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  Cultura GLS: CINEMIX
Guia
6/6/2007
Quer saber quais são os filmes mais legais em cartaz no fim de semana da Parada?
Por Christian Petermann


Toby Jones, como Capote e Daniel Craig, ambos em Confidencial

Entre os filmes em cartaz nos cinemas durante a Semana do Orgulho Gay de São Paulo, há alguns títulos de interesse aos moradores e turistas.
 


Com o feriado de Corpus Christi na quinta-feira, 07, os filmes estréiam um dia antes do habitual no circuito comercial de São Paulo. Pelo que parece, as distribuidoras não atentaram para a Semana do Orgulho GLBT e nada programaram de especial para a ocasião. O filme de interesse específico mais forte e mais recente é, no caso, Confidencial, de Douglas McGrath, que trata do mesmo assunto que o filme Capote, de Bennett Miller, abordou há um ano – ou seja, o processo de criação do revolucionário romance jornalístico A Sangue Frio, de Truman Capote. De quebra, ambos os filmes investigam detalhes da relação íntima desenvolvida entre Capote e Perry Edward Smith, um dos dois assassinos que chacinaram uma família numa fazenda do Kansas nos anos 1950.

O ator Philip Seymour Hoffman conquistou o Oscar por sua interpretação em Capote, mas havia um tom excessivamente cerebral em seus cacoetes e afetações. Hoffman em muitos momentos lembrou sua interpretação de um transformista em Ninguém é Perfeito, do diretor assumido Joel Schumacher. Já o pouco conhecido ator inglês Toby Jones faz um Capote muito mais espontâneo e autêntico, com a mesma ênfase em inflexão de voz e trejeitos. De carreira prolífica – mais de trinta filmes desde 1992 –, ele personificou recentemente tipos fantásticos em Harry Potter e a Câmara Secreta (o elfo Dobby) e Em Busca da Terra do Nunca (Smee). Sua estatura contribui para essas caracterizações e para aumentar a estranheza de seu Capote. É um ótimo ator!


O filme de McGrath – acostumado a adaptações literárias, como Emma (1996) e Nicholas Nickleby (2002) – leva às telas o livro de George Plimpton sobre Capote, obra que enfatiza bem sua homossexualidade. Dessa forma, um plus desta nova versão é mostrar o escritor como um peixe completamente fora d’água no Kansas, mas com incrível capacidade de adaptação em prol de uma “causa maior”. Na hora em que sua excentricidade e as fofocas da Hollywood de que era íntimo derrubam as barreiras dos moradores locais, Capote torna-se estrela tão grande quanto nas rodas aristocráticas de Nova York. Pura persuasão gay!

E Perry Smith aqui é personificado por ninguém menos do que o novo 007, Daniel Craig, com de início estranhas lentes de contato escuras e cabelo tingido de preto. Sua virilidade e rompantes de fúria combinam com a docilidade manifesta ao lado de Capote e de idílios intelectuais e sensíveis. É a atração de pólos opostos, em realidade social e constituição física. Craig explora bem seu sex appeal. E é um dos motivos para se assistir a este bom filme. Sem falar na impecável reconstituição de época, num bonito número cantante com Gwyneth Paltrow, na revelação do lindinho Lee Pace (que interpreta o outro assassino, Dick Hickock), na correta presença de Sandra Bullock como a melhor amiga de Capote, Peggy Lee, e, por fim, num fantástico elenco de atrizes, que inclui ainda Sigourney Weaver, Isabella Rossellini e Hope Davis. São motivos suficientes.

No feriado estréia também um filme brasileiro que merece uma espiada, Não por Acaso, primeiro longa do promissor cineasta Philippe Barcinski, de sólida carreira como curta-metragista. Paulistano na essência, o filme nada tem de GLBT, mas é uma obra delicada e íntima, bem construída, com extremo carinho por seus personagens e por ícones da “paulistanice”, como os cenários de prédios, o congestionamento, a solidão e a urgência do tempo. De quebra, há a presença de Rodrigo Santoro num papel desglamurizado e sensível, como Pedro, que ajuda seu pai a construir mesas de sinuca, a beleza de Letícia Sabatella, o talento de Leonardo Medeiros e as revelações de Branca Messina e Rita Batata. Pena que a trilha sonora estrague um pouco a beleza geral, por ser excessiva e com canções enxertadas de forma errada.

