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  Cultura GLS: BIOGRAFIAS
Beijo rosa na festa do Oscar
2/3/2007
Tributo a Melissa Etheridge para o Dia Internacional da Mulher




Cena do casamento de Melissa

Ao ouvir que "I need to wake up" - composta para o documentário Uma Verdade Inconveniente - era vencedora do Oscar para Canção Original, Melissa Etheridge deu um beijo na companheira Tammy Lynn Michaels, chocou os mais conservadores e subiu ao palco. Agradeceu o apoio da esposa (mais choque nos conservadores), desejou que sua geração “acorde e mude” e garantiu que a estatueta seria o "único homem a entrar em seu quarto”. Arrasou.

Dedicou a honra à turma de 1979 do high school em Kansas onde, tudo indica pelo tom irônico da fala, não era bem compreedida e aceita. Arrasou novamente.

Melissa, cantora e compostora, ícone lésbico, não é só mais uma  brilhante artista da rock music. E ativista da causa gay, dos movimentos anti-homofobia e propagandista da necessidade da prevenção do câncer de mama (retirou 18 linfomas, um seio e o cabelo curtinho é lembrança da última quimioterapia).

Em janeiro de 1993 saiu do armário publicamente no baile de possse do primeiro mandato de Bill Clinton. Dona de estilo ao mesmo tempo energético e emocionado, recebeu a encomenda da canção vencedora diretamente do ex presidente Al Gore e decidiu se empenhar em mais uma causa: a salvação do planeta.

A repercussão de I Need to Wake up (Preciso acordar) já ajudou a tornar Gore - um ambientalista ferrenho - virtual candidato à sucessão de Bush. Considerada "primeira dama do rock and roll”, é comparada a Janis Joplin e a Bruce Springsteen. Teve um relacionamento de dez anos com Julie Cypher, mãe de dois de seus filhos (por inseminação). Tammy  Lynn Michaels - a moça do beijo - teve gêmeos recentemente de um doador anônimo de esperma.

Começou assim
Melissa  nasceu em Leavenworth, Kansas, em 29 de maio de 1961, filha de John Etheridge,treinador e supervisor de atletismo no ginásio local e de Elizabeth Williamson Etheridge, especialista em computação, funcionaria civil das Forças Armadas em Fort Leavenworth.

A fascinação pela música começou cedo. Aos oito anos já tinha sua guitarra Harmony Stella, recebia lições de Don Raymond, aos dez compunha música country e tinha aulas de piano, bateria, saxofone e clarineta.

Aos onze anos “Missy" Etheridge apareceu em público pela primeira vez cantando com dois amigos, num show de calouros na cidade natal. Depois do ginásio, foi para a Faculdade de Musica Berklee, em Boston. Com a colega de quarto, também lésbica,  começou a freqüentar bares gays e a falar abertamente sobre sua sexualidade.

Ela percebeu a inclinação aos 17 anos mas, como em casa os assuntos referentes a emoção não eram abordados, jamais falou sobre o asunto com os pais ou deixou que sua escolha se tornasse pública.

A fase Faculdade de Música Berklee não durou muito. Cantava em bares que freqüentava e faltava às aulas. Antes de tentar a carreira em Los Angeles, precisou voltar para casa, ganhar dinheiro para a viagem sonhada e foi assistente musical na capela do exercito em  Fort Leavenworth.

A mãe, ao descobrir “a vergonha”, teve o comportamento típico que tão bem conheço em outras figurinhas carimbadas/mães de homossexuais: deixou um bilhete apontando o “distúrbio mental” e proibindo que amigas lésbicas freqüentassem o recesso sacrossanto do lar.

Lição valiosa
Melissa foi procurar o capelão militar que a empregava, do qual recebeu como conselho uma aula de sabedoria: "algumas pessoas podem condenar, mas não acredite que Deus acha errado e continue a descobrir sua verdade", o que ela até hoje considera "uma das mais valiosas lições que recebeu na vida”.

Aos 21, antes de se mudar para a Califórnia, abriu o coração com o pai, que a apoiou e acertou hospedagem com  uma das tias, a de cabeça mais moderna. Surpresa: em Los Angeles conheceu dois tios paternos gays, e por intermédio deles, foi introduzida na comunidade GLS da cidade.

Trabalhou em vários bares em Long Beach, onde começou a ter fãs. Em Pasadena, Karla Leopold, que fazia parte do séquito de admiradores, convenceu o marido, Bill Leopold, um empresário musical, a ser o agente de  Etheridge. Impressionado com o talento da nova cliente, Bill tratou de cavar rapidinho um contrato para gravações.
Para a Almo/Irving Music, Melissa fez a trilha musical de Goldmine (1987, direção de Mark Rocco), Weeds (1987, de John Hancock), Welcome Home, Roxy Carmichael (1990, de Jim Abrahams) e Boys on the Side (1995, de Herbert Ross).

Amor e Ativismo
Enquanto aguardava a remixagem de um trabalho feito para a Island Records, nova gravadora, fez uma turnê na Europa e aproveitou para conhecer o campo de concentração de Dachau, na Alemanha. Percebendo que não havia um memorial para as vítimas homossexuais do Holocausto, decidiu se engajar na causa dos direitos para os gays.

