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Rita Mustafa |
14/9/2006 |
Foto: Divulgação![]() |
Paulista, bacharel em Direito, Rita é bancária aposentada, radicada na cidade de São Paulo, no bairro Itaim Bibi, há mais de 20 anos.
Aos 17 anos era professora e aos 20 foi admitida, através de concurso público, na Caixa Econômica do Estado de São Paulo (Nossa Caixa). Bacharel em Direito e inscrita na Ordem, fez especialização na USP em 2005 e ingressou para os cursos de jornalismo, na Unifai, e Teologia, no Mackenzie, em 2006.
Em entrevista ao Mix Brasil, Rita falou sobre suas propostas para GLBT, comprometendo-se a assinar e propor “todas as reivindicações que vierem da comunidade” e enfatizando que “os leitores mandam, o deputado obedece”.
Quais são suas propostas para a comunidade GLBT?
Está na hora de sermos representantes políticos e não só um reduto eleitoral. Direitos iguais, parceria civil e a inclusão da homofobia como crime hediondo, na Lei 8.072/90 do Código Penal, são as minhas principais metas. Outras virão com a assessoria de vocês. Assinarei e proporei todas as reivindicações que vierem da comunidade GLBT, alicerçadas na Constituição Federal, artigo 5º, e nos princípios do respeito e da dignidade humanas.
Como pretende conquistar seus eleitores gays?
Com a verdade. Com coragem, ousadia e capacidade para lutar por nossos legítimos interesses. Além de homossexual, sou bacharel em direito e tenho OAB - sei que nossos direitos são indeclináveis e a Constituição soberana: “Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza.” Meu compromisso é exclusivo com a comunidade GLBT e não é possível protelar mais. Chega de promessas de políticos que só querem conquistar nossos votos, com falsas esperanças. Temos justos direitos garantidos por nossa Constituição e até hoje os projetos não saíram do papel, por quê? Porque convém a eles, para continuar nos iludindo e se reelegendo. A real representação é assim: “os eleitores mandam, o deputado obedece”.
De que forma pretende pressionar pela aprovação dos projetos pró-gays que estão parados no Congresso?
Não pretendo apenas pressionar, mas exigir – com projetos inteligentes, bem elaborados e bem fundamentados – o cumprimento do preceito constitucional: “Todos são iguais, sem distinção” (art 5º.) e incisos X e XXXV. Se “são invioláveis a intimidade, a honra, a imagem das pessoas” e se “a Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, tampouco os outros parlamentares o farão – ou eu os denunciarei por crime (inafiançável) de discriminação. Assumo o compromisso de disponibilizar, com o meu salário, hospedagem e transporte para que os representantes das associações GLBT venham participar das Assembléias e conclamar a aprovação de leis que nos favoreçam. Desta forma, em conjunto, pressionaremos e exigiremos nossa esperada justiça e igualdade.
Quais as principais reivindicações da comunidade gay de seu Estado?
Estamos “divididos” por opção e não por estados. O que todos queremos pode ser resumido em uma única frase: “respeito e direitos iguais”. Um país mais justo, mais evoluído e mais democrático (a exemplo da Bélgica, Holanda, Espanha) começa por garantir e atender os direitos inalienáveis dos cidadãos. Somos amparados por nossa Carta-Magna. Mais que lutar por reivindicações, quero defender nossa honra e dignidade, com a consagração da união estável entre homossexuais. O respeito será conseqüente.
Como você vê a participação de gays, lésbicas e transexuais na política?
Essencial. Somos milhões de cidadãos produtivos, responsáveis e independentes contribuindo com o Estado - não somos um ‘peso’. Repito: está na hora de sermos representantes políticos das nossas bandeiras e não apenas eleitores daqueles que dizem nos representar. Chega de exploração da nossa esperança. Chega de exclusão Iremos nós, um a um, assumir o papel que nos cabe na sociedade. Temos o que poucos têm: cultura, determinação, coragem, ousadia, um grande senso de justiça e preocupação com o bem comum. Queremos “inclusão já!” no quadro político do país. Conto com vocês. Obrigada. Forte abraço!
Rita é candidata do PV a deputada federal. Seu número é 4385.
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