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  Cultura GLS: PANORAMA
Cult People
29/1/2008
Para fugir do trinômio samba-suor-cerveja, Mix faz roteiro de cinema, livros e exposições
Por Redação


Imagem da exposição Marilyn Monroe - o Mito


Imagem da exposição Heaven to Hell

Tem aquela música que diz que "quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabela ou doente do pé". A gente não concorda com isso não. Há vários bons motivos para fugir do samba-suor-cerveja e curtir os dias de carnaval bem quieto, em casa ou na rua.

Um livro, um filme, uma exposição. Acompanhe a seleção do Mix:

LIVROS
. Fun Home - Uma Tragédia em Família
Autor: Alison Bechdel
Editora: Conrad
Preço médio: R$30
Essa história em quadrinhos conta a saga de uma garota lésbica vivendo em um ambiente familiar repressor. Seu pai é gay enrustido e seu relacionamento é de aparências. A história segue a personagem principal, Alison - não a toa o mesmo nome da autora - até sua entrada na faculdade, quando ela assume ser lésbica. A mãe passa então a traçar paralelos entre a homossexualidade da filha e do pai. É denso. Os desenhos são incríveis.

. Entre Tramas, Rendas e Fuxicos - O Figurino da Teledramaturgia da TV
Autor: Memória Globo
Editora: Globo
Preço médio: R$58
Ilustrado com mais de 200 imagens dos arquivos da emissora Globo, este livro conta a história dos figurinos das telenovelas, influência para todo o Brasil, nos quarenta anos de história do telefolhetim brasileiro. O livro é dividido em seis capítulos temáticos: "Espelho", breve introdução ao mundo dos figurinos e da caracterização, "Linha do tempo", com um histórico da evolução das telenovelas na Globo _das p&b às em cores, adaptações da literatura brasileira, novelas de época etc.; "A Fábrica", com os bastidores criação; "Retalhos", colcha de lembranças da equipe; e "Retratos", sobre personagens das tramas e seus figurinos.

O último capítulo do livro, "Janela", traça um paralelo entre as novelas e a vida real, mostrando as modas que cada uma delas emplacou no dia-a-dia dos brasileiros. Tem as célebres meias soquete de lurex de "Dancin' Days" (1978), assinado por Marilia Carneiro, ao look academia/professora de dança de "Baila Comigo (1981)", concebido por Helena Gastal, a Babalu de "Quatro por Quatro" (1994) e Darlene de "Celebridade" (2003).

. Música para quando as luzes se apagam
Autor: Ismael Caneppele
Editora: Jabotica
Preço médio R$25
Romance de estréia do autor. Narrado por um garoto de 14 anos, de uma cidade do interior do sul do Brasil, o livro consegue retratar muito bem a juventude do país, através dos olhos do adolescente que se sente perdido, entre outras coisas, por descobrir sua (homo)sexualidade - perdido pela falta de qualquer assunto em comum com sua família e da falta de qualquer referencial com que minimamente se identifique, com a excessão óbvia, do rock, seu único refúgio. A escrita de Ismael, por sinal, tem um jeito tão natural de ser, que mesmo recheado de referências pop, o livro continua de um regionalismo delicado (delicado, pois apesar de estar lá, não predomina sobre o tema universal), e sem um pingo de petulância (como acontece muito em escritores que querem expor suas referências).

Uma juventude bêbada, apática e completamente mal compreendida vai sendo tecida aos nossos olhos da maneira mais simples possível. Sem aforismos ou frases de efeito, tudo dito da maneira direta e prática, como um menino de 14 anos faria. Como o próprio autor definiu uma vez: "É quase antiliteratura. Não há imagens bonitas nesse livro". Realmente, não há grandes imagens ou elocubrações nesse livro. A beleza vem daquilo que percebemos que fica entalado na garganta do narrador, daquilo que nem ele consegue verbalizar.

