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  Cultura GLS: PANORAMA
Doçura francesa
6/5/2008
Pouco conhecida no Brasil, Lisa Li-Lund faz música ótima para ser ouvida a dois
Por Hélio Filho


A nova música francesa não é feita apenas do electro da banda Yelle ou do rock do The Teenagers. Existe uma moça de charmosa boca grande, lindos olhos azuis e franjinha preta que está dando o que falar com seu estilo folk à francesa e particular senso de humor: Lisa Li-Lund. Ela passou em abril (um pouco despercebida) pelo Brasil em uma mini-turnê por Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e mostrou que o folk ainda pode ter vida própria, e longa. Como divide seu tempo entre Paris, Nova York e Estocolmo, sua música não é de lugar nenhum, não soa típica e agrada os mais diferentes gostos.

Seu processo criativo é, no mínimo, diferente: ela carrega consigo sempre um gravador Tascam onde registra as composições que lhe vem à mente. Em sua lista de músicos que servem de inspiração estão nomes tão diferentes quanto inusitados. Dos lendários Velvet Underground e Rolling Stones, passando por um pouco de Bossa Nova até o free jazz de John Zorn, tudo é incorporado à sonoridade fofa da francesinha. Ela admite gostar de algumas músicas de Britney Spears e até já regravou “Cry me a River”, de Justin Timberlake, em uma versão mais a seu modo, doce e calma.

Lisa divide seu tempo ainda com um projeto musical paralelo, onde começou a se aventurar de forma mais profissional pelo mundo da música (ela é musicista desde os 10 anos), o Herman Düne, dos irmãos compositores David-Ivar e André Herman Düne, onde fazia o backing vocal. Em carreira solo, ela já lançou sete álbuns, sendo que o último foi “12 000 Waves” (Bazuka Discos), apresentado nos quatro shows brasileiros ao melhor estilo voz e violão.

O disco é totalmente influenciado pela recente volta à onda folk que tem influenciado também outras cantoras como a brasileira Mallu Magalhães, a israelense Keren-Ann e a primeira-dama francesa Carla Bruni. A diferença de Lisa é que tudo soa muito fofo, quase pueril, relaxante e apaixonante. Suas canções não têm uma carga exagerada de paixões e dores do mundo adulto. É como se uma adolescente um pouco amadurecida pegasse o violão de Eric Clapton e saísse pela Champs-Elysées cantando as composições que antes foram gravadas em seu Tascam. Melodias doces e intimistas, ótimas para ouvir a dois, ou duas. Em seu MySpace, a francesinha deixa clara toda essa doçura em uma de suas frases: “quando eu for velha eu serei gorda, mas serei doce”.

 




                                



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