Foto: Divulgação


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A boneca mais famosa do mundo, presente no imaginário de crianças e adultos, é tema da exposição “Bárbaras Garotas”, da artista plástica curitibana Karin Schwarz.
Na mostra, são exibidas 11 digigravuras manipuladas digitalmente, que mostram duplas e trios de bonecas Barbie em posições sensuais. “Esteticamente a exposição trata de relacionamentos sensuais entre mulheres, mas não é totalmente um conceito fechado. Eu quis trabalhar com noções de amor, liberdade e naturalidade sem preconceito. Imaginei despir as bonecas e as mulheres de toda uma carga consumista, evidenciada por valores como acessórios caros e roupas da moda, para mostrá-las de maneira mais verdadeira e livre, de forma até a recuperar uma naturalidade perdida”, explica Schwarz.
As obras são elaboradas em quatro fases: montagem de instalações, fotografia, manipulação digital e revelação fotográfica em papel foto. “Primeiro eu monto uma instalação com as bonecas em um mini-cenário. Depois fotografo a cena de vários ângulos procurando captar expressões faciais e corporais que denotem amor, alegria, sensualidade e erotismo da forma mais bonita, real e delicada possível. Por último manipulo as imagens fotografadas no computador procurando envolvê-las em um clima de magia e sonho, tentando aproximá-las ao máximo da realidade fantasiada. Em alguns trabalhos crio a ilusão de que as figuras são mulheres reais”, diz a artista plástica.
A sinceridade e beleza da exposição incomodaram a fabricante Mattel, que alega violação de direitos autorais. Nesta semana, a empresa exigiu através de notificação extrajudicial o encerramento imediato da exposição. A artista plástica, porém, argumenta que a Mattel está “equivocada” e diz que está sendo vítima de censura. “Concordo que uma empresa deva se preocupar com a proteção de seus produtos evitando que sejam copiados, pirateados e difamados, mas penso que a interpretação da empresa está equivocada. Na minha opinião eles não podem censurar nem impedir as pessoas de pensarem e se expressarem. Seria a mesma coisa que proibi-las de existir”, defende-se.
A artista plástica acrescenta ainda que a atitude da empresa é “totalmente desnecessária e reprovável”. “Como não estou agredindo, roubando, pirateando, difamando nem usando uma marca comercialmente ou indevidamente, interpretei a atitude como homofóbica. É bom ficar claro que não há na notificação nenhuma declaração expressa nesse sentido, mas há uma alegação de ‘atentado à reputação da marca’. Eu ainda não entendi de que forma minha obra poderia atentar à reputação de qualquer marca”, reclama.
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Eduardo Ribeiro Augusto, um dos advogados da Mattel, negou que a causa tenha a ver com a temática homossexual da exposição e citou o artigo 29 da Lei de Proteção do Direito Autoral como base da ação. Até o momento, a artista não sabe se haverá processo. “Espero que não haja processo algum e que minha exposição possa continuar. De minha parte e da parte dos responsáveis pela exposição, a quem agradeço imensamente o apoio e a atitude, a exposição continuará até a data prevista para o seu encerramento (30 de setembro de 2006)”, diz.
Mas Schwarz avisa que, se a Mattel insistir com a ação, pretende “recorrer até as últimas instâncias, seguindo as normas legais e morais, para que a exposição venha a ser retomada e para fazer valer os meus direitos como artista e cidadã brasileira”.
“Bárbaras Garotas” pode ser vista todos os dias, a partir das 18h, no bar Era Só o Que Faltava (Avenida República Argentina, 1334, Água Verde, Curitiba). Mais informações: www.faltava.com.br. O site da artista é www.karuska.com.