Para trabalhar o álbum foi feito um vídeo de “Bring Me Some Water", dirigido por Julie Cypher, então casada com o ator Lou Diamond Philips. Atração foi instantânea entre as duas e Julie deixou o marido, "Bring Me Some Water" foi indicado para o  Grammy  em 1989 e o segundo album, "Brave and Crazy”, levou Melissa às paradas de sucesso no rádio e seus vídeos começaram a aparecer no canal musical a cabo EVH-1.

Os dois álbuns ganharam discos de platina pela venda de mais de um milhão de cópias. Em janeiro de 1993, militava na campanha de Bill Clinton e foi convidada para o baile da posse. Vinha do “Triangle Ball”, primeira celebração oficial para gays e lésbicas e, ao ser apresentada pela amiga k.d. lang aos convidados de Clinton, disse: "Estou realmente orgulhosa em assumir que sou uma lésbica”.

A declaração espontânea não afetou a carreira: dois meses depois ela ganhou o primeiro Grammy com "Ain't It Heavy" ,do album “Never Enough” e, em 1994, veio outro Grammy para "Come to My Window", do album “Yes I Am”.

Etheridge foi escolhida ‘Personalidade do Ano’ pela revista “The Advocate” em 1995. O álbum número 5, “Your Little Secret”, esteve semanas na lista dos dez mais vendidos.
Um sórdido crime de ódio, a morte do estudante  gay Matthew Shepard, em 1998, inspirou "Scarecrow", canção de protesto contra homofobia. Em 1999 um fato inédito: Melissa, estrela de rock, passou a apresentar um programa sobre eventos paranormais, aparições de óvnis e sociedades secretas.

Maternidade e luta pela vida
Em novembro de 1996 Etheridge e Julie Cypher foram capa da edição da Newsweek dedicada às famílias gays. Os gêmeos (sendo pai biológico David Crosby) nasceram em 1997 e Melissa os adotou em 1998 para garantir futuros direitos.

Em 2000 o casamento acabou mas, em nome da sanidade mental das crianças, as duas passaram a morar em casas vizinhas. Assim poderiam circular à vontade entre as mães.

2002 marca o inicio da relação com Tammy Lynn Michaels, atriz do seriado “Popular” da WBTv. O casal trocou votos em 20 de setembro de 2003 em Malibu, California. Um pastor da Agape Church celebrou a cerimônia. Dona Elizabeth, a ex -mãe homofóbica, caiu na real e estava presente, junto com a mãe de Tammy, para abençoar a união.

Em 2004, Melissa espantou as mágoas de ‘Skin’, trabalho realizado na dor da separação no 1º casamento e gravou novas canções. Veio a notícia do câncer no seio, com ablação e quimioterapia cancelando a turnê de divulgação do album Lucky.

A quimio causou a queda dos cabelos, como vimos na cerimônia do Grammy de 2005, mas não conseguiu destruir a coragem e determinação desta diva e exemplo de mulher batalhadora. Melissa cantou, na ocasião, "Piece of My Heart" em homenagem a Janis Joplin e recebeu merecidíssimos aplausos de pé da platéia.

Abril de 2006 trouxe duas alegrias: o prêmio Stephen F. Kolzak da GLAAD Media Awards. Esta honra é para gays assumidos do ramo da mídia e entretenimento que direcionam seu trabalho para a eliminação da homofobia. E Tammy Lyns ficou grávida de um doador anônimo. Os gêmeos, Johnnie Rose e Miller Steven, nasceram em 17 de outubro de 2006.

O casal pediu aos amigos que não mandassem presentes materiais e, sim, os destinassem ao enxoval do bebê de uma mulher grávida e carente. Mesmo assumidamente lésbica, nunca escreveu um tema específico (o título do álbum “Yes, Iam” já diz ao que veio).

O biógrafo Chris Nickson escreve: "as canções de Melissa são dirigidas a todos. Heteros e gays sentem do mesmo jeito. É no coração que está tudo. Paixão e amor é  que interessa, não orientação sexual”.

Meu respeito e admiração pela artista excepcional, pela coragem na adversidade, pela coerência, pelo reconhecimento público de seu sucesso e pelo próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

No site oficial de Melissa vocês encontram o vídeo da entrega do Oscar, o discurso e a canção.Confiram, vão gostar.

  





LEIA OS COMENTÁRIOS

4/3/2007 10:45:55 - patricia (pat-souza@hotmail.com)
Sou fã da Melissa acredito que ela seja uma das lesbicas mais ativistas do mundo, sempre vivendo com visibilidade sua homossexualidade. Parabens pela materia, a Melissa merece!!!! Bjos
3/3/2007 12:06:05 - Daniela e Maria Luisa (coeurdebeurre@gmail.com)
Ave,Thereza! Nós te saudamos! Somos um casal feliz e fãs da Melissa. Parabéns pelo excelemt texto Beijos Dani e Mallu


                                



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