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Toy, E.Joy, Fluid, Lili... |
25/7/2008 |
Pista da Festa da Lili, 3 mil pessoas em Brasília |
André Garça, produtor da label En.Joy e das festas E.Go e ISound |
Para ser label é preciso ter história. Qualidade e credibilidade na cena também. Opção aos clubes estabelecidos, grandes festas têm surgido nas capitais brasileiras. Desde a X-Demente (quando ainda era Val Demente), a cultura da label party já é velha conhecida dos brasileiros há 15 anos. Mas foi nos últimos anos que se espalhou por outras capitais além do circuito Rio-SP. O mais legal nisso é que as pessoas podem escolher entre uma festa que rola em um clube ou outra em um teatro em pleno centro de Porto Alegre, por exemplo. E isso não significa exatamente uma concorrência. A periodicidade das labels é pequena e não chega a influenciar muito no movimento das casas. Muitas vezes, o dono dessas duas opções é o mesmo.
As labels são inspiradas em festas européias que costumam atrair milhares de pessoas a cenários inusitados. No Brasil, esse movimento começou no Rio de Janeiro com a já não tão periódica X-Demente, iniciada por Fábio Monteiro em um apartamento da
cidade em 1993. A festa foi crescendo e chegou ao ponto de perder as contas de quantas edições teve. A cena ficou forte e a X fez duas incursões paulistanas em 2004. Foi o suficiente para lançar sementes no ainda carente terreno paulistano e inspirar a E.joy e, mais tarde, a Toy. Em 16 de abril de 2004, o extinto clube Piranha recebeu a primeira das cinco edições da Toy realizadas mensalmente ali, o embrião do que viria a ser a The Week São Paulo. "Era uma época carente de labels, dava para sentir que as pessoas não queriam só ficar dentro dos clubes. A Toy surgiu como uma alternativa lúdica, diferente", lembra André Almada, comandante da The Week e da Toy. A label teve até hoje 10 edições, a última realizada na TW durante a 12ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, em maio.
Em junho de 2004, a E.joy, de Rodrigo Zanardi e Edinho Vasquez, ocupava o Teatro Mars, em São Paulo, criando o primeiro caldeirão da noite gay paulistana. Com incríveis intervenções circenses possíveis graças ao alto pé-direito do local, a festa contou com line-up totalmente nacional e focou em um público formador de opinião que sabe diferenciar uma festa ruim de uma boa. Foi a E.joy que trouxe ao Brasil pela primeira vez nomes bombados atualmente como Offer Nissim, Maya e Deborah Cox. "Nossa maior preocupação era com o line-up, a proposta era trazer DJs internacionais
inéditos e outros nacionais que tivessem em alta ou tocassem um som inusitado", explica Zanardi. Foi também em uma das E.joys, que costumam atrair 1.500 pessoas, que a DJ Ana Paula, na época conhecida apenas no Rio de Janeiro, conquistou seu espaço na noite gay paulistana e começou a ampliar seu território de apresentações.
A idéia deu certo e viajou para outros lugares do Brasil como Florianópolis e Porto Alegre. Nos pampas gaúchos, apenas uma edição foi realizada, em um teatro antigo do centro da cidade em 2006. Já na terra dos manezinhos a coisa foi mais longe e acontece todo Carnaval e Ano Novo há três anos no Lagoa Iate Clube, às margens da Lagoa da Conceição.
Para cima
Os baianos também sentiram a X-Demente reverberar e aproveitaram o Ano Novo
para lançar a Fluid, nascida pelas mãos de Marco Santo e que já conta com cinco edições de sucesso. "A oferta de eventos com uma melhor qualidade para o público gay de Salvador era muito pequena, então resolvi criar em 2004 uma festa que fosse top de linha para a cidade usando os conhecimentos que adquiri morando muitos anos fora do Brasil e colaborando com várias outras labels na Itália", recorda Marco, que atualmente mora na cidade italiana de Padova. Vem de lá a inspiração para realizar uma vez por ano uma festa que tem como conceito oferecer sempre novidades para o público, bons DJs da cena nacional e internacional, boa cenografia, iluminação e organização. "Coisas que faltaram e faltam ainda na cena noturna de Salvador." A Fluid já rolou nos mais diversos lugares: seja em um dos fortes históricos de Salvador (Forte Santo Alberto), em um estacionamento no Porto da Barra, casas de eventos como o Cais Dourado ou no Museu de Arte Moderna (MAM), tanto faz, o importante é
transmitir a vibe para uma média de público que fica perto de 2 mil pessoas.
Essa carência de festas também foi observada pela amazonense Liliane Santana, a Lili, em Brasília, em 2005. "Aqui não tinha muita coisa para se fazer de domingo", conta. E foi com a tranqüilidade de um domingo que começou a label mais famosa do Centro-Oeste, a Festa da Lili, que costuma reunir um público médio de 3 mil pessoas e assoprou as velinhas de quatro anos no último dia 12 de julho, no Marina Hall. Tudo começou quando Lili decidiu organizar uma festa de aniversário onde cobrava R$ 10 e pedia para os convidados levarem uma caixa de cerveja. Com o sucesso da idéia e o conseqüente crescimento de público, o jeito foi se profissionalizar para evitar confusões. "Cada um levava uma marca de cerveja, isso dava briga. Decidi cobrar os 10 reais para o custo da festa e montar um bar para vender a bebida." Nas festas dela, héteros, gays e lésbicas se misturam numa boa para dançar ao som de DJs como os residentes Vilson e Vlad e gringos como Chris Cox. "Não tem muita opção, vem todo mundo pra cá."