Outra estréia é a do documentário musical Atravessando a Ponte – O Som de Istambul, do diretor alemão de ascendência turca Fatih Akin, que conquistou o Urso de Prata no festival de Berlim com seu vigoroso Contra a Parede. Akin convidou o trilheiro deste filme, Alexander Hacke, do grupo de rock experimental Einstürzende Neubauten, para voltar para a capital turca e fazer uma viagem pela riqueza musical do país. É o que se vê aqui, numa jornada de volta ao passado: a dupla inicia com nomes jovens, do cenário pop e hip-hop, como os grupos Baba Zula e Replikas, para fechar com cantoras veteranas, como Müzeyyen Senar e Sezen Aksu. O colorido e a intensidade são inegáveis. Para amantes de culturas e musicalidades.

OUTRAS OPÇÕES:
Vermelho como o Céu: se você ainda não viu este filme, deve ver. Claro que se estiver com vontade de se emocionar bonito. É impossível ficar impassível ao belo tratamento que o diretor Cristiano Bortone dá à infância de um dos mais renomados editores de som do cinema italiano atual, Mirco Mencacci. Este ficou surdo quando ainda criança, nos anos 1970, e foi por isto enviado a um colégio especial para crianças com deficiências. Lá, ele descobriu o poder e a vibração dos sons e apresentou um admirável mundo novo de forma lúdica. E Bortone traduz esta sensação com intensidade emocional e vocação para cult.


 


-- mostra Os Dez Anos da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, até sábado, 09, grátis, na Galeria Olido, uma co-realização da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual e da Secretaria de Participação para Parceria, com destaques da última edição do festival Mix Brasil, como diferentes programas especiais de curtas brasileiros e alguns longas-metragens. Entre eles, hoje às 14h30, o documentário O Terceiro Sexo Hindu, que segue a fotógrafa de Delhi, Anita Khemka, numa jornada para explorar a sub-cultura hijra – homens biológicos que se vestem como mulheres e rejeitam identificação com qualquer um dos gêneros. E mais o delicado drama francês Amor em Tempos de Guerra, sobre um triângulo jovem durante a Segunda Guerra, e os documentários O Fim do Arco-Íris, de Jochen Hick, sobre os novos rumos da luta por direitos, e Encontros e Desencontros, no qual quatro cineastas de Berlim retratam lésbicas entre 16 e 60 anos.


 


-- mostra Labirinto de Paixões, até domingo, 10, grátis, no Centro Cultural São Paulo e na Galeria Olido, que selecionou, entre outros, os ótimos: o ultra-gay Labirinto de Paixões (82), de Pedro Almodóvar; o bissexual e misterioso Lavagem à Seco (97); e o lésbico e intenso Assunto de Meninas (01).


 


-- As presenças de David Duchovny e Billy Crudup em Totalmente Apaixonados (não entre eles), comédia romântica com as ótimas Julianne Moore e Maggie Gyllenhaal


 


-- O talentoso ator Ryan Gosling, de Tolerância Zero, no thriller Um Crime de Mestre, ao lado dos mestres Anthony Hopkins e David Strathairn


 


-- A Família do Futuro em 3D: esta é para os que não moram em SP ou RJ – dirijam-se ao shopping Eldorado e divirtam-se com o futuro retrô e multicolorido com óculos de puro efeito


 


-- A dura (e por vezes divertida) vida das prostitutas de Madri está em Princesas, do catalão Fernando Leon de Aranoa, a partir da amizade entre uma puta espanhola (a ótima Candela Peña) e uma imigrante dominicana (a bela Micaela Nevárez)


 


-- O talento de Caio Blat no belo drama jovem Proibido Proibir, um triângulo amoroso universitário completado com Maria Flor e Alexandre Rodrigues


 

  




                                



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