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  Identidade: NEGÓCIOS
Firme e Forte
24/8/2006
Edições GLS, do Grupo Summus, continuam na ativa e lançando ótimos títulos
Foto: Divulgação


Capa de "Lado B", de Lucia Facco
Foto: Divulgação


Capa de "Longa Carta para Mila", de Andrea Ormond

As Edições GLS, do Grupo Editorial Summus, continuam firmes no propósito de lançar livros para o público GLS. O selo, surgido em 1998, significou um fôlego no restrito e diminuto mercado editorial gay brasileiro, lançando títulos importantes, como “Diferentes Desejos” e “Sexo Secreto”, de Cláudio Picazzio, “Desclandestinidade”, de Pedro Almeida, e alguns dirigidos às mulheres, como “Postal de Alice Springs”, de Diana Simmonds, e “O Último Dia do Outono”, de Valéria Melki Busin.

À frente do selo estava Laura Bacellar, 45, que hoje faz as vezes de conselheira editorial. Este ano, a escritora ficou responsável pelo lançamento de dois livros, “O Lado B”, de Lúcia Facco, e “Longa Carta para Mila”, de Andrea Ormond. “É literatura pulsante, interessante, sem o menor enrosco com o fato de tratar da homossexualidade”, diz Bacellar.

Quem sentiu falta de novos títulos das Edições GLS pode ter achado que o selo foi extinto. Mas, segundo explicou a assessoria do Grupo Summus à reportagem do Mix Brasil, o que de fato aconteceu é que projetos arrojados levam tempo para chegarem ao mercado. Bacellar acrescenta que o que mudou foi a sua parceria com a editora. “Eu passei de editora única à conselheira. Um amigo meu ia ser o editor, mas acabou não dando certo por problemas pessoais dele, o que gerou essa descontinuidade. Foi uma pena, pois se há algo que tenho cada vez mais certeza é de que gays e lésbicas, apesar de muitos interesses em comum, têm gostos totalmente diferentes”, acredita.

A escritora acrescenta que, por esse motivo, o selo não tem lançado títulos dirigidos ao público gay masculino. “Não me sinto competente para publicar bem para homens além de livros de não-ficção, que são mais neutros”, explica Bacellar, que relembra o passado com carinho. “O Pedro Almeida ainda hoje, depois de mais de cinco anos do lançamento do ‘Desclandestinidade’, recebe e-mails congratulando sua coragem em contar sua história”, conta.

Para Bacellar, as Edições GLS “fizeram muito barulho e mostraram a importância de autores e obras para um segmento claramente identificado”. Mas ela aproveita para fazer uma ressalva. “Em vendas, a editora teve um resultado mediano. Isso deixa a recepção dos livros pelas livrarias bem fria, já que estamos num momento em que as lojas querem o que tenha giro rápido e apelo de massa. Livros especializados que não vendem loucamente não são pedidos, o que dificulta bastante que novos leitores fiquem sabendo e comprem as obras do modo mais comum, ao vê-las numa prateleira. Esse é um obstáculo que não foi vencido, mas é o mesmo que enfrentam todos os selos editoriais especializados”, aponta.

A escritora vê na divulgação sistemática uma forma de fortalecer ainda mais o mercado editorial gay. “Não há, por exemplo, uma lista de livros completa do que existe em catálogo de interessante para homo e bissexuais, transgêneros então nem se fala. Não há tampouco uma lista de filmes, DVDs, CDs, nada, é tudo muito incompleto e disperso. Nós somos, como grupo, muito descuidados quanto à nossa história e ao que estamos produzindo”, destaca.

Se o mercado editorial segmentado ainda tem muito a aprender, as Edições GLS tem muito a comemorar. Bacellar, como a maior representante desse mercado, é prova disso. “Ao publicar obras como ‘Tríbades Galantes’, ‘Fanchonos Militantes’, ‘Auto-estima para homossexuais’, ‘Papai, mamãe sou gay’, a editora oferece ao público uma biblioteca básica de informações precisas e sem preconceito sobre homossexualidade”, diz.

“Ao lançar autores como Vange Leonel, Valéria Busin, Angelo Pereira, contribui para divulgar idéias de homossexuais atuantes e assumidos sobre as coisas mais variadas. Nesse aspecto ela foi pioneira, e fico feliz em ver que, apesar de não haver nenhum outro selo exclusivamente dedicado a homossexuais, ainda assim editoras variadas vêm arriscando publicar gays e lésbicas assumidos, cumprindo a função de tornar nossa cultura mais múltipla”, conclui.

Saiba mais sobre o selo acessando o site oficial.

:: Editora Planeta se destaca com um infindável número de lançamentos de temática gay e lésbica

  




                                



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