Envolto por amigos completamente ambíguos - ou tão confusos quanto ele, pois ao mesmo tempo que beiram o preconceito, muitas vezes surpreendem por revelar suas tendências homossexuais sem a menor vergonha - o menino vai sendo jogando de paixão em paixão, a maioria "inventada" por sua própria carência... Um leve toque de mãos ou uma encostada de pernas revela algum interesse de seus amigos ou simplesmente foi uma esbarrada sem querer? Esse tipo de questionamento atravessa o livro a tal ponto que nós leitores também ficamos com a pulga atrás da orelha. Até onde vai o carinho entre dois homens e onde começa o homoerotismo? Afeto fraternal, inocência, pureza e tesão... Tudo se mistura em "Música para quando as luzes se apagam".

É tão fácil e rápida mas, ao mesmo tempo, tão intensa a leitura desse livro juvenil, que ficamos com vontade de mais... A única saída, como diz Alcides Nogueira no prefácio, é ler o livro e chorar tudo que temos direito.

ARTE
. Made in America
Através de um projeto de intercâmbio artístico estabelecido entre as galerias Choque Cultural e a Jonathan LeVin, de Nova York, artistas brasileiros e norte-americanos terão a oportunidade de apresentar suas obras em outros países. Aberta em 21 de janeiro, a Choque Cultural expõe obra de Gary Baseman, Tim Biskup, Mars1, Souther Salazar e Shag, entre outros. Representantes de uma geração que assimilaram a linguagem rápida e ágil utilizada na Internet.

É uma oportunidade única de conhecer trabalhos originais e inéditos de nomes cultuados no mundo todo. Para deixar a Made In
America ainda mais interessante, outra novidade: estes artistas raramente expõem na mesma mostra.
A Choque fica na rua João Moura, 997 - Pinheiros
http://choquecultural.com.br/


. Heaven to Hell
Madonna, Leonardo Di Caprio, Uma Thurman, Angelina Jolie, Naomi Campbell, Marilyn Mason, Courtney Love, Drew Barrymore e outras celebridades intergalácticas estão juntas na mostra Heaven to Hell, do incensado fotógrafo, diretor de cinema e - vá lá - celebridade David LaChapelle.
A exposição está cartaz no MuBE - Museu Brasileiro da Escultura - até o dia 5 janeiro.

A exposição Heaven to Hell: Belezas e Desastres mostra, além dos 25 retratos escapistas destes artistas feito por David, oito videoclipes que dirigiu para diversos artistas (Moby, Macy Gray, Jennifer Lopez, Elton John, Gwen Stefani, Christina Aguilera e No Doubt), além de uma versão inédita no Brasil do documentário em longa-metragem Rize, que abriu o Sundance Festival em 2005, sobre o krumping, uma dança de rua surgida em Los Angeles.

"A chegada desta exposição é a oportunidade de conferir de perto um acervo que se conhecia, em grande parte, apenas dos livros e das revistas em que LaChapelle publica. A concepção da mostra é baseada na compilação explosiva de imagens do último livro de David LaChapelle, Heaven to Hell (2005), que completa a trilogia iniciada com LaChapelle Land (1996) e LaChapelle Hotel (1999). Neste trabalho, salta aos olhos a face surrealista e a visão crítica e ao mesmo tempo escapista que o fotógrafo tem da sociedade atual; em uma contraposição entre o testemunho de um mundo real e a criação de um mundo fantástico e absurdo. Em Heaven to Hell, ele, ironicamente, apresenta em suas clássicas imagens, contrastadas e ultra-saturadas, um espelho do nosso tempo, abordando fama, moda, pornografia e religião. São imagens que, a seu modo, questionam nossa relação com o famoso e o ordinário, bem como com o glamour e o status, incluindo-os em um contexto social. Independentemente do conceito propriamente dito, as imagens selecionadas também exploram ao máximo a composição cromática que tornou LaChapelle reconhecido por uma estética única, que une o barroco ao kitsch", destaca Chico Lowndes, idealizador da mostra no Brasil.

A mostra fica em cartaz no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura (Av. Europa, 218, tel.: 3081.8611), podendo ser visitada gratuitamente de 3ª. a domingo, entre 10h e 19h, no Grande Salão e no Lobby do museu.

