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Retrô 2006 - Teatro |
21/12/2006 |
![]() Zé Celso lê Santidade |
![]() Rodolfo Lima em Réquiem para um Rapaz Triste |
![]() Betina Botox |
![]() Joana Evangelista |
![]() A Noite antes da Floresta |
![]() Um Homem chamado Lee |
![]() Cada um com seus Pobrema |
![]() Cauby! Cauby! |
2006 foi o ano do boom do teatro gay. Se em 2005 esse fato começava a se delinear, neste ano ficou comprovado que existe espaço para a discussão da homossexualidade nos palcos. Um termômetro importante desse crescimento é o público, sensivelmente mais interessado em assistir a peças com essa temática.
Ao longo do ano, novos diretores surgiram, antigos fortaleceram seu trabalho, grupos conquistaram seu lugar e projetos estrearam com sucesso. Dois deles merecem destaque: o “Dramática” e o “Mix Encena”, ambos idealizados pelo jornalista Ferdinando Martins com apoio do Mix Brasil e da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads), da Prefeitura de São Paulo. O primeiro aconteceu em julho, no Centro Cultural São Paulo, e promoveu um verdadeiro encontro de dramaturgos, atores, diretores e público para apresentar textos que tratavam do amor entre dois homens.
Participaram José Celso Martinez Corrêa e atores do Teatro Oficina com o texto “Santidade”, de José Vicente; Mário Viana com “Cine Bijou”; Sérgio Roveri com o esplêndido “Abre as Asas sobre Nós” e João Fábio Cabral com o sensível “Sobre a Neve em Frente à Torre Eiffel”. O sucesso da iniciativa levou o Mix e a Cads a promoverem em novembro, durante o 14º Festival MixBrasil, o “Mix Encena”, uma programação inédita de peças ligadas ao homoerotismo.
No evento, foram lidas as peças “Santidade”, de José Vicente, com José Celso Martinez Corrêa, Fransérgio Araújo e Haroldo Costa Ferrari; “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, adaptação do jornalista Ferdinando Martins para o texto de Caio Fernando Abreu, com Paco Llistó e Fernando Medeiros; “Réquiem para um Rapaz Triste”, de Rodolfo Lima, também baseado no escritor gaúcho; e, finalmente, “Abre as Asas sobre Nós”, de Sérgio Roveri, com André Fusko, Emerson Rossini, Walmir Pinto e Rodrigo Gaion. Tanto o “Dramática” quanto o “Mix Encena” já estão garantidos em 2007.
Nos palcos, antigos projetos se fortaleceram. Dois deles, “Terça Insana” e “Nunca se Sábado”, tiveram todas as suas sessões lotadas e ajudaram a divulgar o humor inteligente. No “Terça Insana”, a trupe de Grace Gianoukas perdeu integrantes (Luis Miranda foi para a TV e Octávio Mendes estreou seu próprio projeto), mas manteve seu sucesso com personagens hilárias como Aline Dorel (Grace) e Betina Botox (Roberto Camargo).
Com a concepção e direção de Isser Korik, o “Nunca se Sábado” se baseou no programa norte-americano de TV "Saturday Night Live" e contava todos os sábados com a participação de três grupos de teatro e um anfitrião convidado. O campeão absoluto em 2005, o "Canal 3", grupo das drags Nata$ha Ra$ha, Simplesmente Nenê e Thália Bombinha, continuou firme e forte no páreo, fazendo com que fosse criado no segundo semestre um espetáculo “solo”, o “Coisa Boa pra Você”.
Outros dois projetos que também se fortaleceram em 2006 foram o “Clube da Comédia Stand-up”, que reuniu todos os domingos os humoristas Marcelo Mansfield, Rafinha Bastos, Marcela Leal, Oscar Filho e Diogo Portugal no Mr Blues Bar, em São Paulo, e “As Olívias”, o quarteto afiado formado pelas atrizes Cristiane Wersom, Marianna Armellini, Renata Augusto e Sheila Friedhofer.
Estréias e reestréias
Uma das principais estréias em 2006 foi o “Anjo do Pavilhão Cinco”. Estrelada por André Fusko, Ivam Cabral, Darson Ribeiro, Fábio Penna e Maria Gândara, a peça é a primeira das duas versões para o teatro, inspiradas no conto “Bárbara”, de Drauzio Varella, autor do aclamado “Estação Carandiru” (1999). Essas duas versões para teatro culminaram no projeto “Bárbara ao Quadrado”, idealizado há quatro anos por André Fusko.
Também em abril, estreava no mesmo Espaço dos Satyros 2 “Joana Evangelista”, releitura da escritora, cantora e colunista do Mix Brasil Vange Leonel para o mito de Joana D´Arc.
Mas 2006 foi o ano de Zé Celso. Além da reestréia de “O Assalto”, o diretor do Teatro Oficina conduziu a maratona de cinco peças da saga “Os Sertões”. Na montagem, Zé Celso interpretava o beato Antônio Conselheiro. O espetáculo volta em 2007.
Indicado ao Prêmio Shell de Teatro, o ator Otávio Martins chamou a atenção da crítica e do público com “A Noite Antes da Floresta”. Traduzido em mais de 30 línguas, encenado em mais de 50 países, o dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, reverenciado no mundo todo, teve sua primeira peça montada pela primeira vez no Brasil. Escrito em 1977 e apresentado no festival off de Avignon, o texto tinha encenação de Francisco Medeiros.
Outras importantes estréias foram “Tempestade no Espelho”, “Refrão para desconhecidos e íntimos”, “Art”, “O Eclipse”, “Psicose 4h48”, “Os 120 dias de sodoma”, “Três Paredes e Meia”, “Um homem chamado Lee” (com Preta Gil interpretando uma travesti) e “Cauby! Cauby!”.
Quanto às reestréias, “Cada um com seus Pobrema”, “Filosofia na Alcova”, “A Vida na Praça Roosevelt” e “De Profundis” conquistaram mais uma vez o público e fizeram de 2006 um ano mais que teatral! Merda!