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  Cultura GLS: PANORAMA
Arte Contra a Aids
1/12/2006
A Aids no cinema, teatro e TV do Brasil em todos os tempos


Jayme Periard


Touro e Érica em Malhação


Gabriel em Páginas


Daniel como Cazuza


Carandiru


André Dias (esq) como Angel em Rent


Wonderland

Dia Mundial de Luta contra a Aids. A data marcante é o 1º de dezembro, e sua chegada faz lembrar todas as obras artísticas que já abordaram, no Brasil, o tema da doença. Seja no teatro, no cinema ou até na TV, a Aids já suscitou diversos tipos de peças, filmes, novelas e minisséries. Hoje, quando a luta contra a doença felizmente avança cada vez mais, vale lembrar dessas iniciativas no mundo artístico brasileiro. Confira:

TV
A primeira vez em que a TV brasileira abordou a Aids em uma obra de ficção foi em 1987, na novela "Corpo Santo", exibida pela extinta TV Manchete. Através da personagem Marina (Eliane Narduchi), uma prostituta, enfocava-se a problemática da doença.

Mas foi em 1991, na minissérie "O Portador", que o assunto foi deflagrado de vez na TV. Exibida pela TV Globo às 22h, e escrita por José Antônio de Souza e Aziz Bajur, trazia o drama de Léo (Jayme Periard), que contrai o vírus durante uma transfusão de sangue após um acidente de avião.

Léo passa a perseguir os outros passageiros do avião, a fim de descobrir quem o contaminou. A minissérie foi considerada digna e honesta, recebendo elogios até do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, ele próprio uma vítima da síndrome, e que viria a falecer em 1997.

Alguns anos depois, em "Zazá" (1997), de Lauro César Muniz, novela exibida pela Globo às 19h, a personagem Jacqueline (Adriana Londoño) trazia o tema de volta. Soropositiva, ela liderava a luta de portadores do HIV contra a doença, em um dos subtemas da novela. No último capítulo, a atriz Sandra Bréa, que tinha assumido ser soropositiva, apareceu na novela dando um emocionante depoimento. Sandra faleceu em 2000.

Logo depois, a novelinha teen "Malhação" resolveu adotar temas polêmicos. Na temporada exibida entre 1999 e 2000, a personagem Érica (Samara Felippo) descobria-se portadora do HIV e tinha de enfrentar o preconceito dos colegas da escola. Na temporada seguinte, em 2000/2001, Érica vence o preconceito e casa-se com Touro (Roger Gobeth), apesar da oposição do pai do rapaz.

Atualmente, em "Páginas da Vida", drama familiar-hospitalar-judiciário de Manoel Carlos, a Aids volta à baila através do personagem Gabriel (Miguel Lunardi), que é soropositivo. Gabriel despertará a paixão da irmã Lavínia, interpretada por Letícia Sabatella. O personagem será rejeitado pela irmã Má (Marly Bueno), que não quer pacientes com HIV no seu hospital. Polêmica à vista!

Cinema
Já na telona brasileira, o debate começou um pouco antes. Em 1985, o longa "Estou com Aids", dirigido e estrelado pelo rei da pornochanchada David Cardoso, já abordava o tema. Mas o filme foi um fracasso de bilheteria, pois tratava de forma grosseira e obscura de um problema que naquela época era mais obscuro ainda. O público fugiu do filme como quem fugia da própria Aids.

Em "Carandiru", de 2001, Hector Babenco adaptava o livro best seller do médico Dráuzio Varella, "Estação Carandiru", narrando exatamente a experiência do médico com os detentos do extinto presídio Carandiru, em São Paulo. Muitos dos presos eram soropositivos, entre eles gays, bissexuais e travestis. O filme culminava com o massacre que liquidou 111 presos no local, em 1992.

Outro filme baseado em fatos reais, "Cazuza" (2003, de Sandra Werneck e Walter Carvalho) retratava a vida e a carreira do cantor e compositor Cazuza, que como se sabe, também foi vitimado pela Aids, falecendo em 1990. O longa fazia um apanhado da meteórica carreira de Cazuza (interpretado por Daniel de Oliveira), desde o seu início, soltando os primeiros berros no microfone do Barão Vermelho, até sua obra solo, a contaminação pela Aids, seu desespero e finalmente sua fase final, quando assume a doença e transforma-se em uma bandeira viva de resistência à síndrome.

Teatro
Nos palcos brasileiros, desde os anos 90 uma série de peças estrangeiras com temática de Aids, montadas aqui, puderam ser vistas. "O Melhor do Homem", da adolescente americana Carlota Zimmermann, foi montada em 1995 com direção de Ullysses Cruz. A dupla Milhem Cortaz e Rubens Caribé se digladiava no palco. Cortaz como o bofão violento, e Caribé como um gay HIV positivo que tentava seduzir o bofe. O desempenho de Rubens Caribé foi incrível, valendo alguns prêmios para o ator naquele momento.

Na sequência, em 96, Iacov Hillel montou "Angels in America", a obra épica e trágica de Tony Kushner versando sobre a devastação da Aids na geração anos 80. Cássio Scapin e João Vitti encabeçavam brilhantemente o elenco. A cena final, com a morte do personagem soropositivo de Vitti, recebendo a visita de um anjo, era apoteótica.

Em 99, Rubens Caribé voltava ao tema, participando de "Shopping and Fucking", de Mark Ravenhill, montada aqui com direção de Marco Ricca. Rubens interpretava um atendente do McDonald's apaixonado pelo personagem de Ricardo Blat - um gay problemático, perturbado e HIV positivo.

Em 2000, a montagem do consagrado texto "Pobre Super-Homem", do canadense Brad Fraser, foi um grande sucesso. Marco Antônio Pâmio estrelava a montagem, acompanhado por um elenco fabuloso formado por Rosaly Papadopol, Gustavo Haddad, Raquel Ripani e Olayr Coan - inesquecível no papel do gay soropositivo que morria na sequência final.

Vale lembrar também a montagem brasileira do musical "Rent", de Jonathan Larson. Entre 1999 e 2000, o espetáculo adaptou a história dos amigos que vivem conflitos amorosos e sociais em plena Nova York, culminando com a morte da personagem Angel (interpretada no Brasil por André Dias), uma espécie de drag  queen soropositiva, deixando vivo seu grande amor, Collins.

Mais recentemente, o monólogo "Wonderland", escrito e interpretado por Maurício Souza Lima, mostrou um panorama da Aids nos dias de hoje, através do convívio do autor - que é também médico - com pacientes e familiares envolvidos com a doença. "Não podia deixar de me envolver emocionalmente com a doença. A peça nasceu da necessidade de contar minha experiência com a Aids, uma doença da humanidade, que atinge a todos", declarou ele na época do lançamento da peça em SP, no início de 2006.

 




                                



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