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  Identidade: MÍDIA
Retrô – Mídia
22/12/2006
TV, rádio, mídia impressa... O ano de 2006 marcou o crescimento da mídia gay
Por Redação
Foto: Reprodução


Coluna do Meio
Foto: Divulgação


Daniela Cicarelli no Beija Sapo
Foto: Divulgação


Capa da edição nº 3 da Key


A apresentadora Leticia Menetrier, do Out & About

O recorde batido na parada de São Paulo este ano – 2,4 milhões de pessoas – e a visibilidade dos negócios voltados ao público gay contribuíram para que a homossexualidade fosse discutida não apenas nos veículos do segmento, mas também na grande imprensa. Observa-se ainda, contudo, que a temática enfrenta certa resistência e, muitas vezes, é tratada com preconceito por pura falta de informação.

A TV talvez tenha sido o principal veículo de discussão de temas relacionados a gays e lésbicas em 2006. Três acontecimentos comprovam o fato: os especiais gays do programa “Beija Sapo”, da MTV, e as novelas “Cidadão Brasileiro”, da Rede Record, e “Páginas da Vida”, da Globo. Os três programas abordaram a homossexualidade sem estereótipos e conquistaram pela normalidade com que falaram de certos temas.

O “Beija Sapo”, comandado pela modelo Daniela Cicarelli, ganhou respaldo do Ministério Público e passou a ser exibido em horário nobre. Os três especiais – dois gays e um lésbico – levaram à telinha um verdadeiro “beijaço” sem preconceito. Quanto às duas novelas, a abordagem da homossexualidade foi bem mais tímida em “Cidadão” que em “Páginas da Vida”. Na primeira, o médico gay recém-formado Nilo (Thiago Chagas) compôs um triângulo bissexual com Juliana (Vanessa Goulart) e Agnaldo (Gustavo Haddad). Na segunda, Marcelo (Thiago Picchi) e Rubinho (Fernando Eiras) formam um casal gay bem relacionado e estruturado. Ainda não houve beijo entre eles, mas o autor, Manoel Carlos, já disse que o casal irá adotar uma criança em breve.

Na mídia impressa, relembramos em fevereiro os 30 anos da “Coluna do Meio”, a única coluna assumidamente gay da década de 70, escrita pelo jornalista, produtor e crítico teatral Celso Curi. Publicada pelo jornal Última Hora, a coluna possuía um caráter de cunho informativo, social e burlesco, mas, devido à pressão de grupos econômicos, de alguns leitores e ainda de um processo penal que Curi teve de enfrentar por atentado ao pudor, acabou sendo extinta pela própria direção.

Mas os anos mudaram e, em 2006, outras colunas gays surgiram ou passaram por mudanças. Em Brasília, a coluna “Diversidade”, escrita por Thales Sabino e publicada pelo jornal Tribuna do Brasil, se fortaleceu ainda mais. O jornal O Tempo abriu espaço para a diretora do Festival Mix Brasil, Suzy Capó, debater assuntos de interesse da comunidade gay e o diretor executivo do Mix Brasil André Fischer deixou sua coluna na Revista da Folha e cedeu espaço para Duílio Ferronato. Aqui no Mix Brasil, a seção Cio para Garotas ganhou novas colunistas: Bruna Angrisani substitui a querida Vange Leonel, que agora assina sua própria coluna, Nina Lopes é titular de “Redoma” e Dri Quedas estreou em dezembro a coluna “Sex in the Cio”.

Em agosto, o jornalista Ronald Villardo passou a assinar uma coluna no jornal O Globo. “Gay” faz parte do caderno Rio Show e traz toda semana dicas de lugares freqüentados por gays e lésbicas. Na estréia, a coluna apresentou um raio X da rua Farme de Amoedo, epicentro da vida gay de Ipanema. Personalidades como os estilistas Carlos Tufvesson e Beto Neves deram seus depoimentos. Outras colunas que também se fortaleceram em 2006 foram a “Cena G”, assinada pelo jornalista Émerson Maranhão e publicada pelo jornal O Povo, e a “Lado A”, assinada por Allan Johan e editada pelo jornal Hora H.

Em matéria de revistas, houve o lançamento da “Key”, de Érika Palomino, da Joyce Pascowitch Magazine e da Pablo International Magazine, editada pelo artista, curador e galerista mexicano radicado em Londres Pablo León de la Barra. No exterior, a revista inglesa “Out” passou por uma ampla reforma gráfica, ficando com visual mais agradável e moderno.

No rádio, o Projeto Pajubá estreou um quadro no programa “2 em 1” da Transamérica, em agosto. Sob comando de Gislaine Martins e Ricardo Sam, “2 em 1” discute temas recorrentes entre homens e mulheres. No canal pago Multishow estreou em outubro o programa de turismo “Out & About”, que entrevista personalidades e dá dicas sobre destinos que incluem Estocolmo, Hong Kong, Mykonos, Paris, Berlim, Miami, Sydney, entre outros.

Na internet, a novelinha espanhola “Lo que Surja”, criada por seis jovens estudantes, fez sucesso ao contar as peripécias desse grupo ao longo de 24 horas. Ainda na internet, a Folha Online estreou um boletim informativo com destaques do universo GLS, editado pelo jornalista Sérgio Ripardo. Enfim, 2006 foi um ano de crescimento significativo da mídia gay e de um comprometimento maior com o tema na grande imprensa. Que venha 2007!

  




                                



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