
Johnny and Clyde |
26/1/2007 |
Foto: Divulgação![]() John Edgard Hoover |
Foto: Divulgação![]() O casal Hoover e Tolson |
Foto: Divulgação![]() Mais uma foto de Hoover |
Racista dos mais violentos, perseguidor de comunistas ou simpatizantes, torturador de jornalistas, editores e militantes dos direitos civis, o abominável biografado de hoje chamava-se John Edgard Hoover.
Teria nascido em 1º de janeiro de 1895, filho de gente da classe média - existem controvérsias - e falecido, de verdade, em 2 de maio de 1972. Seu avô, pai, sobrinho e irmão trabalharam para o governo. Mas ninguém na família - e no serviço público norte-americano – até hoje teve tanta importância. Chefiou com mão de ferro, durante 48 anos, o FBI. No governo do Presidente John Calvin Coolidge, sabe-se lá por que razão, obteve o cargo a nível vitalício.
Serviu a oito presidentes (de Coolidge a Richard Nixon), sendo mais poderoso que todos eles e confidente de muitos. Criou uma polícia paralela que usava meios ilegais para vigiar não só criminosos, mas todos aqueles que sua paranóia identificava como “inimigos do sistema”. Foi o idealizador do National Crime Laboratory e do National FBI, ainda hoje o melhor curso de pós-graduação policial do mundo.
Especializado em dissolver movimentos de liberação dos homossexuais, manteve durante 40 anos uma relação estável com seu vice no organograma: Clyde Anderson Tolson (22/5/1900 – 14/4/1975). Nos corredores do FBI eram conhecidos como "J. Edna and Mother Tolson". Truman Capote, sempre irreverente, se referia aos dois como "Johnny and Clyde". Rumores contam que o mafioso Meyer Lansky usou fotos que comprovavam a homossexualidade de Hoover - ele e Clyde fazendo sexo em uma praia, na era pré-YouTube - para calar a boca do FBI a respeito das suas atividades criminosas
E, tudo indica, o racista também era afro-americano. A publicação de um livro de autoria de uma descendente de escravos do Mississipi reabriu a questão.
A “Operação Fruehmenschen”
Em janeiro de 1988, o deputado Mervyn Dymally inseriu nos anais do Congresso Americano uma declaração juramentada do ex-agente Hirsch Friedman sobre a “Operação Fruehmenschen” (em alemão, frueh=primitivos e menschen=seres humanos). Palavras do agente Friedman: “O objetivo desta polícia paralela era investigar as causas da promoção de oficiais e eleição de candidatos negros nas maiores cidades americanas” - cerca de 300 “seres humanos primitivos” foram investigados.
Hoover não acreditava que negros tivessem capacitação social ou intelectual para dirigir instituições ou participar de organizações governamentais. Tornou-se famoso e temido pelas perseguições contra membros do Partido Comunista e (pasmem!) da Ku Klux Klan. Durante a Lei Seca prendeu Al Capone e John Dillinger.
Nos anos 50, mergulhou de cabeça no Macartismo ou a “Era do Pânico Vermelho”, um movimento conservador e anti-comunista ocorrido nos Estados Unidos entre 1950 a 1954 liderado pelo senador Joseph McCarthy e seus adeptos. Hoover usou e abusou da delação e da intimidação e se dedicou a infernizar a vida de comunistas e simpatizantes, causando suicídios, provocando exílios voluntários e encerrando carreiras promissoras nas artes e no cinema.
A obsessão do chefão do FBI era centrada “no espectro do casamento interracial”, nas escolas mistas, nos menos de 1% de agentes negros do FBI e, sobretudo, na figura carismática de Martin Luther King.
Uma campanha infamante foi deflagrada para destruir o líder, usando chantagem e sugerindo que o suicídio do religioso seria a melhor saída quando certas fitas comprometedoras fossem liberadas. Em 4 de abril de 1968, dia do assassinato de Luther King, foram ouvidos gritos “jubilosos” no quartel general do FBI em Atlanta: “Mataram o fdp!”.
