Tropicália e precisa ser resgatado para o grande público. Do mesmo autor, o Teatro Oficina já encenou O assalto, cuja montagem com Haroldo e Fransérgio já foi apresentada na França e na Alemanha. Santidade trata de questões ligadas a sexualidade, religião e diferenças sociais.
30/8
CINE BIJOU, de Mario Viana. Roteiro Cinematográfico: Diomédio Artemis Piskator. Direção: Sebastião Apolônio. Com Carlos Meceni, Fagner Pavan, Alessandra Cavagna e Roberto Francisco.
Cine Bijou é uma história curta que mostra a decadência de um cinema de arte na Praça Roosevelt, região central de São Paulo. Para ganhar alguns trocados, o zelador do Cine Bijou deixa gays e michês usarem o cinema para encontros sexuais. O texto segue a linha de Galeria Metrópole, texto premiado de Mário Viana sobre outro espaço de São Paulo degradado pelo tempo, no caso uma galeria que nos anos de 1960 era freqüentada por gays, artistas e intelectuais.
31/8
ABRE AS ASAS SOBRE NÓS, de Sérgio Roveri. Direção: Luiz Valcazaras. Com André Fusko, Emerson Rossini, Walmir Pinto, Rodrigo Gaion.
A partir do conto “Bárbara”, de Drauzio Varella, Sergio Roveri escreveu “Abre as Asas Sobre Nós”, uma história que poderia se situar no período anterior à prisão dos personagens do conto. Ao fazer um retrato poético e dolorido da solidão e das relações que unem os personagens Bárbara, Xale, Paulo Preto e Galega, o texto também cria um mistério que irá se resolver no último segundo, num desfecho dramático. Esta é a segunda peça do projeto Bárbara ao Quadrado, idealizado pelo médico e ator André Fusko. A primeira, O Anjo do Pavilhão Cinco, de Aimar Labaki, está em cartaz desde o primeiro semestre de 2006 no Espaço Os Satyros.
1/9
SOBRE A NEVE EM FRENTE À TORRE EIFELL, de João Fábio Cabral. Direção: João Fábio Cabral. Com: Ester Laccava, Ana Souto, Fabek Capreri, Germano Melo e Fausto Brunini.
Leila é uma mulher descrente de tudo, que sofre com a rejeição da mãe, com os problemas que seus amigos lhe causam e com um sebo decadente deixado de herança pelo pai. Um dia recebe a visita inusitada de Jaime, um senhor atormentado, que enxerga na própria velhice, o desespero da solidão, a proximidade da morte. Num ato de generosidade inexplicável, Jaime doa a Leila sua biblioteca, causando na moça um misto de perturbação e desconfiança. O desentendimento com a natureza, com os sentimentos, com o vazio dos tempos atuais, a infelicidade da descrença, das heranças humanas e a busca incessante de salvação permeiam o universo das personagens.
Dramática - 1º Ciclo de Leituras Teatrais
Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 - Tel.: (11) 3277-3611.
De 29/8 a 1/9, das 19h30 às 21h30
Grátis
| 29/8/2006 22:03:50 | - | Dios-Tan (mdiostan@hotmail.com) |
| Excelente idéia. Imperdível... Boas peças, bons dramaturgos, bons diretores e bons atores. Teremos dias rechados de cultura. | ||
| 22/8/2006 04:17:25 | - | Ricardo (aguieiras2002@yahoo.com.br) |
| Bela idéia e projeto. Pretendo acompanhar tudo! Apenas penso que os autores novos também mereciam um espaço, que está bem difícil. Tenho três peças teatrais, todas com forte conteúdo homossexual e político, poderia ser algo novo nisso tudo... Propus para uma casa de cultura em São Paulo um Cliclo de Leituras homoafetivas, conheço vários que escrevem e ajudaria voluntariamente no projeto. Nem se dignaram a me dar uma única resposta, apesar da minha insistência. A gente fica sem saída e sem saber o que fazer. Como podem julgar a qualidade de um novato se nem se dão ao trabalho de dar uma lida no que ele escreve? | ||