
Morro, Apenas |
8/1/2008 |
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Morro, apenas
por Rafael Bacarolo
Não me dirijas tuas palavras ilusórias
elas levaram-me ao pó e às lamúrias incômodas.
Teu modo subjuntivo e claudicante de viver
cansou-me e neste instante só me resta a lâmina macia.
Não há sangue fluindo por entre meus dedos
somente a paz, que dói, todavia é paz que sinto.
Onde estavas quando o medo possuía meus sonhos?
É tarde querido, deixa-me dormir sob o firmamento gris...
A pupila dilata, e teu rosto desfigura-se diante
da minha glória eterna – meus olhos se negam a vê-lo.
Meus lábios, agora gélidos, já não dependem
de teu falso calor emanado de tua putrefata ferida.
Paguei meus pecados em teus braços serenos.
Irei para o céu dos justos após morrer de desamor?
Prefiro o limbo das crianças sem batismo a continuar
respirando seu ar ludibriante que me sufoca!
Sinto náuseas, devo vomitá-lo em instantes!
Ou será meu coração quebrado a me pregar peças?
Coração que já nem bombeia o denso liquido escarlate
– é a amiga morte a se apoderar de minh´alma exígua.
Ainda sinto o toque de tua pele alva que me protegia
assim como tenho o gosto amargo de tuas mentiras.
Queria apenas amá-lo, hoje somente apagá-lo
de meus jardins íntimos – bendito calvário.
O corte perpassa todos os males desses últimos anos
que estive ao teu lado. Caprichos, orgasmos e lama.
Meus movimentos tornam-se esmorecidos e desordenados,
mas o alívio é completo e insopitável, digo adeus, sem voltas.
O melhor da vida é permitir-se morrer e ressuscitar.
É ir do pó a poeta em três dias.
| 18/3/2008 01:04:57 | - | Acácio Brindo (acacio.brindo@hotmail.com) |
| Cara, muito, muito lindo. Adorei. Vc escreve muito bem. Parabéns. | ||
| 21/2/2008 10:29:53 | - | Tom (tomzine@bol.com.br) |
| O melhor da vida é ler este poema lindo, repleto da mais doce sensibilidade. Parabéns. Se tiver um tempinho, dê uma passadinha em meu blog e me diga se gostou : http://paredesteto.blogspot.com | ||