O feitiço virou contra o feiticeiro
Tanto ódio tinha que ter uma explicação. O livro do jornalista Anthony Summers, “Official and Confidential” (Editora Putnam Pub Group, 1993), contém uma entrevista com Gore Vidal onde o escritor declara: “Hoover ia ficando famoso e todo mundo na minha família e em Washington sabia que ele era mulato e que vinha de uma família que tinha 'passado'”. “Passar”- este era o verbo usado para pessoas que iam clareando através das gerações e dos casamentos mistos.
Wesley Swearingen, um agente especial reformado do FBI - onde trabalhou de 1951 a 1977 -, é autor de “Secrets: An Agent's Exposé” (Editora South End Press, 1995) e conta que, apesar de exigir de todos os G Men uma espécie de atestado de raça branca, ele, misteriosamente, nunca ofereceu um documento melhor do que a certidão de nascimento tirada aos 43 anos (após a morte da mãe, óbvia testemunha).
Millie McGhee em seu livro “Secrets Uncovered”, reeditado como “Secrets Uncovered: J. Edgar Hoover - Passing for White?” (Editores:Inland Empire Services/Allen-Morris Publishing, 1995) conta que soube pelo avô a seguinte lenda: “Hoover tinha uma família secreta que foi morta enquanto dormia, pois não queria que o segredo vazasse e, como estava se tornando muito poderoso, podia destruir certos arquivos e fraudar outros”.
McGhee também afirma que as raízes de J Edgar vinham de Maryland, da união de uma escrava tão clara que podia se passar por branca e seu senhor. Este relacionamento resultou no nascimento de uma filha, Elizabeth Allan (Virgínia, 1814).
Elizabeth também teria sido amante de um outro Hoover e a primeira filha desta união era claríssima e lhe foi tirada e levada para o Mississipi.
Dando seguimento ao carma cromático, esta “escrava Isaura” americana foi casada com William Hoover e, passando-se por branca, teve sete filhos. J Edgard, um deles, teria nascido em Nova Orleáns e levado a Washington-DC, para ser criado por outro ramo da família.
Apesar de um atestado do Departamento de Saúde do Distrito de Columbia esclarecer que ele era filho de Dickerson Hoover Jr e Lilian, não há um certificado de nascimento concreto.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido
Enquanto perseguia comunistas, simpatizantes e negros, liderou uma campanha homofóbica, com ênfase na destruição da Mattachine Society, uma das primeiras organizações pelos direitos dos gays, sediada em San Francisco, com infiltração de agentes e uso de fotos, filmagens e gravações.
Tudo isso, provavelmente, com a finalidade de esconder a própria homossexualidade, avalizada em 1943 por um memorando interno da autarquia da qual era o chefe, o número 1. Elegantíssimo, conhecido pelos impecáveis ternos brancos, colecionava antigüidades e viveu com a mãe até os 42 anos. Jamais foi visto na companhia de uma mulher (exceto socialmente, claro). Sua roda era composta só de homens e teve uma relação de 40 anos com o belo Clyde Tolson, o segundo na hierarquia do FBI.
Hoover e Tolson viajavam juntos, tomavam café da manhã juntos, trabalhavam juntos, saíam juntos, se divertiam juntos, almoçavam e jantavam juntos e eram descritos pelos próximos como um verdadeiro casal.
Tolson Clyde, “alter ego e alma gêmea” de Hoover, o substituiu na chefia do FBI a partir de 2 de maio de 1972, quando um super enfarto do miocárdio levou o companheiro desta para pior. Mas não esquentou o lugar: foi substituído, no dia seguinte, por Louis Patrick Gray e deixou o FBI duas semanas depois, quando se mudou para a casa de Hoover e se dedicou a cuidar do inventário e espólio do qual era o único herdeiro.
Clyde também se foi em 14 de abril de 1975 e os dois estão enterrados no mesmo túmulo.