Para baixo
No berço da mãe de todas as labels nacionais, a X-Demente, surgiu em agosto de 2004 a mensal E.njoy, sob a batuta de André Garça e Tarcísio Generoso, para
comemorar os dois anos de existência do site editado por André, o Cena Carioca. O espaço escolhido para esse começo foi o extinto clube Penélope, no Arpoador, que abrigou uma noite recheada de muito house, electro e techno. A label resistiu ao tribal house bate-cabelo até a edição de novembro de 2004, na Bunker, em Copacabana, onde o DJ João Neto detonou o som até então excluído e ferveu a pista. Mesmo com a entrada do ritmo, a festa continuou sendo mais clubber, sem gogo-boys, drag queens e dark rooms. A label ficou conhecida como tendo um dos flyers mais criativos do Rio de Janeiro. O fôlego da E.njoy persistiu por 36 edições e deu uma pequena baixada depois de outubro de 2007 - sua última edição. André explica que fazer uma festa como a E.njoy com uma estrutura satisfatória demanda muito tempo e dinheiro, o que inviabiliza uma realização mensal da label. Desde outubro, a E.njoy não dá as caras, mas constantes parcerias já colocaram a marca em eventos como o Ano Novo 2008 de Ipanema e o Vivo Rio. Ah sim, a letra E aparece separada no nome porque tem um significado especial: energia eletrônica entretém.
Frio
Mas parece que o luxo atraente dos clubes têm freado um pouco esse movimento das labels. Para os produtores, é um passo arriscado tentar transpor a infra-estrutura de um clube para lugares externos, na maioria das vezes abertos. Além disso, nem sempre o custo-benefício compensa e as despesas superam o lucro. Outra coisa que também está em jogo é a marca, a label da festa, e oferecer um serviço que deixa a desejar é um tiro no pé. "As pessoas não estão dispostas a ir a lugares que não oferecem um serviço de qualidade. Em uma label você tem que disponibilizar mais do que o mercado já oferece para atrair o público, conquistar a confiança das pessoas e construir sua marca", opina Almada. Essa consciência da necessidade de qualidade é unânime entre os produtores de grandes festas, que são obrigados a lidar ainda com obstáculos como a burocracia dos órgãos públicos na liberação de alvarás. "Isso desanima a gente, lugares e vontade de fazer a festa não faltam, mas não posso correr o risco de ter minha festa embargada no dia de acontecer", pontua Zanardi.
Mas boas notícias encerram esta matéria. A E.Joy e a E.njoy estão planejando festas. A Fluid de Ano Novo está garantida e a Festa da Lili continua "enquanto tiver
público", segundo a própria Lili. Além disso, a ainda novinha Gira-Sol (da The Week) pode ganhar também mais uma edição anual "em uma data especial", de acordo com Almada. Labels ou clubes? Os dois, oras!
* Matéria cedida pela revista JUNIOR
| 29/7/2008 23:58:55 | - | Felipe (fedantas@gmail.com) |
| E a BITCH, onde estão os comentários sobre ela?? | ||
| 27/7/2008 16:34:31 | - | João (joaoeduardo@hotmail.com) |
| Aqui em Campo Grande tem a Deluxe que acontece a cada 2 meses num club hetero de musica eletronica e ja trouxe Ana Paula, Joao Neto, Renato Cecin, Robix e outros. | ||
| 26/7/2008 21:09:24 | - | PERES (peresrusky@yahoo.com.br) |
| Na boa: tem "label party", tô fugindo... São caríssimas, cheíssimas, muita gente metida a não sei o quê... E você acaba não se divertindo... A melhor coisa é frequentar lugares que estão nas listas das "segundas opções": descobri isso recentemente e tenho tido belas surpresas: lugares com lotação civilizada, onde ninguém "bate" a sua carteira e que sempre fazem questão de sua presença, insistindo que volte (é minha opinião, mas tenho minhas dúvidas se vão publicar...). | ||
| 25/7/2008 21:58:55 | - | dennis (dennystlemos@hotmail.com) |
| público tem de sobra, foi o tempo em que brasileiro saía pra conhecer festa boa, hoje indo a essas festas a gente nota até o contrário | ||
| 25/7/2008 17:55:39 | - | Antonio (perfeito.sex@gmail.com) |
| Adorei a matéria, finalmente se dà o devido destaque aos nosso bons produtores de labels e as suas festas...e que venham mais festas! | ||
| 25/7/2008 16:20:08 | - | Guga Rahner (rahner.guga@gmail.com) |
| Muito boa a matéria. VIVA a cena! | ||