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  Identidade: NOSSA LÍNGUA
A nova masculinidade
3/7/2006
Mark Simpson, inventor do termo metrossexual, escreve artigo para o Mix Brasil
Foto: Divulgação


Mark Simpson

Colaborador de diversas publicações gays (como a Out Magazine), autor de diversos livros sobre gêneros sexuais e cultura popular e criador dos termos como “metrossexual” e “sporno”, Mark Simpson escreve exclusivamente para o Mix Brasil sobre a nova masculinidade, a linguagem contemporânea e o seu trabalho. Confira a seguir o texto na íntegra.

“A cultura está mudando em uma velocidade fenomenal e nossa língua precisa acompanhar o passo. A palavra ‘metrossexual’ ganhou o mundo porque, como resultado da globalização e do consumismo – Beckham, por exemplo, é muito famoso em países onde a população nem joga futebol – a masculinidade está literalmente mudando de cara. De repente, as pessoas perceberam que esta era uma nova espécie de homem que emergia no meio delas. Elas podiam até apontar metrossexuais nas ruas, em seus ambientes de trabalho, em suas famílias. O padrão de masculinidade passou por uma mudança dramática e as linhas entre ‘gays’ e ‘héteros’ se dissiparam enormemente. A palavra ‘metrossexual’ serve para expressar essa mudança. Por último, não menos importante, é que a palavra fez com que as pessoas rissem.

De qualquer forma, timing é tudo. Eu escrevi pela primeira vez sobre a metrossexualidade em um jornal britânico em 1994, quando a tendência ainda estava a caminho. Mas era relativamente pequena e as pessoas podiam fingir que ainda não existia. Somente quando eu retornei ao tópico, em 2002, para a mais popular revista on-line do mundo, a Salon.com, em um artigo chamado ‘Meet the metrossexual’, é que as pessoas realmente entenderam o termo e começaram a usá-lo. O artigo começou a percorrer a Internet e muitos outros artigos surgiram, baseados nele, alguns me creditando, outros me ignorando totalmente.

Foi nesse ponto que a palavra começou a ser usada por agências de marketing – que a tornaram um nonsense completo. Mas, é assim, são profissionais de marketing. Eu concordo ainda que a imensa popularidade da palavra no mundo acabou gerando sérias discussões do fenômeno que representa. As pessoas que ignoravam o termo começaram a aclamá-lo. Certamente, isso também se deve à mídia britânica e americana. E, depois, eu acabei dando voz à essa mídia insaciável, escrevendo artigos sobre tratamentos de pele masculinos e o novo fenômeno da ‘metrosexmania’.

‘Retrossexual’ foi outra palavra que criei (no artigo ‘Becks the virus’ para Salon.com, em 2003) simplesmente para denotar a masculinidade daqueles que não são metrossexuais. O que nós costumamos conhecer como ‘homens de verdade’. Claro, era levemente preconceituoso por sugerir que a não-metrossexualidade masculina era antiquada. Mas então, isso acabou sendo verdade. Agora, a retrossexualidade em si mesma é algo que foi apropriado pela metrossexualidade. A moda das barbas postiças é um exemplo disso. Alguns metrossexuais gostam de se passar por retrossexuais, mas essa retrossexualidade é tão estudada, tão mediada e existe somente pelo desejo de ser fashion, que não passa, definitivamente, de uma metrossexualidade ainda mais elevada”.
 

  




                                



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