Que as Montanhas Rochosas lhes sejam leves.
| 16/4/2008 21:23:46 | - | EVALDO MARTINI (MARTINSTHEDOORS@HOTMAIL.COM) |
| NÃO ME ESPANTA NEM UM POUCO SABER QUE O TODO PODEROSO CHEFÃO DO FBI ,FOSSE DIABOLICO E HOMOFOBICO,POIS O SUPOSTO PAIS HIPER-DEMOCRATICO,NUNCA PASSOU DO PARAISO DE SATANAS NA TERRA,O FBI,A CIA,QUE SEMPRE FORAM COMANDADS POR MENBROS DA SKULLS AND BONES (DIABOLICOS DE CARTEIRINHA)SEMPRE FORAM USADAS PARA MANTER A SUPREMACIA AMERICANA FRENTE QUALQUER AMEAÇA AO MODO AMERICANO DE VIVER.. | ||
| 2/6/2007 19:02:07 | - | Edson Oregon (Edsonbprov@hotmail.com) |
| Meu comentário não se prende com uma análise das comprovadas tendêncas sexuais do J. Edgar Hoover, a mim elas me são tão irrelevantes quanto as coisas íntimas de qualquer um de nós relativamente ao resto da sociedade. É a hipocresia dos EUA como nação que ainda hoje me espanta. Perdoem-me a ingenuidade mas a biografia me passou bem mais do que uma história pessoal ruim. Por ela fiquei a a saber que uma das maiores referênciais humanas político-administrativas desta grande nação precursora da democracia moderna era um grande racista. Pois bem se dizem que aí onde esta a crise também nasce a salvação, também ao contrário se pode dizer, que no melhor doa panos também caí a nódoa. É com este perfil histórico que eles se intitulam legitimamente os polícias do mundo! | ||
| 31/1/2007 03:45:26 | - | Anonimo (paquistanesesuperstar69@yahoo.com.br) |
| O enrustimento é sim um fato cruel. Porém, acho que não se deve crucificar as pessoas que se comportam dessa maneira. "Nossa, esse estúpido está defedendo o malvadão!?". A questão não é defender, é questão de compreender. Porque nõ haveria enrustidos na sociedade se todos os seres huimanos se tratassem em regime de igualdade, nas bases do construtivismo, se cor, raça, opções não fosse motivos para que uma pessoa se achasse melhor que outra, ou que um grupo pensasse ser melhor que outro. Se a sociedade deixasse um pouco de ser mesquinha e tratasse isso como - pasmem, e sonhem! - uma coisa normal, se a pessoa não tivesse que ter receio de assumir sua homossexualidade por causa da reprovação da família, do abandono dos amigos, da rejeição da sociedade. É claro que estamos melhor do que estávamos há alguns anos. Mas estamos longe do ideal e isso deve ser encarado de forma mais racional pelos, gays, e pelos próprios gays. Porque o preconceito vem desde muito cedo "Sua bichinha, tá usando batom da mamãe!", ou "Para de ser viado e me dá logo isso". Esse tipo de atitudes só fazem mal educar as novas gerações. O fato é que enquanto a sociedade não mostrar aos pequenos que as coisas do mndo são normais, e parar de olhar para as diferenças como defeitos, nada vai estar melhor. E milhares serão ainda obrigados a entrar no armário para preservar a propria imagem perante o resto do mundo. | ||
| 27/1/2007 20:40:13 | - | RICARDO ROCHA AGUIEIRAS (aguieiras2002@yahoo.com.br) |
| Hoover representa a gravíssima tragédia do enrustimento. Elevada às últimas consequências, ou eu estou sendo ingênuo e o enrustimento pode ainda ser mais cruel? | ||
| 27/1/2007 18:32:59 | - | RMaax (maxwell.roberto@gmail.com) |
| Esse tipo de conduta nao eh coisa do passado: gays que discrimam gays, nao? O foco hoje eh apenas outro. | ||