. Marilyn Monroe – O Mito
60 retratos do fotógrafo americano Bert Stern mostram Marilyn absoluta. As imagens foram feitas em 1962, seis semanas antes da morte da loira. Foram 2700 fotos em 3 noites de trabalho. Algumas imagens expostas, mortam um X sobre o fotograma, um veto à imagem feito pela própria Marilyn.
Galeria Estação. Rua Ferreira Araújo, 625, Pinheiros 
De terça a sexta, das 11h às 19h. Sábado, das 11h às 15h. Domingo, das 11h às 19h.
Informações pelo tel.: (11) 3813-7253
Em cartaz de 26 de janeiro a 23 de março.

Cinema
. Império dos Sonhos
Diretor: David Lynch

Se você é daqueles que adora um filme com começo-meio-fim, esqueça esse artigo, agora se você adora o desconexo e o estranho, se joga! Pois o novo filme de David Lynch, Império dos Sonhos, é o radicalismo da desconstrução da estética cinematográfica que conhecemos. Imagina se Dali, o pintor surrealista, fosse vivo e resolvesse transpor os seus quadros para o cinema... Eis o cinema Lynchniano.

Podemos afirmar que o "Império dos sonhos" é a terceira parte de uma saga sobre Hollywood, antecedida por "A estrada perdida" e "Cidade dos sonhos". Todos os filmes se passaram nesse ambiente de ilusões, degradação, multifacetas do EU, a ilha hollywoodiana que promete glamour, fama e dinheiro, mas ao mesmo tempo, há um mundo que se esconde por trás de tudo isso, o real e o irreal se misturam, o onírico e o subconsciente são as linhas condutoras.

O sonho objetivado e o sonho prometido. A trama se inicia com uma garota assistindo a um programa chamado "Lost girl", uma família de coelhos que interpreta um programa televisivo, uma famosa atriz de Hollywood, Nikki (Laura Dern) irá interpretar um importante papel ao lado de Devon (Justin Theroux) galã em ascensão, ambos serão dirigidos Kingsley (Jeremy Irons), que trabalha com um assistente que não possui informações sobre o filme, cujo projeto recebe o nome "On high in blue tomorrows". Mas o roteiro do programa carrega uma lenda: quando tentaram filmá-lo anteriormente tiveram que interrompe-lo, pois os protagonistas foram assassinados, em Hollywood é considerado um script maldito. Há ainda uma senhora que visita Nikki e lhe conta uma fábula sobre como o diabo foi solto no mundo.

As filmagens se iniciam e Nikki agora é Suse Blue, e Devon é Billy Side. Porém, em dado momento, Nikki sente-se estranha, diferentes sensações começam a tomar conta de seu corpo, de repente Nikki já não sabe mais se é ela mesma ou Suse, ou se na verdade sempre fora Suse. A partir daí começa a sua odisséia multifacetada. Ora é uma mulher amargurada pelos abusos sofridos com os seus amantes, em outro momento é uma prostituta na Polônia, em uma terceira realidade ela é Suse que vive na periferia de Hollywood. E o que Nikki busca, redenção? Tudo isso é um laboratório para sua personagem? O que significa a família de coelhos, uma saída do inferno?

Não existe linearidade e não respostas fáceis para as obras de Lynch, pois aqui se propõem um cinema de sensações, como se estivesse em uma instalação futurista na Bienal de arte de moderna, é uma obra prima, é mais que cinema, é metalinguagem, assim como a arte surrealista a obra de David Lynch está associada ao subconsciente, a provocação, ao irreal. "Império dos Sonhos" é um convite ao mundo abstrato, longe do concreto, uma viagem por sensações alucinógenas cinematográficas.

. Paranoid Park
Direção: Gus Van Sant
O diretor de "Elefante" define o filme como um "Crime e Castigo" do mundo do skate, narrando os dramas de um skatista adolescente envolvido por acidente num crime.

  




                                



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