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  Mundo X: NOITE ONLINE
E a festa acabou?
14/9/2006
O clássico Bailão fecha para reforma enqunato o clube Cantho segue firme no centrão de São Paulo


A Cantho

A vida noturna tem dessas coisas. Mesmo assim, é um choque saber que um local pitoresco e divertido está fechando suas portas. Mesmo quando não se freqüenta muito tal local, e só se vai de vez em quando, é aconchegante saber que ele existe e estará sempre lá nos esperando.

O ABC Bailão, famoso e bem-sucedido há quase 10 anos, resolveu fechar para reformas. A casa ocupa o mesmo imóvel onde funcionou por anos um dos principais clubes gays da década de 80 em São Paulo: o Homo Sapiens, vulgo HS. Em janeiro de 1997, reabriu com o nome de American Graffiti, e logo foi apelidado de ABC Bailão, ou simplesmente Bailão.

Por ali passava um público basicamente masculino de meia-idade. Povo acima dos 40, dos 50, dos 60. Mas também algumas mulheres e uma leva de rapazes. A trilha sonora do local também era clássica. Muita disco, anos 70, 80, drag music, pop rock brasileiro de todas as épocas, axé, forró, pagode, e a lendária seleção de músicas lentas, com os casais dançando a la Festa-Baile.

O Bailão reinou sozinho nos últimos anos, instalado no Centro de SP, como única opção mais diretamente focada no público maduro. Até que, em junho último, entrou em cena a Cantho. Com uma roupagem mais moderna, decoração e sistema de luz atualizado, e localizada no Largo do Arouche, vizinha aos montes de bares gays da Avenida Vieira de Carvalho, a casa foi seduzindo o público cativo do Bailão.

Passados 3 meses, a Cantho tem tido um panorama parecido com o esquema do Bailão: público maduro misturado ao núcleo jovem e trilha flashback. Mas o clube trouxe algumas novidades: noites especiais como a domingueira Love is in the Air, com correio elegante e outras atrações. Além disso, é um local com grande infra-estrutura, incluindo camarote e 3 bares num espaço para cerca de 800 pessoas, ao contrário das 450 que cabem no Bailão.

Diante disso, o gerente do Bailão, José Marcos, decidiu fechar sua casa por 40 dias para reformas, devendo reabrir em outubro, mas ainda sem data definida. José Marcos declarou à Folha Online que reconhece que "alguns frequentadores migraram para a Cantho". A reforma do Bailão prevê a troca do piso, da cabine de som e dos bares.

E a Cantho, como vê essa situação? "É outra casa, em comum temos apenas o público-alvo e o gênero musical", diz José Geraldo, um dos sócios da Cantho. "Nem tanto a música, porque o Bailão toca um saladão musical, e nós tocamos mais flashback mesmo". José Geraldo reforça que somente aos domingos a Cantho costuma executar algumas faixas mais ecléticas, mas no geral o som é dance music dos anos 70, 80 e 90.

"Não tem rivalidade nenhuma, torço para que o Bailão faça sucesso", continua ele. "A minha opinião, de empresário, é que eles fecharam para melhorar um pouco a casa, porque eles não estavam investindo no conforto do cliente. Agora, com essa reforma, eles vão resgatar o público fiel do Bailão".

José Geraldo acredita que o Bailão tem o seu público certo e que há espaço para todos. "A idéia não é competir, e sim oferecer coisas diferentes. E o Bailão tem essa tradição, essa coisa mística, essa coisa mágica, ele tem essa magia". Esperamos que essa magia volte a brilhar em breve!

:: Conheça o site do clube Cantho

  




                                



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